<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-55750104921950016</id><updated>2012-02-16T18:58:35.593-08:00</updated><category term='FLUVIOSANTOS'/><title type='text'>PROF:FLÚVIO SANTOS</title><subtitle type='html'>Este blog é para todos que seguem a evolução do homem,desde a religião,o tempo TEOCÊNTRICO,passando pela LITERATURA e analogando com a  FILOSOFIA</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>literaturasofia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12541528314244690654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SdD1ksZuCMI/AAAAAAAAABU/nYG7Fv1KG8Y/S220/Antonio_Jose_da_Silva_O%2520Judeu_1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>47</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-55750104921950016.post-7995586667238350169</id><published>2011-06-23T17:09:00.000-07:00</published><updated>2011-07-29T14:44:51.355-07:00</updated><title type='text'>SERMÃO DA MONTANHA</title><content type='html'>&lt;!-- Inclua esta tag na seção head ou logo antes da tag de fechamento da seção body --&gt;&lt;br /&gt;&lt;script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"&gt;  {lang: 'pt-BR'}&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;!-- Inclua esta tag onde desejar que o botão +1 seja exibido --&gt;&lt;br /&gt;&lt;g:plusone&gt;&lt;/g:plusone&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-EScP2pGo-so/TgPVkGoT-oI/AAAAAAAAAMc/j_2HypzV55E/s1600/21220o20sermao20da20montanha.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="246" width="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-EScP2pGo-so/TgPVkGoT-oI/AAAAAAAAAMc/j_2HypzV55E/s320/21220o20sermao20da20montanha.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SERMÃO DA MONTANHA - Versão para Professores(as) &lt;br /&gt;Sermão da Montanha - versão para professores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre ma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens. &lt;br /&gt;Tomando a palavra, disse-lhes:- “Em verdade, em verdade vos digo: Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque eles...” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro o interrompeu:- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André disse:- É pra copiar no caderno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filipe lamentou-se:- Esqueci meu papiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bartolomeu quis saber:- Vai cair na prova?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João levantou a mão:- Posso ir ao banheiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Judas Iscariotes resmungou:- O que é que a gente vai ganhar com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Judas Tadeu defendeu-se:- Foi o outro Judas que perguntou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomé questionou:- Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiago Maior indagou:- Vai valer nota?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiago Menor reclamou:- Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simão Zelote gritou, nervoso:- Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mateus queixou-se:- Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:- Isso que o senhor está fazendo é uma aula? Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica? Quais são os objetivos gerais e específicos? Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caifás emendou:- Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas? E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais? Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade. Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.- E vê lá se não vai reprovar alguém! Lembre-se que você ainda não é professor titular...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus deu um suspiro profundo, pensou em ir à sinagoga e pedir aposentadoria proporcional aos trinta e três anos. Mas, tendo em vista o fator previdenciário e a regra dos 95, desistiu.&lt;br /&gt;Pensou em pegar um empréstimo consignado com Zaqueu, voltar pra Nazaré e montar uma padaria...&lt;br /&gt;Mas olhou de novo a multidão. Eram como ovelhas sem pastor... Seu coração de educador se enterneceu e Ele continuou:-“Felizes vocês, se forem desrespeitados e perseguidos, se disserem mentiras contra vocês por causa da Educação. Fiquem alegres e contentes, porque será grande a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram outros educadores que vieram antes de vocês”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomé, sempre resmungão, reclamou:- Mas só no céu, Senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem razão, Tomé - disse Jesus - há quem queira transformar minhas palavras em conformismo e alienação.. Eu lhes digo, NÃO! Não se acomodem. Não fiquem esperando, de braços cruzados, uma recompensa do além. É preciso construir o paraíso aqui e agora, para merecer o que vem depois...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Jesus concluiu:- Vocês, meus queridos educadores, são o sal da terra e a luz do mundo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/55750104921950016-7995586667238350169?l=literaturateosofia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/feeds/7995586667238350169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2011/06/sermao-da-montanha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/7995586667238350169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/7995586667238350169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2011/06/sermao-da-montanha.html' title='SERMÃO DA MONTANHA'/><author><name>literaturasofia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12541528314244690654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SdD1ksZuCMI/AAAAAAAAABU/nYG7Fv1KG8Y/S220/Antonio_Jose_da_Silva_O%2520Judeu_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-EScP2pGo-so/TgPVkGoT-oI/AAAAAAAAAMc/j_2HypzV55E/s72-c/21220o20sermao20da20montanha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-55750104921950016.post-7784507998602063912</id><published>2011-06-10T09:44:00.001-07:00</published><updated>2011-06-10T09:44:51.666-07:00</updated><title type='text'>FUNDAÇÃO DA CIÊNCIA (OBRAS COMPLETAS)</title><content type='html'>Meus Escritos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FUNDAÇÃO DA CIÊNCIA&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No princípio Tu formaste&lt;br /&gt;Os Céus, anjos Terra e mares.&lt;br /&gt;E por ordem Tu colocaste&lt;br /&gt;Tudo para seus lugares &lt;br /&gt;Oh meu Deus fizeste o mundo&lt;br /&gt;E tudo  o seu procriar &lt;br /&gt;E sobre o abismo profundo&lt;br /&gt;Tu ficavas a flutuar &lt;br /&gt;Era a Terra tão vazia &lt;br /&gt;E não tinha alguma forma&lt;br /&gt;Fizeste com alegria &lt;br /&gt;Cada qual para a sua norma &lt;br /&gt;Estava, porém escuro. &lt;br /&gt;E Deus disse: Haja luz&lt;br /&gt;Estava muito seguro&lt;br /&gt;O primeiro dia eu propus  &lt;br /&gt;As águas também separei&lt;br /&gt;As da Terra e as celestiais&lt;br /&gt;O segundo dia Eu consagrei&lt;br /&gt;Para todos os imortais. &lt;br /&gt;O terceiro dia já começou&lt;br /&gt;Ajuntei as águas num só  lugar &lt;br /&gt;A parte seca se mostrou &lt;br /&gt;E de terra vou chamar &lt;br /&gt;As águas chamei de mares &lt;br /&gt;Eu dei ordem Para as terras&lt;br /&gt;Enchas em todos os lugares&lt;br /&gt;De árvores para as serras &lt;br /&gt;Faças todos frutos bons&lt;br /&gt;Frutas boas e deliciosas&lt;br /&gt;Tudo com sublimes dons &lt;br /&gt;Que tu fiques orgulhosa &lt;br /&gt;Eu fiz grandes luminares&lt;br /&gt;Para a Terra clarear&lt;br /&gt;O dia e a noite governares&lt;br /&gt;Para o Céu iluminar &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Também para o firmamento&lt;br /&gt;Eu fiz e não me arrependi&lt;br /&gt;Com grande contentamento&lt;br /&gt;Estrelas Eu pus ali &lt;br /&gt;Eu fiz tudo com cuidado&lt;br /&gt;E foi grande minha alegria&lt;br /&gt;Pois estava inspirado&lt;br /&gt;E acabou assim o quarto dia &lt;br /&gt;Quinto dia Já comecei&lt;br /&gt;Das águas criaram-se seres&lt;br /&gt;Peixes, aves, monstros criei.&lt;br /&gt;Pelos meus imensos poderes  &lt;br /&gt;E Deus os abençoou e disse:&lt;br /&gt;Oh seres frutificai-vos&lt;br /&gt;E pelo amor da planície&lt;br /&gt;Enchais e multiplicai-vos &lt;br /&gt;Então me obedeça oh Terra.&lt;br /&gt;Tu faças almas viventes &lt;br /&gt;Domésticos e da serra&lt;br /&gt;Os selvagens e valentes &lt;br /&gt;Então fiz a melhor obra&lt;br /&gt;Não são anjos nem querubim &lt;br /&gt;Não é leão nem a cobra&lt;br /&gt;E Deus expressara assim  &lt;br /&gt;O homem Nós o façamos&lt;br /&gt;Nossa imagem semelhança&lt;br /&gt;Feito Nós o modelamos&lt;br /&gt;Ele reine com confiança &lt;br /&gt;Macho e fêmea Eu vos criei&lt;br /&gt;Dominem sobre os animais&lt;br /&gt;Na Terra multipliqueis&lt;br /&gt;Sobre a mesma dominais. &lt;br /&gt;Tudo Eu vos entregareis&lt;br /&gt;Para o vosso mantimento&lt;br /&gt;Ervas verdes vós comereis&lt;br /&gt;Tudo como alimento &lt;br /&gt;E Deus viu que era mui bom&lt;br /&gt;Completou com alegria&lt;br /&gt;Colocou tudo a seu tom&lt;br /&gt;E terminou o sexto dia  &lt;br /&gt;Assim enfim terminei&lt;br /&gt;O que havia planejado&lt;br /&gt;Sétimo dia consagrei&lt;br /&gt;Para todo o procriado. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                                               A MAIOR CRIAÇÃO &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um boneco Deus formou&lt;br /&gt;O homem feito de pó&lt;br /&gt;Ele em suas narinas soprou&lt;br /&gt;Porém ele estava só &lt;br /&gt;Um jardim ali plantou &lt;br /&gt;Árvores em quantidades&lt;br /&gt;E de Édem Deus chamou&lt;br /&gt;A favor das divindades. &lt;br /&gt;Nesta terra tem muito ouro&lt;br /&gt;Tem diamantes e cristais&lt;br /&gt;Prata e cobre são tesouros&lt;br /&gt;Que no mundo não há  iguais. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Há árvore que dá  a vista&lt;br /&gt;Da vida e do bem, do mal.&lt;br /&gt;Mas um grande vigarista&lt;br /&gt;Havia no lar celestial &lt;br /&gt;O Senhor Deus ordenou&lt;br /&gt;Ao homem disse assim &lt;br /&gt;Todas árvores lhe dou&lt;br /&gt;Só não a central do jardim &lt;br /&gt;Seu nome conhecimento&lt;br /&gt;Pois é do bem e do mal&lt;br /&gt;Cumpra o seu mandamento&lt;br /&gt;Se queres ser imortal &lt;br /&gt;Deus o pôs para dormir&lt;br /&gt;Uma costela lhe tirou&lt;br /&gt;A mulher vou produzir&lt;br /&gt;Auxiliadora chamou &lt;br /&gt;Disse: por isso deixará&lt;br /&gt;A sua mão também seu pai&lt;br /&gt;Com sua mulher se unirá&lt;br /&gt;E na terra trabalhai &lt;br /&gt;Assim não serão mais dois&lt;br /&gt;Pois um só corpo serão&lt;br /&gt;Grande perfeição vós sois&lt;br /&gt;Não aceiteis separação &lt;br /&gt;Porém a astuta serpente&lt;br /&gt;Chamou a mulher e a iludiu&lt;br /&gt;Serás angelicalmente&lt;br /&gt;Ao seu coração subiu &lt;br /&gt;A fruta a mulher provou&lt;br /&gt;Chamou também teu marido&lt;br /&gt;Ao provar depois notou&lt;br /&gt;Que eles estavam despidos &lt;br /&gt;Deus ao homem perguntou&lt;br /&gt;Por que vos esconderam?&lt;br /&gt;Pois o homem relatou.&lt;br /&gt;Esconderam-se, pois temeram. &lt;br /&gt;E o homem  Deus falou&lt;br /&gt;Nus percebemos que estávamos&lt;br /&gt;E a gente se envergonhou&lt;br /&gt;E com isto nós chorávamos &lt;br /&gt;Quem falou que nus estavam&lt;br /&gt;Acaso a fruta comeste&lt;br /&gt;Calados continuavam&lt;br /&gt;Foi a mulher que tu me deste &lt;br /&gt;Adão para o Senhor disse.&lt;br /&gt;Deus falou para a mulher&lt;br /&gt;Por que fez esta tolice?&lt;br /&gt;A serpente me enganou &lt;br /&gt;Assim relatou a mulher&lt;br /&gt;E Deus disse a serpente:&lt;br /&gt;Porque fizeste o que bem quer&lt;br /&gt;Pagarás por tua tolice. &lt;br /&gt;E Deus disse para Adão&lt;br /&gt;Do trabalho comerá&lt;br /&gt;E a mulher dor de conceição&lt;br /&gt;Toda a vida sentirá &lt;br /&gt;E para a astuta serpente &lt;br /&gt;Comerás o pó da terra&lt;br /&gt;Brigarás eternamente&lt;br /&gt;Contra a mulher terás guerra &lt;br /&gt;E o Senhor os expulsou&lt;br /&gt;Do Édem eternamente&lt;br /&gt;E dois anjos colocou &lt;br /&gt;Guardando o divinalmente. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                                            DESTINO &lt;br /&gt;Era um menino&lt;br /&gt;Amigo mui fiel&lt;br /&gt;Desprezado na Terra &lt;br /&gt;Mas observado no Céu &lt;br /&gt;Seus irmãos são guerreiros&lt;br /&gt;Ele apenas pastor&lt;br /&gt;Um inimigo festeiro&lt;br /&gt;Contra o teu povo se levantou &lt;br /&gt;O gigante se levantou&lt;br /&gt;E contra o Senhor blasfemava&lt;br /&gt;Mas ele o Invocou&lt;br /&gt;Contra aquele que O insultava &lt;br /&gt;A terra obteve tremenda paz&lt;br /&gt;Quando o gigante caiu&lt;br /&gt;E no cantar veraz&lt;br /&gt;Diziam o povo: Ele matou dez mil &lt;br /&gt;Era um menino&lt;br /&gt;Que foi ungido por Samuel.&lt;br /&gt;De pastor de ovelhas &lt;br /&gt;A Rei de Israel. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                                                 ENCHENTES (um soneto) &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O Senhor Deus muito se entristeceu &lt;br /&gt;Pois sua melhor criação o abandonou&lt;br /&gt;A maldade neste mundo cresceu&lt;br /&gt;À imagem de Deus por eles chorou &lt;br /&gt;Em Noé a aliança veio a florescer&lt;br /&gt;Pois a esperança por ele brilhou&lt;br /&gt;O Senhor lhe explicou o que aconteceu &lt;br /&gt;Pois no mundo só maldade restou &lt;br /&gt;Mandarei chuvas por quarenta dias &lt;br /&gt;E quarenta noites podem durar&lt;br /&gt;Serão dias de tremendas agonias&lt;br /&gt;Mas um dia isto tudo vai findar&lt;br /&gt;Em Noé virá de volta a alegria &lt;br /&gt;Com água o mundo não vai acabar. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                                                    PAI DE TODOS (um soneto) &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um homem o Senhor Deus convocou&lt;br /&gt;Tirando o do meio daquela irmandade &lt;br /&gt;De grande amigo o Senhor lhe chamou&lt;br /&gt;Queria que ele conhecesse a verdade &lt;br /&gt;Abrão escutou e nada interrogou&lt;br /&gt;E creu e ganhou credibilidade&lt;br /&gt;Por ter crido Deus seu nome trocou&lt;br /&gt;Chamando-lhe de amigo de verdade &lt;br /&gt;Abraão o primogênito dos patriarcas&lt;br /&gt;E em nele virá a celestial semente&lt;br /&gt;Pois dele sairá o grande monarca &lt;br /&gt;E consolar do mundo toda a gente &lt;br /&gt;E ele será a poderosa arca&lt;br /&gt;Paz haverá na Terra novamente. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                                                  UMA EM CENTENAS (um soneto) &lt;br /&gt;O pecado para os Céus subiu&lt;br /&gt;E Deus para a Terra desceu&lt;br /&gt;A abominação ele enfim conferiu&lt;br /&gt;Uma grande cidade se perdeu &lt;br /&gt;A família justa dali partiu&lt;br /&gt;Pois o anjo lhe protegeu&lt;br /&gt;Uma mulher para trás olhou e viu&lt;br /&gt;E em estátua de sal faleceu &lt;br /&gt;Aquela cidade foi destruída&lt;br /&gt;Pois os anjos queriam conhecer&lt;br /&gt;Por isso pagaram com  as suas vidas &lt;br /&gt;E deserto a cidade passou a ser&lt;br /&gt;Pois não há como curar as feridas&lt;br /&gt;Mas tudo tinha que acontecer. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                                                        GANÂNCIA (um soneto) &lt;br /&gt;A religião sempre fora assim &lt;br /&gt;Enganado quem parte dela fizer&lt;br /&gt;Fazendo do povo o que bem quer&lt;br /&gt;Se disfarçando de querubim  &lt;br /&gt;Fazendo se de rosa em jardim&lt;br /&gt;Espetando e machucando a quem puder&lt;br /&gt;Moço moça marido e mulher&lt;br /&gt;Enganando e cegando até o fim &lt;br /&gt;Mas tu pagarás  todos os teus pecados &lt;br /&gt;Quando Cristo o nosso Senhor voltar&lt;br /&gt;Cobrarás teus servos escravizados &lt;br /&gt;Assim Jesus o Senhor vai falar &lt;br /&gt;Afastem de mim povos errados&lt;br /&gt;Teus pecados não irei perdoar &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                                      DESILIUSÃO (um soneto) &lt;br /&gt;O amor pelo próximo acabou&lt;br /&gt;O seu próximo ninguém mais ama&lt;br /&gt;Vendo o fraco sempre o difama&lt;br /&gt;Mas decepção Jesus não deixou &lt;br /&gt;Pois foi ele quem nos amou&lt;br /&gt;Mas se é forte o povo reclama&lt;br /&gt;Virando a costa a quem nos chama&lt;br /&gt;Pois o verdadeiro amor se acabou &lt;br /&gt;É muito fácil falar mal &lt;br /&gt;Mais fácil ainda é a oração&lt;br /&gt;Pois livra do lugar infernal &lt;br /&gt;Por isto tu abras seu coração&lt;br /&gt;Para o lugar o santo e celestial &lt;br /&gt;Para fugires do grande mal, amem o teu irmão. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A CARIDADE &lt;br /&gt;Ainda que eu falasse&lt;br /&gt;Dos homens e dos anjos a linguagens&lt;br /&gt;E o meu irmão não perdoasse&lt;br /&gt;Eu seria como selvagem &lt;br /&gt;Se u não tiver a caridade&lt;br /&gt;Seria como um ferro que soa &lt;br /&gt;Pois não amo de verdade&lt;br /&gt;E o meu caminhar será  à toa &lt;br /&gt;Mesmo com o dom da profecia&lt;br /&gt;Dos mistérios e da ciência&lt;br /&gt;Muita fé sem paciência&lt;br /&gt;Sem caridade nada seria &lt;br /&gt;Ainda que aos pobres &lt;br /&gt;Entregasse o meu dinheiro &lt;br /&gt;E deixasse de ser nobre&lt;br /&gt;Ou queimassem o corpo inteiro &lt;br /&gt;De nada me adiantaria&lt;br /&gt;Se não tivesse a caridade&lt;br /&gt;Sem o amor de verdade&lt;br /&gt;Nada em mim se aproveitaria &lt;br /&gt;A caridade é sofredora&lt;br /&gt;Porém não é invejosa&lt;br /&gt;É uma grande batalhadora&lt;br /&gt;É benigna não é maldosa &lt;br /&gt;Ela não se porta com indecência&lt;br /&gt;Não se irrita não suspeita o mal&lt;br /&gt;Pois tenhamos paciência&lt;br /&gt;Para entrar no lar celestial &lt;br /&gt;Só folga com a verdade&lt;br /&gt;Tudo sofre crê e espera&lt;br /&gt;A vida assim!ah quem me dera&lt;br /&gt;Pois nunca falha a caridade &lt;br /&gt;Havendo profecias serão aniquiladas&lt;br /&gt;Havendo línguas todas cessarão&lt;br /&gt;As ciências serão anuladas&lt;br /&gt;Pois todas as coisas passarão &lt;br /&gt;Porque parte conhecemos&lt;br /&gt;E em parte é profetizada&lt;br /&gt;Mas quando vier o perfeito saberemos&lt;br /&gt;E o que é em parte será aniquilada &lt;br /&gt;Pois quando eu era menino&lt;br /&gt;Fazia coisa de criança&lt;br /&gt;Falava e pensava como pequenino&lt;br /&gt;Mas cresci e obtive mudança. &lt;br /&gt;Agora vejo como um espelho&lt;br /&gt;Mas logo o veremos como Ele é&lt;br /&gt;E assim ouviremos seus conselhos&lt;br /&gt;Compartilhando a mesma fé &lt;br /&gt;Agora assim tem permanecido&lt;br /&gt;A fé com esperança e caridade&lt;br /&gt;Mais há qual nos tem favorecido&lt;br /&gt;A caridade que é o amor de verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/55750104921950016-7784507998602063912?l=literaturateosofia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/feeds/7784507998602063912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2011/06/fundacao-da-ciencia-obras-completas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/7784507998602063912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/7784507998602063912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2011/06/fundacao-da-ciencia-obras-completas.html' title='FUNDAÇÃO DA CIÊNCIA (OBRAS COMPLETAS)'/><author><name>literaturasofia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12541528314244690654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SdD1ksZuCMI/AAAAAAAAABU/nYG7Fv1KG8Y/S220/Antonio_Jose_da_Silva_O%2520Judeu_1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-55750104921950016.post-4480408466826770480</id><published>2009-12-16T15:22:00.000-08:00</published><updated>2009-12-16T15:34:47.113-08:00</updated><title type='text'>TRANSDISCIPLINARIDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SyltOJRc6gI/AAAAAAAAAMA/ukDfdy3idsw/s1600-h/TRANS.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 296px; height: 298px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SyltOJRc6gI/AAAAAAAAAMA/ukDfdy3idsw/s320/TRANS.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415980116664445442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transdisciplinaridade é uma abordagem científica que visa a unidade do conhecimento. Desta forma, procura articular uma nova compreensão da realidade articulando elementos que passam entre, além e através das disciplinas, numa busca de compreensão da complexidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Índice &lt;br /&gt;1 O que é? &lt;br /&gt;2 Diferenças entre transdisciplinaridade e interdisciplinaridade &lt;br /&gt;3 Instituções que estudam Transdisciplinaridade &lt;br /&gt;4 Fontes Bibliográficas &lt;br /&gt;5 Ver também &lt;br /&gt;6 Ligações externas &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O que é?&lt;br /&gt;Termo originalmente criado por Piaget, que no I seminário Internacional sobre pluri e interdisciplinaridade, realizado na Universidade de Nice, também conhecido com Seminário de Nice, em 1970, divulgou pela primeira vez o termo, dando então início ao estudo sobre o mesmo, pedindo para que os participantes pensassem no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, tendo o Centre International de Recherches et d`Études transdisciplinaires (CIRET) como um dos principais centros mundiais de estudos sobre os conceitos transdisciplinares, é um dos mais complexos, e por conseqüencia um dos mais estudados conceitos, onde ao mesmo tempo procura uma interação máxima entre as disciplinas porém respeitando suas individualidades, onde cada uma colabora para uma saber comum, o mais completo possível, sem transformá-las em uma única disciplina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é na Carta da transdisciplinaridade, produzida pela UNESCO no I Congresso Mundial de Transdisciplinaridade 1994, realizado em Arrábida, Portugal, com fundamental colaboração do CIRET, em que temos uma definição do conceito transdisciplinar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo 3: "(...) a transdisciplinaridade não procura o domínio sobre várias outras disciplinas, mas a abertura de todas elas àquilo que as atravessa e as ultrapassa (...)" &lt;br /&gt;Artigo 7: A transdisciplinaridade não constitui nem uma nova religião, nem uma nova filosofia, nem uma nova metafísica, nem uma ciência das ciências." &lt;br /&gt;No âmbito acadêmico, já no século XX, com o intuito de unir o mundo " não universitário" ao universitário, cuja separação se dá primordialmente pela hiperespecialização profissional, com grande número de disciplinas que não acompanham todo o desenvolvimento, principalmente na área tecnológica, temos um aprofundamento na utilização deste conceito, visando formar profissionais cada vez mais completos, compatíveis com as exigências do mercado de trabalho que este futuro profissional encontrará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim tão complexo quanto os problemas que tenta solucionar, tem-se a transdisciplinaridade, que por ser tão sutil, ser a linha tênue que une e serve de limite entre o comprometimento e o individualismo de cada disciplina, que não possui uma definição exata, e ao mesmo tempo é um dos mais necessários conceitos quando tratamos de formação e educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Diferenças entre transdisciplinaridade e interdisciplinaridade&lt;br /&gt;A transdisciplinaridade não significa apenas que as disciplinas colaboram entre si, mas significa também que existe um pensamento organizador que ultrapassa as próprias disciplinas. É diferente de interdisciplinaridade, que exemplificando através de uma analogia, é basicamente como as nações unidas, que simplesmente une para discutir os problemas particulares de cada região. Nisto a transdisciplinaridade é mais integradora. Para haver essa dita transdisciplinaridade, é preciso haver um pensamento organizador, chamado pensamento complexo. Pela criação de um meta ponto de vista e não de um ponto de vista. O verdadeiro problema não é fazer uma adição de conhecimento, é organizar todo o conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Instituções que estudam Transdisciplinaridade&lt;br /&gt;[[CETRANS - Centro de Educação Transdisciplinar [1]] &lt;br /&gt;[editar] Fontes Bibliográficas&lt;br /&gt;ALTHOFF, F.; FRAGA, D. Transdisciplinaridade em Basarab Nicolescu. In: SOUZA, I. M. L.; * &lt;br /&gt;FOLLMANN, J. I. (Org.) Transdisciplinaridade e Universidade. São Leopoldo: UNISINOS, 2003. p.15-20. &lt;br /&gt;ANTÔNIO, S. Educação e Transdisciplinaridade. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002, 151p. &lt;br /&gt;D’AMBRÓSIO, U. Transdisciplinaridade. São Paulo: Palas Athena, 1997, 174p. &lt;br /&gt;DOMINGUES, I. Introdução. In: DOMINGUES, I. (Org.). Conhecimento e Transdisciplinaridade. Belo Horizonte: UFMG/IEAT, 2001, 73p. &lt;br /&gt;GALVANI, P. A autoformação, uma perspectiva transpessoal, transdisciplinar e transcultural. In: &lt;br /&gt;SOMMERMAN, A.; MELLO, M. F.; BARROS, V. M. (Org.) Educação e Transdisciplinaridade. São Paulo: Triom, 2002. p.95-121. &lt;br /&gt;MELLO, M. F.; BARROS, V. M.; SOMMERMAN, A. Introdução. In: SOMMERMAN, A.; MELLO, M. F.; BARROS, V. M. (Org.) Educação e Transdisciplinaridade. São Paulo: Triom, 2002. p.9-26. &lt;br /&gt;NICOLESCU, B. Manifesto da Transdisciplinaridade. São Paulo: Trion, 1999, 167p. &lt;br /&gt;PAUL, P. A imaginação como objeto do conhecimento. In: SOMMERMAN, A.; MELLO, M. F.; BARROS, V. M. (Org.) Educação e Transdisciplinaridade. São Paulo: Triom, 2002. p.123-154. &lt;br /&gt;PAULO, M. N. Indagação Sobre a Imortalidade da Alma em Platão. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1996, 141p. &lt;br /&gt;PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000, 162p. &lt;br /&gt;RANDOM, M. O território do olhar. In: SOMMERMAN, A.; MELLO, M. F.; BARROS, V. M. (Org.) Educação e Transdisciplinaridade. São Paulo: Triom, 2002. p.27-42. &lt;br /&gt;ROCHA FILHO, JOÃO BERNARDES. Transdisciplinaridade: A Natureza Íntima da Educação Científica. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007. &lt;br /&gt;SILVA, E. M. P., E. Os caminhos da transdisciplinaridade. In: DOMINGUES, I. (Org.). Conhecimento e Transdisciplinaridade. Belo Horizonte: UFMG/IEAT, 2001, p.35-43. &lt;br /&gt;SOETHE, J. R. Transdisciplinaridade e teoria da complexidade. In: SOUZA, I. M. L.; FOLLMANN, J. I. (Org.) Transdisciplinaridade e Universidade. São Leopoldo: UNISINOS, 2003. p.21-28. &lt;br /&gt;SOMMERMAN, A. Inter ou Transdisciplinaridade? São Paulo: Paulus, 2006, 75p. &lt;br /&gt;WEIL, P. Rumo à nova transdisciplinaridade. São Paulo: Summus, 1993, 175p.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/55750104921950016-4480408466826770480?l=literaturateosofia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/feeds/4480408466826770480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/12/transdisciplinaridade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/4480408466826770480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/4480408466826770480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/12/transdisciplinaridade.html' title='TRANSDISCIPLINARIDADE'/><author><name>literaturasofia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12541528314244690654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SdD1ksZuCMI/AAAAAAAAABU/nYG7Fv1KG8Y/S220/Antonio_Jose_da_Silva_O%2520Judeu_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SyltOJRc6gI/AAAAAAAAAMA/ukDfdy3idsw/s72-c/TRANS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-55750104921950016.post-4775050916058420706</id><published>2009-07-28T15:53:00.000-07:00</published><updated>2010-02-07T06:03:18.810-08:00</updated><title type='text'>meus endereços</title><content type='html'>&lt;strong&lt;a href="http://www.capociencia.blogspot.com"&gt;&gt;&lt;a href="http://www.professorfluviosantos.blogspot.com/"&gt;www.professorfluviosantos.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;e um blog de filosofia ex religião e literatura e atualidades&lt;br /&gt;&lt;a href="http://sabedoriatual.spaceblog.com.br/"&gt;http://sabedoriatual.spaceblog.com.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;sobre literatura e crítica literária&lt;br /&gt;&lt;a href="http://literaturasofia.arteblog.com.br/"&gt;http://literaturasofia.arteblog.com.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;link de literatura muito bom&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.jayrus.art.br/"&gt;http://www.jayrus.art.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;e meu antigo blog&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.literaturateosofia.blogspot.com/"&gt;www.literaturateosofia.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.yahlogia.blogspot.com/"&gt;www.yahlogia.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.hawardinglesa.blogspot.com/"&gt;www.hawardinglesa.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br 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href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/07/meus-enderecos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/4775050916058420706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/4775050916058420706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/07/meus-enderecos.html' title='meus endereços'/><author><name>literaturasofia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12541528314244690654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SdD1ksZuCMI/AAAAAAAAABU/nYG7Fv1KG8Y/S220/Antonio_Jose_da_Silva_O%2520Judeu_1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-55750104921950016.post-1717118987025291901</id><published>2009-06-08T05:07:00.000-07:00</published><updated>2009-06-11T07:27:10.086-07:00</updated><title type='text'>CRITICA LITERÁRIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SjERXnKKWZI/AAAAAAAAALw/J4UK-oigjPc/s1600-h/toravodrimo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 230px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SjERXnKKWZI/AAAAAAAAALw/J4UK-oigjPc/s320/toravodrimo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346073330011756946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TROVADORES MEDIEVAIS - ORIGEM DA TROVA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesquisa de Clério Borges &lt;br /&gt;1 - Introdução &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 – Surgimento do Trovadorismo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 – Poetas e Músicos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 – Conceito de Trova &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 – Primeiras Manifestações &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 – Trovadores Provençais &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 – Gêneros Satírico e Lírico &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 – Os Cancioneiros Manuscritos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantigas de Escárnio &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantigas de Maldizer &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 - As Novelas de Cavalaria As Novelas dão origem as Cantorias de Viola dos Dias atuais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 - Expansão do Trovadorismo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 - Primeiros Trovadores &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 - Trovismo e Neotrovismo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13 - Entidades de Trovadores no Brasil Atual &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 -CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS (CTC) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 - DIRETORIAS DO CTC &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 - CTC NA INTERNET E NO BRASIL &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 - Bibliografia: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - Introdução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O surgimento da Trova está intimamente ligado à poesia da Idade Média. Durante a Idade Média, Trova era o sinônimo de poema e letra de música. Hoje a Trova possui a sua conceituação própria, diferenciando da Quadra e da Poesia de Cordel, e do Poema musicado da Idade Média. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trovadorismo foi a primeira escola literária portuguesa. Esse movimento literário compreende o período que vai, aproximadamente do século XII ao século XIV. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 – Surgimento do Trovadorismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir desse século, Portugal começava a afirmar-se como reino independente, embora ainda mantivesse laços econômicos, sociais e culturais com o restante da Península Ibérica. Desses laços surgiu, próximo à Galícia (região ao norte do rio Douro), uma língua particular, de traços próprios, chamada galego-português. A produção literária dessa época foi feita nesta variação lingüística. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura trovadoresca refletia bem o panorama histórico desse período: as Cruzadas, a luta contra os mouros, o feudalismo, o poder espiritual do clero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O período histórico em que surgiu o Trovadorismo foi marcado por um sistema econômico e político chamado Feudalismo, que consistia numa hierarquia rígida entre senhores: um deles, o suserano, fazia a concessão de uma terra (feudo) a outro indivíduo, o vassalo. O suserano, no regime feudal, prometia proteção ao vassalo como recompensa por certos serviços prestados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa relação de dependência entre suserano e vassalo era chamada de vassalagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, o senhor feudal ou suserano era quem detinha o poder, fazendo a concessão de uma porção de terra a um vassalo, encarregado de cultivá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da nobreza (classe que pertenciam os suseranos) e a classe dos vassalos ou servos, havia ainda uma outra classe social: o clero. Nessa época, o poder da Igreja era bastante forte, visto que o clero possuía grandes extensões de terras, além de dedicar-se também à política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os conventos eram verdadeiros centros difusores da cultura medieval, pois era neles que se escolhiam os textos filosóficos a serem divulgados, em função da moral cristã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A religiosidade foi um aspecto marcante da cultura medieval portuguesa. A vida do povo lusitano estava voltada para os valores espirituais e a salvação da alma. Nessa época, eram freqüentes as procissões, além das próprias Cruzadas - expedições realizadas durante a Idade Média, que tinham como principal objetivo a libertação dos lugares santos, situados na Palestina e venerados pelos cristãos. Essa época foi caracterizada por uma visão teocêntrica (Deus como o centro do Universo). Até mesmo as artes tiveram como tema motivos religiosos. Tanto a pintura quanto a escultura procuravam retratar cenas da vida de santos ou episódios bíblicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à arquitetura, o estilo gótico é o que predominava, através da construção de catedrais enormes e imponentes, projetadas para o alto, à semelhança de mãos em prece tentando tocar o céu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 – Poetas e Músicos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na literatura, desenvolveu-se em Portugal um movimento poético chamado Trovadorismo. Os poemas produzidos nessa época eram feitos para serem cantados por poetas e músicos. (Trovadores - poetas que compunham a letra e a música de canções. Em geral uma pessoa culta - Menestréis - músicos-poetas sedentários; viviam na casa de um fidalgo, enquanto o jogral andava de terra em terra - , Jograis - cantores e tangedores ambulantes, geralmente de origem plebéia - e Segréis - trovadores profissionais, fidalgos desqualificados que iam de corte em corte, acompanhados por um jogral) Recebiam o nome de cantigas, porque eram acompanhados por instrumentos de corda e sopro. Mais tarde, essas cantigas foram reunidas em Cancioneiros: o da Ajuda, o da Biblioteca Nacional e o da Vaticana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 – Conceito de Trova&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhece-se Trovas escritas nas línguas derivadas do Latim situadas na Península Ibérica, a saber: Português, Galego, Espanhol e Catalão, nos séculos X e XI. A Trova teria surgido junto com o alvorecer das línguas derivadas do Latim, as chamadas línguas romances. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Trova possui o seu conceito plenamente estabelecido: é o poema de quatro versos setissílabos com rima e sentido completo. Já Quadra é toda estrofe formada por quatro linhas de uma poesia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, não é verdade que Quadra e Trova sejam a mesma coisa e que a Trova evoca mais os Trovadores da Provença Medieval e que a Quadra seria uma forma de se fazer poesia mais moderna. A Quadra pode ser feita sem métrica e com versos brancos, sem rima. Aí então será só uma quadra sem ser a Trova que obrigatoriamente terá que ser metrificada. Trova, nos dias atuais, é cultuada como Obra de Arte, como Literatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A origem da Poesia Trovadoresca Medieval (que não pode ser confundida com a trova-quadra moderna nem a daqueles tempos recuados) perde-se no tempo, contudo foi a criação literária que mais destaque alcançou entre as formas poéticas medievais, originárias de Provença, Sul da França. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expandiu-se no século XII por grande parte da Europa e floresceu por quase duzentos anos em Portugal, França e Alemanha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Trovador Medieval representava a glorificação do amor platônico, pois a dama que era a criatura mais nobre e respeitável da criação, a mulher ideal, inacessível para alguns, passava a ser a pessoa a quem o referido Trovador endereçava os seus líricos versos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros Trovadores Modernos a fazerem Trovas sistematicamente para publicação, surgiram no século passado em Espanha e Portugal, na esteira dos folcloristas que as recolhiam em meio ao povo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 – Primeiras Manifestações&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a gênese da Trova Medieval, por falta de documentos sobre o folclore na Idade Média, os historiadores consideram a mesma imprecisa. Não há dados concretos que estabeleçam a época certa do surgimento da Trova Medieval. O que se tem registrado é que, entre 1.100 e 1.300, escritos de autores Espanhóis e Portugueses utilizavam, como recurso auxiliar, composições poéticas hoje reconhecidas como formas das primeiras manifestações "trovadorescas (ou seja, da trova medieval -- que é sinônimo, hoje, de poesia metrificada. Não se pode confundir com trovistas -- que trata da trova-quadra, a nossa quadra)" de que se tem conhecimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XI, com o início da reconquista cristã da Península Ibérica, o galego-português consolida-se como língua falada e escrita da Lusitânia. Os árabes são expulsos para o sul da península, onde surgem os dialetos moçárabes, a partir do contato do árabe com o latim. Em galego-português são escritos os primeiros documentos oficiais e textos literários não latinos da região, como os cancioneiros (coletâneas de poemas medievais), surgindo os Trovadores Medievais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TROVADORISMO – Foi um movimento poético propulsor de todo o lirismo medieval. Seu grande impulsor foi o duque de Aquitânia e conde de Poitier, Guilherme (1071-1127). Guilherme de Aquitânia gostava de compor cantigas e poemas, até então reservado apenas aos jograis e menestréis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TROVADOR – É uma palavra da língua d’ oc, acusativo singular de "trobaire" (poeta), proveniente do verbo trobar (inventar, achar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre 1 200 a 1240 existem cerca de 400 trovadores provençais, cuja obra era reunida em Cancioneiros manuscritos (chansoniers) e cujas biografias foram publicadas por Uc de Saint Circ.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 – Trovadores Provençais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o século XII é domínio absoluto do trovadorismo provençal. O nome provençal vem de Provença, cidade da França onde os reis e nobres começaram a cultivar o lirismo, antes apenas reservados aos jograis. Leonor, neta de Guilherme de Aquitânia divulga o gosto pela poesia e em sua corte de Toulouse divulga e incentiva os trovadores, surgindo os troveiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A influência dos Trovadores Provençais foi bem extensa. Na Itália deu origem aos Trovatori, de onde saíram Dante, autor da Divina Comédia e Petrarca e até o patrono dos modernos trovadores brasileiros, São Francisco de Assis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande rei Ricardo Coração de Leão, famoso pela história de Robin Hood, era filho de Leonor de Aquitânia e através de sua mãe aprendeu a ser amigo dos trovadores provençais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Península Ibérica (Portugal e Espanha) o reis se orgulhavam da condição de Trovador. Afonso II de Aragão (1126 – 1196), considerava-se o primeiro trovador da Catalunha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XIII e parte do século XIV, surgem na Península Ibérica, os trovadores galeco-portugueses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes existiam os duelos a cavalos, homens se guerreavam às vezes até a morte, para obterem o amor de uma dama da corte. Para substituir o sangrento espetáculo, os jovens passaram ao duelo poético declamando Trovas. Os que não tivessem o dom poético, simplesmente pagavam um poeta trovador para as disputas que ocorriam e assim o vencedor podia galantear a dama mais bonita da corte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 – Gêneros Satírico e Lírico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produção poética medieval portuguesa pode ser agrupada em dois gêneros: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - Gênero satírico: em que o objetivo é criticar alguém, ridicularizando esta pessoa de forma sutil ou grosseira; a este gênero pertencem as cantigas de escárnio e as cantigas de maldizer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São composições que expressam melhor a psicologia do tempo, onde vêm á tona assuntos que despertam grandes comentários na época, nas relações sociais dos trovadores; são sátiras que atingem a vida social e política da época, sempre num tom de irreverência; são sátiras de grande riqueza, uma vez que se apresentam num considerável vocabulário, observando-se, muitas vezes o uso de trocadilhos; fogem às normas rígidas das cantigas de amor e oferecem novos recursos poéticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os principais temas das cantigas satíricas são: a fuga dos cavaleiros da guerra, traições, as chacotas e deboches, escândalos das amas e tecedeiras, pederastia (homossexualismo) e pedofilia (relações sexuais com crianças), adultério e amores interesseiros e ilícitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs: Tanto nas cantigas de escárnio quanto nas de maldizer, pode ocorrer diálogo. Quando isso acontece, a cantiga é denominada tensão (ou tenção). Pode mostrar a conversa entre a mãe a moça, uma moça e uma amiga, a moça e a natureza, ou ainda, a discussão entre um trovador e um jogral, ambos tentando provar que são mais competentes em sua arte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Gênero lírico: em que o amor é a temática constante, são as cantigas de amor e as cantigas de amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A canção da Ribeirinha, de Paio Soares de Taveirós é considerada o mais antigo texto escrito em galego-português: 1189 ou 1198, portanto fins do século XII. Segundo consta, esta cantiga teria sido inspirada por D. Maria Pais Ribeiro, a Ribeirinha, mulher muito cobiçada e que se tornou amante de D. Sancho, o segundo rei de Portugal. )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"No mundo ninguém se assemelha a mim / enquanto a minha vida continuar como vai / porque morro por ti e ai / minha senhora de pele alva e faces rosadas, / quereis que eu vos descreva (retrate) / quanto eu vos vi sem manto (saia : roupa íntima) / Maldito dia! me levantei / que não vos vi feia (ou seja, viu a mais bela)." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantigas de amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta cantiga o eu-lírico é masculino e o autor é geralmente de boa condição social. É uma cantiga mais "palaciana", desenvolve-se em cortes e palácios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome da mulher amada vem oculto por força das regras de mesura (boa educação extrema) ou para não compromete-la (geralmente, nas cantigas de amor o eu-lírico é um amante de uma classe social inferior à da dama). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A beleza da dama enlouquece o trovador e a falta de correspondência gera a perda do apetite, a insônia e o tormento de amor. Além disso, a coita amorosa (dor de amor) pode fazer enlouquecer e mesmo matar o enamorado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 – Os Cancioneiros Manuscritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Cancioneiro da Ajuda &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copiado (na época ainda não havia imprensa) em Portugal em fins do século XIII ou princípios do século XIV. Encontra-se na Biblioteca da Ajuda, em Lisboa. Das suas 310 cantigas, quase todas são de amor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) Cantigas de amigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cantigas de amigo apresentam eu-lirico feminino, embora o autor seja um homem. Procuram mostrar a mulher dialogando com sua mãe, com uma amiga ou com a natureza, sempre preocupada com seu amigo (namorado). Ou ainda, o amigo é o destinatário do texto, como se a mulher desejasse fazer-lhe confidências de seu amor. (Mas nunca diretamente a ele. O texto é dialogado com a natureza, como se o namorado estivesse por perto, a ouvir as juras de amor). Geralmente destinam-se ao canto e a dança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguagem, comparando-se às cantigas de amor é mais simples e menos musical pois as cantigas de amigo não se ambientam em palácios e sim em lugares mais simples e cotidianos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme a maneira como o assunto é tratado, e conforme o cenário onde se dá o encontro amoroso, as cantigas de amigo recebem denominações especiais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) Cancioneiro da Vaticana - Trata-se do códice 4.803 da biblioteca Vaticana, copiado na Itália em fins do século XV ou princípios do século XVI. Entre as suas 1.205 cantigas, há composições de todos os gêneros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) Cancioneiro Colocci-Brancutti - Copiado na Itália em fins do século XV ou princípios do século XVI. Descoberto em 1878 na biblioteca do conde Paulo Brancutti do Cagli, em Ancona, foi adquirido pela Biblioteca Nacional de Lisboa, onde se encontra desde 1924. Entre as suas 1.664 cantigas, há composições de todos os gêneros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e) Cancioneiros de Escárnio e Maldizer, que são cantigas elaborados como forma de menosprezar e criticar o oponente, muito usados para críticas aos administradores (políticos) da época medieval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantigas de Escárnio &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentam críticas sutis e bem-humoradas sobre uma pessoa que, sem ter nome citado, é facilmente reconhecível pelos demais elementos da sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantigas de Maldizer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste tipo de cantiga é feita uma crítica pesada, com intenção de ofender a pessoa ridicularizada. Há o uso de palavras grosseiras (palavrões, inclusive) e cita-se o nome ou o cargo da pessoa sobre quem se faz a sátira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Peres se mãefestou (confessou) / noutro dia, ca por pecador (pois pecadora) / se sentiu, e log' a Nostro Senhor / prometeu, pelo mal em que andou, / que tevess' um clérig' a seu poder, (um clérigo em seu poder) / polos pecados que lhi faz fazer / o demo, com que x'ela sempr'andou. (O demônio, com quem sempre andou) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 - As novelas de cavalaria &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem só de poesia viveu o Trovadorismo. Também floresceu um tipo de prosa ficcional, as novelas de cavalaria, originárias das canções de gesta francesas (narrativas de assuntos guerreiros), onde havia sempre a presença de heróis cavaleiros que passavam por situações preciosíssimas para defender o bem e vencer o mal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobressai nas novelas a presença do cavaleiro medieval, concebido segundo os padrões da Igreja Católica (por quem luta): ele é casto, fiel, dedicado, disposto a qualquer sacrifício para defender a honra cristã. Esta concepção de cavaleiro medieval opunha-se à do cavaleiro da corte, geralmente sedutor e envolvido em amores ilícitos. A origem do cavaleiro-herói das novelas é feudal e nos remete às Cruzadas: ele está diretamente envolvido na luta em defesa da Europa Ocidental contra sarracenos, eslavos, magiares e dinamarqueses, inimigos da cristandade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As novelas de cavalaria estão divididas em três ciclos e se classificam pelo tipo de herói que apresentam. Assim, as que apresentam heróis da mitologia greco-romana são do ciclo Clássico (novelas que narram a guerra de Tróia, as aventuras de Alexandre, o grande); as que apresentam o Rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda pertencem ao ciclo Arturiano ou Bretão (A Demanda do Santo Graal); as que apresentam o rei Carlos Magno e os doze pares de França são do ciclo Carolíngeo (a história de Carlos Magno). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente, as novelas de cavalaria não apresentam uma autoria. Elas circulavam pela Europa como verdadeira propaganda das Cruzadas, para estimular a fé cristã e angariar o apoio das populações ao movimento. As novelas eram tidas em alto apreço e foi muito grande a sua influência sobre os hábitos e os costumes da população da época. As novelas Amandis de Gaula e A Demanda do Santo Graal foram as histórias mais populares que circulavam entre os portugueses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 - Expansão do Trovadorismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida em que os cristãos avançam para o sul, os dialetos do norte interagem com os dialetos moçárabes do sul, começando o processo de diferenciação do português em relação ao galego-português. A separação entre o galego e o português se iniciará com a independência de Portugal (1185) e se consolidará com a expulsão dos mouros em 1249 e com a derrota em 1385 dos castelhanos que tentaram anexar o país. No século XIV surge a prosa literária em português, com a Crónica Geral de Espanha (1344) e o Livro de Linhagens, de dom Pedro, conde de Barcelona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os séculos XIV e XVI, com a construção do império português de ultramar, a língua portuguesa faz-se presente em várias regiões da Ásia, África e América, sofrendo influências locais (presentes na língua atual em termos como jangada, de origem malaia, e chá, de origem chinesa). Com o Renascimento, aumenta o número de italianismos e palavras eruditas de derivação grega, tornando o português mais complexo e maleável. O fim desse período de consolidação da língua (ou de utilização do português arcaico) é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Trova que passou a pontilhar na Literatura de Espanha e Portugal, propagou-se pelos países surgidos das conquistas dessas potências marítimas, chegando pois à América Latina e ao Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 - Primeiros Trovadores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros Trovadores, com produção regular para publicação, apareceram em Portugal e Espanha, no Século XIX, criando Trovas "popularizáveis" que muito se assemelham às populares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo os historiadores, o Português Antônio Correia de Oliveira publica, no início do século, dois livros de versos em língua lusitana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio Correia de Oliveira, que pela qualidade de sua obra e pela edição dos dois primeiros livros de Trovas na Língua Portuguesa, é considerado um dos primeiros grandes Trovadores Literários, ou seja, Trovador que organiza e publica suas Trovas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de sua autoria esta Trova publicada em 1900: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sino, coração da aldeia, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;coração, sino da gente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um a sentir quando bate, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;outro a bater quando sente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que o período folclórico da Trova sempre se revitalizará enquanto existirem propagadores do ato do recitar nas festas em família e das brincadeiras de roda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há de se considerar, também, acontecimentos como a extraordinária popularidade da Trova, que contrariamente ao esperado, constitui-se num fator que alguns consideram negativo para o seu real aproveitamento na Literatura, uma vez que, antigamente, o que vinha do povo era rejeitado pela nobreza, que manipulava a elite intelectual da época. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje, alguns homens de letras, que, privados de sensibilidade poética, se recusam a reconhecer o valor da Trova, a consideram coisa "cafona", indigna de um verdadeiro intelectual. Uma ojeriza de uma "pseudo-elite" minoritária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Elmo Elton, eleito em 1980, Rei dos Trovadores Capixabas não é fácil escrever Trovas, "visto que apenas os inclinados para o exercício desse gênero poético sabem como bem realizá-las dentro das normas exigidas à sua correta feitura, já que, caso contrário, tão somente conseguem o que é comum, enfileirar quatro versos sem aquelas características essenciais que conseguem consagrar uma Trova." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale aqui lembrar a Trova do Rei dos Trovadores Brasileiros, Adelmar Tavares, que era Acadêmico da Academia Brasileira de Letras: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó linda trova perfeita, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que nos dá tanto prazer, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tão fácil, - depois de feita, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tão difícil de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 - Trovismo e Neotrovismo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NEOTROVISMO é o Movimento Literário que surge no Brasil, com a criação do Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, em Vila Velha, Vitória, Espírito Santo. Hoje são realizados, desde 1980, os famosos Seminários Nacionais, com presenças de Trovadores do Brasil e Exterior. O Neotrovismo é um Movimento Cultural de divulgação da Trova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Trovismo nasceu em 1950 e segundo os estudiosos, em 1970, começou a decadência, resumindo-se em algumas atividades de algumas seções da UBT e algumas reuniões da Academia Brasileira da Trova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o NEOTROVISMO foi fundado em 1980, como forma de dar um novo ânimo ao Movimento dos Trovadores no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livros são publicados. Congressos são realizados. São divulgadas Trovas na Internet. Um Movimento nascido no Espírito Santo e cultuado por aqueles que apreciam a TROVA, a boa Trova, aquela cuja definição é : &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neotrovismo é novo movimento em torno da Trova no Brasil iniciado com a fundação do Clube dos Trovadores Capixabas - CTC no Estado do Espirito Santo a 1º de Julho de 1980. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trovismo é um movimento genuinamente Brasileiro, segundo o escritor Eno Theodoro Wanke. A partícula NEO, significa NOVO assim NEOTROVISMO é o novo movimento em torno da Trova no Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fundador do Neotrovismo é o escritor Capixaba e Canela-Verde, Clério José Borges, Presidente do Clube dos Trovadores Capixabas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Trova é um composição poética de 4 versos com rima e sentido completo. Trovador é aquele que faz a Trova como obra de arte, como literatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Livro "Que é Trova?" de Eno Teodoro Wanke, consta o seguinte: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Em 1980, devido a um conselho meu, mais ou menos casual, Clério José Borges funda no Espirito Santo o Clube dos Trovadores Capixabas (CTC), cuja contribuição fundamental ao Trovismo é a realização anual e regular dos Seminários Nacionais da Trova, o primeiro que aconteceu em 1981, para comemorar o primeiro aniversário do CTC. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos resultados benéficos já colhemos dessa troca de idéias. Assuntos importantes têm sido ventilados, debatidos e incorporados ao movimento. Os Trovadores têm trazido suas experiências pessoais em plenário - ensinam e aprendem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1982, por exemplo, foi sugerido por Rodolfo Coelho Cavalcante - e aprovada pelo plenário, a Fundação de uma Federação de Clubes de Trovas. Como resultado, 1983 foi Fundada a Federação Brasileira de Entidades Trovistas - FEBET. Nasceu a FEBET, principalmente, tentando estimular a publicação de Trovas e o ingresso de novos trovadores no movimento. Isso sem prejuízo dos concursos de Trovas - que também considera importantes, claro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diversas coletâneas têm surgido, graças aos esforços de alguns abnegados organizadores (Laís Costa Velho, Antônio Soares, Santa Ineze da Rocha, Clério Borges, Arthur Francisco Batista, Clodoaldo de Abreu Filho, Maria de Fátima M. Brasil, etc...) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13 - Entidades de Trovadores no Brasil Atual&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - CTC&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS, CTC, é uma entidade cultural, sem fins lucrativos de divulgação da Trova e da Poesia. Foi fundado a 1º de Julho de 1980, por Clério José Borges, Luiz Carlos Braga Ribeiro e José Borges Ribeiro Filho, no Espírito Santo, com base numa idéia do Escritor Eno Theodoro Wanke. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CTC possui o título de Utilidade Pública Estadual (Lei José Carlos Gratz) e Municipal na Serra, (Lei Márcia Lamas). O CTC possui mais de 300 sócios em atividade, no Estado e mais de 1300 sócios correspondentes no Brasil e Exterior (Portugal; Argentina, Jorge Piñero Marques; Estados Unidos, etc...). É uma das entidades culturais que mais promove no Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anualmente o CTC, realiza os Seminários Nacionais da Trova no Espírito Santo, desde 1981. O CTC já organizou também eventos em outros Estados. Dois Congressos de Trovadores foram realizados em São Paulo, com Marília Martins e Inês Catelli; Um Congresso, em Salvador, Bahia, com Luciano Jatobá e um Congresso de Trovadores, no Rio de Janeiro, na SUAM, com o Prof. José Maria de Souza Dantas. Mais informações sobre o Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, no item 14.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - FEBET &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Federação Brasileira de Entidades Trovistas, FEBET é a maior e mais bem organizada entidade de Poetas Trovadores do Brasil. Congrega Poetas, Editores de Informativos Culturais e muitos, muitos Trovadores. Foi fundada em 1983, em Vila Velha, Espírito Santo e sua Sede Nacional é no Rio de Janeiro. Nos dois primeiros anos de fundação foram Cadastrados mais de 2.000 sócios. A Febet surgiu de uma idéia nascida no 1º (1981) e no 2º (1982) Seminários Nacionais da Trova, realizado no Estado do Espírito Santo, Brasil. Houve uma consulta a mais de 5.000 poetas em todo o Brasil e, em 1983, a FEBET foi oficialmente fundada. A entidade foi organizada pelo Trovólogo, Eno Theodoro Wanke e contou com o apoio imediato de Rodolfo Coelho Cavalcante, da Bahia e Clério José Borges, do Espírito Santo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - UBT &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A União Brasileira de Trovadores é uma entidade cultural que possui seções em vários Estados Brasileiros. Foi fundada por Luiz Otávio, no Rio de Janeiro, em Janeiro de 1967. A UBT surgiu de uma cisão, ou seja, um descontentamento. Luiz Otávio e um grupo de trovadores do Sul e Sudeste do Brasil não concordavam em estarem juntos aos Repentistas e Cordelistas do Nordeste, no Grêmio Brasileiro de Trovadores, o GBT, fundado em Salvador, Bahia, a 8 de Janeiro de 1958, pelo Trovador Rodolfo Coelho Cavalcante. Em Janeiro de 1967, Luiz Otávio desliga-se do GBT e aproveitando as seções do GBT já criadas no Sul e Sudeste, funda a UBT, com sede no Rio de Janeiro e seções em várias cidades brasileiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na vida quem se projeta, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;seja a profissão qual for &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sempre aparece um pateta &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para tirar seu valor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodolfo Coelho Cavalcante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - ABT&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Academia Brasileira da Trova é um entidade cultural com sede no Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi fundada por Álvaro Farias; Symaco da Costa; Félix Aires, Onildo de Campos, entre outros, em 26 de Dezembro de 1960.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tanto burro mandando &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em homens de inteligência &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que, às vezes, fico pensando &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que burrice é uma ciência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Symaco da Costa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Academia Brasileira da Trova é uma entidade de destaque e bastante atuante no Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 -CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS (CTC)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre as entidades culturais do Município da Serra, destaca-se o Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, entidade de divulgação da Trova e dos Poetas Trovadores, sem fins lucrativos e que funciona com sede provisória na rua dos Pombos, 2 - Eurico Salles - Carapina - Serra - ES.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CTC foi fundado, com base numa idéia do escritor Eno Teodoro Wanke, a 1º de julho de 1980 destacando-se no cenário cultural Brasileiro pela realização anual dos Seminários Nacionais da Trova no mês de Julho, quando convergem para o Espírito Santo poetas trovadores de vários Estados brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trova é uma composição literária de quatro versos de sete sílabas poéticas cada com rima e sentido completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trovador é aquele que faz a Trova como obra de arte, como literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CTC é uma entidade de Utilidade Pública Municipal na Serra, graças a iniciativa da Vereadora Márcia Lamas. O título foi aprovado por unanimidade e se transformou na Lei Municipal N.º 1.563/91, sancionada pelo Prefeito Adalton Martinelli.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CTC possui também o título de Utilidade Pública Estadual aprovado, por unanimidade, pela Assembléia Legislativa Estadual e lei sancionada pelo Governador do Estado, Albuíno Cunha de Azeredo em 20 de setembro de 1991. Lei N.º 4.554 de autoria do Deputado Estadual José Carlos Gratz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oficialmente os fundadores do CTC são: Clério José Borges; José Borges Ribeiro Filho e Luiz Carlos Braga Ribeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a iniciativa do CTC existem hoje Praças dos Trovadores em Cariacica, Vila Velha e Vitória e o presidente e sócios do CTC são regularmente convidados a participar e realizar palestras nas cidades de Porto Velho, Rondônia; Porto Alegre-RS; Rio de Janeiro; São Paulo; Brasília-DF; Salvador-BA; Recife-PE; Petrópolis-RJ; Campos-RJ; Maringá-PR; Timóteo-MG; Magé-RJ; Olinda-PE e Nova Prata - RS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 - DIRETORIAS DO CTC &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DE 1º DE JULHO DE 1996 A 1º DE JULHO DE 1999:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presidente: Clério José Borges de Sant’Anna; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vice-Presidente: Tereza Vitória Monteiro; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Secretário-Geral: Zitomar Rosa de Oliveira; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1º Secretário: Rosilene Rodrigues de Almeida; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bibliotecária: Zenaide Emília Thomes Borges; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tesoureiro Geral: Valdemir Ribeiro de Azeredo; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1º Tesoureiro: Adir Ribeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DE 1º DE JULHO DE 1999 A 1º DE JULHO DE 2.002:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presidente: Clério José Borges de Sant’Anna; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vice-Presidente: Kátia Maria Bóbbio Lima; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Secretário-Geral: Zitomar Rosa de Oliveira; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1º Secretário: Cleusa Lourdes Madureira Vidal; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bibliotecária: Zenaide Emília Thomes Borges; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tesoureiro Geral: Valdemir Ribeiro de Azeredo; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1º Tesoureiro: Adir Ribeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diretoria: Moacir Malacarne; Pedro Maciel da Silva e Tereza Vitória Monteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 - CTC NA INTERNET E NO BRASIL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CTC era uma das poucas entidades culturais que em 1997 e início de 1998 possuía uma página (Home Page) na INTERNET a Rede Mundial de Computadores. Os diretores divulgavam o seguinte endereço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.geocities.com/Athens/8455&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, reúne atualmente trovadores e não trovadores, desde que apreciem e gostem da Trova. O CTC realizou de 1980 a 1990 dez Seminários Nacionais da Trova na Grande Vitória, com visitas inclusive na Serra. Em 1983 foi realizada visita a Igreja dos Reis Magos, em Nova Almeida. A TV Gazeta esteve no local e fez entrevistas com os trovadores Clério Borges , Walter Waeny, de Santos, SP e Eno Teodoro Wanke, RJ. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Décimo Seminário por deferência especial do então Governador Max Freitas Mauro, o Seminário foi realizado no interior do Palácio do Governo do Estado, na sede de Vitória. Na solenidade de abertura realizada no Salão térreo do Palácio Anchieta, a Banda de Música "Estrela dos Artistas", por indicação de Naly da Encarnação Miranda fez uma apresentação especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1991, o Décimo-primeiro foi realizado em Ibiraçu. O evento teve total apoio do Prefeito Marcus Antônio Vicente e do Trovador local, hoje já falecido, Narceu de Paiva Filho, então Vice-Presidente do CTC. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1992 o Seminário foi em Afonso Cláudio. O evento foi prestigiado pelo Prefeito Methódio José da Rocha e pelo Sr. José Saleme, representante da Fundação Jônice Tristão, que mantém na cidade o Centro Cultural, uma Biblioteca e uma Casa de Cultura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1993 o Seminário foi em Guarapari. A então Prefeita Morena Espíndula compareceu na solenidade de abertura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1994 o Seminário foi em Linhares, tendo coordenação de Cleusa Vidal e Isabel Taquetti, sendo destacada a participação do Prefeito José Carlos Elias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1995, o Décimo-quinto Seminário foi realizado em Domingos Martins, com total apoio da Secretária Municipal de Turismo, Diomedes Maria Caliman Berger, do Prefeito Alfredo Meyer e do Deputado Estadual, Lourival Berger. No último dia foi realizada a Missa em Trovas na Praça Principal de Domingos Martins e contou com a presença do Exmo. Sr. Governador do Estado, Dr. Vitor Buaiz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1996 o Décimo Sexto Seminário foi realizado no Clube Riviera, na Praia de Jacaraípe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 17º Seminário em Julho de 1997 foi realizado com sucesso na cidade de Conceição da Barra. O 18º Seminário foi realizado em Vila Velha, o 19º na cidade de Anchieta e o 20º e último Seminário Nacional da Trova foi realizado com sucesso na Cidade de Domingos Martins, onde já havia sido realizada uma edição do evento em 1995. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As reuniões do CTC são na casa do Presidente Clério Borges, em Eurico Salles - Serra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Internet são fornecidas informações sobre os Seminários e os Trovadores nos seguintes endereços:&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/55750104921950016-1717118987025291901?l=literaturateosofia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/feeds/1717118987025291901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/06/critica-literaria_08.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/1717118987025291901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/1717118987025291901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/06/critica-literaria_08.html' title='CRITICA LITERÁRIA'/><author><name>literaturasofia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12541528314244690654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SdD1ksZuCMI/AAAAAAAAABU/nYG7Fv1KG8Y/S220/Antonio_Jose_da_Silva_O%2520Judeu_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SjERXnKKWZI/AAAAAAAAALw/J4UK-oigjPc/s72-c/toravodrimo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-55750104921950016.post-7859686452263805028</id><published>2009-06-06T12:43:00.000-07:00</published><updated>2009-06-07T11:59:54.888-07:00</updated><title type='text'>FIGURAS DE LINGUAGENS</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SirHjRuwlsI/AAAAAAAAALo/6tRp52sToJY/s1600-h/er.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5344303316697388738" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 112px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SirHjRuwlsI/AAAAAAAAALo/6tRp52sToJY/s320/er.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIGURAS DE LINGUAGENS&lt;br /&gt;Definição: Figuras de linguagem são certos recursos não-convencionais que o falante ou escritor cria para dar maior expressividade à sua mensagem.&lt;br /&gt;METÁFORA&lt;br /&gt;É o emprego de uma palavra com o significado de outra em vista de uma relação de semelhanças entre ambas. É uma comparação subentendida.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Minha boca é um tumulo.&lt;br /&gt;Essa rua é um verdadeiro deserto.&lt;br /&gt;COMPARAÇÃO&lt;br /&gt;Consiste em atribuir características de um ser a outro, em virtude de uma determinada semelhança.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;O meu coração está igual a um céu cinzento.&lt;br /&gt;O carro dele é rápido como um avião.&lt;br /&gt;PROSOPOPÉIA&lt;br /&gt;É uma figura de linguagem que atribui características humanas a seres inanimados. Também podemos chamá-la de PERSONIFICAÇÃO.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;O céu está mostrando sua face mais bela.&lt;br /&gt;O cão mostrou grande sisudez.&lt;br /&gt;SINESTESIA&lt;br /&gt;Consiste na fusão de impressões sensoriais diferentes.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Raquel tem um olhar frio, desesperador.&lt;br /&gt;Aquela criança tem um olhar tão doce.&lt;br /&gt;CATACRESE&lt;br /&gt;É uma metáfora desgastada, tão usual que já não percebemos. Assim, a catacrese é o emprego de uma palavra no sentido figurado por falta de um termo próprio.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;O menino quebrou o braço da cadeira.&lt;br /&gt;A manga da camisa rasgou.&lt;br /&gt;METONÍMIA&lt;br /&gt;É a substituição de uma palavra por outra, quando existe uma relação lógica, uma proximidade de sentidos que permite essa troca. Ocorre metonímia quando empregamos:&lt;br /&gt;- O autor pela obra.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Li Jô Soares dezenas de vezes. (a obra de Jô Soares)&lt;br /&gt;- o continente pelo conteúdo.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;O ginásio aplaudiu a seleção. (ginásio está substituindo os torcedores)&lt;br /&gt;- a parte pelo todo.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Vários brasileiros vivem sem teto, ao relento. (teto substitui casa)&lt;br /&gt;- o efeito pela causa.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Suou muito para conseguir a casa própria. (suor substitui o trabalho)&lt;br /&gt;PERÍFRASE&lt;br /&gt;É a designação de um ser através de alguma de suas características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;A Veneza Brasileira também é palco de grandes espetáculos. (Veneza Brasileira = Recife)&lt;br /&gt;A Cidade Maravilhosa está tomada pela violência. (Cidade Maravilhosa = Rio de Janeiro)&lt;br /&gt;ANTÍTESE&lt;br /&gt;Consiste no uso de palavras de sentidos opostos.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Nada com Deus é tudo.&lt;br /&gt;Tudo sem Deus é nada.&lt;br /&gt;EUFEMISMO&lt;br /&gt;Consiste em suavizar palavras ou expressões que são desagradáveis.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Ele foi repousar no céu, junto ao Pai. (repousar no céu = morrer)&lt;br /&gt;Os homens públicos envergonham o povo. (homens públicos = políticos)&lt;br /&gt;HIPÉRBOLE&lt;br /&gt;É um exagero intencional com a finalidade de tornar mais expressiva a idéia.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Ela chorou rios de lágrimas.&lt;br /&gt;Muitas pessoas morriam de medo da perna cabeluda.&lt;br /&gt;IRONIA&lt;br /&gt;Consiste na inversão dos sentidos, ou seja, afirmamos o contrário do que pensamos.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Que alunos inteligentes, não sabem nem somar.&lt;br /&gt;Se você gritar mais alto, eu agradeço.&lt;br /&gt;ONOMATOPÉIA&lt;br /&gt;Consiste na reprodução ou imitação do som ou voz natural dos seres.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Com o au-au dos cachorros, os gatos desapareceram.&lt;br /&gt;Miau-miau. - Eram os gatos miando no telhado a noite toda.&lt;br /&gt;ALITERAÇÃO&lt;br /&gt;Consiste na repetição de um determinado som consonantal no início ou interior das palavras.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;O rato roeu a roupa do rei de Roma.&lt;br /&gt;ELIPSE&lt;br /&gt;Consiste na omissão de um termo que fica subentendido no contexto, identificado facilmente.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Após a queda, nenhuma fratura.&lt;br /&gt;ZEUGMA&lt;br /&gt;Consiste na omissão de um termo já empregado anteriormente.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Ele come carne, eu verduras.&lt;br /&gt;PLEONASMO&lt;br /&gt;Consiste na intensificação de um termo através da sua repetição, reforçando seu significado.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Nós cantamos um canto glorioso.&lt;br /&gt;POLISSÍNDETO&lt;br /&gt;É a repetição da conjunção entre as orações de um período ou entre os termos da oração.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Chegamos de viagem e tomamos banho e saímos para dançar.&lt;br /&gt;ASSÍNDETO&lt;br /&gt;Ocorre quando há a ausência da conjunção entre duas orações.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Chegamos de viagem, tomamos banho, depois saímos para dançar.&lt;br /&gt;ANACOLUTO&lt;br /&gt;Consiste numa mudança repentina da construção sintática da frase.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Ele, nada podia assustá-lo.&lt;br /&gt;Nota: o anacoluto ocorre com freqüência na linguagem falada, quando o falante interrompe a frase, abandonando o que havia dito para reconstruí-la novamente.&lt;br /&gt;ANAFÓRA&lt;br /&gt;Consiste na repetição de uma palavra ou expressão para reforçar o sentido, contribuindo para uma maior expressividade.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Cada alma é uma escada para Deus,&lt;br /&gt;Cada alma é um corredor-Universo para Deus,&lt;br /&gt;Cada alma é um rio correndo por margens de Externo&lt;br /&gt;Para Deus e em Deus com um sussurro noturno. (Fernando Pessoa)&lt;br /&gt;SILEPSE&lt;br /&gt;Ocorre quando a concordância é realizada com a idéia e não sua forma gramatical. Existem três tipos de silepse: gênero, número e pessoa.&lt;br /&gt;De gênero.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;Vossa excelência está preocupado com as notícias. (a palavra vossa excelência é feminina quanto à forma, mas nesse exemplo a concordância se deu com a pessoa a que se refere o pronome de tratamento e não com o sujeito).&lt;br /&gt;De número.&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;A boiada ficou furiosa com o peão e derrubaram a cerca. (nesse caso a concordância se deu com a idéia de plural da palavra boiada).&lt;br /&gt;De pessoa&lt;br /&gt;Exemplo:&lt;br /&gt;As mulheres decidimos não votar em determinado partido até prestarem conta ao povo. (nesse tipo de silepse, o falante se inclui mentalmente entre os participantes de um sujeito em 3ª pessoa).&lt;br /&gt;SÍNTESE DO TUTORIAL&lt;br /&gt;As figuras de linguagem são recursos não-convencionais que o falante ou escritor cria para dar maior expressividade à sua mensagem.&lt;br /&gt;Metáfora é o emprego de uma palavra com o significado de outra em vista de uma relação de semelhança.&lt;br /&gt;Comparação é uma atribuição de característica de um ser a outro em virtude de uma determinada semelhança.&lt;br /&gt;Prosopopéia atribui características humanas a seres inanimados.&lt;br /&gt;Sinestesia consiste na fusão de impressões sensoriais diferentes.&lt;br /&gt;Catacrese é uma metáfora desgastada, tão usual que já não percebemos, ou seja, é o emprego de uma palavra no sentido figurado por falta de um termo próprio.&lt;br /&gt;Metonímia é a substituição de uma palavra por outra, quando existe uma relação lógica, uma proximidade de sentidos que permite essa troca.&lt;br /&gt;Perífrase é a designação de um ser através de alguma de suas características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou.&lt;br /&gt;Antítese consiste no uso de palavras de sentidos opostos.&lt;br /&gt;Eufemismo consiste em suavizar palavras ou expressões que são desagradáveis.&lt;br /&gt;Hipérbole é um exagero intencional com a finalidade de tornar mais expressiva à idéia.&lt;br /&gt;Ironia consiste na inversão dos sentidos, ou seja, afirmamos o contrário do que pensamos.&lt;br /&gt;Onomatopéia consiste na reprodução ou imitação do som ou voz natural dos seres.&lt;br /&gt;Aliteração consiste na repetição de um determinado som consonantal no início ou interior das palavras.&lt;br /&gt;Elipse consiste na omissão de um termo que fica subentendido no contexto, identificado facilmente.&lt;br /&gt;Zeugma consiste na omissão de um termo já empregado anteriormente.&lt;br /&gt;Pleonasmo consiste na intensificação de um termo através da sua repetição, reforçando seu significado.&lt;br /&gt;Polissíndeto é a repetição da conjunção entre as orações de um período ou entre os termos da oração.&lt;br /&gt;Assíndeto ocorre quando há a ausência da conjunção entre duas orações.&lt;br /&gt;Anacoluto consiste numa mudança repentina da construção sintática da frase.&lt;br /&gt;Anáfora consiste na repetição de uma palavra ou expressão para reforçar o sentido, contribuindo para uma maior expressividade.&lt;br /&gt;Silepse ocorre quando a concordância é realizada com a idéia e não sua forma gramatical. Existem três&lt;br /&gt;FIGURAS DE LINGUAGEM&lt;br /&gt;As figuras de linguagem são empregadas para valorizar o texto, tornando a linguagem mais expressiva. É um recurso lingüístico para expressar experiências comuns de formas diferentes, conferindo originalidade, emotividade ou poeticidade ao discurso.&lt;br /&gt;As figuras revelam muito da sensibilidade de quem as produz, traduzindo particularidades estilísticas do autor. A palavra empregada em sentido figurado, não-denotativo, passa a pertencer a outro campo de significação, mais amplo e criativo.&lt;br /&gt;As figuras de linguagem classificam-se em:&lt;br /&gt;a) figuras de palavras;&lt;br /&gt;b) figuras de som;&lt;br /&gt;c) figuras de pensamento;&lt;br /&gt;d) figuras de sintaxe&lt;br /&gt;Figuras de palavra:&lt;br /&gt;As figuras de palavra consistem no emprego de um termo com sentido diferente daquele convencionalmente empregado, a fim de se conseguir um efeito mais expressivo na comunicação.&lt;br /&gt;São figuras de palavras:&lt;br /&gt;Comparação:&lt;br /&gt;Ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois elementos que se identificam, ligados por conectivos comparativos explícitos - feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual, que nem - e alguns verbos - parecer, assemelhar-se e outros.&lt;br /&gt;Exemplos: "Amou daquela vez como se fosse máquina. / Beijou sua mulher como se fosse lógico." (Chico Buarque);&lt;br /&gt;"As solteironas, os longos vestidos negros fechados no pescoço, negros xales nos ombros, pareciam aves noturnas paradas..." (Jorge Amado).&lt;br /&gt;Metáfora:&lt;br /&gt;Ocorre metáfora quando um termo substitui outro através de uma relação de semelhança resultante da subjetividade de quem a cria. A metáfora também pode ser entendida como uma comparação abreviada, em que o conectivo não está expresso, mas subentendido.&lt;br /&gt;Exemplo: "Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair pérolas, que é a razão." (Machado de Assis).&lt;br /&gt;Metonímia:&lt;br /&gt;Ocorre metonímia quando há substituição de uma palavra por outra, havendo entre ambas algum grau de semelhança, relação, proximidade de sentido ou implicação mútua. Tal substituição fundamenta-se numa relação objetiva, real, realizando-se de inúmeros modos:&lt;br /&gt;- o continente pelo conteúdo e vice-versa: Antes de sair, tomamos um cálice (o conteúdo de um cálice) de licor.&lt;br /&gt;- a causa pelo efeito e vice-versa: "E assim o operário ia / Com suor e com cimento (com trabalho) / Erguendo uma casa aqui / Adiante um apartamento." (Vinicius de Moraes).&lt;br /&gt;- o lugar de origem ou de produção pelo produto: Comprei uma garrafa do legítimo porto (o vinho da cidade do Porto).&lt;br /&gt;- o autor pela obra: Ela parecia ler Jorge Amado (a obra de Jorge Amado).&lt;br /&gt;- o abstrato pelo concreto e vice-versa: Não devemos contar com o seu coração (sentimento, sensibilidade).&lt;br /&gt;- o símbolo pela coisa simbolizada: A coroa (o poder) foi disputada pelos revolucionários.&lt;br /&gt;- a matéria pelo produto e vice-versa: Lento, o bronze (o sino) soa.&lt;br /&gt;- o inventor pelo invento: Edson (a energia elétrica) ilumina o mundo.&lt;br /&gt;- a coisa pelo lugar: Vou à Prefeitura (ao edifício da Prefeitura).&lt;br /&gt;- o instrumento pela pessoa que o utiliza: Ele é um bom garfo (guloso, glutão).&lt;br /&gt;Sinédoque:&lt;br /&gt;Ocorre sinédoque quando há substituição de um termo por outro, havendo ampliação ou redução do sentido usual da palavra numa relação quantitativa. Encontramos sinédoque nos seguintes casos:&lt;br /&gt;- o todo pela parte e vice-versa: "A cidade inteira (o povo) viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos (parte das patas) de seu cavalo." (J. Cândido de Carvalho)&lt;br /&gt;- o singular pelo plural e vice-versa: O paulista (todos os paulistas) é tímido; o carioca (todos os cariocas), atrevido.&lt;br /&gt;- o indivíduo pela espécie (nome próprio pelo nome comum): Para os artistas ele foi um mecenas (protetor).&lt;br /&gt;Catacrese:&lt;br /&gt;A catacrese é um tipo de especial de metáfora, "é uma espécie de metáfora desgastada, em que já não se sente nenhum vestígio de inovação, de criação individual e pitoresca. É a metáfora tornada hábito lingüístico, já fora do âmbito estilístico." (Othon M. Garcia).&lt;br /&gt;São exemplos de catacrese: folhas de livro / pele de tomate / dente de alho / montar em burro / céu da boca / cabeça de prego / mão de direção / ventre da terra / asa da xícara / sacar dinheiro no banco.&lt;br /&gt;Sinestesia:&lt;br /&gt;A sinestesia consiste na fusão de sensações diferentes numa mesma expressão. Essas sensações podem ser físicas (gustação, audição, visão, olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas).&lt;br /&gt;Exemplo: "A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de uma casa indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de musgo. Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida, macia [sensações táteis], quase irreal." (Augusto Meyer)&lt;br /&gt;Antonomásia:&lt;br /&gt;Ocorre antonomásia quando designamos uma pessoa por uma qualidade, característica ou fato que a distingue.&lt;br /&gt;Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo que apelido, alcunha ou cognome, cuja origem é um aposto (descritivo, especificativo etc.) do nome próprio.&lt;br /&gt;Exemplos: "E ao rabi simples (Cristo), que a igualdade prega, / Rasga e enlameia a túnica inconsútil; (Raimundo Correia). / Pelé (= Edson Arantes do Nascimento) / O Cisne de Mântua (= Virgílio) / O poeta dos escravos (= Castro Alves) / O Dante Negro (= Cruz e Souza) / O Corso (= Napoleão)&lt;br /&gt;Alegoria:&lt;br /&gt;A alegoria é uma acumulação de metáforas referindo-se ao mesmo objeto; é uma figura poética que consiste em expressar uma situação global por meio de outra que a evoque e intensifique o seu significado. Na alegoria, todas as palavras estão transladadas para um plano que não lhes é comum e oferecem dois sentidos completos e perfeitos - um referencial e outro metafórico.&lt;br /&gt;Exemplo: "A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos bailados, e a orquestra é excelente..." (Machado de Assis).&lt;br /&gt;Figuras de som:&lt;br /&gt;Chamam-se figuras de som os efeitos produzidos na linguagem quando há repetição de sons ou, ainda, quando se procura "imitar" sons produzidos por coisas ou seres.&lt;br /&gt;As figuras de som são:&lt;br /&gt;Aliteração:&lt;br /&gt;Ocorre aliteração quando há repetição da mesma consoante ou de consoantes similares, geralmente em posição inicial da palavra.&lt;br /&gt;Exemplo: "Toda gente homenageia Januária na janela." (Chico Buarque).&lt;br /&gt;Assonância:&lt;br /&gt;Ocorre assonância quando há repetição da mesma vogal ao longo de um verso ou poema.&lt;br /&gt;Exemplo: "Sou Ana, da cama / da cana, fulana, bacana / Sou Ana de Amsterdam." (Chico Buarque).&lt;br /&gt;Paronomásia:&lt;br /&gt;Ocorre paronomásia quando há reprodução de sons semelhantes em palavras de significados diferentes.&lt;br /&gt;Exemplo: "Berro pelo aterro pelo desterro / berro por seu berro pelo seu erro / quero que você ganhe que você me apanhe / sou o seu bezerro gritando mamãe." (Caetano Veloso).&lt;br /&gt;Onomatopéia:&lt;br /&gt;Ocorre quando uma palavra ou conjunto de palavras imita um ruído ou som.&lt;br /&gt;Exemplo: "O silêncio fresco despenca das árvores. / Veio de longe, das planícies altas, / Dos cerrados onde o guaxe passe rápido... / Vvvvvvvv... passou." (Mário de Andrade).&lt;br /&gt;"Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno." (Fernando Pessoa).&lt;br /&gt;Figuras de pensamento:&lt;br /&gt;As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se referem ao significado das palavras, ao seu aspecto semântico.&lt;br /&gt;São figuras de pensamento:&lt;br /&gt;Antítese:&lt;br /&gt;Ocorre antítese quando há aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos.&lt;br /&gt;Exemplo: "Amigos ou inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-nos bem. Outros nos almejam o bem, e nos trazem o mal." (Rui Barbosa).&lt;br /&gt;Apóstrofe:&lt;br /&gt;Ocorre apóstrofe quando há invocação de uma pessoa ou algo, real ou imaginário, que pode estar presente ou ausente. Corresponde ao vocativo na análise sintática e é utilizada para dar ênfase à expressão.&lt;br /&gt;Exemplo: "Deus! ó Deus! onde estás, que não respondes?" (Castro Alves).&lt;br /&gt;Paradoxo:&lt;br /&gt;Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de palavras de sentido oposto, mas também na de idéias que se contradizem referindo-se ao mesmo termo. É uma verdade enunciada com aparência de mentira. Oxímoro (ou oximoron) é outra designação para paradoxo.&lt;br /&gt;Exemplo: "Amor é fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói e não se sente; / É um contentamento descontente; / É dor que desatina sem doer;" (Camões)&lt;br /&gt;Eufemismo:&lt;br /&gt;Ocorre eufemismo quando uma palavra ou expressão é empregada para atenuar uma verdade tida como penosa, desagradável ou chocante.&lt;br /&gt;Exemplo: "E pela paz derradeira (morte) que enfim vai nos redimir Deus lhe pague". (Chico Buarque).&lt;br /&gt;Gradação:&lt;br /&gt;Ocorre gradação quando há uma seqüência de palavras que intensificam uma mesma idéia.&lt;br /&gt;Exemplo: "Aqui... além... mais longe por onde eu movo o passo." (Castro Alves).&lt;br /&gt;Hipérbole:&lt;br /&gt;Ocorre hipérbole quando há exagero de uma idéia, a fim de proporcionar uma imagem emocionante e de impacto.&lt;br /&gt;Exemplo: "Rios te correrão dos olhos, se chorares!" (Olavo Bilac).&lt;br /&gt;Ironia:&lt;br /&gt;Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entonação, pela contradição de termos, sugere-se o contrário do que as palavras ou orações parecem exprimir. A intenção é depreciativa ou sarcástica.&lt;br /&gt;Exemplo: "Moça linda, bem tratada, / três séculos de família, / burra como uma porta: / um amor." (Mário de Andrade).&lt;br /&gt;Prosopopéia:&lt;br /&gt;Ocorre prosopopéia (ou animização ou personificação) quando se atribui movimento, ação, fala, sentimento, enfim, caracteres próprios de seres animados a seres inanimados ou imaginários.&lt;br /&gt;Também a atribuição de características humanas a seres animados constitui prosopopéia o que é comum nas fábulas e nos apólogos, como este exemplo de Mário de Quintana: "O peixinho (...) silencioso e levemente melancólico..."&lt;br /&gt;Exemplos: "... os rios vão carregando as queixas do caminho." (Raul Bopp)&lt;br /&gt;Um frio inteligente (...) percorria o jardim..." (Clarice Lispector)&lt;br /&gt;Perífrase:&lt;br /&gt;Ocorre perífrase quando se cria um torneio de palavras para expressar algum objeto, acidente geográfico ou situação que não se quer nomear.&lt;br /&gt;Exemplo: "Cidade maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade maravilhosa / Coração do meu Brasil." (André Filho).&lt;br /&gt;Figuras de sintaxe:&lt;br /&gt;As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios em relação à concordância entre os termos da oração, sua ordem, possíveis repetições ou omissões.&lt;br /&gt;Elas podem ser construídas por:&lt;br /&gt;a) omissão: assíndeto, elipse e zeugma;&lt;br /&gt;b) repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto;&lt;br /&gt;c) inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e hipálage;&lt;br /&gt;d) ruptura: anacoluto;&lt;br /&gt;e) concordância ideológica: silepse.&lt;br /&gt;Portanto, são figuras de construção ou sintaxe:&lt;br /&gt;Assíndeto:&lt;br /&gt;Ocorre assíndeto quando orações ou palavras deveriam vir ligadas por conjunções coordenativas, aparecem justapostas ou separadas por vírgulas.&lt;br /&gt;Exigem do leitor atenção maior no exame de cada fato, por exigência das pausas rítmicas (vírgulas).&lt;br /&gt;Exemplo: "Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se." (Machado de Assis).&lt;br /&gt;Elipse:&lt;br /&gt;Ocorre elipse quando omitimos um termo ou oração que facilmente podemos identificar ou subentender no contexto. Pode ocorrer na supressão de pronomes, conjunções, preposições ou verbos. É um poderoso recurso de concisão e dinamismo.&lt;br /&gt;Exemplo: "Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas." (elipse do pronome ela (Ela veio) e da preposição de (de sandálias...).&lt;br /&gt;Zeugma:&lt;br /&gt;Ocorre zeugma quando um termo já expresso na frase é suprimido, ficando subentendida sua repetição.&lt;br /&gt;Exemplo: "Foi saqueada a vida, e assassinados os partidários dos Felipes." (Zeugma do verbo: "e foram assassinados...") (Camilo Castelo Branco).&lt;br /&gt;Anáfora:&lt;br /&gt;Ocorre anáfora quando há repetição intencional de palavras no início de um período, frase ou verso.&lt;br /&gt;Exemplo: "Depois o areal extenso... / Depois o oceano de pó... / Depois no horizonte imenso / Desertos... desertos só..." (Castro Alves).&lt;br /&gt;Pleonasmo:&lt;br /&gt;Ocorre pleonasmo quando há repetição da mesma idéia, isto é, redundância de significado.&lt;br /&gt;a) Pleonasmo literário:&lt;br /&gt;É o uso de palavras redundantes para reforçar uma idéia, tanto do ponto de vista semântico quanto do ponto de vista sintático. Usado como um recurso estilístico, enriquece a expressão, dando ênfase à mensagem.&lt;br /&gt;Exemplo: "Iam vinte anos desde aquele dia / Quando com os olhos eu quis ver de perto / Quando em visão com os da saudade via." (Alberto de Oliveira).&lt;br /&gt;"Morrerás morte vil na mão de um forte." (Gonçalves Dias)&lt;br /&gt;"Ó mar salgado, quando do teu sal / São lágrimas de Portugal" (Fernando Pessoa).&lt;br /&gt;b) Pleonasmo vicioso:&lt;br /&gt;É o desdobramento de idéias que já estavam implícitas em palavras anteriormente expressas. Pleonasmos viciosos devem ser evitados, pois não têm valor de reforço de uma idéia, sendo apenas fruto do descobrimento do sentido real das palavras.&lt;br /&gt;Exemplos: subir para cima / entrar para dentro / repetir de novo / ouvir com os ouvidos / hemorragia de sangue / monopólio exclusivo / breve alocução / principal protagonista.&lt;br /&gt;Polissíndeto:&lt;br /&gt;Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática de uma conjunção coordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical (geralmente a conjunção e). É um recurso que sugere movimentos ininterruptos ou vertiginosos.&lt;br /&gt;Exemplo: "Vão chegando as burguesinhas pobres, / e as criadas das burguesinhas ricas / e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza." (Manuel Bandeira).&lt;br /&gt;Anástrofe:&lt;br /&gt;Ocorre anástrofe quando há uma simples inversão de palavras vizinhas (determinante/determinado).&lt;br /&gt;Exemplo: "Tão leve estou (estou tão leve) que nem sombra tenho." (Mário Quintana).&lt;br /&gt;Hipérbato:&lt;br /&gt;Ocorre hipérbato quando há uma inversão completa de membros da frase.&lt;br /&gt;Exemplo: "Passeiam à tarde, as belas na Avenida. " (As belas passeiam na Avenida à tarde.) (Carlos Drummond de Andrade).&lt;br /&gt;Sínquise:&lt;br /&gt;Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta de distantes partes da frase. É um hipérbato exagerado.&lt;br /&gt;Exemplo: "A grita se alevanta ao Céu, da gente. " (A grita da gente se alevanta ao Céu ) (Camões).&lt;br /&gt;Hipálage:&lt;br /&gt;Ocorre hipálage quando há inversão da posição do adjetivo: uma qualidade que pertence a um objeto é atribuída a outro, na mesma frase.&lt;br /&gt;Exemplo: "... as lojas loquazes dos barbeiros." (as lojas dos barbeiros loquazes.) (Eça de Queiros).&lt;br /&gt;Anacoluto:&lt;br /&gt;Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano sintático com que se inicia a frase, alterando-lhe a seqüência lógica. A construção do período deixa um ou mais termos - que não apresentam função sintática definida - desprendidos dos demais, geralmente depois de uma pausa sensível.&lt;br /&gt;Exemplo: "Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas." (Alcântara Machado).&lt;br /&gt;Silepse:&lt;br /&gt;Ocorre silepse quando a concordância não é feita com as palavras, mas com a idéia a elas associada.&lt;br /&gt;a) Silepse de gênero:&lt;br /&gt;Ocorre quando há discordância entre os gêneros gramaticais (feminino ou masculino).&lt;br /&gt;Exemplo: "Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito." (Guimarães Rosa).&lt;br /&gt;b) Silepse de número:&lt;br /&gt;Ocorre quando há discordância envolvendo o número gramatical (singular ou plural).&lt;br /&gt;Exemplo: Corria gente de todos lados, e gritavam." (Mário Barreto).&lt;br /&gt;c) Silepse de pessoa:&lt;br /&gt;Ocorre quando há discordância entre o sujeito expresso e a pessoa verbal: o sujeito que fala ou escreve se inclui no sujeito enunciado.&lt;br /&gt;Exemplo: "Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas." (Machado de Assis).&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/55750104921950016-7859686452263805028?l=literaturateosofia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/feeds/7859686452263805028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/06/figuras-de-linguagens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/7859686452263805028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/7859686452263805028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/06/figuras-de-linguagens.html' title='FIGURAS DE LINGUAGENS'/><author><name>literaturasofia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12541528314244690654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SdD1ksZuCMI/AAAAAAAAABU/nYG7Fv1KG8Y/S220/Antonio_Jose_da_Silva_O%2520Judeu_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SirHjRuwlsI/AAAAAAAAALo/6tRp52sToJY/s72-c/er.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-55750104921950016.post-7435736748498604484</id><published>2009-06-05T03:03:00.001-07:00</published><updated>2009-06-06T12:42:40.276-07:00</updated><title type='text'>CRÍTICA LITERÁRIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SikxKZDPRWI/AAAAAAAAALg/ziOp9u1YraM/s1600-h/critica.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343856487444727138" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 226px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SikxKZDPRWI/AAAAAAAAALg/ziOp9u1YraM/s320/critica.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;CRÍTICA LITERÁRIA&lt;br /&gt;Por "crítica literária" pode-se entender a produção de um discurso acerca de um texto literário individual ou da obra global de um autor, independentemente da situação de comunicação que desencadeia e/ou particulariza esse discurso. Este entendimento da noção de "crítica literária" permite conjugar quatro vectores fundamentais. Em primeiro lugar, e na linha construtivista de autores como René Wellek (veja-se sobretudo R. Wellek, 1963 e 1981) e J. W. Atkins (veja-se Atkins 1934), salvaguarda a possibilidade de se identificar uma narrativa interna da crítica literária que, desde a Antiguidade até aos nossos dias, se orientou para a visibilidade relevante do crítico enquanto protagonista de um comentário acerca de textos considerados artísticos. Em segundo lugar, e na linha de autores como Northrop Frye (veja-se sobretudo N. Frye, 1970), aquele entendimento não desvincula a situação de ensino da literatura do exercício da crítica literária. Em terceiro lugar, afasta a noção de crítica literária da disputa estéril (desconstrucionista vs. Formalista) acerca do seu estatuto de "arte" ou de "ciência". Em quarto lugar, permite contemplar realidades no exercício moderno da crítica literária como as que decorrem do protagonismo assumido pelo crítico nos meios de comunicação, e que, no essencial, assentam em convicções como a de Albert Thibaudet quando assegurava que «a crítica tal como a conhecemos e praticamos é um produto do século XIX» (ª Thibaudet, 1930: 7).&lt;br /&gt;A crítica literária tem um papel relevante na dinâmica interna de qualquer cultura nacional, na medida em que é por ela que se articula o diálogo entre as propriedades das obras e as exigências literárias de um determinado período. É através das apreciações críticas que melhor se pode discernir os dispositivos de recepção e as configurações de valor estético em jogo numa determinada situação histórico-literária. Esta irrecusável historicidade da crítica torna-a um dos instrumentos mais vivos de que se pode dispor para compreender as tensões actuantes num tempo político, num lugar social e numa tradição cultural.&lt;br /&gt;Dependente como está dos quadros de referência, de conhecimento e de experiência do próprio crítico, a crítica literária está condenada à interpretação e, consequentemente, nunca pode ser neutra nem inocente. Mesmo as pretensas virtudes de uma crítica académica fundada em critérios de cientificidade e/ou articulada por uma linguagem universalizante e objectiva estão hoje em dia despidas de credibilidade, tanto teórica como prática. Porque invariavelmente se confunde o que é científico com algo que é meramente tecnológico, misturando nesse processo rigor com tecnicidade, essas virtudes são meras ilusões que só encontram eco numa outra piedosa ilusão: a de uma epistemologia inocente da investigação universitária.&lt;br /&gt;Porque não é inocente o seu olhar, o crítico literário, seja qual for o plano institucional em que se coloque (académico ou jornalístico) relaciona-se com a literatura, sobretudo com aquela que é sua contemporânea, através de um certo grau de cegueira, como bem observou Paul de Man (P. de Man, 1971), ou através de uma espécie de cegueira interessada que leva o crítico a unicamente ver aquilo que quer ou pode ver. No domínio da crítica literária, faz plenamente sentido a afirmação de M. Merlau-Ponty de que "só encontramos nos textos aquilo que colocamos neles" (1962: viii). Esta é uma realidade inexorável, embora de aceitação difícil quando somos (e nos sentimos) actores culturais coetâneos de uma qualquer prática crítica. No entanto, é ela que agencia a heterogeneidade litigante do conhecimento, e com ela o pulsar agonístico por que uma cultura nacional vive internamente cada um dos seus tempos próprios numa intensa conversação entre diferentes comunidades interpretativas, recorrendo ao conceito de Stanley Fish (S. Fish, 1980), isto é, entre diferentes crenças, diferentes interesses ideológicos, políticos, sociais, sexuais, estéticos; em suma, entre diferentes feixes de estratégias e de normas culturalmente institucionalizadas que coexistem numa relação reciprocamente definidora.&lt;br /&gt;Ao actuar em sinédoque no interior de um quadro literário nacional, o crítico literário torna-se o protagonista mais visível de uma comunidade interpretativa que nele se reconhece por oposição a outros olhares (outras sinédoques) de outros críticos (outras comunidades). Neste sentido, os discursos de todos esses críticos, quando vistos na sua relação contraditória, tornam-se uma espécie de erros necessários que, por si mesmos, não traçam o perfil de uma época. Contudo, na medida em que não emergem de indivíduos isolados, embora por eles se revelem, mas de um ponto de vista público e convencional, esses erros contribuem decididamente para a configuração do perfil de verdade de uma época, pois, na sua contingência, representam (reforçam) horizontes intersubjectivos de crenças e de valores actuantes no seio de uma sociedade. É por isso que os conflitos mais ou menos apaixonados que ciclicamente surgem no seio da comunidade literária (portuguesa ou qualquer outra) ultrapassam em muito as questões consideradas especificamente artísticas, incorporando no debate, de um modo mais ou menos explícito, argumentos (isto é, crenças e valores) de carácter ideológico, político, filosófico ou religioso.&lt;br /&gt;A importância de que a literatura ainda se reveste nos nossos dias decorre do facto de que ela, através da sua capacidade intrínseca de representação, continua a conter em si as possibilidades de um conhecimento insubstituível do homem e do mundo. Nada existe no mundo que a literatura não possa exprimir. Por outro lado, é ainda através da literatura que melhor podemos ter acesso à experiência de vida de uma época ou à interioridade do seu tempo social e cultural.&lt;br /&gt;Esta dimensão fascinante do literário impõe a prioridade inescapável da vinculação do texto a uma realidade que, ao lhe preexistir, estabelece as condições de inteligibilidade solidária através da qual o texto literário oferece o seu dizer no seio de uma cultura. E é exactamente por essa mesma dimensão que o gesto crítico também ganha relevo intelectual e significado cultural. Ao se constituir inevitavelmente em interpretação de um texto literário, a crítica outra coisa não faz que reconhecer a construção e a permanência da literatura como interpretação (interpelação) de estratos do conflito humano nela representado. Cada uma nutre-se da interpretação da outra num diálogo intelectual nem sempre pacífico, mas inexoravelmente dinâmico e activo, ou tão dinâmico e tão activo quanto as circunstâncias culturais e históricas o permitem ou exigem. Em suma, pode-se afirmar que é pelo cruzamento da literatura com a crítica, numa representatividade mútua feita de encontros e desencontros com a verdade de cada uma delas, que a vivacidade do rosto de uma época se torna mais nítida nos seus contornos culturais.&lt;br /&gt;Á&lt;a href="http:/A/analise.htm" target="_blank"&gt;ANÁLISE&lt;/a&gt;; EXEGESE; HERMENÊUTICA; POÉTICA&lt;br /&gt;BIB.: Albert Thibaudet: Phisiologie de la Critique, Paris: Nouvelle Revue Critique, 1930; J. W. Atkins: Literary Criticism in Antiquity (2 vols.), London, 1934; Maurice Merlau-Ponty: Phenomenology of Perception, London, 1962; Northrop Frye: The Stubborn Structure, London, 1970; Paul de Man: Blindness and Insight. Essays in the Rhetoric of Contemporary Criticism, Minneapolis, 1971; René Wellek: (a) "The Term and Concept of Literary Criticism", in Concepts of Criticism, New Haven, 1963; (b) "Literary Criticism --A Historical Perspective", in What is Criticism, Paul Hernadi (org.), Bloomington, 1981; Stanley Fish: Is There a Text in This Class? The Authority of Interpretative Communities, Cambridge (Mass.), 1980.&lt;br /&gt;Manuel Frias Martins&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/55750104921950016-7435736748498604484?l=literaturateosofia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/feeds/7435736748498604484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/06/critica-literaria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/7435736748498604484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/7435736748498604484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/06/critica-literaria.html' title='CRÍTICA LITERÁRIA'/><author><name>literaturasofia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12541528314244690654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SdD1ksZuCMI/AAAAAAAAABU/nYG7Fv1KG8Y/S220/Antonio_Jose_da_Silva_O%2520Judeu_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SikxKZDPRWI/AAAAAAAAALg/ziOp9u1YraM/s72-c/critica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-55750104921950016.post-1663130777376766005</id><published>2009-05-12T08:44:00.000-07:00</published><updated>2009-06-05T07:50:49.419-07:00</updated><title type='text'>HISTÓRIA  DELISBOA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/Sgm-5iSP5KI/AAAAAAAAALU/lYrlBvBcI8o/s1600-h/250px-Belem_tower_002_cc.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335005129262228642" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/Sgm-5iSP5KI/AAAAAAAAALU/lYrlBvBcI8o/s320/250px-Belem_tower_002_cc.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa é uma das mais antigas cidades da Europa, tendo sido fundada há mais de três milénios। É juntamente com Setúbal, Alcácer do Sal e algumas cidades do Algarve a mais antiga de Portugal e também a segunda mais velha capital da União Europeia, após Atenas, mais antiga por quatro séculos que Roma.&lt;br /&gt;A sua história circula à volta da sua posição estratégica na foz do maior rio da Península Ibérica, o Tejo; do seu porto natural ser o melhor para o reabastecimento dos barcos que fazem o comércio entre o Mar do Norte e o Mediterrâneo; além da sua proximidade no extremo Sul e Ocidente da Europa, com os novos continentes da África Subsahariana e da América.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Índice [esconder]&lt;br /&gt;1 Pré-história&lt;br /&gt;2 Alis Ubbo: A fundação fenícia&lt;br /&gt;3 Olissipo: Lisboa romana&lt;br /&gt;4 As Invasões e os Germanos&lt;br /&gt;5 Al-Ushbuna: Lisboa muçulmana&lt;br /&gt;6 Cruzadas: Portugal conquista Lisboa&lt;br /&gt;7 Revolução&lt;br /&gt;8 Lisboa, a Senhora dos Mares&lt;br /&gt;9 Domínio Filipino&lt;br /&gt;10 O Ouro do Brasil&lt;br /&gt;11 Século das Luzes&lt;br /&gt;12 Guerra Civil: Liberais e Conservadores&lt;br /&gt;13 Lisboa entre a Europa e a África&lt;br /&gt;14 A Revolução de 1910&lt;br /&gt;15 República&lt;br /&gt;16 Lisboa após o 25 de Abril de 1974&lt;br /&gt;17 Referências&lt;br /&gt;18 Ver também&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Pré-história&lt;br /&gt;Existem vestígios de ocupação humana na área que hoje é Lisboa de há muitos milhares de anos, atraídos pela proximidade do rio Tejo. Os primeiros habitantes humanos da região teriam sido os Neandertais, extintos há cerca de 30.000 anos pela chegada à Península do Homem moderno. Durante o período Neolítico, os povos Iberos da região construiram os megalitos de função religiosa, tal como os restantes povos da Europa Atlântica: dólmenes, menires e cromeleques terão sido comuns, e alguns ainda sobrevivem hoje na zona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Alis Ubbo: A fundação fenícia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação de Lisboa na margem norte do Mar da Palha, à direita. O Atlântico fica para a esquerdaDiz a lenda popular e romântica que a cidade de Lisboa foi fundada pelo herói mítico Ulisses. Recentemente foram feitas descobertas arqueológicas perto do Castelo de São Jorge e da Sé de Lisboa que comprovam que a cidade terá sido fundada pelos Fenícios cerca de 1200 a.C.. Nessa época os fenícios viajavam até às Ilhas Scilly e à Cornualha, na Grã-Bretanha, para comprar estanho aos nativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mar da Palha ou estuário do Tejo é o melhor porto natural do percurso e o rio uma importante via para as trocas de alimentos e metais com as tribos do interior, tendo sido, talvez precisamente por isso, fundada a colónia chamada Alis Ubbo, que na língua fenícia significa "porto seguro" ou "enseada amena" (sendo provavelmente afilhada da grande cidade de Tiro, actualmente no Líbano). A colónia estendia-se desde a colina onde hoje se situam o Castelo e a Sé, até ao rio, que chamavam Daghi ou Taghi (que significa "boa pescaria" em fenício).[carece de fontes?]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o desenvolvimento de Cartago, também ela uma colónia fenícia, o controlo de Alis Ubbo passou para essa cidade. Durante séculos, fenícios e cartagineses terão desenvolvido a cidade a partir do que foi um simples entreposto comercial para o comércio nos mares do Norte, para um importante mercado onde eram trocados os seus produtos manufacturados pelos metais, peixe salgado e sal da região e das tribos contactadas pela via fluvial do Tejo. Os cavalos, antepassados dos actuais cavalos lusitanos, já eram então famosos no Mediterrâneo pela sua velocidade, tendo Plínio afirmado que as éguas do Tejo deveriam ser fecundadas pelo vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros judeus chegaram sem dúvida com os Fenícios, seus vizinhos. O Hebreu é praticamente idêntico ao Fenício e era raro o barco fenício que não levava mercadores ou sócios da Judeia.[carece de fontes?]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a chegada dos Celtas, estes misturaram-se com os Iberos locais, dando origem às tribos de língua Celta da região, os Conni e os Cempsi.[carece de fontes?]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os antigos Gregos tiveram provavelmente na foz do Tejo um posto de comércio durante algum tempo, mas os seus conflitos com os Cartagineses por todo o Mediterrâneo levaram sem dúvida ao seu abandono devido ao maior poderio de Cartago na região nessa época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, o sufixo "ippo" (ipo) é caracteristico de áreas de influência tartéssica ou turdetana.[1] [2]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os deuses Aracus, Carneus, Bandiarbariaicus e Coniumbricenses eram venerados em "Lisboa" na época pré-romana, pelos Túrdulos da região.[3] [4]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Olissipo: Lisboa romana&lt;br /&gt;Ver artigo principal: Olissipo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olissipo situava-se na província romana da Lusitânia.Olissipo aliou-se aos Romanos quando estes, liderados por Decimus Junius Brutus, procuraram conquistar os Lusitanos e outros povos do Noroeste Peninsular. Os habitantes da cidade lutaram ao lado das Legiões contra estas tribos célticas. Em troca foi-lhes reconhecido o título de cidadãos romanos e à cidade ampla autonomia como Município Romano. Foi incluida na província da Lusitânia, encabeçada por Emerita Augusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade situava-se entre a colina do Castelo e a Baixa, mas as zonas mais ribeirinhas estavam nesse tempo ainda submersas pelo Tejo. Olissipo no tempo romano foi uma importante praça comercial, estabelecendo a ligação entre as províncias do Norte e o Mediterrâneo. Os seus principais produtos eram o garum, um molho de peixe de luxo; o sal e os famosos cavalos lusitanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade foi um dos principais centros da introdução e desenvolvimento do Cristianismo na Peninsula Ibérica. O primeiro Bispo foi São Gens de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] As Invasões e os Germanos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reino dos Visigodos antes da Conquista do Reino dos SuevosA degeneração do Império, e a feudalização da sociedade romana levaram às primeiras invasões dos povos Germanos, Hunos e outros. Inicialmente aceites como colonos nas terras desertificadas pelas epidemias terriveis que mataram grande parte da população da época (provavelmente de Sarampo e Varíola), transformaram-se depressa em expedições militares com objectivos de saque e conquista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início do século V os Vândalos (que depois se retiram para o Norte de África) tomam Olissipo, seguidos dos Alanos. Em 419 Olissipo foi saqueada e queimada pelos Godos do Rei tribal Walia, Remismundo conquistou Lisboa em 468 com a ajuda de um hispano-romano de Lisboa chamado Lusidius, e finalmente em 469 é integrada no Reino Suevo cuja capital era Braga. Após a invasão dos Visigodos, estes estabelecem-se em Toledo e após várias guerras durante o século VI, conquistam os Suevos, unificando a Peninsula Ibérica, incluindo a cidade que chamavam Ulishbona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante esta época conturbada, Lisboa perde as ligações políticas com Constantinopla, mas não as comerciais. Mercadores Gregos, Sírios, Judeus e outros, vindos do Oriente, formam comunidades que trocam os produtos locais com os do Império Bizantino, Ásia e Índia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Al-Ushbuna: Lisboa muçulmana&lt;br /&gt;Após três séculos de saques, pilhagens e perda de dinâmica comercial, Ulishbuna seria pouco mais que uma vila no início do século VII. É nesta altura que, aproveitando uma guerra civil do Reino Hispânico Visigótico, que os árabes liderados por Tariq invadem a Peninsula Ibérica com as suas tropas mouriscas, em 711. Olishbuna foi conquistada pelas tropas de Abdelaziz ibn Musa, um dos filhos de Tariq, assim como o resto do Ocidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez Lisboa, conhecida pelos árabes como al-Ushbuna, torna-se um grande centro administrativo e comercial para as terras junto ao Tejo, recolhendo os seus produtos e trocando-os por produtos do Mediterrâneo Árabe, particularmente Marrocos, Tunísia, Egipto, Síria e Iraque. Segundo as estimativas actuais a cidade teria no seu apogeu, no século X, mais de 100.000 habitantes, e com Constantinopla, Salónica, Córdova e Sevilha, seria uma das maiores cidades da Europa, muitas vezes maior que Paris e Londres, que em plena Idade Média teriam apenas 5-10.000 habitantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria dos habitantes converte-se à língua árabe e religião muçulmana da minoria invasora que se instala como elite. A população cristã , Moçárabe, com o seu próprio Bispo segue o rito moçárabe de tradições visigoticas, falantes do árabe ou de uma variedade de Latim vulgar,o moçárabe, romance semelhante ao falado na Galiza e províncias do Norte, é tolerada na qualidade de de dhimmi em troca de imposto, o jizyah. Esta comunidade moçárabe que seguia ritos e costumes cristãos visigoticos é muitas vezes rejeitada quando entra em contacto com os católicos. Foram os moçárabes que levaram para Lisboa os restos de São Vicente, que se tornaria o padroeiro da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comunidade Judaica, já existente desde a fundação da cidade pelos Fenícios, é grandemente reforçada pelos Judeus que aí se estabelecem como mercadores e financeiros, aproveitando a elevação da cidade a núcleo comercial proeminente. Além do sal, peixe e cavalos, negociavam-se as especiarias vindas do Levante, as plantas medicinais, os frutos secos, mel e peles. Os Saqaliba passam a integrar a população e a ter uma posição de destaque. O eslavo Sabur al-Saqlabi torna-se, durante o que foi conhecido por regulo eslavo, governante da taifa de Badajoz, e os seus filhos Abd al-Aziz ibn Sabur e Abd al-Malik ibn Sabur governantes da taifa de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al-Ushbuna é renovada e reconstruída de acordo com os padrões do Médio Oriente: uma grande mesquita, um castelo no topo do monte (que de forma modificada se transformou no Castelo de São Jorge), um palácio para o Governador ou (alcáçova), uma almedina ou centro urbano e um alcácer. O bairro de Alfama cresce ao lado do núcleo urbano original. A cidadela de al-Madan, a actual Almada é fundada na margem Sul do rio para proteger a cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Árabes e Berberes introduzem nos arredores da cidade a sua agricultura irrigada, que é muito mais produtiva que os métodos de sequeiro anteriores. As águas do Tejo e seus afluentes são usadas para irrigar a terra no Verão, produzindo várias colheitas por ano e vegetais como alfaces e frutos como as laranjas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Politicamente, de início, a cidade faz parte do Califado Omíada de Damasco, Síria. Consta das crónicas uma grande rebelião dos Berberes ou "Mouros" frente à elite dos Árabes da Arábia em 740, que precisou de reforços do Califado para ser suprimida. A cidade está depois sujeita ao Califado de Córdova, no qual os sobreviventes Omíadas ganham a independência do novo Califado Egípcio dos Abássidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o início da Reconquista, a opulenta al-Ushbuna é um alvo dos raides cristãos, que saqueiam a cidade primeiramente em 796 e por outras ocasiões nos anos seguintes, liderados pelo Rei Afonso II das Astúrias, mas a fronteira permanece a norte do Douro. Em 844 várias dezenas de barcos dos Vikings surgem no Mar da Palha, e os Escandinavos estabelecem o cerco, conquistam a cidade e os campos à volta,onde ficam durante 13 dias [5] . Mas os Vikings acabariam por partir face à resistência continuada dos habitantes da cidade liderados por Alah ibn Hazme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início do Século X surgem em al-Ushbuna várias seitas islmâmicas de conversos da população hispânica. Estas seitas são formas de organização política com que os autoctónes se revoltam contra os obstáculos postos na sua ascensão social por um sistema hierárquico em que primeiro vinha a pequena elite de descendentes do profeta Maomé, depois os Árabes de sangue puro, a seguir Berberes ou Mouros e só depois os Latinos arabizados e muçulmanos. Vários líderes Latinos surgem, como Ali ibn Ashra e outros, que se declaram Profetas ou descendentes de Ali (xiitas) que com aliados em outras cidades iniciam guerras civis com as tropas árabes sunitas. Os moçárabes eram tratados ainda de forma pior, assim como os Judeus, sofrendo por vezes perseguições que, apesar de lamentáveis aos olhos modernos, eram uma pálida imagem do que fariam os católicos contra não só muçulmanos e judeus, mas mesmo contra os próprios cristãos não católicos das terras reconquistadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novo ataque Viking seguir-se-ia sem sucesso em 966. O Rei Ordonho I das Astúrias pilharia a cidade novamente em meados do século IX, assim como Afonso VI de Leão em 1093, que a reteve no seu Reino de Leão por dois anos, após conquistar a cidade de al-Santaryn ou Santarém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a fragmentação do Califado de Córdova por volta do ano 1000 com as lutas intestinas, os notáveis de al-Ushbuna oscilam entre a obediência à Taifa de Badajoz ou à de Sevilha, conseguindo manobrar de forma a obter uma autonomia considerável. No entanto em 1111 um novo Califado pan-hispânico é estabelecido pela invasão a partir dos desertos de Marrocos dos Almorávidas liderados por Ali ibn Yusuf, cujas tropas são travadas apenas na região de Tomar por Gualdim Pais. Este dura pouco tempo até que regressam os tempos da divisão das Taifas e da autonomia e prosperidade de al-Ushbuna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Cruzadas: Portugal conquista Lisboa&lt;br /&gt;Ver artigo principal: Cerco de Lisboa (1147)&lt;br /&gt;Enquanto se fragmentavam as Taifas islâmicas do Sul, no Norte secedia o Condado Portucalense do Reino de Leão, já em plena Reconquista da Península Ibérica. Apesar de baseado em Guimarães, a força económica que permitia a autonomia do Condado Portucalense estava na cidade do Porto (Portucale ou porto da cidade de Cale, a actual Gaia). É interessante pensar como foi o novo Reino, centrado no dinamismo comercial da jovem cidade de mercadores do Porto, que usufruía de uma posição e importância semelhantes na foz do segundo maior rio da Península Ibérica, o rio Douro, como Lisboa no rio Tejo, que acabaria por conquistar essa venerável cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afonso HenriquesFamosa e opulenta, a cidade daria reino bastante prestígio. A primeira tentativa de Afonso de conquistar al-Ushbuna deu-se em 1137 e fracassou frente às muralhas da cidade. Em 1140 aproveita os cruzados que passavam por Portugal para novo ataque que novamente falha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só em Junho e Julho de 1147, com a ajuda de uma força mais numerosa de cruzados, cerca de 164 barcos cheios de homens, consegue ser bem sucedido. Enquanto as suas forças portuguesas atacavam pela terra, os cruzados na sua maioria ingleses e normandos, aliciados pelas promessas de pilhagem livre, montaram as suas máquinas de cerco, como catapultas e torres, e atacavam simultaneamente pelo mar e impediam a chegada de reforços vindos do sul. No primeiros encontros os muçulmanos vencem os cristãos matando muitos, e a moral dos cruzados fica afectada, ocorrendo vários conflitos sangrentos entre os vários grupos de cristãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruzados com Máquinas de GuerraConta a lenda que, após muitas tentativas, uma das portas é arrombada e o português Martim Moniz consegue mantê-la aberta com o próprio corpo permitindo que os seus companheiros entrassem, ainda que morrendo esmagado por ela. Mais provavelmente com a ajuda das máquinas de sítio, as muralhas são ultrapassadas, em 23 de Outubro de 1147. Segundo Osbernus[6], depois de entrarem na cidade, os colonienses e os flamengos não respeitam o juramento nem palavra dada ao rei de Portugal e saqueiam a cidade, actuam sem respeito contra as donzelas e cortam o pescoço ao bispo da cidade. Depois da conquista da cidade, uma epidemia de peste dizima milhares de vidas entre os moçarabes e muçulmanos [7].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dom Afonso Henriques toma posse oficialmente da cidade no dia 1 de Novembro, quando numa cerimónia religiosa, manda transformar a grande mesquita de sete cúpulas, a Aljama, em Sé Catedral. O Bispo é Gilbert de Hastings, um cruzado inglês, e a muitos dos cruzados mais proeminentes são doadas terras da região e títulos. Santo António nasce em 1195 na cidade com o nome de Fernando de Bulhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Sé Românica de LisboaO Rei daria o Foral em 1179, e tentaria recuperar as ligações comerciais da cidade inaugurando uma grande nova feira ou mercado. O resultado destes esforços é que os mercadores Portugueses Cristãos ou Judeus não só retomam algumas ligações comerciais da antiga al-Ushbuna, como na Andaluzia (Sevilha e Cádiz), e no Mediterrâneo, até Constantinopla, como abrem-se novas vias para os portos da Europa do Norte, que os muçulmanos raramente visitavam devido às diferenças ideológicas. De facto a primeira vocação da Lisboa Medieval Cristã é a mais uma vez a mediação do comércio entre o Mar do Norte e o Mediterrâneo, mas graças aos avanços na navegação oceânica os volumes são cada vez maiores. Casas de mercadores Portugueses abrem em Sevilha, Southampton, Bruges e nas cidades da Hansa, e os Judeus Portugueses continuam a comerciar com os seus primos no Norte de África. Trocam-se as especiarias, sedas e mezinhas mediterrâneas; ouro, marfim, arroz, alúmen, amêndoas e açúcar comprados aos Árabes e Mouros; juntamente com o azeite, sal, vinho, cortiça, mel e cera Portuguesas com os texteis de lã ou linho finos, estanho, ferro, corantes, âmbar, armas, peles e produtos artesanais do Norte. São fundados estaleiros para a construção de mais barcos comerciais e militares, cuja Armada é essencial na protecção do comércio contra os piratas sarracenos. Para responder à crescente demanda pelas populações cada vez maiores da Europa no Século XII e Século XIII, são estimuladas as inovações na construção dos barcos, que da barca forte mas tosca passam, numa síntese de saber cristão, viking e árabe, para a caravela (primeira referência em 1226), o primeiro verdadeiro navio atlântico. Às profissões ligadas à navegação, como carpinteiros e marinheiros, são dados privilégios e protecção, incluindo a criação em Lisboa de um Juiz próprio, o Alcaide do Mar (1242).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um efeito indirecto de todo este dinamismo de Lisboa é a ruína dos comerciantes germânicos, que faziam o mesmo comércio por ter (uma rota mais dispendiosa mas a única possível quando os navios muçulmanos e os seus piratas controlavam o sul de Espanha e o estreito de Gibraltar) entre os Países Baixos e a Hansa e a Itália e os seus portos. O Sacro Império Romano-Germânico perde influência sobre os seus reinos, ducados e cidades-estado constituintes, e os mercadores alemães, até aí senhores do comércio Europeu, são forçados a procurar novos mercados a oriente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seguimento desta prosperidade, e com o aumento de segurança em Lisboa com a conquista definitiva dos Algarves no século XIII, em 1256 Afonso III de Portugal constata o óbvio e escolhe a maior e mais vigorosa cidade do seu Reino para Capital, movendo para aí a Corte, os Arquivos e a Tesouraria (que estavam em Coimbra). Dom Dinis, o primeiro Rei a presidir todo o seu reinado em Lisboa, cria aí a Universidade em 1290, que transfere para Coimbra em 1308 apenas devido aos conflitos crescentes dos estudantes com os lisboetas. É nesta altura que a zona onde hoje está o Terreiro do Paço é reclamada ao mar, através de drenagens do terreno já lamacento (era rio livre até ao tempo da conquista, mas sedimentou devido aos depósitos do rio). Novas ruas são desenhadas, como a Rua Nova, e o Rossio torna-se pela primeira vez centro da cidade, roubando essa distinção à colina do Castelo. Outras construções de Dom Dinis foram uma muralha frente novo Cais da Ribeira contra os piratas, e renovações do Palácio Árabe (a Alcáçova, destruída no Terramoto de 1755) e da Sé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das colónias de Portugueses nas cidades do Norte da Europa, colónias de mercadores do resto da Europa estabelecem-se em Lisboa, uma das mais importantes cidades do comércio internacional. Sem contar com os Judeus (que já existiam como Portugueses), os Genoveses são os mais numerosos, acompanhados de Venezianos e outros Italianos, além de Holandeses e Ingleses. Estes mercadores trazem para Portugal novas técnicas cartográficas e de navegação, além de técnicas bancárias, financeiras e outras conhecidas como o sistema do Mercantilismo, além de conhecimentos das origens Asiáticas dos produtos de luxo como as sedas e especiarias, que trazem do Oriente Bizantino e Islâmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Politicamente as tensões com Castela são contrabalançadas com uma Aliança assinada em 1308, que perdurou ininterruptamente até hoje, com o principal parceiro comercial de Lisboa (e também do Porto), a Inglaterra. A aliança forma um dos dois lados da Guerra dos cem anos, no outro lado estão além de Castela a França. No tempo de Fernando de Portugal inicia-se uma guerra com Castela, e os barcos lisboetas com canhões são recrutados assim como os Genoveses num ataque mal-sucedido a Sevilha. Em resposta os castelhanos põem cerco a Lisboa, tomando-a em 1373, mas são pagos para se retirarem. É no seguimento deste desastre que são construídas as Grandes Muralhas Fernandinas de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Socialmente em baixo viviam todo o tipo de jornaleiros e mercadores de rua, além dos pescadores e dos agricultores das hortas de vegetais. São desta época as várias Ruas dos ofícios, nas quais se organizavam as corporações dos mesteriais, dirigidos pelos Mestres: Rua do Ouro (ourives); Rua da Prata (joalheiros de pratas); Rua dos Fanqueiros; Rua dos Sapateiros; Rua dos Retroseiros e Rua dos Correeiros. Estas corporações educavam os aprendizes e tinham sistemas de protecção social e controlo dos preços que beneficiavam os seus membros. A aristocracia, atraída pela corte, estabelecia-se construindo grandes palácios, e desempenhava funções burocráticas. Mas a mais importante classe social de Lisboa, mesmo após o ganho de funções políticas enquanto capital, era a dos mercadores, a burguesia que era a força deste núcleo comercial que era dos mais importantes da Europa. São os magnatas do comércio que controlam a cidade e o seu Concelho oligárquico. É devido às necessidades destes que se organizam na cidade os profissionais: banqueiros para coordenar os riscos; homens das Leis para proteger e manipular os seus direitos legais; especialistas e cientistas para construir os seus barcos e instrumentos de navegação. Com a sua influência, conseguem extrair da Monarquia medidas mercantilistas que os favorecem, e são o grande impulso à exploração de novos mercados. A Companhia das Naus é fundada, uma verdadeira companhia de seguros, que exige pagamento de cotas obrigatórias de todos os armadores em troca da partilha de perdas após naufrágios, organizando os mais de quinhentos grandes navios dos magnatas da cidade. Com os crescentes lucros, os mercadores mais ricos adquirem títulos de nobreza, enquanto os fidalgos mais pobres se dedicam ao comércio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as minorias, contavam-se as dos Judeus e dos Muçulmanos (não só mouros mas também árabes e latinos islâmizados de língua árabe). Havia uma grande Judiaria que ocupava as freguesias de Santa Maria Madalena, São Julião e São Nicolau, na Rua Nova e dos Mercadores (onde ficava a Grande Sinagoga). Os Judeus (talvez 10% da população, ou mesmo mais) são grandes comerciantes, com ligações aos seus correligionários por toda a Europa, Norte de África e Médio Oriente, e os que não praticam o comércio constituem grande parte dos letrados, como médicos, advogados, cartógrafos e especialistas nas ciências ou artes. A sua actividade é fundamental para a vitalidade da economia da cidade. Entres Judeus Sefarditas de Lisboa contam-se grandes nomes como os Abravanel. No entanto são forçados a viver separadamente, proibidos de sair à noite, obrigados a usar distintivos nas vestes e pagam impostos extra, além de serem sempre as primeiras vítimas em situações de revolta popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Mouraria era o gueto correspondente para os muçulmanos, contendo a Grande Mesquita, situada na Rua do Capelão. Contudo não eram prósperos e educados como os Judeus, já que as elites muçulmanas tinham fugido para o Norte de África, enquanto os Judeus letrados falantes de Português não tinham outra Pátria. A maioria eram trabalhadores de baixo nível de qualificações com salários baixos, e muitos eram escravos de cristãos. Também eles tinham de usar símbolos nas vestes e pagar impostos extra, e sofriam as violências das multidões. O termo saloio provém do imposto especial que pagavam os muçulmanos que cultivavam as hortas nos limites da cidade, o salaio; assim como o termo alfacinha vem do cultivo desses vegetais pelos árabes, então pouco consumidos no Norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto a prosperidade da cidade viria a ser interrompida. Em 1290 ocorre o primeiro grande terramoto histórico, morrendo milhares de pessoas e desmoronando-se muitos edifícios. Novos terramotos registam-se em 1318, 1321, 1334, 1337 e um grande em 1344 que destrói parte da Sé e da Alcáçova, em 1346, 1356 (destrói outra porção da Sé), 1366, 1395 e 1404 possivelmente todos resultantes de reajustamentos na mesma falha. A fome surge em 1333 e em 1348 surge pela primeira vez a Peste Negra, que terá morto metade da população, com novos surtos de menor mortandade em cada década, à medida que nasciam mais pessoas susceptíveis. Estas catástrofes destruíram em Lisboa como na restante Europa a Civilização vibrante da Baixa Idade Média, com as suas catedrais e o seu espírito de Cristandade universal, mas prepararam o caminho para o surgimento da nova Civilização dos Descobrimentos e do novo espírito científico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Revolução&lt;br /&gt;Ver artigo principal: Cerco de Lisboa (1384)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Batalha de Aljubarrota a nova elite burguesa de Lisboa derrotou a velha aristocracia feudal de Portucale e o seu aliado, Castela.O novo capítulo da história de Lisboa nasce com a grande revolução da Crise de 1383-85. Após a morte de Fernando de Portugal, o Reino passaria para o Rei de Castela, João I de Castela. Os grandes aristocratas e clérigos do Norte, possuidores de grandes propriedades no Sul que adquiriram após a Reconquista, tinham interesses e cultura semelhantes às dos Castelhanos com enfâse nas distinções sociais baseadas na possessão da terra, no espírito de cruzada contra os Mouros no Norte de África, e nos benefícios da união de toda a Hispânia. Contudo não são esses os interesses dos mercadores de Lisboa (muitos dos quais pequenos fidalgos). Para Lisboa, a união com Castela significaria uma diluição das ligações comerciais com a Inglaterra e o Norte, e também com o Médio Oriente; além de um desvio de atenções dos privilégios aos mercadores e da contrução de barcos comerciais e de guerra, para os exércitos terrestres e os privilégios aos Nobres. É por isso que os mercadores e pequenos fidalgos mercantes apoiavam inicialmente o Mestre de Avis, D. João. A guerra de 1383 é no fundo uma guerra entre a Aristocracia conservadora católica e medieval, muito semelhante e ligada às suas congéneres Galega e Castelhana, do antigo Condado Portucalense centrado no Minho, e os mercadores ricos e pluralistas de Lisboa. Os nobres do Norte tinham fundado e conquistado o país e para eles o domínio crescente de Lisboa ameaçava a sua supremacia enquanto a aliança com os nobres Castelhanos a restabelecia. Para Lisboa, uma cidade do comércio, as práticas feudais e as guerras terrestres dos Castelhanos eram um risco para os seus negócios. São os burgueses que ganham a luta, com as suas ligações inglesas e capitais avultados: o Mestre de Avis é aclamado João I de Portugal, vencendo o cerco de Lisboa de 1384, e a Batalha de Aljubarrota sob liderança de Nun'Álvares Pereira em 1385 contra as forças de Castela e dos fidalgos do Norte. A nova aristocracia portuguesa é formada a partir dos mercadores Lisboetas, e é só a partir desta data que o centro de Portugal passa realmente do Norte para Lisboa, tornando Portugal numa espécie de cidade-estado, em que quase apenas os seus interesses determinam o rumo e a independência do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os novos nobres burgueses constroem os seus palácios ou paços no bairro de Santos; outros edifícios são os da Universidade em Alfama, que regressa a Lisboa; a Igreja do Carmo; a Alfândega; e alguns dos primeiros edifícios de habitação em toda a Europa com vários andares, até cinco. A cidade é composta de ruas estreitas e tortuosas, a maioria de terra batida, em que as casas alternam com as hortas e os pomares. A cidade continua a crescer, e o largo abandono das técnicas de regadio muito produtivas dos muçulmanos significam que é necessário importar trigo de Castela, França, terras do rio Reno e até de Marrocos. Lisboa é uma cidade que cresce demasiado para o país, e este torna-se num território circundante semelhante aos de outras cidades comerciais. Lisboa, juntamente com Antuérpia no Atlântico servem a mesma função de organização do comércio que Veneza, Génova, Barcelona ou Ragusa no Mediterrâneo; ou Hamburgo, Lubeck e outras no Báltico. Em 1417 proíbe-se que se deite lixo perto do Mosteiro do Carmo e de outras áreas de Lisboa. Em 1426 outra lei proíbe lançar lixo e deixar galinhas soltas nas ruas de Lisboa sob pena de pagar multa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política externa segue os interesses de Lisboa: são assinados acordos comerciais e de cooperação com as cidades-estado comerciais de Veneza (acordo de 1392), Génova (1398), Pisa e Florença, cujos mercadores já habitavam na cidade, e muitos dos quais são naturalizados e se tornam nobres Portugueses. Ceuta é conquistada em 1415 para permitir aos mercadores Lisboetas um melhor controlo local (e luta contra os piratas sarracenos) do comércio Mediterrânico que passava para o Norte através das Colunas de Hércules assim como a exportação do trigo marroquino a melhores preços. Além disso, nesse tempo Ceuta recebia as caravanas do ouro e do marfim, comércio que os Lisboetas queriam dominar, e temia-se a tomada da cidade pelos Castelhanos da rival Sevilha ou dos Aragoneses de Barcelona. A Aliança com a Inglaterra, um dos seus maiores clientes, é prosseguida..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Lisboa, a Senhora dos Mares&lt;br /&gt;A colaboração estreita com os Italianos, que dominavam a navegação no Mediterrâneo desde o tempo do Império Romano, trouxe frutos à cidade de Lisboa. Várias expedições se empreenderam com tripulações italianas e portuguesas, nas quais foram descobertos os arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias. Alguns afirmam que terão mesmo chegado ao Brasil. Estas ilhas permitem o estabelecimento de novas cidades-portos, úteis para a exploração de novos mercados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prosperidade de Lisboa fica ameaçada quando o Império Otomano invade e conquista os territórios Árabes do Norte de África, Egipto e Médio Oriente no século XV. Os Turcos são inicialmente hostis aos interesses de Lisboa e das suas aliadas Veneza e Génova, e o comércio das especiarias, ouro, marfim e outros bens sofre fortemente. Os mercadores de Lisboa, muitos descendentes de Muçulmanos ou Judeus com ligações ao Norte de África, reagem procurando negociar directamente com as fontes dessas mercadorias, sem usar os mediadores Muçulmanos. As ligações dos judeus portugueses aos judeus magrebinos, e a conquista de Ceuta, permitem aos mercadores de Lisboa espiar os mercadores árabes, descobrindo que o ouro, os escravos e o marfim vêm para Marrocos em caravanas pelo deserto do Saara, a partir das terras do Sudão (que nesse tempo incluía todas as pradarias a sul do Deserto, o actual Sahel); e que as especiarias como a pimenta são levadas para os portos do Mar Vermelho no Egipto a partir da Índia. A nova estratégia dos mercadores Portugueses, Cristãos e Judeus, e Luso-Italianos é navegar directamente à fonte dos materiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Infante Dom HenriqueO grande impulsionador deste objectivo é o Infante D. Henrique, que se baseia na cidade de Tomar. Sede da Ordem de Cristo (antigos Templários), e de uma grande comunidade de mercadores Judeus, a cidade está também muito ligada a Lisboa pelo comércio dos cereais e frutos secos (uma das principais exportações de Lisboa). Os capitais e conhecimentos do Oriente por parte dos Templários e Judeus foram sem dúvida fundamentais para se conseguirem os propósitos dos mercadores Lisboetas. O Infante Dom Henrique é o impulsionador de um projecto que não foi ele que imaginou, mas sim os mercadores de Lisboa. Estes que sustentavam através dos impostos e taxas alfandegárias a monarquia, tornando-a praticamente independente dos recursos dos nobres territoriais, convertem-na aos seus propósitos mercantilistas. O Infante D. Henrique é o organizador de um certo dirigismo de Estado: os grandes riscos e capitais necessários à abertura das novas rotas precisam da cooperação de todos os mercadores através do Estado (como hoje muitos projectos de grande capital são empreendidos internacionalmente). O Infante Dom Henrique organiza e dirige os esforços dos navios portugueses de atingir as fontes do ouro, marfim e escravos, que estes por si mesmos já empreendiam de forma ineficiente. Com os capitais da Ordem de Cristo, são fundadas escolas de marinheiros e concentrados recursos e conhecimentos, dos mercadores Lisboetas Judeus, Luso-Genoveses ou Luso-Venezianos, para atingir o objectivo. Várias expedições são lançadas sob a forma de contratos com alguns dos mais influentes burgueses de Lisboa, até que o Golfo da Guiné é finalmente atingido por volta de 1460.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta época há nova tentativa dos nobres feudais nortenhos que permaneceram, de retomar o controlo do Reino, assustados com a crescente prosperidade dos mercadores lisboetas contra as suas perdas de rendimento. O propósito é a facilidade da conquista de Ceuta, que abre perspectivas de mais conquistas relativamente fáceis no Norte de África. Esta empresa seria favorável aos nobres, que ganhariam saque e mais terras e arrendatários em Marrocos, mas é contrária aos interesses dos mercadores-fidalgos e judeus de Lisboa, que seriam os pagadores dos impostos extra necessários às expedições e que procuram antes investir as forças e recursos do Reino na descoberta dos novos mercados africanos e asiáticos e não em aumentar ainda mais o poder da hostil e pró-castelhana nobreza Portucalense. Todas as lutas que D. João II manteve contra esses nobres, com a ajuda dos mercadores Lisboetas, exprimem esta realidade subjacente de luta entre Lisboa e o Norte, o antigo Portucale, berço da nação, pela definição do rumo do país. Após várias conspirações e incidentes, nas quais mais uma vez os nobres nortenhos pedem auxílio aos seus congéneres Castelhanos, vence mais uma vez Lisboa e os seus mercadores, e os cabecilhas são executados, entre os quais os Duques de Bragança e Viseu, mortos em 1483 e 1484. Todos os projectos de expansão terrestre em África são abandonados em troca do comércio nas novas terras descobertas mais a sul. Depois da morte do Infante D. Henrique, quando o caminho já estava aberto, inicia-se a iniciativa privada. O mercador lisboeta Fernão Gomes é o primeiro, sendo-lhe reconhecido monopólio sobre o comércio africano em 1469, em troca de descoberta de 500 quilómetros de costa para Sul a cada ano e 200.000 reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ilhas da Madeira e dos Açores são populadas, e programas de cultivo de produtos comerciais para Lisboa são implantados prioritariamente: a cana-de-açúcar e o vinho. Na recém-descoberta Guiné, produtos baratos como potes de metal e tecidos são trocados por ouro, marfim e escravos a partir de feitorias controladas pelos lisboetas: os nativos deslocam a sua actividade económica para trocar com os Europeus, mas não são conquistados, já que seria dispendioso. Fazem-se casamentos dos habitantes das feitorias com as filhas dos chefes locais, facilitando as trocas: o objectivo é o lucro e não a colonização. O resultado é um novo impulso para o comércio de Lisboa. Na capital aparecem o açúcar de cana e o vinho da Madeira, o trigo de Ceuta, o almíscar, o indigo e outros corantes de roupa, algodão do Norte de África e significativas quantidades do ouro da Guiné e da Costa do Ouro, em grande falta na Europa no fim do século XV. Além disso são traficados de forma brutal escravos Berberes das Canárias e depois Africanos. Os primeiros escravos são distribuídos pelo território Português, e aparecem os primeiros Africanos de pele escura mesmo nas terras do interior, comprados pelos senhores das propriedades. Um produto inovador foram as malaguetas. Estes frutos picantes seriam cultivados na Índia (para onde foram levadas pelos mercadores Lisboetas) mas são originárias da Guiné. Rapidamente este bem de monopólio lisboeta ganhou favor na culinária mediterrânica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo os melhores mercados e produtos viriam de outra descoberta, a Índia e o Oriente. A guerra entre o Império Otomano e Veneza aumenta muito os preços da pimenta e outras especiarias e da seda trazidas pelos venezianos para a Itália, para Lisboa e daí para o resto da Europa a partir do Egipto (que recebia barcos árabes vindos da Índia no Mar Vermelho. Para contornar o "problema turco" é organizada a viagem de Vasco da Gama, mais uma vez por iniciativa dos mercadores Lisboetas mas com capital régio, que chega à Índia em 1498. Daí os mercadores atingem a China onde fundam a colónia comercial de Macau, as ilhas da actual Indonésia, e o Japão antes do fim do século XVI. No caminho estabelecem contractos comerciais e portos de escala com os chefes e Reis em Angola e Moçambique. Um grande Império colonial é consolidado por Afonso de Albuquerque, cuja armada segura o Oceano Índico e portos em localizações convenientes, para os mercadores vindos de Lisboa contra a competição dos turcos e árabes. Não são tomados territórios mas apenas portos e fortes de trocas com os nativos. Do outro lado do mundo, Pedro Álvares Cabral chega ao Brasil em 1500.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado para Lisboa são os novos produtos que trafica com a restante Europa em regime exclusivo durante muitos anos: além dos produtos africanos chega a pimenta, canela, gengibre, noz moscada, plantas medicinais, tecidos de algodão e os diamantes pela Carreira das Naus da Índia; as especiarias da Molucas, as porcelanas Ming e a seda da China, os escravos de Moçambique, o pau-brasil e o açúcar brasileiros. Além disso continua o comércio do peixe (bacalhau salgado pescado na Terra Nova), os frutos secos e o vinho. As outras cidades portuguesas, como o Porto e Lagos, contribuem para o comércio externo apenas de forma marginal, praticamente limitando-se a exportar e importar de Lisboa. Os Lisboetas controlam ainda muito do comércio de Antuérpia, da qual importam tecidos finos para o resto da Europa. Os mercadores alemães e italianos, vendo as suas rotas, terrestres no caso dos primeiros, Mediterrâneas para os segundos, largamente abandonadas, fundam grandes casas comerciais em Lisboa reexportando os produtos de todo o mundo para o Leste da Europa e para o Médio Oriente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa é o mercado para os gostos de luxo das elites de toda a Europa: Veneza e Génova arruinam-se e a Inglaterra e Holanda vêem-se obrigadas a imitar os Portugueses para travar as perdas de divisas. Os Lisboetas controlam durante várias décadas todo o comércio desde o Japão até Ceuta. A cidade ganha fama que chega a mito, e no século XVI é sem dúvida a mais rica cidade de todo o Mundo. Para ela migram comerciantes de toda a Europa, que se misturam com as já substanciais minorias Judaicas e Muçulmanas, além dos grandes números escravos Africanos (seriam entre um décimo e um quinto da população) e até alguns Indianos, Chineses e mesmo Japoneses e Índios Brasileiros. No tempo do Rei D. Manuel I, nas ruas de Lisboa as festas são feitas com desfiles de leões, elefantes, rinocerontes, camelos e outros animais não vistos na Europa desde o tempo do Circo Romano. Um rinoceronte e um elefante chegam inclusivamente a ser oferecidos ao Papa Leão X (ver Castelo de If). Na Europa o mito de Lisboa e das suas descobertas é tão grande que quando Thomas More inventa a sua ilha da Utopia, tenta dar-lhe credibilidade dizendo que foram os Portugueses a descobri-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto à Torre de Belém ancoravam as naus que partiam para o movimento de expansão ultramarina.Para organizar todo o comércio privado e recolher os impostos, são criadas na capital do século XVI as grandes Casas Portuguesas de comércio: a Casa da Mina, a Casa de Arguim, a Casa dos Escravos, a Casa da Flandres (Países Baixos) e a célebre Casa da Índia. Os grandes lucros são usados na construção de outros edifícios: são deste século o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém no novo estilo Manuelino (que evoca o comércio de além-mar), o Forte de São Julião da Barra numa ilha do Tejo, o Terreiro do Paço, o novo e imponente Palácio Real (destruído em 1755) e o Arsenal militar todos construídos junto ao Mar (da Palha); e ainda o Hospital Real de Todos-os-Santos, e inúmeros palácios e solares privados. O impulso à pavimentação das ruas com formas geométricas e desenhos formados por cubos de calcário branco e basalto preto (a calçada portuguesa) foi um luxo iniciado na época, que outras cidades da Europa não podiam pagar. A cidade expandia-se atingindo quase 200.000 habitantes, sendo construído o Bairro Alto, inicialmente conhecido por Vila Nova dos Andrades em honra dos ricos burgueses galegos que aí se estabeleceram, e que rapidamente se torna o bairro mais rico da cidade. É inaugurada em 1552 a Feira da Ladra, que ainda funciona hoje no mesmo local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aspecto do Bairro Alto, com um Palácio ao fundo.Culturalmente vive no século XVI em Lisboa a geração de ouro das Ciências e Letras portuguesas: entre os cientistas o humanista Damião de Góis (amigo de Erasmo e Lutero), o matemático Pedro Nunes, o médico e botânico Garcia da Orta e Duarte Pacheco Pereira; entre os escritores Luís de Camões, Bernardim Ribeiro, Gil Vicente e outros. Isaac Abravanel, um dos maiores filósofos hebreus, é nomeado Tesoureiro do Rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Socialmente todas as classes beneficiam. Os fidalgos urbanos da administração Real e os burgueses são os mais beneficiados, mas mesmo o povo vive com luxos inatingíveis para os ingleses, franceses ou alemães seus contemporâneos. Os trabalhos pesados necessários são feitos pelos escravos africanos e pelos galegos. Os primeiros são vendidos na Praça do Pelourinho, sendo separadas as famílias, e trabalham todo o dia sem salário, alguns sujeitos a tratamento brutal. Aos segundos certamente compensava a viagem face às condições miseráveis da Espanha rural, e a língua praticamente idêntica facilitava a integração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mosteiro dos Jerónimos, terminado em 1572.Os Judeus incluem como sempre alguns pobres e outros que se contam entre os mais educados e ricos comerciantes, financeiros e letrados da cidade. O primeiro livro impresso em Lisboa foi o Comentários sobre o Pentateuco de Moisés ben Nahman, um livro em hebraico, publicado por Eliezer Toledano em 1489. Em 1496 os espanhóis expulsam os Judeus do seu território, animados pelo espírito fundamentalista de uma Monarquia exclusivamente cristã. Muitos vêm para Lisboa, tendo provavelmente a sua população duplicado (seriam depois da expulsão um quinto dos Lisboetas, ou mesmo mais). Em troca de um casamento real, os Reis Católicos de Castela e Aragão pedem a Manuel I de Portugal que faça o mesmo. Reconhecendo a importância central dos Judeus na prosperidade da cidade, Dom Manuel decreta antes que todos os Judeus são Cristãos e não os deixa sair do País. Durante muitos anos estes cristãos-novos praticam o Judaísmo em segredo ou abertamente e apesar de motins e violências contra eles (como muitas crianças que são arrancadas dos pais e dadas a famílias cristãs que as tratam como escravos) são tolerados até à implantação da Inquisição em Portugal, muitos anos depois. O resultado é a ascensão social dos cristãos-novos. Temporariamente sem as limitações dos Judeus, progridem até aos mais elevados cargos da corte. Novamente são as antigas elites descendentes da antiga aristocracia das Astúrias e da Galiza (os nobres de Portucale) que criam problemas à ascensão social dos Judeus, frequentemente melhor educados e mais hábeis que eles. O mal-dizer dos Cristãos-Velhos culmina em massacres dos Cristãos-Novos em 1506 incitados pelos Priores menores das Igrejas. Vários milhares terão sido assassinados antes de serem impedidos pelas tropas do Rei. Como resultado dos conflitos, o Rei é persuadido pelos nobres territoriais a introduzir a Inquisição (em 1531) e as limitações legais a todos os descendentes de cristãos-novos (semelhantes às antigas contra os Judeus), que os impedem de ameaçar os cargos superiores do Estado à Aristocracia dos cristãos-velhos. O primeiro auto-de-fé (morte de heréticos na fogueira) é realizado no Terreiro do Paço em 1540. Além da Inquisição surgem outros problemas. Em 1569 há a grande Peste de Lisboa, em que terá morrido um terço da população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inquisição mata na fogueira muitos Cristãos-novos, mas expropria a propriedade e as riquezas de muitos outros. Muitos mercadores cristão-velhos são expropriados também após uma denúncia anónima falsa, que os inquisidores aceitam como válida já que as riquezas dos condenados para eles revertem. Por outro lado poucos mercadores não teriam ascendência cristã-nova, devido aos casamentos comuns entre filhos de burgueses que eram sócios em empresas importantes. A Inquisição torna-se assim um instrumento de controlo social na posse dos antigos cristãos-velhos contra quase todos os mercadores Lisboetas, restituindo-lhes finalmente a supremacia há muito perdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auto-de-fé, Quadro de Pedro BerrugueteÉ neste clima de intolerância e perseguição, em que os lucros obtidos pelos riscos e o génio dos mercadores bem sucedidos é desfeito pela inveja dos grandes proprietários de terras (que rendem muito menos), que a prosperidade de Lisboa é destruída. O antigo clima liberal propício ao comércio desaparece e é substituído por um fanatismo católico e conservadorismo absolutos. Às elites do país exige-se o sangue puro antigo e cristão-velho, ou seja, do Norte. Muitos dos mercadores fogem para a Inglaterra ou Países Baixos onde se estabelecem difundindo os conhecimentos navais e cartográficos dos Portugueses. Lisboa é tomada pelas mentalidades feudais dos grandes nobres, e os mercadores Portugueses, sem condições de estabilidade, segurança, apoio e crédito devido às perseguições da Inquisição, são incapazes de competir com os mercadores Ingleses e Holandeses (muitos deles de origem Portuguesa) que lhes roubam os mercados da Índia, Índias Orientais e China. Em sua substituição as elites de Portucale convencem o débil Rei, D. Sebastião a virar-se para a conquista de um Império territorial, com mais terras e rendimentos para os Nobres, no Norte de África, que lhes permitiria manter a supremacia económica frente aos mercadores. Após o desastre militar de Alcácer-Quibir em 1578, os Aristocratas recolhem-se mais uma vez aos braços dos seus congéneres Castelhanos de mentalidade semelhante. Desta vez bem sucedidos, em 1580 o Castelhano Filipe II de Espanha é declarado Rei Dom Filipe I de Portugal, depois de derrotar o candidato dos enfraquecidos mercadores, o Prior do Crato, Dom António (o qual era cristão novo e mais liberal, filho de mãe Judia). Filipe I completa assim a ambição do seu pai o Habsburgo Rei Carlos I de Espanha também Imperador Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico (Alemanha), e Senhor da maior parte da Itália e Holanda que afirmara famosamente Se fosse Rei de Lisboa, seria em breve Rei do Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rei Habsburgo Filipe I de Portugal, II de Espanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Domínio Filipino&lt;br /&gt;Filipe I de Portugal, o primeiro dos Habsburgos portugueses, é assim o primeiro rei da Hispânia. Apesar de desde 1492 os Reis Católicos Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão terem dominado o que hoje é a Espanha, o título de Rei das Espanhas foi inicialmente usado para Filipe II quando conquistou Portugal e portanto, de facto, todas as Espanhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filipe I tenta inicialmente conciliar os interesses da nobreza na aquisição de mais territórios na Europa, do Clero em derrotar os Protestantes e da burguesia em eliminar a concorrência e pirataria dos Ingleses e Holandeses. Todos os barcos capazes de acção militar de Lisboa, Sevilha e Barcelona são reunidos numa Invencível Armada que é enviada contra a Inglaterra. Devido a uma grande tempestade e à perícia dos Almirantes Ingleses, a armada é destruída. Esta derrota converte finalmente o Rei aos interesses da Nobreza territorial. Grandes exércitos (os Terços) de mercenários, pagos pelos mercadores e comandados pelos grandes Aristocratas de sangre puro Cristão-Velho, como o Duque de Alba,são formados e atravessam a Europa para tomar as cidades e terrenos férteis dos Países Baixos Calvinistas para o benefício dessa mesma Nobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso os holandeses e ingleses dominam os mares, e incapazes de conquistar os impérios territoriais espanhóis do México e Peru, concentram-se em tomar as feitorias, portos e colónias costeiras dos portugueses, que traficam com Lisboa. São tomados os portos nordestinos do Brasil, Luanda em Angola, portos da África Oriental, o Cabo da Boa Esperança, Ceilão, Malaca e as Ilhas Molucas, a ilha de Formosa, a licença de comércio no Japão e outros portos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Armada Invencível, Quadro de Philippe-Jacques de Loutherbourg, 1796Lisboa, com os seus mercadores já sob perseguição da Inquisição (que expropriava os cripto-judeus e mesmo os cristãos genuínos), perdera grande parte da sua frota no desastre da Invencível Armada e que pagava impostos altíssimos para sustentar os exércitos dos nobres espanhóis na Europa, perde agora a maioria dos seus portos e produtos e é finalmente e irreversivelmente arruinada, rapidamente perdendo importância. Em 1598 a catástrofe é aprofundada por um terramoto e pela peste. Finalmente Filipe II de Portugal torna-se exclusivamente Filipe III de Espanha e depois o seu filho apenas Filipe IV de Espanha quando, sob conselho da Nobreza Castelhana e com a aquisciência dos Nobres territoriais Portugueses, absorve o Reino de Portugal no Reino de Espanha. Lisboa, a grande cidade cosmopolita é agora uma cidade de província sem qualquer influência junto dos grandes espanhóis de sangue puro, que governam da então conservadora e fundamentalista católica Madrid. Nesta época a cidade perde actividade económica e habitantes, diminuindo a população até menos de 150.000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As construções deste período cabem em duas categorias: as defesas contra os piratas do norte, e os edifícios religiosos que apelam para a lealdade à monarquia universal católica pretendida pelo Rei. Foram construídos o Torreão um maciço edifício junto ao Terreiro do Paço, que não sobreviveu ao terramoto de 1755; o Convento de São Vicente de Fora; novas muralhas com novas disposições de acordo com a engenharia militar da época, como a Torre do Bugio numa ilha no meio do Mar da Prata; e fortificações em Cascais, Setúbal e na margem Sul. Os piratas ingleses e holandeses, como Francis Drake, fazem diversos ataques a algumas praças Portuguesas, mas não se atrevem a atacar Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o declínio económico e o desemprego, aumenta muito a miséria e a criminalidade. As autoridades Espanholas são obrigadas a introduzir uma espécie de corpo policial, os quadrilheiros que patrulham as ruas da cidade e controlam o crime de rua, as lutas, a bruxaria e o jogo. Segundo algumas crónicas do tempo, a taxa de assassinatos no início do século XVII seria mesmo superior, numa cidade de 150.000 pessoas, à de hoje em Lisboa com 2.500.000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os problemas para o comércio na cidade aumentam quando os Catalães, um povo mercador como o de Lisboa, também oprimidos pelas taxas castelhanas, se revoltam em 1636. É a Portugal que Madrid vem exigir os homens e os fundos para derrotar os catalães, numa tentativa de usar os de Portugal contra os da Catalunha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então que os mercadores da cidade se aliam à pequena e média nobreza. Tentam convencer o Duque de Bragança, Dom João, a aceitar o trono, mas este, como o resto alta Nobreza, é beneficiado por Madrid e só o prospecto de se tornar Rei o convence finalmente. Os conspiradores assaltam o Palácio do Governador, aclamando o novo Rei D. João IV, com o apoio inicialmente do Cardeal Richelieu de França, e depois a velha aliança retomada com a Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] O Ouro do Brasil&lt;br /&gt;A Lisboa pós-Restauração é uma cidade cada vez mais dominada pelas ordens religiosas Católicas. Mais de 40 conventos são fundados na cidade em adição aos 30 já existentes, e os religiosos ociosos cuja sustentação é assegurada pelas esmolas e expropriações contam-se aos muitos milhares, constituindo mais de 5% da população da cidade. O clima político é cada vez mais conservador e autoritário e a Inquisição, depois de destruída a classe mercadora, concentra-se no controlo das mentalidades, vigiando as ideias e a creatividade, que suprime em nome da pureza da Religião. Os segundos e terceiros filhos, que não recebem a herança do pai, e que antes se dedicavam ao comércio e às empresas além-mar, agora simplesmente se refugiam nas ordens religiosas e vivem à conta de outrem, a maioria das vezes de forma apenas superficialmente religiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação de ruína económica é finalmente resolvida não pelos projectos bem sucedidos dos mais capazes empreendedores, mas pela exploração colonial pura e pelos subsídios do Estado: é descoberto Ouro no Brasil, no actual Estado de Minas Gerais. O Estado Português cobra como imposto um quinto do ouro extraído, que começa a chegar a Lisboa em 1699 e cujas receitas Reais rapidamente chegam às várias toneladas anuais (mais de 15 toneladas após 1730) representando quase todo o orçamento do Estado. A desligação do empreendimento económico e da riqueza, devido ao ouro que é extraido por uma fracção do custo, permite a manutenção do novo clima conservador autoritário na Capital. Em Portugal o Poder é de quem tem o Ouro, que não deseja reformas e pretende manter o Antigo Regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Palácio de Mafra: um edifício construído com o Ouro do Brasil, nunca teve qualquer utilidade excepto proclamar o Poder da Igreja em PortugalCom o ouro, obras simbólicas da finalmente atingida supremacia absoluta das forças socias conservadoras Portuguesas, o Clero Católico e a Aristocracia Territorial, são construídas no novo estilo da Contra-Reforma, o Barroco. O mais significativo é o Convento de Mafra (acabado em 1730 por mais de 50.000 trabalhadores, mas nunca usado), nos arredores da cidade; o Panteão Nacional (ou Igreja de Santa Engrácia) em Lisboa; grandiosas modificações do Palácio Real; juntamente com inúmeros Palácios Aristocráticos e algumas obras úteis mas construídas com desperdício, como o Aqueduto das Águas Livres (1720).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrastando com a enorme riqueza corrupta das altas elites, o povo vive na miséria. A cidade cresce com a necessidade de mão-de-obra para as contruções faraónicas, para 185.000, mas após as obras não há emprego. São deste período as primeiras descrições de Lisboa como uma cidade suja, degradada e não europeia: apenas dois séculos depois de sob governo dos mercadores liberais, ter sido conhecida como a mais prospera e cosmopolita da Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;terramoto de 1755Termina este período em 1 de Novembro 1755, dia de Todos os Santos, em que ocorre o grande terramoto de Lisboa. Às nove horas e quarenta minutos a terra começa a tremer com uma intensidade que provavelmente não foi ultrapassada até hoje em todo o Mundo. Após cerca de um minuto, regressa a calma, seguida de novo tremor. A população acorre às praças com espaço junto ao rio Tejo, para morrerem afogadas pelo enorme Tsunami que vem do Atlântico. Depois do sismo, Lisboa está em ruínas. O grande Torreão Real, a Casa das Índias, o Convento do Carmo, o Tribunal da Inquisição, o Hospital de Todos-os-Santos são destruídos. Das 20.000 casas das classes mais baixas, de construção menos sólida, 17.000 são destruídas. Sobrevive o rico Bairro Alto, alguns edifícios de pedra sólida e poucas outras áreas. Seguem-se as pilhagens e os grandes incêndios. No fim, dos 180.000 habitantes, mais de 10.000 terão morrido e muitos outros perderam toda a sua propriedade. É esta catástrofe que abala a confiança do Antigo Regime, e dá espaço ao Ministro, o Marquês de Pombal, de tentar por finalmente em prática em Portugal as reformas cientificas e liberais já usadas com sucesso no Norte, da novas teorias políticas e económicas do Iluminismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Marquês de Pombal&lt;br /&gt;[editar] Século das Luzes&lt;br /&gt;O Marquês de Pombal Sebastião José de Carvalho e Melo, Ministro da Guerra e Negócios Estrangeiros e oriundo da Baixa Nobreza, reagindo celebremente às ruínas do terramoto, terá dito que era necessário enterrar os mortos, cuidar dos vivos e construir a cidade. Uma ideia que vai desenvolver de seguida a nível da economia e sociedade. O poder da Igreja é limitado e a sua falange, os Jesuítas, é expulsa do país. O poder da aristocracia territorial conservadora é brutalmente suprimido, numa série de conspirações e contra-conspirações, que acabam com a cruel execução da família que lidera a reacção, os Távora. Estes teriam sido responsáveis por um atentado ao Rei José I de Portugal numa tentativa de proclamar o conservador Duque de Aveiro Rei, e demitir Pombal, embora haja historiadores que defendam que esta acusação não terá passado de uma farsa manipulada pelo próprio Marquês por motivos pessoais. A Inquisição é extinta e os cristãos-novos, ainda então constituindo a maior parte das classes médias educadas e liberais da cidade e do país, são libertados das suas limitações legais e é-lhes finalmente permitido o acesso aos altos cargos governamentais, anteriormente monopólio legal da aristocracia de "sangue-puro". A indústria é apoiada de forma algo dirigista mas vigorosa, sendo estabelecidas várias fábricas reais em Lisboa e noutras cidades, que prosperam. Após o período Pombalino há 20 novas fábricas para cada uma que existia anteriormente. Finalmente os vários impostos e direitos alfandegários dentro de Portugal, prejudiciais ao comércio, são abolidos. Em todoss estes propósitos, Pombal apoia-se nas doações e empréstimos dos mercadores e industriais Lisboetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estátua a D. José no Terreiro do Paço.Em Lisboa, o Marquês, recusando os conselhos de alguns que pretendem mover a capital para outra cidade, ordena a reconstrução de acordo com as novas teorias de organização urbana, após ordenar uma avaliação da situação real através de um inédito inquérito à população. É ainda o Brasil colônia que paga quase toda a reconstrução, com mais de 20 milhões de cruzados. A cidade recebe ainda ajudas de países como a Inglaterra, a Espanha e a Hansa alemã, enchendo-se de estaleiros de construção. A maior parte da nobreza e aristocracia portuguesa refugia-se nas suas quintas nos arredores de Lisboa. O Rei instala-se num palácio improvisado de madeira ,a Tenda Real, enquanto o novo em pedra começava a ser erigido em Belém então ainda uma região fora da cidade de Lisboa. O grande volume de obras acontece, no entanto, no centro da antiga cidade, com o desenho de um novo projecto para a Baixa, o bairro mais atingido pelo terramoto. Este é projectado por Eugénio dos Santos e Carlos Mardel e aprovado pelo Marquês, enquadrando-se no espírito iluminista e pragmático da época: as ruas estreitas são substituídas por largas ruas rectilíneas dispostas ortogonalmente. Estas permitiriam não só a devida iluminação e ventilação das ruas (arejamento), como aufeririam mais segurança (patrulhamento, acesso aos edifícios em caso de incêncio e evitar a propagação de incêndios transversalmente à rua, etc.). Os edifícios a construir também foram alvo de uma política consistente, tendo a equipa projectista definido o desenho das fachadas, as regras de construção da estrutura dos edifícios e elaborado um conjunto de outra regulamentação com vista à produção de um conjunto habitacional capaz de enfrentar melhor um eventual terramoto, assim como redesenhar a estrutura social da cidade de Lisboa, atribuindo-lhe um novo pendor comercial à cidade. A estrutura inovadora escolhida consistia num esqueleto de madeira (a gaiola pombalina), uma malha rectangular com travamentos das suas diagonais (em cruz de Sto. André) onde se procurava que a flexibilidade da madeira se adaptasse à sobrecarga provocado pelo terramoto sem que a estrutura quebrasse. Esta estrutura em madeira assentaria num embasamento em alvenaria (que corresponderia ao primeiro piso das habitações, destinado a lojas, oficinas e armazéns) com arcos em abóbada de berço, que conferiria peso ao conjunto. Todos os edifícios da zona da Baixa assentariam numa estacaria em pinho que permitiria dar mais resistência ao solo arenoso da Baixa e garantir a transferência eficaz do peso dos edifícios para o solo sem que este cedesse. Os novos edifícios eram de arrendamento horizontal, estando hierarquizados em importância e qualidade pela sua proximidade à rua (geralmente o último piso possui pé direito mais baixo, varandas comuns, janelas mais pequenas, divisões menores, etc. e seria destinado à famílias com menos posses). Todos os edifícios teriam paredes corta-fogos de alvenaria a separá-los uns dos outros. A estandartização das fachadas, das janelas, das portas, dos azulejos de padrões geométricos simples no hall, etc. permitiria a aceleração do processo de construção através da produção em série destes elementos fora do local da obra. Todo o conjunto possui proporções e regras de composição clássicas, com recurso à proporção áurea. O centro estruturante da nova cidade seria a Rua Augusta que ligaria o limite Norte da cidade, o Rossio, e o limite Sul, o Terreiro do Paço, onde uma disposição monumental dos edifícios, o arco da Rua Augusta, um monumento ao rei e o Tejo a fechar a praça, contribuiriam para o desenho daquilo que se pretendia que fosse o novo coração da actividade comercial da reconstruída cidade de Lisboa. Os edifícios do Terreiro do Paço estariam destinados à instalação dos armazéns e grandes casas comerciais que se esperaria que voltassem a surgir e a animar a praça, mas após vários anos de abandono acabaram por ser ocupados por ministérios, tribunais, o Arsenal, a Alfândega e a Bolsa, já no reinado de D. Maria I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rua Augusta: as novas ruas mais largas e rectilíneas, com prédios de contrução em gaiola resistentes aos terramotos.Na extremidade Norte, paralela ao Rossio, estaria projectado um novo mercado, que acaba por nunca ser construído, tendo ficado a praça, inicialmente conhecida por Praça Nova ou das Ervas, hoje denominada Praça da Figueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova Praça da Figueira foi construída como novo mercado no período Pombalino.Ao contrário dos desejos e esperanças do Marquês de Pombal e da sua equipa, a reconstrução da cidade demora muito mais tempo do que esperado, tendo apenas terminado a sua reconstrução em 1806. A isto, deve-se em grande parte a pouca capacidade financeira da burguesia de uma cidade em crise. Apesar de tudo, e dentro da política de renovação da economia portuguesa, começam a surgir lentamente indícios de desenvolvimento. Moderadamente a cidade cresce até aos 250.000 habitantes em todas as direcções geográficas, ocupando os novos bairros da Estrela, Rato, então o novo centro industrial da cidade polarizado em torno da recente fonte de abastecimento da água trazida pelo aqueduto (novas fábricas de cerâmica), Alcântara, Ajuda, Sapadores, e as Amoreiras (onde estavam as novas fábricas da Seda, cujos vermes são alimentados das folhas dessa árvore). O Primeiro-Ministro tenta de todo o modo estimular as classes médias, que via como essenciais ao desenvolvimento do país e ao progresso. São formados os primeiros cafés propriedade de Luso-Italianos: alguns sobrevivem hoje desse tempo, como o Martinho da Arcada no Terreiro do Paço; o Nicola no Rossio, cujo dono Liberal iluminava a fachada após cada vitória política progressista; entre outros. Surge o hábito das soirées sociais entre os burgueses mais ricos, com a participação inédita de mulheres, em que a Nobreza conservadora não participa. É deste modo que surge novamente em Lisboa a classe média burguesa autoconsciente, composta de cristãos-novos e cristãos-velhos provenientes do Povo, a origem dos movimentos políticos pelo Liberalismo e pela República, que se manifestam nos novos Jornais da capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pombal viria a ser demitido após a morte de Dom José, e a ascensão ao trono da muito religiosa Dona Maria I de Portugal, cuja grande contribuição foi a Basílica da Estrela. Aconselhada pelo Clero e pelos Nobres conservadores, além de demitir o primeiro-ministro procurou limitar e até reverter algumas das suas reformas progressistas, num movimento denominado a Viradeira. Segue-se a deterioração das condições económicas que muito tinham melhorado no tempo Pombalino, e os problemas orçamentais. Para lidar com a miséria e criminalidade novamente crescentes, é criada a Polícia sob liderança de Diogo Pina Manique em 1780. Renova-se a perseguição política desta vez sob forma secular: a Polícia persegue, prende, tortura e expulsa todos os progressistas: maçons, jacobinos e liberais; os jornais são submetidos à censura; muitas obras de filósofos liberais ou Protestantes proibidas e os cafés vigiados por polícias à paisana. A cultura é controlada e todas as manifestações menos Católicas são ilegalizadas, incluindo o antiquíssimo Carnaval. Só o Teatro é estimulado, com a construção em 1793 do Teatro de São Carlos no Chiado, que vem substituir a Ópera destruída durante o terramoto. É, no entanto, financiado pela iniciativa privada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Guerra Civil: Liberais e Conservadores&lt;br /&gt;No fim do Século XVIII, com a Revolução Americana de 1776, ganham peso as ideias liberais por toda a Europa. Na França estala a Revolução em 1789. Em Lisboa os liberais jubilam com a derrota da Aristocracia Francesa. Rapidamente se radicaliza a Revolução em Paris, caíndo nas mãos da extrema-esquerda, e o centrista Napoleão Bonaparte é chamado ao Poder pela Burguesia assustada, acabando por autonomear-se Imperador. A sua política na Europa é o Bloqueio continental, ou seja a proibição do comércio com a Inglaterra. Aliado deste país, Portugal recusa e Napoleão envia Junot à frente de um grande exército para conquistar o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Napoleão BonaparteJunot entra em Lisboa no dia 30 de Novembro de 1807. A Família Real portuguesa, alta Aristocracia e Clero haviam fugido no dia anterior. Junot é a princípio bem recebido pelos lisboetas e estabelece-se no Palácio de Queluz. As novas ideias liberais são discutidas pela burguesia Lisboeta com os oficiais franceses nos cafés da cidade, em especial no Nicola do Rossio, onde se estabelece o Quartel General Francês. Todos esperam a continuação das reformas do Marquês de Pombal, mas Junot não quer estimular ideias radicais e nada faz. Portugal é antes considerado um país a dividir: Lisboa seria directamente incorporada no Império Francês, enquanto o antigo Portucale seria ressuscitado no Reino da Lusitânia Setentrional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de reformas e o comportamento violento dos soldados franceses leva finalmente à Junta do Supremo Governo a pedir o auxílio da Inglaterra. É enviado um corpo expedicionário liderado por Wellesley e Beresford, e os franceses em menor número, são obrigados a retirar-se em finais de 1808 entrando simultaneamente, seguindo um acordo de retirada, os Ingleses na cidade onde se estabelecem em Arroios. Lisboa sofre economicamente com a abertura dos portos do Brasil à Inglaterra. Os Ingleses recebem de D. João VI, residente no Rio de Janeiro, o controlo do governo da cidade e país, que administram como uma colónia. Os burgueses partidários da França são executados. São então construídas defesas nos acessos à capital em Torres Vedras, onde desde o tempo dos Romanos acabava o território de Lisboa. Aí é vencida e forçada a retirar a nova força de invasão francesa liderada por André Masséna, em 1811. Daí partiriam os ingleses e alguns portugueses sob o General Wellington para libertar a Espanha. Napoleão será finalmente derrotado em 1815.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os burgueses de Lisboa sob opressão dos ingleses, são os burgueses do Porto que tomam controlo da cidade e se rebelam contra o colonialismo inglês e pelo Liberalismo em 1820, seguidos pelos de Lisboa a que se juntam expulsando os governadores ingleses num Golpe de Estado. As Cortes são convocadas pelos Liberais e é promulgada uma Constituição de 1822, uma Carta dos Direitos do Homem, e o fim dos privilégios do Clero e da Nobreza. O filho do rei, D. Miguel de Portugal encabeça os Reaccionários Conservadores Absolutistas, e inicia a Guerra Civil, contra as forças Revolucionárias Constitucionalistas Liberais do seu irmão o Imperador Pedro I do Brasil, depois Pedro IV de Portugal. É Dom Pedro que vence a guerra em 1834, mas a Constituição promulgada é mais conservadora que o esperado. No entanto são feitas algumas (poucas) reformas liberais, como a extinção das Ordens Religiosas, e a expropriação de muitos bens da Igreja Católica, que havia apoiado os Miguelistas. Desiludidos com Dom Pedro, há nova conspiração em Lisboa no ano de 1836, dos Setembristas (pequenos burgueses e letrados) que exigem a Constituição de 1822; e depois do sentido contrário, dois golpes de Estado dos Absolutistas, em 1836 e 1837. O País divide-se em dois grupos radicais que recusam dialogar um com o outro. Neste ambiente de caos, as grandes potências do norte planeiam a divisão das colónias e províncias do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No período de Governo Liberal (1820-1842) é marcado pelas guerras e guerrilhas mas ainda assim são introduzidas diversas reformas e empreendimentos. É finalmente implantado o velho projecto da iluminação pública da cidade, já existente em muitas propriedades privadas da burguesia, entre os anos de 1823 e de 1837. Inicialmente com lamparinas de azeite, mas mais tarde com óleo de peixe, serão substituídos pelas lâmpadas de gás em 1848. Além disso é contruida uma nova rede de estradas; e são introduzidos os barcos a vapor ligando Lisboa ao Porto pelo mar. São feitos planos para lançar os caminhos de ferro, mas a guerra com os Conservadores não o permite, e o primeiro troço, entre Lisboa e o Carregado só será inaugurado em 1856.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este período é marcado pela perda de alguma viabilidade económica da cidade de Lisboa. O Brasil torna-se independente e os seus produtos e ouro já não escoam para a Capital. No período do Cabralismo são atribuídos títulos nobiliárquicos a muitos grandes burgueses, para os compremeter, com algum sucesso, com o partido conservador. Após a sua perda de rendimentos do Brasil a dependência do Estado torna-se atractiva e a classe ociosa teme a competição e apoia as divisões sociais artificiais e rígidas. É nesta época que se multiplicam os Barões e Viscondes desligados de propriedades territoriais, muitos hereditários mas muitos outros limitados à vida do beneficiário, que recebem rendas do Estado ou se dedicam à política corrupta do tempo. A grande aristocracia territorial ganha o hábito de passar o Inverno em Lisboa, seguindo para os seus solares apenas no Verão. No entanto é o povo que mais sofre com as guerras e a perda do Brasil: a cidade estagna e perde importância e de quinta mais populosa da Europa passa para décima e continua a descer. Os empregos tornam-se mais precários e a miséria aumenta novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Lisboa entre a Europa e a África&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Estação do Rossio.&lt;br /&gt;O Elevador de Santa Justa, de 1902&lt;br /&gt;Um americano eléctrico moderno&lt;br /&gt;Mapa da cidade em 1885.Após terminarem as guerras e conflitos entre os conservadores e liberais, Lisboa, tendo perdido o ouro e monopólio dos produtos do Brasil, a fonte de toda a sua riqueza desde o fim do século XVI encontrava-se numa situação económica desesperada. No Norte da Europa, as nações iniciavam a industrialização, e enriqueciam com o comércio das Américas (a Inglaterra viria a dominar o comércio brasileiro) e da Ásia. O atraso de Portugal parecia irreversível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem conseguir derrotar definitivamente os Liberais, e assustadas com o desastre económico a que as políticas conservadoras tinham conduzido Portugal desde o século XVI, em contraste com o sucesso liberal da Inglaterra, França e Países Baixos, os Conservadores que dominavam o País e a capital cederam parcialmente. Reformas limitadas seriam permitidas em troca de manter o espírito Católico, rural e conservador e do poder político ser mantido nas mãos dos grandes proprietários. Seriam realizadas eleições mas apenas por aqueles qualificados pela propriedade avultada. A patronagem do Estado seria partilhada com a nova classe e foram concedidos títulos aos grandes burgueses e capitalistas. No entanto mantiveram-se os privilégios e subsídios do Estado às classes dirigentes, e a industrialização seria limitada aos interesses destas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste período Lisboa é uma cidade pobre e suja quando comparada às cidades do Norte da Europa. Quase toda a sua importância comercial se resume ao monopólio que mantém sobre os produtos das colónias portuguesas, especialmente Angola e Moçambique. O próprio país é descrito em Londres, Paris e Berlim como uma extensão do Norte de África, ou seja, um território incapaz de se governar a si mesmo. Iniciam-se as primeiras emigrações já não para governar e dirigir outras terras, mas antes para trabalhar a partir da mais baixa escala social: partem para o Brasil muitos milhares de pobres lisboetas. Face à miséria e atraso de quase todo o país surge em Lisboa uma classe alta muito rica que, como se cega, gasta e comporta-se como se pertencesse às elites do Norte da Europa, enquanto governa um país rural e atrasado, vergado pelo proteccionismo económico, falta de educação e cuidados de Saúde providos pelo Estado. Com a diminuição de importância da terra como factor de riqueza, nobreza territorial e alta burguesia orbitam a Corte Real, vivendo luxuosamente dos subsídios e salários distribuídos por esta com os impostos recolhidos aos pobres. Estabelece-se um regime "de brandos costumes", onde cessam as perseguições, mas também as reformas, e a corrupção é rotina e quase sempre impune.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os governantes inertes e corruptos, existem alguns que melhor compreendem a necessidade de mudanças. Fontes Pereira de Melo é o ministro que mais luta pela liberalização da economia e a industrialização. Vários empreendimentos económicos e industriais são estimulados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É contruída uma rede de caminhos de ferro ligando Lisboa ao Porto e cidades intervenientes, a partir de duas novas estações de comboios, a Estação de Santa Apolónia e a Estação do Rossio. A luz eléctrica é implantada em 1878, substituindo a iluminação a gás. Em termos urbanísticos, são criados os primeiros planos directores. É necessário mudar a imagem da suja capital que choca os visitantes da Europa do Norte. Os habitantes são então estimulados a usar azulejos ou pintar as fachadas de cor-de-rosa, segundo as directrizes municipais (ainda hoje dominam o centro da cidade os inúmeros prédios rosas com azulejos deste período). Além disso são criados os primeiros sistemas de canalizações, esgotos e tratamento de água, respondendo aos ataques de cólera que matam milhares. Utilizando o novo proletariado miserável, é possível agora recalcetar as novas e velhas vias (incluindo o Rossio) tal como havia sido feito em menor escala no século XVI, com a velha técnica da calçada portuguesa. Outras inovações importantes são os americanos ou carruagens transportadas em carris por cavalos, introduzidos em 1873 (seriam substituídos em 1901 pelos americanos eléctricos, que ainda hoje existem); os elevadores eléctricos que são instalados em muitas das colinas depois de 1880.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O centro cultural e comercial da cidade passa então para o Chiado. Com as velhas ruas da Baixa já ocupadas, os donos de novas lojas e clubes estabelecem-se na colina anexa, que rapidamente se transforma. Aqui são fundados os Clubes, como o Grémio Literário famoso das histórias de Eça de Queiróz, e frequentado por Almeida Garrett, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, Oliveira Martins e Alexandre Herculano. Estabelecem-se ainda lojas de roupas das modas de Paris e outros produtos de luxo, grandes armazéns no estilo do Harrods de Londres ou das Galerias Lafayette de Paris e novos cafés de Luso-Italianos, como O Tavares e o Café do Chiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novas construções e vias abrem os novos bairros do norte de Lisboa, estimulados pela Câmara Municipal apoiada pelos burgueses. Em 1878 o Passeio Público é demolido e substituído em 1886 pela nova Avenida da Liberdade, desenhada por Ressano Garcia. A Avenida tem mais de um quilómetro e estende-se pelas terras agrícolas, antecipando a expansão urbana. É criado a partir dela todo o eixo urbano central da cidade (hoje em 2005 novamente em expansão). No cimo da avenida é construída a Praça do Marquês de Pombal, da qual partem as novas vias da Nova Lisboa. Nestas Avenidas Novas constroem palacetes as elites de Lisboa, junto a novos edifícios públicos como o Liceu Camões (1907) e a Maternidade Alfredo da Costa (1909). A mais importante destas é a Avenida Fontes Pereira de Melo, para nordeste, que termina na nova Praça Duque de Saldanha. Daí parte a outra grande Avenida, hoje da República mas inicialmente de Ressano Garcia. Nas imediações deste existe o Campo Grande (então um descampado e não um Jardim) e a nova praça de touros do Campo Pequeno, acabada em 1892 num estilo neomourisco. Novos bairros são construídos nas imediações segundo planos semelhantes aos da Baixa Pombalina: o bairro de Campo de Ourique para oeste, e o da Estefânia para leste. Junto ao bairro da Estefânia é contruída nova grande Avenida Dona Amélia (hoje Avenida Almirante Reis), ligando-a ao Martim Moniz. Todas estas novas construções tranformam a cidade. O novo centro geográfico de Lisboa é o Marquês e a Baixa é apenas a localização das grandes lojas. Para leste estabelecem-se as pequenas classes médias e o povo, enquanto para oeste as altas classes médias e os ricos burgueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Culturalmente este é o período em que as touradas e fado se tranformam em verdadeiros entretenimentos populares regulares. A eles se junta o teatro popular ou teatro de revista (inventado em Paris) que, com as velhas e eruditas comédias e dramas, disputa os novos teatros da capital. Um entretenimento típicamente português deste tempo é a Oratória, em que actores corrompem a velha arte do Padre António Vieira em argumentos cantados, floridos e quase sempre superficiais com que disputam prémios. Surgem ainda os primeiros grandes jardins públicos, imitando o Hyde Park de Londres e os jardins das cidades alemãs: o primeiro é o Jardim da Estrela, onde passeiam os burgueses aos fins-de-semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Socialmente as classes altas são agora uma mistura de nobres conservadores que são obrigados com relutância a aceitar algumas ideias liberais e burgueses titulados que aderem a muitas ideias conservadoras. A eles juntam-se os brasileiros, os emigrantes pobres e pouco educados que haviam enriquecido no Brasil e voltado para a cidade na ânsia de aceitação nos altos círculos sociais. Lisboa é o centro industrial do país (apesar de a sua industrialização ser mínima comparada à da Inglaterra ou Alemanha). As classes pobres de Lisboa crescem exponencialmente, com a chegada dos primeiros proletários que trabalham nas novas fábricas. Estes vivem muitas vezes em bairros miseráveis e degradados, onde grassa a cólera e outras doenças, trabalhando todo o dia para apenas ter suficiente que comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os liberais das classes médias traídas, cujos impostos pagam os luxos das classes altas sem nada receber em troca, renovam-se num novo movimento liberal mais radical, que ameaça não só os antigos proprietários de terras mas também os novos barões e viscondes capitalistas dependentes do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da aliança entre os proletários mais educados e as classes médias nasce o novo Liberalismo Radical, melhor conhecido como Republicanismo devido à sua oposição à aliança de antigos liberais agora dependentes do Estado Monárquico (os burgueses titulados) e Conservadores (velha aristocracia) Monárquicos: os grandes capitalistas, proprietários de terras e dependentes da Corte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] A Revolução de 1910&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Bandeira do Partido Republicano é hoje a Bandeira de PortugalCom o surgimento do compromisso entre os Liberais mais à direita e os conservadores mais moderados, que se manifestou na Monarquia Constitucional, a falta de desenvolvimento e de reformas ainda notável do País levou a ala mais esquerdista, ou radical dos Liberais,contituida principalmente pelas classes médias, a reformular os seus objectivos políticos. Nasceu assim o Partido Republicano que defendia reformas liberais radicais como o sufrágio universal, o fim dos privilégios à Igreja Católica e das rendas aos nobres, e acima de tudo o derrube de uma elite política cada vez mais desacreditada pela corrupção e incompetência. O País endivida-se e está cada vez mais dependente dos Países do Norte. Um episódio catárquico foi sem dúvida a humilhação frente ao Ultimato Inglês, por uma nação aliada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As condições que possibilitaram a subida ao poder dos Republicanos foram acima de tudo económicas. No fim do século XIX, houve uma lenta e pouco vigorosa industrialização em Portugal, mas ela concentrou-se bastante na cidade de Lisboa. Apesar de o povo do país continuar rural e católico na sua maioria, e apoiar o Rei e a Igreja, nasce então uma nova classe popular em Lisboa (e em menor grau no Porto e na Beira) que partilha ideias mais progressistas: o proletariado. A grande indústria de Lisboa é então o fabrico de derivados do tabaco, mas também existem fábricas de texteis, vidros, conservas e borracha, entre várias outras. No total, no fim do século XIX haveria muitas dezenas de milhares de trabalhadores nas indústrias numa população total de mais de 300.000 pessoas. As primeiras "zonas industriais" de Lisboa são os bairros de Alcântara, Bom Sucesso e Santo Amaro. As condições em que vive a nova classe popular de Lisboa são miseráveis. Vindos em grandes números do meio rural sem nada, instalam-se em bairros de lata extensos, nos arredores da cidade, e é frequente as crianças trabalharem longas horas nas fábricas. Outros vêm em grupos grandes da mesma aldeia, e instalam-se em terrenos abandonados, em núcleos fechados no interior da cidade, conhecidos por pátios ou quintais (muito comuns na Graça). Surgem os primeiros bairros operários, cujas habitações são contruidas a custo mínimo por empresários para atrair força laboral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surgem então os primeiros sindicatos, muitos dos quais se afiliam com os anarquistas. Em vez de se juntarem aos novos partidos Marxistas como noutros países da Europa, outros proletários reúnem-se à volta das classes médias e profissionais (médicos e advogados) do Partido Republicano. Como resultado, o Partido, muito débil no norte do País (com a excepção do Porto), ganha cada vez mais influência na capital. Apesar de defenderem a propriedade e o mercado livre, os republicanos prometem melhoria das condições laborais e medidas sociais. Contudo as classes altas vivem ainda numa sociedade à parte, e não são capazes de reagir às novas exigências excepto com a repressão. O resultado são as acções cada vez mais violentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alarmadas as elites impõem a ditadura em 1907 com João Franco, mas é tarde de mais. Em 1908 a família real sofre um atentato em que morrem o Rei Dom Carlos de Portugal e o Príncipe herdeiro, numa acção provavelmente executada pelos anarquistas (que neste período atacam figuras públicas em toda a Europa). Em 1909 os operários de Lisboa organizam extensas greves. Em 1910 Lisboa revolta-se finalmente. A população da cidade forma barricadas nas ruas e são distribuidas armas. Os exércitos ordenados a reprimir a revolução são desmembrados pelas deserções. O resto do país é obrigado a seguir a capital, apesar de continuar profundamente rural, católico e conservador. É proclamada a Primeira República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São promulgadas medidas liberais: apoio social aos trabalhadores, com criação do Estado Previdência, direito à greve, fim dos privilégios da Igreja e nobreza, direito ao divórcio. Os impostos são modificados, de um modelo que se baseava nas contribuições dos trabalhadores e classes médias, para outro que tributava mais os mais ricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] República&lt;br /&gt;O período da República é marcado pelas disputas e violências políticas. Apesar de a situação ser tensa neste período por toda a Europa, com vários ataques terroristas e tumultos mesmo nos países mais desenvolvidos, em Portugal a situação terá sido mais crítica. Entalado entre as elites monárquicas hostis e os movimentos laborais cada vez mais extremistas, animados pelas novas teorias do anarquismo e marxismo, que apelam à luta nas ruas contra os "regimes burgueses", e herdando uma dívida pública recorde dos últimos anos da Monarquia, a República é um período de convulsões: sucedem-se as greves gerais (agora legais), as manifestações e mesmo os atentados à bomba e bala nas ruas de Lisboa, e a classe política Republicana divide-se sobre o modo de lidar com a situação. Em 1912 os monárquicos aproveitam o descontentamento com as leis liberais dos republicanos no norte do país, e aí tentam o golpe de estado, que falha. Em 1916 Portugal entra do lado aliado na Primeira Guerra Mundial, enviando homens e recursos muito consideráveis num período de crise, e a situação económica e política fica cada vez mais tensa, havendo mesmo episódios de fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado são mais golpes de Estado contra a república democrática pelos conservadores e pró-católicos, muitas vezes com o apoio dos líderes dos sindicatos e movimentos de trabalhadores que pretendem criam distúrbios que lhes permitam mais ganhos revolucionários: em 1915, toma pela força o poder o general Joaquim Pimenta de Castro, e em 1917 Sidónio Pais assume o Poder de forma autoritária e inconstitucional. Ambos dissolvem o Parlamento e governam de forma ditatorial. Em 1918 cai sobre a cidade a gripe espanhola, que mata muitos milhares e piora a situação dos operários, que de seguida se revoltam várias vezes, e Sidónio Pais é assassinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste período é construída grande parte dos edifícios de habitação ao longo do norte da cidade aberto pelas Avenidas Novas. Pintados com as cores tradicionais da cidade, amarelo, cor-de-rosa e azul claro, com fachadas de vários andares encabeçadas por mansardas, formam ainda hoje a mais visível face da cidade. Quase todos são erguidos por pequenos empresários, na sua maioria oriundos da cidade de Tomar, e por isso conhecidos como patos bravos. Alguns dos novos edifícios são construídos à pressa e com poucas preocupações de segurança, que dariam origem a vários acidentes com desmoronamentos e vítimas mortais nos anos seguintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim da I República ocorre em 1926, quando a direita conservadora antidemocrática (ainda em pleno século XX largamente liderada pelos descendentes da antiga Nobreza do norte de Portugal e pela Igreja Católica) toma finalmente o poder após mais duas tentativas em 1925, alegadamente de forma a por fim à anarquia que ela própria tinha largamente criado. Inicialmente militar, liderado pelo General Gomes da Costa, o novo governo rapidamente adopta uma ideologia semi-fascista sob a liderança de Salazar. O regime de Salazar e Marcello Caetano seria derrubado pela revolução dos cravos num golpe de estado realizado em Lisboa a 25 de Abril de 1974.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Lisboa após o 25 de Abril de 1974&lt;br /&gt;O Wikimedia Commons possui multimédia sobre: História de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências&lt;br /&gt;↑ [1]&lt;br /&gt;↑ [2]&lt;br /&gt;↑ McKenna, Stephen. Paganism and Pagan Survivals in Spain up to the Fall of the Visigothic Kingdom&lt;br /&gt;↑ Povos pré-romanos da península Ibérica (circa 200 BC)&lt;br /&gt;↑ Scheen, Rolf. Viking raids on the spanish peninsula&lt;br /&gt;↑ (em inglês)Osbernus, De expugnatione Lyxbonensi&lt;br /&gt;↑ Da Carta Do Crusado Sobre a Conquista De Lisboa. O Portal da História&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[editar] Ver também &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/55750104921950016-1663130777376766005?l=literaturateosofia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/feeds/1663130777376766005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/05/historia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/1663130777376766005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/1663130777376766005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/05/historia.html' title='HISTÓRIA  DELISBOA'/><author><name>literaturasofia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12541528314244690654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SdD1ksZuCMI/AAAAAAAAABU/nYG7Fv1KG8Y/S220/Antonio_Jose_da_Silva_O%2520Judeu_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/Sgm-5iSP5KI/AAAAAAAAALU/lYrlBvBcI8o/s72-c/250px-Belem_tower_002_cc.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-55750104921950016.post-7177439892517794373</id><published>2009-05-06T06:58:00.000-07:00</published><updated>2009-05-12T08:42:41.223-07:00</updated><title type='text'>MUDANÇAS NA  LINGUA PORTUGUESA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SgGa37NWmNI/AAAAAAAAAKs/qxSpxt7EOZM/s1600-h/CONCRR4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332713719360559314" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 117px; CURSOR: hand; HEIGHT: 111px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SgGa37NWmNI/AAAAAAAAAKs/qxSpxt7EOZM/s320/CONCRR4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sumário&lt;br /&gt;3 Apresentação&lt;br /&gt;4 Linha do tempo das mudanças ortográficas&lt;br /&gt;da língua portuguesa&lt;br /&gt;8 Objetivos do Acordo Ortográfico&lt;br /&gt;9 Principais mudanças do Acordo&lt;br /&gt;14 Texto oficial&lt;br /&gt;35 Escreva certo pelo Acordo&lt;br /&gt;54 Bibliografia&lt;br /&gt;Apresentação&lt;br /&gt;E ste guia foi feito para auxiliar você, professor, a entender&lt;br /&gt;melhor as mudanças que irão ocorrer na escrita da língua&lt;br /&gt;com a aprovação do novo Acordo Ortográfico.&lt;br /&gt;Ele apresenta uma linha do tempo que mostra como a questão&lt;br /&gt;da unificação da escrita do português surge no século XIX e continua&lt;br /&gt;até os dias atuais, sempre com muita polêmica e discussão.&lt;br /&gt;Em seguida, um quadro sintetiza de modo prático as principais&lt;br /&gt;mudanças na ortografia. O texto oficial do acordo vem&lt;br /&gt;logo após.&lt;br /&gt;No final, apresentamos listas de exemplos, que servirão de&lt;br /&gt;consulta rápida para as dúvidas que surgirão.&lt;br /&gt;É importante ressaltar, porém, que este guia não substitui o&lt;br /&gt;Vocabulário ortográfico da língua portuguesa (Volp), que deverá&lt;br /&gt;ser lançado pela Academia Brasileira de Letras de acordo com&lt;br /&gt;as novas regras e irá oficializar a grafia padrão para as palavras&lt;br /&gt;em língua portuguesa.&lt;br /&gt;Duas capas de Os lusíadas, uma de 1572 e outra de 1584, mostram o nome&lt;br /&gt;do poeta grafado de maneiras diferentes: Luis de Camoes e Lvis de Camões.&lt;br /&gt;Séculos XII a XV&lt;br /&gt;Surgem os primeiros documentos escritos em português. A ortografia portuguesa&lt;br /&gt;tenta reproduzir os sons da fala para facilitar a leitura:&lt;br /&gt;• a duplicação das vogais indica sílaba tônica: ceeo = céu, dooe = dói;&lt;br /&gt;• a nasalização das vogais é representada pelo til (manhãas = manhãs), por dois&lt;br /&gt;acentos (mááos = mãos) e por m e n (omde = onde; senpre = sempre).&lt;br /&gt;• o i pode ser substituído por y ou j (ay = ai; mjnas = minhas).&lt;br /&gt;Mas não há uma padronização e uma mesma palavra aparece grafada de modos&lt;br /&gt;diferentes: ygreja, eygreya, eygleyga, eigreia, eygreia (= igreja); home, homee, ome,&lt;br /&gt;omee (= homem).&lt;br /&gt;reprodução&lt;br /&gt;reprodução&lt;br /&gt;˜&lt;br /&gt;4&lt;br /&gt;Linha do tempo das&lt;br /&gt;mudanças ortográficas&lt;br /&gt;da língua portuguesa&lt;br /&gt;Cartão-postal de 1903, em que&lt;br /&gt;aparecem palavras com as&lt;br /&gt;consoantes dobradas cc e nn.&lt;br /&gt;Em 1881, foi publicada a 1a edição em livro de&lt;br /&gt;Memorias posthumas de Braz Cubas,&lt;br /&gt;de Machado de Assis.&lt;br /&gt;reprodução&lt;br /&gt;reprodução&lt;br /&gt;1904&lt;br /&gt;Séculos XVI a XX&lt;br /&gt;A partir da segunda metade do século XVI, a língua portuguesa&lt;br /&gt;sofre influência do latim e da cultura grega, graças ao&lt;br /&gt;Renascimento e à necessidade de valorização do idioma.&lt;br /&gt;O critério passa ser o de respeitar as letras originárias das&lt;br /&gt;palavras, isto é, sua origem etimológica. Empregam-se:&lt;br /&gt;• ph, th, ch, rh e y, que representavam fonemas gregos:&lt;br /&gt;philosophia, theatro, chimica (química), rheumatismo,&lt;br /&gt;martyr, sepulchro, thesouro, lyrio;&lt;br /&gt;• consoantes mudas: septembro, enxucto, maligno;&lt;br /&gt;• consoantes duplas: approximar, immundos.&lt;br /&gt;No início do século XIX, o escritor Almeida Garrett defende&lt;br /&gt;a simplificação da escrita e critica a ausência de normas&lt;br /&gt;que regularizem a ortografia.&lt;br /&gt;No final do século XIX, cada um escreve da maneira que&lt;br /&gt;acha mais adequada.&lt;br /&gt;1904 Ortografia nacional, do filólogo&lt;br /&gt;Gonçalves Viana (1840-1914), é publicada&lt;br /&gt;em Portugal. Nela, o estudioso apresenta&lt;br /&gt;proposta de simplificar a ortografia:&lt;br /&gt;• eliminação dos fonemas gregos th (theatro),&lt;br /&gt;ph (philosofia), ch (com som de k,&lt;br /&gt;como em chimica), rh (rheumatismo) e y&lt;br /&gt;(lyrio);&lt;br /&gt;• eliminação das consoantes dobradas, com&lt;br /&gt;exceção de rr e ss: cabello (= cabelo);&lt;br /&gt;communicar (= comunicar); ecclesiastico&lt;br /&gt;(= ecle-&lt;br /&gt;siástico); sâbbado (= sábado).&lt;br /&gt;• eliminação das consoantes nulas, quando&lt;br /&gt;não influenciam na pronúncia da vogal&lt;br /&gt;que as precede: licção (= lição); dacta&lt;br /&gt;(= data); posthumo (= póstumo); innundar&lt;br /&gt;(= inundar); chrystal (= cristal);&lt;br /&gt;• regularização da acentuação gráfica.&lt;br /&gt;5&lt;br /&gt;1971 1945 1943 1934 1933 1931 1919 1915 1911 1907&lt;br /&gt;Cartão-postal de 1908, em que se vê a palavra&lt;br /&gt;telephone, grafada com ph, e escriptorio,&lt;br /&gt;com p mudo.&lt;br /&gt;Capa de partitura do samba Pelo telephone,&lt;br /&gt;sucesso do carnaval de 1917. Além&lt;br /&gt;do uso do ph, chama a atenção a&lt;br /&gt;grafia da palavra successo.&lt;br /&gt;1907 A partir de uma proposta do jornalista, professor,&lt;br /&gt;político e escritor Medeiros e Albuquerque, a&lt;br /&gt;Academia Brasileira de Letras (ABL) elabora projeto de&lt;br /&gt;reformulação ortográfica com base nas propostas de&lt;br /&gt;Gonçalves Viana.&lt;br /&gt;1911 Portugal oficializa, com pequenas modificações,&lt;br /&gt;o sistema de Gonçalves Viana.&lt;br /&gt;1915 A ABL aprova a proposta do professor, filólogo&lt;br /&gt;e poeta Silva Ramos que ajusta a reforma ortográfica&lt;br /&gt;brasileira aos padrões da reforma portuguesa de 1911.&lt;br /&gt;1919 A ABL volta atrás e revoga o projeto de 1907,&lt;br /&gt;ou seja, não há mais reforma.&lt;br /&gt;1931 A Academia das Ciências de Lisboa e a Academia&lt;br /&gt;Brasileira de Letras assinam acordo para unir&lt;br /&gt;as ortografias dos dois países.&lt;br /&gt;1933 O governo brasileiro oficializa o acordo&lt;br /&gt;de&lt;br /&gt;1931.&lt;br /&gt;1934 A Constituição Brasileira revoga o acordo de&lt;br /&gt;1931 e estabelece a volta das regras ortográficas de&lt;br /&gt;1891, ou seja, ortografia voltaria a ser grafada orthographia.&lt;br /&gt;Protestos generalizados, porém, fazem com&lt;br /&gt;que essa ortografia seja considerada optativa.&lt;br /&gt;1943 Convenção Luso-Brasileira retoma, com pequenas&lt;br /&gt;modificações, o acordo de 1931.&lt;br /&gt;1945 Divergências na interpretação de regras resultam&lt;br /&gt;no Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro. Em&lt;br /&gt;Portugal, as normas vigoram, mas o Brasil mantém&lt;br /&gt;a ortografia de 1943.&lt;br /&gt;1971 Decreto do governo altera algumas regras da&lt;br /&gt;ortografia de 1943:&lt;br /&gt;• abolição do trema nos hiatos átonos: saüdade (=&lt;br /&gt;saudade), vaïdade (= vaidade);&lt;br /&gt;• supressão do acento circunflexo diferencial nas letras&lt;br /&gt;e e o da sílaba tônica das palavras homógrafas,&lt;br /&gt;com exceção de pôde em oposição a pode: almôço&lt;br /&gt;(= almoço), êle (= ele), enderêço (= endereço),&lt;br /&gt;gôsto (= gosto);&lt;br /&gt;• eliminação dos acentos circunflexos e graves que&lt;br /&gt;marcavam a sílaba subtônica nos vocábulos derivados&lt;br /&gt;com o sufixo -mente ou iniciados por -z- : bebêzinho&lt;br /&gt;(= bebezinho), vovôzinho (= vovozinho),&lt;br /&gt;sòmente (= somente), sòzinho (= sozinho), ùltimamente&lt;br /&gt;(= ultimamente).&lt;br /&gt;reprodução reprodução&lt;br /&gt;6&lt;br /&gt;Anúncio de 1932 do sabonete das "estrêlas".&lt;br /&gt;1975 1986 1990 1995 1998 2002 2004 2006 2008&lt;br /&gt;1975 As colônias portuguesas na África (São&lt;br /&gt;Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola&lt;br /&gt;e Moçambique) tornam-se independentes.&lt;br /&gt;1986 Reunião de representantes dos sete países&lt;br /&gt;de língua portuguesa no Rio de Janeiro resulta&lt;br /&gt;nas Bases Analíticas da Ortografia Simplificada&lt;br /&gt;da Língua Portuguesa de 1945, mas que nunca&lt;br /&gt;foram implementadas.&lt;br /&gt;1990 Surge o Acordo de Ortografia Simplificada&lt;br /&gt;entre Brasil e Portugal para a Lusofonia, nova&lt;br /&gt;versão do documento de 1986.&lt;br /&gt;1995 Brasil e Portugal aprovam oficialmente o&lt;br /&gt;documento de 1990, que passa a ser reconhecido&lt;br /&gt;como Acordo Ortográfico de 1995.&lt;br /&gt;1998 No Primeiro Protocolo Modificativo&lt;br /&gt;ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa&lt;br /&gt;fica estabelecido que todos os membros da&lt;br /&gt;Comunidade dos Países de Língua Portuguesa&lt;br /&gt;(CPLP) devem ratificar as normas propostas no&lt;br /&gt;Acordo Ortográfico de 1995 para que este seja&lt;br /&gt;implantado.&lt;br /&gt;2002 O Timor Leste torna-se independente e&lt;br /&gt;passa a fazer parte da CPLP.&lt;br /&gt;2004 Com a aprovação do Segundo Protocolo&lt;br /&gt;Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua&lt;br /&gt;Portuguesa, fica determinado que basta a ratificação&lt;br /&gt;de três membros para o acordo entrar em&lt;br /&gt;vigor. No mesmo ano, o Brasil ratifica o acordo.&lt;br /&gt;2006 Cabo Verde e São Tomé e Príncipe ratificam&lt;br /&gt;o documento, possibilitando a vigoração&lt;br /&gt;do acordo.&lt;br /&gt;2008 Portugal aprova o Acordo Ortográfico.&lt;br /&gt;reprodução reprodução Em 1960, as palavras "&lt;br /&gt;côr" e&lt;br /&gt;"&lt;br /&gt;côres" eram grafadas&lt;br /&gt;com acento circunflexo.&lt;br /&gt;7&lt;br /&gt;ATLÂNTICO&lt;br /&gt;OCEANO&lt;br /&gt;OCEANO&lt;br /&gt;BRASIL&lt;br /&gt;191,3 milhões&lt;br /&gt;PORTUGAL&lt;br /&gt;10,6 milhões&lt;br /&gt;SÃO TOMÉ E&lt;br /&gt;PRÍNCIPE&lt;br /&gt;157 mil&lt;br /&gt;TIMOR LESTE&lt;br /&gt;1,1 milhão&lt;br /&gt;MOÇAMBIQUE&lt;br /&gt;20,5 milhões&lt;br /&gt;ANGOLA&lt;br /&gt;16,9 milhões&lt;br /&gt;CABO VERDE&lt;br /&gt;530 mil&lt;br /&gt;GUINÉ-BISSAU&lt;br /&gt;1,7 milhão&lt;br /&gt;ÍNDICO&lt;br /&gt;"Unificar a ortografia da língua portuguesa&lt;br /&gt;que, atualmente, é o único idioma&lt;br /&gt;do ocidente que tem duas grafias&lt;br /&gt;oficiais — a do Brasil e a de Portugal", esse&lt;br /&gt;é, segundo o MEC, o principal objetivo do&lt;br /&gt;acordo ortográfico elaborado em 1990 e ratificado&lt;br /&gt;pelo Brasil em 2004.&lt;br /&gt;Ainda segundo o MEC, "com o acordo,&lt;br /&gt;as diferenças ortográficas existentes entre o&lt;br /&gt;português do Brasil e o de Portugal serão resolvidas&lt;br /&gt;em 98%. A unificação da ortografia&lt;br /&gt;acarretará alterações na forma de escrita em&lt;br /&gt;1,6% do vocabulário usado em Portugal e de&lt;br /&gt;0,5%, no Brasil".&lt;br /&gt;Oito países (Angola, Brasil, Cabo Verde,&lt;br /&gt;Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São&lt;br /&gt;Tomé e Príncipe e Timor Leste) têm o português&lt;br /&gt;como língua oficial. Juntos, totalizam&lt;br /&gt;uma população de cerca de 230 milhões de&lt;br /&gt;falantes.&lt;br /&gt;A unificação facilitará a circulação de&lt;br /&gt;materiais, como documentos oficiais e livros,&lt;br /&gt;entre esses países, sem que seja necessário fazer&lt;br /&gt;uma "tradução" do material.&lt;br /&gt;Além disso, o fato de haver duas grafias&lt;br /&gt;oficiais dificulta o estabelecimento do português&lt;br /&gt;como um dos idiomas oficiais da Organização&lt;br /&gt;das Nações Unidas (ONU).&lt;br /&gt;Como diz o texto oficial do acordo, ele&lt;br /&gt;"constitui um passo importante para a defesa&lt;br /&gt;da unidade essencial da língua portuguesa e&lt;br /&gt;para o seu prestígio internacional".&lt;br /&gt;Objetivos do&lt;br /&gt;Acordo Ortográfico&lt;br /&gt;Fonte: Almanaque Abril 2008. São Paulo: Abril, 2008.&lt;br /&gt;ALeSSANdro pASSoS dA CoSTA&lt;br /&gt;8&lt;br /&gt;Principais mudanças do Acordo&lt;br /&gt;O que mudou Observações&lt;br /&gt;Alfabeto (Base I)&lt;br /&gt;As letras k, w e y foram incorporadas ao alfabeto.&lt;br /&gt;O alfabeto passa a ter 26 letras: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j,&lt;br /&gt;k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z.&lt;br /&gt;As letras k, w e y são usadas em casos especiais:&lt;br /&gt;em nomes • de pessoas de origem estrangeira&lt;br /&gt;e seus derivados: Kant, kantismo; Darwin,&lt;br /&gt;darwinismo; Byron, byroniano.&lt;br /&gt;• em nomes geográficos próprios de origem&lt;br /&gt;estrangeira e seus derivados: Kuwait, kuwaitiano;&lt;br /&gt;Malawi, malawiano; Okinawa, okinawano;&lt;br /&gt;Seychelles, seychellense.&lt;br /&gt;• em siglas, símbolos e palavras adotadas como&lt;br /&gt;unidades de medida: www (World Wide Web);&lt;br /&gt;K (símbolo químico de potássio); W (de west,&lt;br /&gt;oeste); kg (quilograma); km (quilômetro); kW&lt;br /&gt;(kilowatt), yd (de yard, jarda).&lt;br /&gt;Vogais átonas (Base V)&lt;br /&gt;Os adjetivos e os substantivos derivados com terminação&lt;br /&gt;-iano e -iense são escritos com i, e não com e,&lt;br /&gt;antes da sílaba tônica.&lt;br /&gt;Exemplos: acriano (de Acre), açoriano, camiliano,&lt;br /&gt;camoniano, ciceroniano, eciano, freudiano, goisiano&lt;br /&gt;(relativo a Damião de Góis), sofocliano, torriano (de&lt;br /&gt;Torres), zwingliano (Ulrich Zwingli), etc.&lt;br /&gt;Acentuação gráfica&lt;br /&gt;das palavras paroxítonas (Base IX)&lt;br /&gt;• Os ditongos abertos tônicos éi e ói não são mais&lt;br /&gt;acentuados graficamente.&lt;br /&gt;Exemplos: assembleia, ideia, heroico, jiboia, etc.&lt;br /&gt;(Ver mais exemplos na pág. 35)&lt;br /&gt;• As formas verbais que contêm eem não são mais&lt;br /&gt;assinaladas com acento circunflexo.&lt;br /&gt;Exemplos: creem, deem, descreem, desdeem, leem,&lt;br /&gt;preveem, redeem, releem, reveem, tresleem, veem,&lt;br /&gt;etc.&lt;br /&gt;• O penúltimo o do hiato oo(s) perde o acento circunflexo.&lt;br /&gt;Exemplos: enjoo (substantivo e flexão do verbo enjoar),&lt;br /&gt;povoo (flexão do verbo povoar), voos (substantivo&lt;br /&gt;e flexão do verbo voar). (Ver mais exemplos&lt;br /&gt;na pág. 36)&lt;br /&gt;9&lt;br /&gt;O que mudou Observações&lt;br /&gt;Acentuação gráfica das palavras paroxítonas (Base IX)&lt;br /&gt;Deixam de ser acentuadas • as seguintes palavras homógrafas:&lt;br /&gt;–&lt;br /&gt;para (flexão do verbo parar), homógrafa de para&lt;br /&gt;(preposição);&lt;br /&gt;– pela(s) (substantivo e flexão do verbo pelar), homógrafa&lt;br /&gt;de pela(s) (combinação de per e la(s));&lt;br /&gt;–&lt;br /&gt;pelo (flexão do verbo pelar), homógrafa de pelo(s)&lt;br /&gt;(substantivo ou combinação de per e lo(s));&lt;br /&gt;– polo(s) (substantivo), homógrafa de polo(s), combinação&lt;br /&gt;de por e lo(s));&lt;br /&gt;–&lt;br /&gt;pera (substantivo), homógrafa de pera (preposição).&lt;br /&gt;• O verbo pôr continua acentuado.&lt;br /&gt;• Continua a ser acentuada a forma pôde (terceira&lt;br /&gt;pessoa do pretérito perfeito do indicativo&lt;br /&gt;do verbo poder).&lt;br /&gt;• É facultativo o uso do acento circunflexo&lt;br /&gt;em:&lt;br /&gt;– dêmos (primeira pessoa do plural do presente&lt;br /&gt;do subjuntivo do verbo dar), homógrafa&lt;br /&gt;de demos (primeira pessoa do plural&lt;br /&gt;do presente do indicativo do verbo dar);&lt;br /&gt;– fôrma (substantivo), homógrafa de forma&lt;br /&gt;(substantivo/verbo).&lt;br /&gt;Acentuação gráfica das palavras&lt;br /&gt;oxítonas e paroxítonas (Base X)&lt;br /&gt;• Deixam de ser acentuadas as vogais tônicas i e u das&lt;br /&gt;palavras paroxítonas precedidas de ditongo.&lt;br /&gt;Exemplo: baiuca. (Ver mais exemplos na pág. 36)&lt;br /&gt;Permanecem acentuadas as vogais tônicas i e u&lt;br /&gt;precedidas de ditongo de palavras oxítonas.&lt;br /&gt;Exemplos: Piauí, teiú, teiús, tuiuiú, tuiuiús.&lt;br /&gt;• O u tônico dos verbos arguir e redarguir não é&lt;br /&gt;mais assinalado com acento agudo nas formas rizotônicas&lt;br /&gt;(quando o acento agudo cai em sílaba do&lt;br /&gt;radical) antes de e ou i.&lt;br /&gt;Exemplos: arguis (segunda pessoa do singular do&lt;br /&gt;presente do indicativo), argui (terceira pessoa do&lt;br /&gt;singular do presente do indicativo e segunda pessoa&lt;br /&gt;do singular do imperativo), arguem (terceira&lt;br /&gt;pessoa do plural do presente do indicativo).&lt;br /&gt;• As formas verbais do tipo de aguar, apaniguar, apaziguar,&lt;br /&gt;apropinquar, averiguar, desaguar, enxaguar,&lt;br /&gt;obliquar, delinquir e afins admitem duas pronúncias&lt;br /&gt;diferentes, portanto duas grafias distintas:&lt;br /&gt;a) Se o u dessas formas verbais for tônico, ele deixa&lt;br /&gt;de ser acentuado graficamente.&lt;br /&gt;Exemplo: averiguo.&lt;br /&gt;b) Porém, se o a e o i passarem a tônicos, eles devem&lt;br /&gt;ser acentuados graficamente.&lt;br /&gt;Exemplo: averíguo.&lt;br /&gt;a) (Ver as conjugações nas págs. 37 e 38)&lt;br /&gt;10&lt;br /&gt;O que mudou Observações&lt;br /&gt;Trema (Base XIV)&lt;br /&gt;O trema foi suprimido, exceto nas palavras derivadas&lt;br /&gt;de nomes próprios estrangeiros.&lt;br /&gt;Exemplos: hübneriano (de Hübner), mülleriano (de&lt;br /&gt;Müller), etc.&lt;br /&gt;(Ver exemplos de palavras que perderam o trema nas&lt;br /&gt;págs. 38 e 39.)&lt;br /&gt;Hífen (Base XV)&lt;br /&gt;Palavras compostas • que perderam, em certa medida,&lt;br /&gt;a noção de composição são grafadas aglutinadamente.&lt;br /&gt;Exemplos: girassol, madressilva, mandachuva, paraquedas,&lt;br /&gt;paraquedista, pontapé, etc.&lt;br /&gt;• Usa-se o hífen em topônimos compostos iniciados&lt;br /&gt;pelos adjetivos grã, grão ou por forma verbal ou&lt;br /&gt;cujos elementos estejam ligados por artigos.&lt;br /&gt;Exemplos: Grã-Bretanha, Grão-Pará, Passa-&lt;br /&gt;-Quatro, Trás-os-Montes, etc.&lt;br /&gt;• Usa-se o hífen em palavras compostas que designam&lt;br /&gt;espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não&lt;br /&gt;ligadas por preposição ou qualquer outro elemento.&lt;br /&gt;Exemplos: abóbora-menina, couve-flor, erva-doce,&lt;br /&gt;feijão-verde; bênção-de-deus, erva-do-chá, ervilha-&lt;br /&gt;-de-cheiro, fava-de-santo-inácio; bem-me-quer (tam-bém&lt;br /&gt;conhecida como margarida ou malmequer);&lt;br /&gt;andorinha-grande, cobra-capelo, formiga-branca;&lt;br /&gt;andorinha-do-mar, cobra-d´água, lesma-de-conchinha;&lt;br /&gt;bem-te-vi (pássaro).&lt;br /&gt;• O advérbio bem, em muitos compostos, aparece&lt;br /&gt;aglutinado com o segundo elemento, quer este tenha&lt;br /&gt;ou não vida à parte.&lt;br /&gt;Exemplos: benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença,&lt;br /&gt;etc.&lt;br /&gt;• Usa-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que&lt;br /&gt;ocasionalmente se combinam, formando encadeamentos&lt;br /&gt;vocabulares.&lt;br /&gt;Exemplos: a divisa Liberdade-Igualdade-Fraternidade,&lt;br /&gt;a ponte Rio-Niterói, o percurso Lisboa-Coimbra-&lt;br /&gt;Porto, a ligação Angola-Moçambique.&lt;br /&gt;O hífen continua a ser empregado nas palavras&lt;br /&gt;compostas por justaposição que não contêm&lt;br /&gt;formas de ligação e cujos elementos constituem&lt;br /&gt;uma unidade sintagmática e semântica.&lt;br /&gt;Exemplos: arco-íris, decreto-lei, médico-cirurgião,&lt;br /&gt;tenente-coronel, tio-avô, guarda-noturno,&lt;br /&gt;mato-grossense, norte-americano, afro-asiático,&lt;br /&gt;afro-luso-brasileiro, azul-escuro, primeiro-ministro,&lt;br /&gt;conta-gotas, guarda-chuva, etc.&lt;br /&gt;Os demais topônimos compostos são escritos&lt;br /&gt;com os elementos separados, sem hífen.&lt;br /&gt;Exemplos: América do Sul, Belo Horizonte,&lt;br /&gt;Cabo Verde, etc.&lt;br /&gt;Exceção: Guiné-Bissau, consagrada pelo uso.&lt;br /&gt;Bem-vindo continua com hífen.&lt;br /&gt;11&lt;br /&gt;O que mudou Observações&lt;br /&gt;Hífen (Base XVI)&lt;br /&gt;• Usa-se o hífen nas formações com aero-, agro-,&lt;br /&gt;ante-, anti-, arqui-, auto-, bio-, circum-, co-, contra-,&lt;br /&gt;eletro-, entre-, extra-, geo-, hidro-, hiper-,&lt;br /&gt;infra-, inter-, intra-, macro-, maxi-, micro-, mini,&lt;br /&gt;multi-, neo-, pan-, pluri-, pós-, pré-, pró-, proto-,&lt;br /&gt;pseudo-, retro-, semi-, sobre-, sub-, super-, supra-,&lt;br /&gt;tele-, ultra-, etc.&lt;br /&gt;a) se o segundo elemento começa por h.&lt;br /&gt;Exemplos: anti-higiênico, co-herdeiro, extra-humano,&lt;br /&gt;pré-história, etc.&lt;br /&gt;b) se o primeiro elemento termina na mesma vogal&lt;br /&gt;com que se inicia o segundo elemento.&lt;br /&gt;Exemplos: anti-ibérico, contra-almirante, auto-&lt;br /&gt;-observação, eletro-ótica, micro-onda, semi-&lt;br /&gt;-interno, etc.&lt;br /&gt;c) nas formações com os prefixos circum- e pan-,&lt;br /&gt;quando o segundo elemento começa por vogal,&lt;br /&gt;m ou n (além de h, como já visto).&lt;br /&gt;Exemplos: circum-escolar, circum-murado,&lt;br /&gt;circum-navegação; pan-africano, pan-mágico,&lt;br /&gt;pan-negritude.&lt;br /&gt;d) nas formações com os prefixos hiper-, intere&lt;br /&gt;super-, quando o segundo elemento começa&lt;br /&gt;por r.&lt;br /&gt;Exemplos: hiper-requintado, inter-resistente,&lt;br /&gt;super-revista.&lt;br /&gt;e) depois dos prefixos ex- (com o sentido de estado&lt;br /&gt;anterior ou cessamento), sota-, soto-, vice- e&lt;br /&gt;vizo-.&lt;br /&gt;Exemplos: ex-almirante, sota-piloto, soto-mestre,&lt;br /&gt;vice-presidente, vizo-rei.&lt;br /&gt;f) nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-,&lt;br /&gt;sempre tônicos e acentuados, quando o segundo&lt;br /&gt;elemento tem vida própria.&lt;br /&gt;Exemplos: pós-graduação, pré-escolar, pró-africano.&lt;br /&gt;Não se usa o hífen em formações que contêm&lt;br /&gt;em geral os prefixos des- e in- e nas quais o segundo&lt;br /&gt;elemento perdeu o h inicial.&lt;br /&gt;Exemplos: desumano, desumidificar, inábil, inumano,&lt;br /&gt;etc.&lt;br /&gt;Exceção: Nas formações com o prefixo co-, este&lt;br /&gt;aglutina-se em geral com o segundo elemento&lt;br /&gt;mesmo quando iniciado por o.&lt;br /&gt;Exemplos: cooperar, coobrigação, coocupante,&lt;br /&gt;cooperação, coordenar, etc.&lt;br /&gt;Não se usa hífen nas formas átonas (pos-, pre- e&lt;br /&gt;pro-).&lt;br /&gt;Exemplos: pospor, prever, promover.&lt;br /&gt;12&lt;br /&gt;O que mudou Observações&lt;br /&gt;Hífen (Base XVI)&lt;br /&gt;• Não se usa hífen nas formações em que o primeiro&lt;br /&gt;elemento termina em vogal e o segundo elemento&lt;br /&gt;começa por r ou s, sendo que essas consoantes são&lt;br /&gt;duplicadas.&lt;br /&gt;Exemplos: antirreligioso, contrarregra, cosseno, extrarregular,&lt;br /&gt;infrassom, etc.&lt;br /&gt;• Não se usa hífen nas formações em que o primeiro&lt;br /&gt;elemento termina em vogal, se o segundo elemento&lt;br /&gt;começa por vogal diferente.&lt;br /&gt;Exemplos: antiaéreo, coeducação, coedição, coautoria,&lt;br /&gt;extraescolar, aeroespacial, autoestrada, autoaprendizagem,&lt;br /&gt;agroindustrial, hidroelétrico, plurianual,&lt;br /&gt;etc.&lt;br /&gt;(Ver mais exemplos nas págs. 40 a 53)&lt;br /&gt;Divisão silábica (Base XX)&lt;br /&gt;Se a palavra for composta ou for uma forma verbal&lt;br /&gt;seguida de pronome átono e se a partição no final da&lt;br /&gt;linha coincidir com o final de um dos elementos ou&lt;br /&gt;membros, deve-se, por clareza gráfica, repetir o hífen&lt;br /&gt;no início da linha imediata.&lt;br /&gt;Exemplos: ex-&lt;br /&gt;-presidente&lt;br /&gt;vende-&lt;br /&gt;-se&lt;br /&gt;13&lt;br /&gt;Considerando que o projecto de texto de ortografia unificada de língua&lt;br /&gt;portuguesa aprovado em Lisboa, em 12 de outubro de 1990, pela Academia&lt;br /&gt;das Ciências de Lisboa, Academia Brasileira de Letras e delegações de Angola,&lt;br /&gt;Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, com a&lt;br /&gt;adesão da delegação de observadores da Galiza, constitui um passo importante&lt;br /&gt;para a defesa da unidade&lt;br /&gt;essencial da língua portuguesa e para o seu&lt;br /&gt;prestígio internacional;&lt;br /&gt;Considerando que o texto do acordo que ora se aprova resulta de um aprofundado&lt;br /&gt;debate nos Países signatários,&lt;br /&gt;a República Popular de Angola,&lt;br /&gt;a República Federativa do Brasil,&lt;br /&gt;a República de Cabo Verde,&lt;br /&gt;a República da Guiné-Bissau,&lt;br /&gt;a República de Moçambique,&lt;br /&gt;a República Portuguesa,&lt;br /&gt;e a República Democrática de São Tomé e Príncipe, acordam no seguinte:&lt;br /&gt;Artigo 1o - É aprovado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que consta&lt;br /&gt;como anexo I ao presente instrumento de aprovação, sob a designação de&lt;br /&gt;Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990) e vai acompanhado da respectiva&lt;br /&gt;nota explicativa, que consta como anexo II ao mesmo instrumento de&lt;br /&gt;aprovação, sob a designação de Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da&lt;br /&gt;Língua Portuguesa (1990).&lt;br /&gt;Artigo 2o - Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos&lt;br /&gt;competentes, as providências necessárias com vista à elaboração, até 1 de janeiro&lt;br /&gt;de 1993, de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo&lt;br /&gt;quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às&lt;br /&gt;terminologias científicas e técnicas.&lt;br /&gt;texto oficial&lt;br /&gt;14&lt;br /&gt;Texto oficial&lt;br /&gt;Acordo Ortográfico&lt;br /&gt;da Língua Portuguesa&lt;br /&gt;Artigo 3o - O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor em&lt;br /&gt;1 de janeiro de 1994, após depositados os instrumentos de ratificação de todos&lt;br /&gt;os Estados junto do Governo da República Portuguesa.&lt;br /&gt;Artigo 4o - Os Estados signatários adoptarão as medidas que entenderem&lt;br /&gt;adequadas ao efectivo respeito da data da entrada em vigor estabelecida no&lt;br /&gt;artigo 3o.&lt;br /&gt;Em fé do que, os abaixo assinados, devidamente credenciados para o efeito,&lt;br /&gt;aprovam o presente acordo, redigido em língua portuguesa, em sete exemplares,&lt;br /&gt;todos&lt;br /&gt;igualmente autênticos.&lt;br /&gt;Assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990.&lt;br /&gt;PELA REPÚBLICA POPULAR DE ANGOLA,&lt;br /&gt;José Mateus de Adelino Peixoto, Secretário de Estado da Cultura&lt;br /&gt;PELA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL,&lt;br /&gt;Carlos Alberto Gomes Chiarelli, Ministro da Educação&lt;br /&gt;PELA REPÚBLICA DE CABO VERDE,&lt;br /&gt;David Hopffer Almada, Ministro da Informação, Cultura e Desportos&lt;br /&gt;PELA REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU,&lt;br /&gt;Alexandre Brito Ribeiro Furtado, Secretário de Estado da Cultura&lt;br /&gt;PELA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE,&lt;br /&gt;Luis Bernardo Honwana, Ministro da Cultura&lt;br /&gt;PELA REPÚBLICA PORTUGUESA,&lt;br /&gt;Pedro Miguel de Santana Lopes, Secretário de Estado da Cultura&lt;br /&gt;PELA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE,&lt;br /&gt;Lígia Silva Graça do Espírito Santo Costa, Ministra da Educação e Cultura&lt;br /&gt;Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa&lt;br /&gt;15&lt;br /&gt;texto oficial&lt;br /&gt;16&lt;br /&gt;Acordo Ortográfico&lt;br /&gt;da Língua Portuguesa (1990)&lt;br /&gt;Base I&lt;br /&gt;Do alfabeto e dos nomes próprios estrangeiros e seus derivados&lt;br /&gt;1o) O alfabeto da língua portuguesa é formado por vinte e seis letras, cada uma delas com uma forma&lt;br /&gt;minúscula e outra maiúscula:&lt;br /&gt;a A (á)&lt;br /&gt;b B (bê)&lt;br /&gt;c C (cê)&lt;br /&gt;d D (dê)&lt;br /&gt;e E (é)&lt;br /&gt;f F (efe)&lt;br /&gt;g G (gê ou guê)&lt;br /&gt;h H (agá)&lt;br /&gt;i I (í)&lt;br /&gt;j J (jota)&lt;br /&gt;k K (capa ou cá)&lt;br /&gt;l L (ele)&lt;br /&gt;m M (eme)&lt;br /&gt;n N (ene)&lt;br /&gt;o O (ó)&lt;br /&gt;p P (pê)&lt;br /&gt;q Q (quê)&lt;br /&gt;r R (erre)&lt;br /&gt;s S (esse)&lt;br /&gt;t T (tê)&lt;br /&gt;u U (u)&lt;br /&gt;v V (vê)&lt;br /&gt;w W (dáblio)&lt;br /&gt;x X (xis)&lt;br /&gt;y Y (ípsilon)&lt;br /&gt;z Z (zê)&lt;br /&gt;Obs.: 1. Além destas letras, usam-se o ç (cê cedilhado) e os seguintes dígrafos:&lt;br /&gt;rr (erre duplo), ss (esse duplo), ch (cê-agá), lh (ele-agá), nh (ene-agá), gu (guê-u) e qu&lt;br /&gt;(quê-u).&lt;br /&gt;2. Os nomes das letras acima sugeridos não excluem outras formas de as designar.&lt;br /&gt;2o) As letras k, w e y usam-se nos seguintes casos especiais:&lt;br /&gt;a) Em antropónimos/antropônimos originários de outras línguas e seus derivados:&lt;br /&gt;Franklin,&lt;br /&gt;frankliniano; Kant, kantismo; Darwin, darwinismo; Wagner, wagneriano; Byron, byroniano;&lt;br /&gt;Taylor, taylorista;&lt;br /&gt;b) Em topónimos/topônimos originários de outras línguas e seus derivados: Kwanza; Kuwait,&lt;br /&gt;kuwaitiano; Malawi, malawiano;&lt;br /&gt;c) Em siglas, símbolos e mesmo em palavras adotadas como unidades de medida de curso&lt;br /&gt;internacional: TWA, KLM; K – potássio (de kalium), W – oeste (West); kg – quilograma,&lt;br /&gt;km – quilómetro/quilômetro, kW – kilowatt, yd – jarda (yard); Watt.&lt;br /&gt;3o) Em congruência com o número anterior, mantêm-se nos vocábulos derivados eruditamente de nomes&lt;br /&gt;próprios estrangeiros quaisquer combinações gráficas ou sinais diacríticos não peculiares à nossa&lt;br /&gt;escrita que figurem nesses nomes: comtista, de Comte; garrettiano, de Garrett; jeffersónia/ jeffersônia,&lt;br /&gt;de Jefferson; mülleriano, de Müller; shakespeariano, de Shakespeare.&lt;br /&gt;Os vocábulos autorizados registrarão grafias alternativas admissíveis, em casos de divulgação&lt;br /&gt;de certas palavras de tal tipo de origem (a exemplo de fúcsia/ fúchsia e derivados, buganvília/&lt;br /&gt;buganvílea/ bougainvíllea).&lt;br /&gt;4o) Os dígrafos finais de origem hebraica ch, ph e th podem conservar-se em formas onomásticas da&lt;br /&gt;tradição bíblica, como Baruch, Loth, Moloch, Ziph, ou então simplificar-se: Baruc, Lot, Moloc, Zif. Se&lt;br /&gt;qualquer um destes dígrafos, em formas do mesmo tipo, é invariavelmente mudo, elimina-se: José,&lt;br /&gt;Nazaré, em vez de Joseph, Nazareth; e se algum deles, por força do uso, permite adaptação, substitui-&lt;br /&gt;-se, recebendo uma adição vocálica: Judite, em vez de Judith.&lt;br /&gt;5o) As consoantes finais grafadas b, c, d, g e t mantêm-se, quer sejam mudas, quer proferidas, nas&lt;br /&gt;formas onomásticas em que o uso as consagrou, nomeadamente&lt;br /&gt;antropónimos/antropônimos&lt;br /&gt;e topónimos/topônimos da tradição bíblica: Jacob, Job, Moab, Isaac; David, Gad; Gog, Magog;&lt;br /&gt;Bensabat, Josafat.&lt;br /&gt;Integram-se também nesta forma: Cid, em que o d é sempre pronunciado; Madrid e Valhadolid,&lt;br /&gt;em que o d ora é pronunciado, ora não; e Calecut ou Calicut, em que o t se encontra nas mesmas&lt;br /&gt;condições.&lt;br /&gt;Nada impede, entretanto, que dos antropónimos/antropônimos em apreço sejam usados sem a&lt;br /&gt;consoante final Jó, Davi e Jacó.&lt;br /&gt;6o) Recomenda-se que os topónimos/topônimos de línguas estrangeiras se substituam, tanto quanto&lt;br /&gt;possível, por formas vernáculas, quando estas sejam antigas e ainda vivas em português ou quando&lt;br /&gt;entrem, ou possam entrar, no uso corrente. Exemplo: Anvers, substituído por Antuérpia; Cherbourg,&lt;br /&gt;por Cherburgo; Garonne, por Garona; Genève, por Genebra; Jutland, por Jutlândia; Milano,&lt;br /&gt;por Milão; München, por Munique; Torino, por Turim; Zürich, por Zurique, etc.&lt;br /&gt;Base II&lt;br /&gt;Do h inicial e final&lt;br /&gt;1o) O h inicial emprega-se:&lt;br /&gt;a) Por força da etimologia: haver, hélice, hera, hoje, hora, homem, humor.&lt;br /&gt;b) Em virtude da adoção convencional: hã?, hem?, hum!.&lt;br /&gt;2o) O h inicial suprime-se:&lt;br /&gt;a) Quando, apesar da etimologia, a sua supressão está inteiramente consagrada pelo uso: erva,&lt;br /&gt;em vez de herva; e, portanto, ervaçal, ervanário, ervoso (em contraste com herbáceo, herbanário,&lt;br /&gt;herboso, formas de origem erudita);&lt;br /&gt;b) Quando, por via de composição, passa a interior e o elemento em que figura se aglutina ao&lt;br /&gt;precedente: biebdomadário, desarmonia, desumano, exaurir, inábil, lobisomem, reabilitar,&lt;br /&gt;reaver.&lt;br /&gt;3o) O h inicial mantém-se, no entanto, quando, numa palavra composta, pertence a um elemento&lt;br /&gt;que está ligado ao anterior por meio de hífen: anti-higiénico/ anti-higiênico, contra-haste, pré-&lt;br /&gt;-história, sobre-humano.&lt;br /&gt;4o) O h final emprega-se em interjeições: ah! oh!.&lt;br /&gt;Base III&lt;br /&gt;Da homofonia de certos grafemas consonânticos&lt;br /&gt;Dada a homofonia existente entre certos grafemas consonânticos, torna-se necessário diferençar&lt;br /&gt;os seus empregos, que fundamentalmente se regulam pela história das palavras. É certo que a variedade&lt;br /&gt;das condições em que se fixam na escrita os grafemas consonânticos homófonos nem sempre&lt;br /&gt;permite fácil diferenciação dos casos em que se deve empregar uma letra e daqueles em que, diversamente,&lt;br /&gt;se deve empregar outra, ou outras, a representar o mesmo som.&lt;br /&gt;Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa&lt;br /&gt;17&lt;br /&gt;Nesta conformidade, importa notar, principalmente, os seguintes casos:&lt;br /&gt;1o) Distinção gráfica entre ch e x: achar, archote, bucha, capacho, capucho, chamar, chave, Chico,&lt;br /&gt;chiste, chorar, colchão, colchete, endecha, estrebucha, facho, ficha, flecha, frincha, gancho,&lt;br /&gt;inchar, macho, mancha, murchar, nicho, pachorra, pecha, pechincha, penacho, rachar, sachar,&lt;br /&gt;tacho; ameixa, anexim, baixei, baixo, bexiga, bruxa, coaxar, coxia, debuxo, deixar, eixo, elixir,&lt;br /&gt;enxofre, faixa, feixe, madeixa, mexer, oxalá, praxe, puxar, rouxinol, vexar, xadrez, xarope, xenofobia,&lt;br /&gt;xerife, xícara.&lt;br /&gt;2o) Distinção gráfica entre g, com valor de fricativa palatal, e j: adágio, alfageme, Álgebra, algema,&lt;br /&gt;algeroz, Algés, algibebe, algibeira, álgido, almargem, Alvorge, Argel, estrangeiro, falange, ferrugem,&lt;br /&gt;frigir, gelosia, gengiva, gergelim, geringonça, Gibraltar, ginete, ginja, girafa, gíria, herege, relógio,&lt;br /&gt;sege, Tânger, virgem; adjetivo, ajeitar, ajeru (nome de planta indiana e de uma espécie de papagaio),&lt;br /&gt;canjerê, canjica, enjeitar, granjear, hoje, intrujice, jecoral, jejum, jeira, jeito, Jeová, jenipapo,&lt;br /&gt;jequiri, jequitibá, Jeremias, Jericó, jerimum, Jerónimo, Jesus, jiboia, jiquipanga, jiquiró, jiquitaia,&lt;br /&gt;jirau, jiriti, jitirana, laranjeira, lojista, majestade, majestoso, manjerico, manjerona, mucujê, pajé,&lt;br /&gt;pegajento, rejeitar, sujeito, trejeito.&lt;br /&gt;3o) Distinção gráfica entre as letras s, ss, c, ç e x, que representam sibilantes surdas: ânsia, ascensão,&lt;br /&gt;aspersão, cansar, conversão, esconso, farsa, ganso, imenso,&lt;br /&gt;mansão, mansarda, manso, pretensão,&lt;br /&gt;remanso, seara, seda, Seia, Sertã, Sernancelhe, serralheiro, Singapura, Sintra, sisa, tarso, terso,&lt;br /&gt;valsa; abadessa, acossar, amassar, arremessar, Asseiceira, asseio, atravessar, benesse, Cassilda, codesso&lt;br /&gt;(identicamente Codessal ou Codassal, Codesseda, Codessoso, etc.), crasso,&lt;br /&gt;devassar, dossel,&lt;br /&gt;egresso, endossar, escasso, fosso, gesso, molosso, mossa, obsessão, pêssego, possesso, remessa, sossegar;&lt;br /&gt;acém, acervo, alicerce, cebola, cereal, Cernache, cetim, Cinfães, Escócia, Macedo, obcecar,&lt;br /&gt;percevejo; açafate, açorda, açúcar, almaço, atenção, berço, Buçaco, caçanje, caçula, caraça, dançar,&lt;br /&gt;Eça, enguiço, Gonçalves, inserção, linguiça, maçada, Mação, maçar, Moçambique, Monção,&lt;br /&gt;muçulmano, murça, negaça, pança, peça, quiçaba, quiçaça, quiçama, quiçamba, Seiça (grafia&lt;br /&gt;que pretere as erróneas/errôneas Ceiça e Ceissa), Seiçal, Suíça, terço; auxílio, Maximiliano, Maximino,&lt;br /&gt;máximo, próximo, sintaxe.&lt;br /&gt;4o) Distinção gráfica entre s de fim de sílaba (inicial ou interior) e x e z com idêntico valor fónico/&lt;br /&gt;fônico: adestrar, Calisto, escusar, esdrúxulo, esgotar, esplanada, esplêndido, espontâneo, espremer,&lt;br /&gt;esquisito, estender, Estremadura, Estremoz, inesgotável; extensão, explicar, extraordinário, inextricável,&lt;br /&gt;inexperto, sextante, têxtil; capazmente, infelizmente, velozmente. De acordo com esta&lt;br /&gt;distinção convém notar dois casos:&lt;br /&gt;a) Em final de sílaba que não seja final de palavra, o x = s muda para s sempre que está precedido&lt;br /&gt;de i ou u: justapor, justalinear, misto, sistino (cf. Capela Sistina), Sisto, em vez de juxtapor,&lt;br /&gt;juxtalinear, mixto, sixtina, Sixto.&lt;br /&gt;b) Só nos advérbios em -mente se admite z, com valor idêntico ao de s, em final de sílaba seguida&lt;br /&gt;de outra consoante (cf. capazmente, etc.); de contrário, o s toma sempre o lugar do z: Biscaia,&lt;br /&gt;e não Bizcaia.&lt;br /&gt;5o) Distinção gráfica entre s final de palavra e x e z com idêntico valor fónico/ fônico: aguarrás, aliás,&lt;br /&gt;anis, após, atrás, através, Avis, Brás, Dinis, Garcês, gás, Gerês, Inês, íris, Jesus, jus, lápis, Luís, país,&lt;br /&gt;português, Queirós, quis, retrós, revés, Tomás, Valdês; cálix, Félix, Fénix, flux; assaz, arroz, avestruz,&lt;br /&gt;dez, diz, fez (substantivo e forma do verbo fazer), fiz, Forjaz, Galaaz, giz, jaez, matiz, petiz, Queluz,&lt;br /&gt;Romariz, [Arcos de] Valdevez, Vaz. A propósito, deve observar-se que é inadmissível z final equivalente&lt;br /&gt;a s em palavra não oxítona: Cádis, e não Cádiz.&lt;br /&gt;6o) Distinção gráfica entre as letras interiores s, x e z, que representam sibilantes sonoras: aceso, analisar,&lt;br /&gt;anestesia, artesão, asa, asilo, Baltasar, besouro, besuntar,&lt;br /&gt;blusa, brasa, brasão, Brasil, brisa, [Martexto&lt;br /&gt;oficial&lt;br /&gt;18&lt;br /&gt;co de] Canaveses, coliseu, defesa, duquesa, Elisa, empresa, Ermesinde, Esposende, frenesi ou frenesim,&lt;br /&gt;frisar, guisa, improviso, jusante, liso, lousa, Lousã, Luso (nome de lugar, homónimo/homônimo&lt;br /&gt;de&lt;br /&gt;Luso, nome mitológico), Matosinhos, Meneses, narciso, Nisa, obséquio, ousar, pesquisa, portuguesa,&lt;br /&gt;presa, raso, represa, Resende, sacerdotisa, Sesimbra, Sousa, surpresa, tisana, transe, trânsito, vaso;&lt;br /&gt;exalar, exemplo, exibir, exorbitar, exuberante, inexato, inexorável; abalizado, alfazema, Arcozelo, autorizar,&lt;br /&gt;azar, azedo, azo, azorrague, baliza, bazar, beleza, buzina, búzio, comezinho, deslizar, deslize,&lt;br /&gt;Ezequiel, fuzileiro, Galiza, guizo, helenizar, lambuzar, lezíria, Mouzinho, proeza, sazão, urze, vazar,&lt;br /&gt;Veneza, Vizela, Vouzela.&lt;br /&gt;Base IV&lt;br /&gt;Das sequências consonânticas&lt;br /&gt;1o) O c, com valor de oclusiva velar, das sequências interiores cc (segundo c com valor de sibilante),&lt;br /&gt;cç e ct, e o p das sequências interiores pc (c com valor de sibilante), pç e pt, ora se conservam, ora&lt;br /&gt;se eliminam.&lt;br /&gt;Assim:&lt;br /&gt;a) Conservam-se nos casos em que são invariavelmente proferidos nas pronúncias cultas da&lt;br /&gt;língua: compacto, convicção, convicto, ficção, friccionar, pacto, pictural; adepto, apto, díptico,&lt;br /&gt;erupção, eucalipto, inepto, núpcias, rapto.&lt;br /&gt;b) Eliminam-se nos casos em que são invariavelmente mudos nas pronúncias cultas da língua:&lt;br /&gt;ação, acionar, afetivo, aflição, aflito, ato, coleção, coletivo, direção, diretor, exato, objeção; adoção,&lt;br /&gt;adotar, batizar, Egito, ótimo.&lt;br /&gt;c) Conservam-se ou eliminam-se, facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta,&lt;br /&gt;quer geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento: aspecto&lt;br /&gt;e aspeto, cacto e cato, caracteres e carateres,&lt;br /&gt;dicção e dição; facto e fato, sector e setor, ceptro&lt;br /&gt;e cetro, concepção e conceção, corrupto e corruto, recepção e receção.&lt;br /&gt;d) Quando, nas sequências interiores mpc, mpç e mpt se eliminar o p de acordo com o determinado&lt;br /&gt;nos parágrafos precedentes, o m passa a n, escrevendo-se, respetivamente, nc, nç e nt:&lt;br /&gt;assumpcionista e assuncionista; assumpção e assunção; assumptível e assuntível; peremptório e&lt;br /&gt;perentório, sumptuoso e suntuoso, sumptuosidade e suntuosidade.&lt;br /&gt;2o) Conservam-se ou eliminam-se, facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta,&lt;br /&gt;quer geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento: o&lt;br /&gt;b da sequência bd, em súbdito; o b da sequência bt, em subtil e seus derivados; o g da sequência&lt;br /&gt;gd, em amígdala, amigdalácea, amigdalar, amigdalato, amigdalite, amigdaloide, amigdalopatia,&lt;br /&gt;amigdalotomia; o m da sequência mn, em amnistia, amnistiar, indemne, indemnidade, indemnizar,&lt;br /&gt;omnímodo, omnipotente, omnisciente, etc.; o t da sequência tm, em aritmética e aritmético.&lt;br /&gt;Base V&lt;br /&gt;Das vogais átonas&lt;br /&gt;1o) O emprego do e e do i, assim como o do o e do u em sílaba átona, regula-se fundamentalmente&lt;br /&gt;pela etimologia e por particularidades da história das palavras. Assim, se estabelecem variadíssimas&lt;br /&gt;grafias:&lt;br /&gt;a) Com e e i: ameaça, amealhar, antecipar, arrepiar, balnear, boreal, campeão, cardeal (prelado,&lt;br /&gt;ave, planta; diferente de cardial = "relativo à cárdia"), Ceará, côdea, enseada, enteado, Floreal,&lt;br /&gt;janeanes, lêndea, Leonardo, Leonel, Leonor, Leopoldo, Leote, linear, meão, melhor, nomear,&lt;br /&gt;Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa&lt;br /&gt;19&lt;br /&gt;peanha, quase (em vez de quási), real, semear, semelhante, várzea; ameixial, Ameixieira, amial,&lt;br /&gt;amieiro, arrieiro, artilharia, capitânia, cordial (adjetivo e substantivo), corriola, crânio, criar,&lt;br /&gt;diante, diminuir, Dinis, ferregial, Filinto, Filipe (e identicamente Filipa, Filipinas, etc.), freixial,&lt;br /&gt;giesta, Idanha, igual, imiscuir-se, inigualável, lampião, limiar, Lumiar, lumieiro, pátio, pior, tigela,&lt;br /&gt;tijolo, Vimieiro, Vimioso.&lt;br /&gt;b) Com o e u: abolir, Alpendorada, assolar, borboleta, cobiça, consoada, consoar, costume, díscolo,&lt;br /&gt;êmbolo, engolir, epístola, esbaforir-se, esboroar, farândola, femoral, Freixoeira, girândola, goela,&lt;br /&gt;jocoso, mágoa, névoa, nódoa, óbolo, Páscoa, Pascoal, Pascoela, polir, Rodolfo, távoa, tavoada,&lt;br /&gt;távola, tômbola, veio (substantivo e forma do verbo vir); açular, água, aluvião, arcuense, assumir,&lt;br /&gt;bulir, camândulas, curtir, curtume, embutir, entupir, fémur/fêmur, fístula, glândula, ínsua,&lt;br /&gt;jucundo, légua, Luanda, lucubração, lugar, mangual, Manuel, míngua, Nicarágua, pontual, régua,&lt;br /&gt;tábua, tabuada, tabuleta, trégua, vitualha.&lt;br /&gt;2o) Sendo muito variadas as condições etimológicas e histórico-fonéticas em que se fixam graficamente e&lt;br /&gt;e i ou o e u em sílaba átona, é evidente que só a consulta dos vocabulários ou dicionários pode indicar,&lt;br /&gt;muitas vezes, se deve empregar-se e ou i, se o ou u. Há, todavia, alguns casos em que o uso dessas&lt;br /&gt;vogais pode ser facilmente sistematizado. Convém fixar os seguintes:&lt;br /&gt;a) Escrevem-se com e, e não com i, antes da sílaba tónica/tônica, os substantivos e adjetivos que&lt;br /&gt;procedem de substantivos terminados em -eio e -eia, ou com eles estão em relação direta.&lt;br /&gt;Assim se regulam: aldeão, aldeola, aldeota por aldeia; areal, areeiro, areento, Areosa por areia;&lt;br /&gt;aveal por aveia; baleal por baleia; cadeado por cadeia; candeeiro por candeia; centeeira e centeeiro&lt;br /&gt;por centeio; colmeal e colmeeiro por colmeia; correada e correame por correia.&lt;br /&gt;b) Escrevem-se igualmente com e, antes de vogal ou ditongo da sílaba tónica/ tônica, os derivados&lt;br /&gt;de palavras que terminam em e acentuado (o qual pode representar um antigo hiato: ea, ee):&lt;br /&gt;galeão, galeota, galeote, de galé; coreano, de Coreia; daomeano, de Daomé; guineense, de Guiné;&lt;br /&gt;poleame e poleeiro, de polé.&lt;br /&gt;c) Escrevem-se com i, e não com e, antes da sílaba tónica/tônica, os adjetivos e substantivos&lt;br /&gt;derivados em que entram os sufixos mistos de formação vernácula -iano&lt;br /&gt;e -iense, os quais são o resultado da combinação dos sufixos -ano e -ense com um i de origem&lt;br /&gt;analógica (baseado em palavras onde -ano e -ense estão precedidos de i pertencente ao tema:&lt;br /&gt;horaciano, italiano, duniense, flaviense, etc.): açoriano, acriano (de Acre), camoniano, goisiano&lt;br /&gt;(relativo a Damião de Góis), siniense (de Sines), sofocliano, torriano, torriense (de Torre(s)).&lt;br /&gt;d) Uniformizam-se com as terminações -io e -ia (átonas), em vez de -eo e -ea, os substantivos que&lt;br /&gt;constituem variações, obtidas por ampliação, de outros substantivos terminados em vogal: cúmio&lt;br /&gt;(popular), de cume; hástia, de haste; réstia, do antigo reste; véstia, de veste.&lt;br /&gt;e) Os verbos em -ear podem distinguir-se praticamente, grande número de vezes, dos verbos&lt;br /&gt;em -iar, quer pela formação, quer pela conjugação e formação ao mesmo tempo. Estão no&lt;br /&gt;primeiro caso todos os verbos que se prendem a substantivos em -eio ou -eia (sejam formados&lt;br /&gt;em português ou venham já do latim); assim se regulam: aldear, por aldeia; alhear, por alheio;&lt;br /&gt;cear por ceia; encadear por cadeia; pear, por peia; etc. Estão no segundo caso todos os verbos&lt;br /&gt;que têm normalmente flexões rizotónicas/rizotônicas em -eio, -eias, etc.: clarear, delinear,&lt;br /&gt;devanear, falsear, granjear, guerrear, hastear, nomear, semear, etc. Existem, no entanto, verbos&lt;br /&gt;em -iar, ligados a substantivos com as terminações átonas -ia ou -io, que admitem variantes&lt;br /&gt;na conjugação: negoceio ou negocio (cf. negócio); premeio ou premio (cf. prémio/prêmio); etc.&lt;br /&gt;f) Não é lícito o emprego do u final átono em palavras de origem latina. Escreve-se, por isso:&lt;br /&gt;moto, em vez de mótu (por exemplo, na expressão de moto próprio); tribo, em vez de tríbu.&lt;br /&gt;g) Os verbos em -oar distinguem-se praticamente dos verbos em -uar pela sua conjugação nas&lt;br /&gt;formas rizotónicas/rizotônicas, que têm sempre o na sílaba acentuada: abençoar com o, como&lt;br /&gt;texto oficial&lt;br /&gt;20&lt;br /&gt;abençoo, abençoas, etc.; destoar, com o, como destoo, destoas, etc.; mas acentuar, com u, como&lt;br /&gt;acentuo, acentuas, etc.&lt;br /&gt;Base VI&lt;br /&gt;Das vogais nasais&lt;br /&gt;Na representação das vogais nasais devem observar-se os seguintes preceitos:&lt;br /&gt;1o) Quando uma vogal nasal ocorre em fim de palavra, ou em fim de elemento seguido de hífen,&lt;br /&gt;representa-se a nasalidade pelo til, se essa vogal é de timbre a; por m, se possui qualquer outro&lt;br /&gt;timbre e termina a palavra; e por n, se é de timbre diverso de a e está seguida de s: afã, grã, Grã-&lt;br /&gt;-Bretanha, lã, órfã, sã-braseiro (forma dialetal; o mesmo que são-brasense = de S. Brás de Alportel);&lt;br /&gt;clarim, tom, vacum; flautins, semitons, zunzuns.&lt;br /&gt;2o) Os vocábulos terminados em -ã transmitem esta representação do a nasal aos advérbios em&lt;br /&gt;-mente que deles se formem, assim como a derivados em que entrem sufixos iniciados por z:&lt;br /&gt;cristãmente, irmãmente, sãmente; lãzudo, maçãzita, manhãzinha, romãzeira.&lt;br /&gt;Base VII&lt;br /&gt;Dos ditongos&lt;br /&gt;1o) Os ditongos orais, que tanto podem ser tónicos/tônicos como átonos, distribuem-se por dois&lt;br /&gt;grupos gráficos principais, conforme o segundo elemento do ditongo é representado por i ou&lt;br /&gt;u: ai, ei, éi, ui; au, eu, éu, iu, ou: braçais, caixote, deveis, eirado, farnéis (mas farneizinhos), goivo,&lt;br /&gt;goivar, lençóis (mas lençoizinhos), tafuis, uivar; cacau, cacaueiro, deu, endeusar, ilhéu (mas ilheuzito),&lt;br /&gt;mediu, passou, regougar.&lt;br /&gt;Obs.: Admitem-se, todavia, excecionalmente, à parte destes dois grupos, os ditongos grafados ae&lt;br /&gt;(= âi ou ai) e ao (âu ou au): o primeiro, representado nos antropónimos/antropônimos Caetano&lt;br /&gt;e Caetana, assim como nos respetivos derivados e compostos (caetaninha, são-caetano, etc.); o&lt;br /&gt;segundo, representado nas combinações da preposição a com as formas masculinas do artigo ou&lt;br /&gt;pronome demonstrativo o, ou seja, ao e aos.&lt;br /&gt;2o) Cumpre fixar, a propósito dos ditongos orais, os seguintes preceitos particulares:&lt;br /&gt;a) É o ditongo grafado ui, e não a sequência vocálica grafada ue, que se emprega nas formas de&lt;br /&gt;2a e 3a pessoas do singular do presente do indicativo e igualmente na da 2a pessoa do singular&lt;br /&gt;do imperativo dos verbos em -uir: constituis, influi, retribui. Harmonizam-se, portanto, essas&lt;br /&gt;formas com todos os casos de ditongo grafado ui de sílaba final ou fim de palavra (azuis, fui,&lt;br /&gt;Guardafui, Rui, etc.); e ficam assim em paralelo gráfico-fonético com as formas de 2a e 3a pessoas&lt;br /&gt;do singular do presente do indicativo e de 2a pessoa do singular do imperativo dos verbos&lt;br /&gt;em -air e em -oer: atrais, cai, sai; móis, remói, sói.&lt;br /&gt;b) É o ditongo grafado ui que representa sempre, em palavras de origem latina, a união de um u&lt;br /&gt;a um i átono seguinte. Não divergem, portanto, formas como fluido de formas como gratuito.&lt;br /&gt;E isso não impede que nos derivados de formas daquele tipo as vogais grafadas u e i se separem:&lt;br /&gt;fluídico, fluidez (u-í).&lt;br /&gt;c) Além dos ditongos orais propriamente ditos, os quais são todos decrescentes, admite-se,&lt;br /&gt;como é sabido, a existência de ditongos crescentes. Podem considerar-se no número deles&lt;br /&gt;as sequências vocálicas pós-tónicas/pós-tônicas, tais as que se representam graficamente&lt;br /&gt;Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa&lt;br /&gt;21&lt;br /&gt;por ea, eo, ia, ie, io, oa, ua, ue, uo: áurea, áureo, calúnia, espécie, exímio, mágoa, míngua,&lt;br /&gt;ténue/tênue, tríduo.&lt;br /&gt;3o) Os ditongos nasais, que na sua maioria tanto podem ser tónicos/tônicos como átonos, pertencem&lt;br /&gt;graficamente a dois tipos fundamentais: ditongos representados&lt;br /&gt;por vogal com til e semivogal;&lt;br /&gt;ditongos representados por uma vogal seguida da consoante nasal m. Eis a indicação de uns e outros:&lt;br /&gt;a) Os ditongos representados por vogal com til e semivogal são quatro, considerando-se apenas&lt;br /&gt;a língua padrão contemporânea: ãe (usado em vocábulos oxítonos e derivados), ãi (usado em&lt;br /&gt;vocábulos anoxítonos e derivados), ão e õe. Exemplos: cães, Guimarães, mãe, mãezinha; cãibas,&lt;br /&gt;cãibeiro, cãibra, zãibo; mão, mãozinha, não, quão, sótão, sotãozinho, tão; Camões, orações,&lt;br /&gt;oraçõezinhas, põe, repões.&lt;br /&gt;Ao lado de tais ditongos pode, por exemplo, colocar-se o ditongo ũi;&lt;br /&gt;mas este, embora se exemplifique numa forma popular como rũi = ruim, representa-se sem o&lt;br /&gt;til nas formas muito e mui, por obediência à tradição.&lt;br /&gt;b) Os ditongos representados por uma vogal seguida da consoante nasal m são dois: am e em.&lt;br /&gt;Divergem, porém, nos seus empregos:&lt;br /&gt;i) am (sempre átono) só se emprega em flexões verbais: amam, deviam, escreveram,&lt;br /&gt;puseram;&lt;br /&gt;ii) em (tónico/tônico ou átono) emprega-se em palavras de categorias morfológicas diversas,&lt;br /&gt;incluindo flexões verbais, e pode apresentar variantes gráficas determinadas pela&lt;br /&gt;posição, pela acentuação ou, simultaneamente, pela posição e pela acentuação: bem,&lt;br /&gt;Bembom, Bemposta, cem, devem, nem, quem, sem, tem, virgem; Bencanta, Benfeito, Benfica,&lt;br /&gt;benquisto, bens, enfim, enquanto, homenzarrão, homenzinho, nuvenzinha, tens,&lt;br /&gt;virgens, amém (variação do ámen), armazém, convém, mantém, ninguém, porém, Santarém,&lt;br /&gt;também; convêm, mantêm, têm (3as pessoas do plural); armazéns, desdéns, convéns,&lt;br /&gt;reténs; Belenzada, vintenzinho.&lt;br /&gt;Base VIII&lt;br /&gt;Da acentuação gráfica das palavras oxítonas&lt;br /&gt;1o) Acentuam-se com acento agudo:&lt;br /&gt;a) As palavras oxítonas terminadas nas vogais tónicas/tônicas abertas grafadas -a, -e ou&lt;br /&gt;-o, seguidas ou não de -s: está, estás, já, olá; até, é, és, olé, pontapé(s); avó(s), dominó(s),&lt;br /&gt;paletó(s), só(s).&lt;br /&gt;Obs.: Em algumas (poucas) palavras oxítonas terminadas em -e tónico/tônico, geralmente&lt;br /&gt;provenientes do francês, esta vogal, por ser articulada nas pronúncias cultas ora como aberta&lt;br /&gt;ora como fechada, admite tanto o acento agudo como o acento circunflexo: bebé ou bebê,&lt;br /&gt;bidé ou bidê, canapé ou canapê, caraté ou caratê, croché ou crochê, guiché ou guichê, matiné&lt;br /&gt;ou matinê, nené ou nenê, ponjé ou ponjê, puré ou purê, rapé ou rapê.&lt;br /&gt;O mesmo se verifica com formas como cocó e cocô, ró (letra do alfabeto grego) e rô. São igualmente&lt;br /&gt;admitidas formas como judô, a par de judo, e metrô, a par de metro.&lt;br /&gt;b) As formas verbais oxítonas, quando, conjugadas com os pronomes clíticos -lo(s) ou -la(s),&lt;br /&gt;ficam a terminar na vogal tónica/tônica aberta grafada -a, após a assimilação e perda das&lt;br /&gt;consoantes finais grafadas -r, -s ou -z: adorá-lo(s) (de adorar-lo(s)), dá-la(s) (de dar-la(s) ou&lt;br /&gt;dá(s)-la(s)), fá-lo(s) (de faz-lo(s)), fá-lo(s)-às (de far-lo(s)-ás), habitá-la(s)-iam (de habitar-&lt;br /&gt;-la(s)-iam), trá-la(s)-á (de trar-la(s)-á).&lt;br /&gt;texto oficial&lt;br /&gt;22&lt;br /&gt;c) As palavras oxítonas com mais de uma sílaba terminadas no ditongo nasal grafado&lt;br /&gt;-em (exceto as formas da 3a pessoa do plural do presente do indicativo dos compostos de ter&lt;br /&gt;e vir: retêm, sustêm; advêm, provêm; etc.) ou -ens: acém, detém, deténs, entretém, entreténs,&lt;br /&gt;harém, haréns, porém, provém, provéns, também.&lt;br /&gt;d) As palavras oxítonas com os ditongos abertos grafados -éi, -éu ou -ói, podendo estes dois&lt;br /&gt;últimos ser seguidos ou não de -s: anéis, batéis, fiéis, papéis; céu(s), chapéu(s), ilhéu(s), véu(s);&lt;br /&gt;corrói (de corroer), herói(s), remói (de remoer), sóis.&lt;br /&gt;2o) Acentuam-se com acento circunflexo:&lt;br /&gt;a) As palavras oxítonas terminadas nas vogais tónicas/tônicas fechadas que se grafam -e ou -&lt;br /&gt;o,&lt;br /&gt;seguidas ou não de -s: cortês, dê, dês (de dar), lê, lês (de ler), português, você(s); avô(s), pôs (de&lt;br /&gt;pôr), robô(s).&lt;br /&gt;b) As formas verbais oxítonas, quando, conjugadas com os pronomes clíticos -lo(s) ou -la(s),&lt;br /&gt;ficam a terminar nas vogais tónicas/tônicas fechadas que se grafam -e ou -o, após a assimilação&lt;br /&gt;e perda das consoantes finais grafadas -r, -s ou -z: detê-lo(s) (de deter-lo(s)), fazê-la(s) (de&lt;br /&gt;fazer-la(s)), fê-lo(s) (de fez-lo(s)), vê-la(s) (de ver-la(s)), compô-la(s) (de compor-la(s)), repô-&lt;br /&gt;-la(s) (de repor-la(s)), pô-la(s) (de pôr-la(s) ou pôs-la(s)).&lt;br /&gt;3o) Prescinde-se de acento gráfico para distinguir palavras oxítonas homógrafas, mas heterofónicas/&lt;br /&gt;heterofônicas, do tipo de cor (ô), substantivo, e cor (ó), elemento da locução de cor; colher (ê), verbo,&lt;br /&gt;e colher (é), substantivo. Excetua-se a forma verbal pôr, para a distinguir da preposição por.&lt;br /&gt;Base IX&lt;br /&gt;Da acentuação gráfica das palavras paroxítonas&lt;br /&gt;1o) As palavras paroxítonas não são em geral acentuadas graficamente: enjoo, grave, homem, mesa,&lt;br /&gt;Tejo, vejo, velho, voo; avanço, floresta; abençoo, angolano, brasileiro; descobrimento, graficamente,&lt;br /&gt;moçambicano.&lt;br /&gt;2o) Recebem, no entanto, acento agudo:&lt;br /&gt;a) As palavras paroxítonas que apresentam, na sílaba tónica/tônica, as vogais abertas grafadas a, e, o&lt;br /&gt;e ainda i ou u e que terminam em -l, -n, -r, -x e -ps, assim como, salvo raras exceções, as respectivas&lt;br /&gt;formas do plural, algumas das quais passam a proparoxítonas: amável (pl. amáveis), Aníbal,&lt;br /&gt;dócil (pl. dóceis), dúctil (pl. dúcteis), fóssil (pl. fósseis), réptil (pl. répteis; var. reptil, pl. reptis); cármen&lt;br /&gt;(pl. cármenes ou carmens; var. carme, pl. carmes); dólmen (pl. dólmenes ou dolmens), éden&lt;br /&gt;(pl. édenes ou edens), líquen (pl. líquenes), lúmen (pl. lúmenes ou lumens); açúcar (pl. açúcares),&lt;br /&gt;almíscar (pl. almíscares), cadáver (pl. cadáveres), caráter ou carácter (mas pl. carateres ou caracteres),&lt;br /&gt;ímpar (pl. ímpares); Ájax, córtex (pl. córtex; var. córtice, pl. córtices), índex (pl. index; var.&lt;br /&gt;índice, pl. índices), tórax (pl. tórax ou tóraxes; var. torace, pl. toraces); bíceps (pl. bíceps; var. bicípite,&lt;br /&gt;pl. bicípites), fórceps (pl. fórceps; var. fórcipe, pl. fórcipes).&lt;br /&gt;Obs.: Muito poucas palavras deste tipo, com as vogais tónicas/tônicas grafadas e e o em fim&lt;br /&gt;de sílaba, seguidas das consoantes nasais grafadas m e n, apresentam oscilação de timbre&lt;br /&gt;nas pronúncias cultas da língua e, por conseguinte, também de acento gráfico (agudo ou&lt;br /&gt;circunflexo): sémen e sêmen, xénon e xênon; fémur e fêmur, vómer e vômer; Fénix e Fênix,&lt;br /&gt;ónix e ônix.&lt;br /&gt;b) As palavras paroxítonas que apresentam, na sílaba tónica/tônica, as vogais abertas grafadas&lt;br /&gt;a, e, o e ainda i ou u e que terminam em -ã(s), -ão(s), -ei(s), -i(s), -um, -uns ou -us: órfã (pl.&lt;br /&gt;órfãs), acórdão (pl. acórdãos), órfão (pl. órfãos), órgão (pl. órgãos), sótão (pl. sótãos); hóquei,&lt;br /&gt;Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa&lt;br /&gt;23&lt;br /&gt;jóquei (pl. jóqueis), amáveis (pl. de amável), fáceis (pl. de fácil), fósseis (pl. de fóssil), amáreis&lt;br /&gt;(de amar), amáveis (id.), cantaríeis (de cantar), fizéreis (de fazer), fizésseis (id.); beribéri (pl.&lt;br /&gt;beribéris), bílis (sg. e pl.), íris (sg. e pl.), júri (pl. júris), oásis (sg. e pl.); álbum (pl. álbuns), fórum&lt;br /&gt;(pl. fóruns); húmus (sg. e pl.), vírus (sg. e pl.).&lt;br /&gt;Obs.: Muito poucas paroxítonas deste tipo, com as vogais tónicas/tônicas grafadas e e o em&lt;br /&gt;fim de sílaba, seguidas das consoantes nasais grafadas m e n, apresentam oscilação de timbre&lt;br /&gt;nas pronúncias cultas da língua, o qual é assinalado com acento agudo, se aberto, ou circunflexo,&lt;br /&gt;se fechado: pónei e pônei; gónis e gônis, pénis e pênis, ténis e tênis; bónus e bônus, ónus e&lt;br /&gt;ônus, tónus e tônus, Vénus e Vênus.&lt;br /&gt;3o) Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tónica/tônica das&lt;br /&gt;palavras paroxítonas, dado que existe oscilação em muitos casos entre o fechamento e a abertura&lt;br /&gt;na sua articulação: assembleia, boleia, ideia, tal como aldeia, baleia, cadeia, cheia, meia; coreico,&lt;br /&gt;epopeico, onomatopeico, proteico; alcaloide, apoio (do verbo apoiar), tal como apoio (subst.), Azoia,&lt;br /&gt;boia, boina, comboio (subst.), tal como comboio, comboias, etc. (do verbo comboiar), dezoito, estroina,&lt;br /&gt;heroico, introito, jiboia, moina, paranoico, zoina.&lt;br /&gt;4o) É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pretérito perfeito&lt;br /&gt;do indicativo, do&lt;br /&gt;tipo amámos, louvámos, para as distinguir das correspondentes formas do presente do indicativo&lt;br /&gt;(amamos, louvamos), já que o timbre da vogal tónica/tônica é aberto naquele caso em certas&lt;br /&gt;variantes do português.&lt;br /&gt;5o) Recebem acento circunflexo:&lt;br /&gt;a) As palavras paroxítonas que contêm, na sílaba tónica/tônica, as vogais fechadas&lt;br /&gt;com a grafia&lt;br /&gt;a, e, o e que terminam em -l, -n, -r, ou -x, assim como as respetivas formas do plural, algumas&lt;br /&gt;das quais se tornam proparoxítonas: cônsul (pl. cônsules), pênsil (pl. pênseis), têxtil (pl. têxteis);&lt;br /&gt;cânon, var. cânone (pl. cânones), plâncton (pl. plânctons); Almodôvar, aljôfar (pl. aljôfares),&lt;br /&gt;âmbar (pl. âmbares), Câncer, Tânger; bômbax (sg. e pl.), bômbix, var. bômbice (pl. bômbices).&lt;br /&gt;b) As palavras paroxítonas que contêm, na sílaba tónica/tônica, as vogais fechadas&lt;br /&gt;com a grafia&lt;br /&gt;a, e, o e que terminam em -ão(s), -eis, -i(s) ou -us: bênção(s), côvão(s), Estêvão, zângão(s);&lt;br /&gt;devêreis (de dever), escrevêsseis (de escrever), fôreis (de ser e ir), fôsseis (id.), pênseis (pl. de&lt;br /&gt;pênsil), têxteis (pl. de têxtil); dândi(s), Mênfis; ânus.&lt;br /&gt;c) As formas verbais têm e vêm, 3as pessoas do plural do presente do indicativo de ter e vir, que&lt;br /&gt;são foneticamente paroxítonas (respetivamente /tãjãj/, /vãjãj/ ou /tẽẽj/, /vẽẽj/ ou ainda /tẽjẽj/,&lt;br /&gt;/vẽjẽj/; cf. as antigas grafias preteridas, tẽem, vẽem), a fim de se distinguirem de tem e vem,&lt;br /&gt;3as pessoas do singular do presente do indicativo ou 2as pessoas do singular do imperativo; e&lt;br /&gt;também as correspondentes formas compostas, tais como: abstêm (cf. abstém), advêm (cf. advém),&lt;br /&gt;contêm (cf. contém), convêm (cf. convém), desconvêm (cf. desconvém), detêm (cf. detém),&lt;br /&gt;entretêm (cf. entretém), intervêm (cf. intervém), mantêm (cf. mantém), obtêm (cf. obtém), provêm&lt;br /&gt;(cf. provém), sobrevêm (cf. sobrevém).&lt;br /&gt;Obs.: Também neste caso são preteridas as antigas grafias detẽem, intervẽem, mantẽem,&lt;br /&gt;provẽem, etc.&lt;br /&gt;6o) Assinalam-se com acento circunflexo:&lt;br /&gt;a) Obrigatoriamente, pôde (3a pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo), que se&lt;br /&gt;distingue da correspondente forma do presente do indicativo (pode).&lt;br /&gt;b) Facultativamente, dêmos (1a pessoa do plural do presente do conjuntivo), para se distinguir&lt;br /&gt;da correspondente forma do pretérito perfeito do indicativo (demos);&lt;br /&gt;fôrma (substantivo),&lt;br /&gt;distinta de forma (substantivo; 3a pessoa do singular do presente do indicativo ou 2a pessoa&lt;br /&gt;do singular do imperativo do verbo formar).&lt;br /&gt;texto oficial&lt;br /&gt;24&lt;br /&gt;7o) Prescinde-se de acento circunflexo nas formas verbais paroxítonas que contêm um e tónico/&lt;br /&gt;tônico oral fechado em hiato com a terminação -em da 3a pessoa do plural do presente do indicativo&lt;br /&gt;ou do conjuntivo, conforme os casos: creem, deem (conj.), descreem, desdeem (conj.), leem,&lt;br /&gt;preveem, redeem (conj.), releem, reveem, tresleem, veem.&lt;br /&gt;8o) Prescinde-se igualmente do acento circunflexo para assinalar a vogal tónica/tônica fechada com&lt;br /&gt;a grafia o em palavras paroxítonas como enjoo, substantivo e flexão de enjoar, povoo, flexão de&lt;br /&gt;povoar, voo, substantivo e flexão de voar, etc.&lt;br /&gt;9o) Prescinde-se, quer do acento agudo, quer do circunflexo, para distinguir palavras paroxítonas&lt;br /&gt;que, tendo respectivamente vogal tónica/tônica aberta ou fechada,&lt;br /&gt;são homógrafas de palavras&lt;br /&gt;proclíticas. Assim, deixam de se distinguir pelo acento gráfico: para(á), flexão de parar, e para,&lt;br /&gt;preposição; pela(s) (é), substantivo e flexão de pelar, e pela(s), combinação de per e la(s); pelo(é),&lt;br /&gt;flexão de pelar, pelo(s) (ê), substantivo ou combinação de per e lo(s); polo(s) (ó), substantivo, e&lt;br /&gt;polo(s), combinação antiga e popular de por e lo(s); etc.&lt;br /&gt;10o) Prescinde-se igualmente de acento gráfico para distinguir paroxítonas homógrafas heterofónicas/&lt;br /&gt;heterofônicas do tipo de acerto (ê), substantivo, e acerto (é), flexão de acertar; acordo (ô), substantivo,&lt;br /&gt;e acordo (ó), flexão de acordar; cerca (ê), substantivo, advérbio e elemento da locução prepositiva cerca&lt;br /&gt;de, e cerca (é), flexão de cercar; coro (ô), substantivo, e coro (ó), flexão de corar; deste (ê), contracção&lt;br /&gt;da preposição de com o demonstrativo este, e deste (é), flexão de dar; fora (ô), flexão de ser e ir, e fora&lt;br /&gt;(ó), advérbio, interjeição e substantivo; piloto (ô), substantivo, e piloto (ó), flexão de pilotar; etc.&lt;br /&gt;Base X&lt;br /&gt;Da acentuação das vogais tónicas/tônicas grafadas i e u&lt;br /&gt;das palavras oxítonas e paroxítonas&lt;br /&gt;1o) As vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas levam acento agudo&lt;br /&gt;quando antecedidas de uma vogal com que não formam ditongo e desde que não constituam&lt;br /&gt;sílaba com a eventual consoante seguinte, excetuando o caso de s: adaís (pl. de adail), aí, atraí&lt;br /&gt;(de atrair), baú, caís (de cair), Esaú, jacuí, Luís, país, etc.; alaúde, amiúde, Araújo, Ataíde, atraíam&lt;br /&gt;(de atrair), atraísse (id.), baía, balaústre, cafeína, ciúme, egoísmo, faísca, faúlha, graúdo, influíste&lt;br /&gt;(de influir), juízes, Luísa, miúdo, paraíso, raízes, recaída, ruína, saída, sanduíche, etc.&lt;br /&gt;2o) As vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas não levam acento agudo&lt;br /&gt;quando, antecedidas de vogal com que não formam ditongo, constituem sílaba com a consoante seguinte,&lt;br /&gt;como é o caso de nh, l, m, n, r e z: bainha, moinho, rainha; adail, paul, Raul; Aboim, Coimbra,&lt;br /&gt;ruim; ainda, constituinte, oriundo, ruins, triunfo; atrair, demiurgo, influir, influirmos; juiz, raiz; etc.&lt;br /&gt;3o) Em conformidade com as regras anteriores leva acento agudo a vogal tónica/tônica grafada i das&lt;br /&gt;formas oxítonas terminadas em r dos verbos em -air e -uir, quando estas se combinam com as&lt;br /&gt;formas pronominais clíticas -lo(s), -la(s), que levam à assimilação e perda daquele -r: atraí-lo(s)&lt;br /&gt;(de atrair-lo(s)); atraí-lo(s)-ia (de atrair-lo(s)-ia); possuí-la(s) (de possuir-la(s)); possuí-la(s)-ia&lt;br /&gt;(de possuir-la(s)-ia).&lt;br /&gt;4o) Prescinde-se do acento agudo nas vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras paroxítonas,&lt;br /&gt;quando elas estão precedidas de ditongo: baiuca, boiuno, cauila (var. cauira), cheiinho (de cheio),&lt;br /&gt;saiinha (de saia).&lt;br /&gt;5o) Levam, porém, acento agudo as vogais tónicas/tônicas grafadas i e u quando, precedidas de ditongo,&lt;br /&gt;pertencem a palavras oxítonas e estão em posição final ou seguidas de s: Piauí, teiú, teiús,&lt;br /&gt;tuiuiú, tuiuiús.&lt;br /&gt;Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa&lt;br /&gt;25&lt;br /&gt;Obs.: Se, neste caso, a consoante final for diferente de s, tais vogais dispensam o acento agudo:&lt;br /&gt;cauim.&lt;br /&gt;6o) Prescinde-se do acento agudo nos ditongos tónicos/tônicos grafados iu e ui, quando precedidos&lt;br /&gt;de vogal: distraiu, instruiu, pauis (pl. de paul).&lt;br /&gt;7o) Os verbos arguir e redarguir prescindem do acento agudo na vogal tónica/tônica grafada u nas formas&lt;br /&gt;rizotónicas/rizotônicas: arguo, arguis, argui, arguem; argua, arguas, argua, arguam. Os verbos&lt;br /&gt;do tipo de aguar, apaniguar, apaziguar, apropinquar, averiguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir&lt;br /&gt;e afins, por oferecerem dois paradigmas, ou têm as formas rizotónicas/rizotônicas igualmente&lt;br /&gt;acentuadas no u mas sem marca gráfica (a exemplo de averiguo, averiguas, averigua, averiguam;&lt;br /&gt;averigue, averigues, averigue, averiguem; enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxagues,&lt;br /&gt;enxague, enxaguem, etc.; delinquo, delinquis, delinqui, delinquem; mas delinquimos, delinquís)&lt;br /&gt;ou têm as formas rizotónicas/rizotônicas acentuadas fónica/fônica e graficamente nas vogais a ou i&lt;br /&gt;radicais (a exemplo de averíguo, averíguas, averígua, averíguam; averígue, averígues, averígue, averíguem;&lt;br /&gt;enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues, enxágue, enxáguem; delínquo,&lt;br /&gt;delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínqua, delínquam).&lt;br /&gt;Obs.: Em conexão com os casos acima referidos, registre-se que os verbos em -ingir (atingir, cingir,&lt;br /&gt;constringir, infringir, tingir, etc.) e os verbos em -inguir sem prolação do u (distinguir, extinguir,&lt;br /&gt;etc.) têm grafias absolutamente regulares (atinjo, atinja, atinge, atingimos, etc.; distingo, distinga,&lt;br /&gt;distingue, distinguimos,&lt;br /&gt;etc.).&lt;br /&gt;Base XI&lt;br /&gt;Da acentuação gráfica das palavras proparoxítonas&lt;br /&gt;1o) Levam acento agudo:&lt;br /&gt;a) As palavras proparoxítonas que apresentam na sílaba tónica/tônica as vogais abertas grafadas&lt;br /&gt;a, e, o e ainda i, u ou ditongo oral começado por vogal aberta: árabe, cáustico, Cleópatra,&lt;br /&gt;esquálido, exército, hidráulico, líquido, míope, músico, plástico, prosélito, público, rústico,&lt;br /&gt;tétrico, último.&lt;br /&gt;b) As chamadas proparoxítonas aparentes, isto é, que apresentam na sílaba tónica/tônica as&lt;br /&gt;vogais abertas grafadas a, e, o e ainda i, u ou ditongo oral começado por vogal aberta, e&lt;br /&gt;que terminam por sequências vocálicas pós-tónicas/pós-tônicas praticamente consideradas&lt;br /&gt;como ditongos crescentes (-ea, -eo, -ia, -ie, -io, -oa, -ua, -uo, etc.): álea, náusea; etéreo, níveo;&lt;br /&gt;enciclopédia, glória; barbárie, série; lírio, prélio; mágoa, nódoa; exígua, língua; exíguo, vácuo.&lt;br /&gt;2o) Levam acento circunflexo:&lt;br /&gt;a) As palavras proparoxítonas que apresentam na sílaba tónica/tônica vogal fechada ou ditongo&lt;br /&gt;com a vogal básica fechada: anacreôntico, brêtema, cânfora, cômputo, devêramos (de dever),&lt;br /&gt;dinâmico, êmbolo, excêntrico, fôssemos (de ser e ir), Grândola, hermenêutica, lâmpada, lôstrego,&lt;br /&gt;lôbrego, nêspera, plêiade, sôfrego, sonâmbulo, trôpego.&lt;br /&gt;b) As chamadas proparoxítonas aparentes, isto é, que apresentam vogais fechadas na sílaba tónica/&lt;br /&gt;tônica e terminam por sequências vocálicas pós-tónicas/pós-tônicas praticamente consideradas&lt;br /&gt;como ditongos crescentes: amêndoa, argênteo, côdea, Islândia, Mântua, serôdio.&lt;br /&gt;3o) Levam acento agudo ou acento circunflexo as palavras proparoxítonas, reais ou aparentes, cujas&lt;br /&gt;vogais tónicas/tônicas grafadas e ou o estão em final de sílaba e são seguidas das consoantes&lt;br /&gt;nasais grafadas m ou n, conforme o seu timbre é, respetivamente, aberto ou fechado nas pronúncias&lt;br /&gt;cultas da língua: académico/acadêmico, anatómico/anatômico, cénico/cênico, cómodo/&lt;br /&gt;texto oficial&lt;br /&gt;26&lt;br /&gt;cômodo, fenómeno/fenômeno, género/gênero, topónimo/topônimo; Amazónia/Amazônia, António/&lt;br /&gt;Antônio, blasfémia/blasfêmia, fémea/fêmea, gémeo/gêmeo, génio/gênio, ténue/tênue.&lt;br /&gt;Base XII&lt;br /&gt;Do emprego do acento grave&lt;br /&gt;Emprega-se o acento grave:&lt;br /&gt;a) Na contração da preposição a com as formas femininas do artigo ou pronome demonstrativo&lt;br /&gt;o: à (de a+a), às (de a+as).&lt;br /&gt;b) Na contração da preposição a com os demonstrativos aquele, aquela, aqueles, aquelas e aquilo&lt;br /&gt;ou ainda da mesma preposição com os compostos aqueloutro e suas flexões: àquele(s),&lt;br /&gt;àquela(s), àquilo; àqueloutro(s), àqueloutra(s).&lt;br /&gt;Base XIII&lt;br /&gt;Da supressão dos acentos em palavras derivadas&lt;br /&gt;1o) Nos advérbios em -mente, derivados de adjetivos com acento agudo ou circunflexo, estes são&lt;br /&gt;suprimidos: avidamente (de ávido), debilmente (de débil), facilmente (de fácil), habilmente (de&lt;br /&gt;hábil), ingenuamente (de ingénuo/ingênuo), lucidamente (de lúcido), mamente (de má), somente&lt;br /&gt;(de só), unicamente (de único), etc.; candidamente (de cândido), cortesmente (de cortês), dinamicamente&lt;br /&gt;(de dinâmico), espontaneamente (de espontâneo), portuguesmente (de português), romanticamente&lt;br /&gt;(de romântico).&lt;br /&gt;2o) Nas palavras derivadas que contêm sufixos iniciados por z e cujas formas de base apresentam vogal&lt;br /&gt;tónica/tônica com acento agudo ou circunflexo, estes são suprimidos: aneizinhos (de anéis),&lt;br /&gt;avozinha (de avó), bebezito (de bebé/bebê), cafezada (de café), chepeuzinho (de chapéu), chazeiro&lt;br /&gt;(de chá), heroizito (de herói), ilheuzito (de ilhéu), mazinha (de má), orfãozinho (de órfão), vintenzito&lt;br /&gt;(de vintém), etc.; avozinho (de avô), bençãozinha (de bênção), lampadazita (de lâmpada),&lt;br /&gt;pessegozito (de pêssego).&lt;br /&gt;Base XIV&lt;br /&gt;Do trema&lt;br /&gt;O trema, sinal de diérese, é inteiramente suprimido em palavras portuguesas ou aportuguesadas.&lt;br /&gt;Nem sequer se emprega na poesia, mesmo que haja separação de duas vogais que normalmente&lt;br /&gt;formam ditongo: saudade, e não saüdade, ainda que tetrassílabo; saudar, e não saüdar, ainda que&lt;br /&gt;trissílabo; etc.&lt;br /&gt;Em virtude desta supressão, abstrai-se de sinal especial, quer para distinguir, em sílaba átona,&lt;br /&gt;um i ou um u de uma vogal da sílaba anterior, quer para distinguir, também em sílaba átona, um i&lt;br /&gt;ou um u de um ditongo precedente, quer para distinguir, em sílaba tónica/tônica ou átona, o u de&lt;br /&gt;gu ou de qu de um e ou i seguintes: arruinar, constituiria, depoimento, esmiuçar, faiscar, faulhar,&lt;br /&gt;oleicultura, paraibano, reunião; abaiucado, auiqui, caiuá, cauixi, piauiense; aguentar, anguiforme,&lt;br /&gt;arguir, bilíngue (ou bilingue), lingueta, linguista, linguístico; cinquenta, equestre, frequentar, tranquilo,&lt;br /&gt;ubiquidade.&lt;br /&gt;Obs.: Conserva-se, no entanto, o trema, de acordo com a Base I, 3o, em palavras derivadas de nomes&lt;br /&gt;próprios estrangeiros: hübneriano, de Hübner, mülleriano, de Müller, etc.&lt;br /&gt;Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa&lt;br /&gt;27&lt;br /&gt;Base XV&lt;br /&gt;Do hífen em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares&lt;br /&gt;1o) Emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação&lt;br /&gt;e cujos elementos, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade&lt;br /&gt;sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento&lt;br /&gt;estar reduzido: ano-luz, arcebispo-bispo, arco-íris, decreto-lei, és-sueste, médico-cirurgião,&lt;br /&gt;rainha-cláudia, tenente-coronel, tio-avô, turma-piloto; alcaide-mor, amor-perfeito, guarda-noturno,&lt;br /&gt;mato-grossense, norte-americano, porto-alegrense, sul-africano; afro-asiático, afro-luso-brasileiro,&lt;br /&gt;azul-escuro, luso-brasileiro, primeiro-ministro, primeiro-sargento, primo-infecção, segunda-&lt;br /&gt;-feira; conta-gotas, finca-pé, guarda-chuva.&lt;br /&gt;Obs.: Certos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição,&lt;br /&gt;grafam-se aglutinadamente: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas,&lt;br /&gt;paraquedista, etc.&lt;br /&gt;2o) Emprega-se o hífen nos topónimos/topônimos compostos, iniciados pelos adjetivos grã, grão ou&lt;br /&gt;por forma verbal ou cujos elementos estejam ligados por artigo: Grã-Bretanha, Grão-Pará; Abre-&lt;br /&gt;-Campo; Passa-Quatro, Quebra-Costas, Quebra-Dentes, Traga-Mouros, Trinca-Fortes; Albergaria-&lt;br /&gt;a-Velha, Baía de Todos-os-Santos, Entre-os-Rios, Montemor-o-Novo, Trás-os-Montes.&lt;br /&gt;Obs.: Os outros topónimos/topônimos compostos escrevem-se com os elementos separados,&lt;br /&gt;sem hífen: América do Sul, Belo Horizonte, Cabo Verde, Castelo Branco, Freixo de Espada à Cinta,&lt;br /&gt;etc. O topónimo/topônimo Guiné-Bissau é, contudo, uma exceção consagrada pelo uso.&lt;br /&gt;3o) Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam&lt;br /&gt;ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento: abóbora-menina, couve-flor, erva-&lt;br /&gt;doce, feijão-verde; bênção-de-deus, erva-do-chá, ervilha-de-cheiro, fava-de-santo-inácio, bem-&lt;br /&gt;-me-quer (nome de planta que também se dá à margarida e ao malmequer); andorinha-grande,&lt;br /&gt;cobra-capelo, formiga-branca; andorinha-do-mar, cobra-d’água, lesma-de-conchinha; bem-te-vi&lt;br /&gt;(nome de um pássaro).&lt;br /&gt;4o) Emprega-se o hífen nos compostos com os advérbios bem e mal, quando estes formam com o&lt;br /&gt;elemento que se lhes segue uma unidade sintagmática e semântica e tal elemento começa por&lt;br /&gt;vogal ou h. No entanto, o advérbio bem, ao contrário de mal, pode não se aglutinar com palavras&lt;br /&gt;começadas por consoante. Eis alguns exemplos das várias situações: bem-aventurado, bem-estar,&lt;br /&gt;bem-humorado; mal-afortunado, mal-estar, mal-humorado; bem-criado (cf. malcriado), bem-ditoso&lt;br /&gt;(cf. malditoso), bem-falante (cf. malfalante), bem-mandado (cf. malmandado), bem-nascido&lt;br /&gt;(cf. malnascido), bem-soante (cf. malsoante), bem-visto (cf. malvisto).&lt;br /&gt;Obs.: Em muitos compostos, o advérbio bem aparece aglutinado com o segundo elemento, quer&lt;br /&gt;este tenha ou não vida à parte: benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença, etc.&lt;br /&gt;5o) Emprega-se o hífen nos compostos com os elementos além, aquém, recém e sem: além-Atlántico/&lt;br /&gt;além-Atlântico, além-mar, além-fronteiras; aquém-mar, aquém-Pirenéus/aquém-Pireneus;&lt;br /&gt;recém-casado, recém-nascido; sem-cerimónia/sem-cerimônia, sem-número, sem-vergonha.&lt;br /&gt;6o) Nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais,&lt;br /&gt;adverbiais, prepositivas&lt;br /&gt;ou conjuncionais, não se emprega em geral o hífen, salvo algumas exceções já consagradas&lt;br /&gt;pelo uso (como é o caso de água-de-colónia/água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa,&lt;br /&gt;mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa). Sirvam, pois, de exemplo de emprego&lt;br /&gt;sem hífen as seguintes locuções:&lt;br /&gt;a) Substantivas: cão de guarda, fim de semana, sala de jantar;&lt;br /&gt;texto oficial&lt;br /&gt;28&lt;br /&gt;b) Adjetivas: cor de açafrão, cor de café com leite, cor de vinho;&lt;br /&gt;c) Pronominais: cada um, ele próprio, nós mesmos, quem quer que seja;&lt;br /&gt;d) Adverbiais: à parte (note-se o substantivo aparte), à vontade, de mais (locução que se contrapõe&lt;br /&gt;a de menos; note-se demais, advérbio, conjunção, etc.), depois de amanhã, em cima, por isso;&lt;br /&gt;e) Prepositivas: abaixo de, acerca de, acima de, a fim de, a par de, à parte de, apesar de, aquando&lt;br /&gt;de, debaixo de, enquanto a, por baixo de, por cima de, quanto a;&lt;br /&gt;f) Conjuncionais: afim de que, ao passo que, contanto que, logo que, por conseguinte, visto que.&lt;br /&gt;7o) Emprega-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando,&lt;br /&gt;não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares (tipo: a divisa Liberdade-&lt;br /&gt;-Igualdade-Fraternidade, a ponte Rio-Niterói, o percurso Lisboa-Coimbra-Porto, a ligação Angola-&lt;br /&gt;Moçambique), e bem assim nas combinações históricas ou ocasionais de topónimos/topônimos&lt;br /&gt;(tipo: Áustria-&lt;br /&gt;Hungria, Alsácia-Lorena, Angola-Brasil, Tóquio-Rio de Janeiro, etc.).&lt;br /&gt;Base XVI&lt;br /&gt;Do hífen nas formações por prefixação,&lt;br /&gt;recomposição e sufixação&lt;br /&gt;1o) Nas formações com prefixos (como, por exemplo: ante-, anti-, circum-, co-, contra-, entre-,&lt;br /&gt;extra-, hiper-, infra-, intra-, pós-, pré-, pró-, sobre-, sub-, super-, supra-, ultra-, etc.) e em formações&lt;br /&gt;por recomposição, isto é, com elementos não autónomos/ autônomos ou falsos prefixos,&lt;br /&gt;de origem grega e latina (tais como: aero-, agro-, arqui-, auto-, bio-, eletro-, geo-, hidro-, inter-,&lt;br /&gt;macro-, maxi-, micro-, mini-, multi-, neo-, pan-, pluri-, proto-, pseudo-, retro-, semi-, tele-, etc.),&lt;br /&gt;só se emprega o hífen nos seguintes casos:&lt;br /&gt;a) Nas formações em que o segundo elemento começa por h: anti-higiénico/anti-higiênico, circum-&lt;br /&gt;hospitalar, co-herdeiro, contra-harmónico/contra-harmônico, extra-humano, pré-história,&lt;br /&gt;sub-hepático, super-homem, ultra-hiperbólico, arqui-hipérbole, eletro-higrómetro/eletro-higrômetro,&lt;br /&gt;geo-história, neo-helénico/neo-helênico, pan-helenismo, semi-hospitalar.&lt;br /&gt;Obs.: Não se usa, no entanto, o hífen em formações que contêm em geral os prefixos des- e in- e nas&lt;br /&gt;quais o segundo elemento perdeu o h inicial: desumano, desumidificar, inábil, inumano, etc.&lt;br /&gt;b) Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal com que se inicia&lt;br /&gt;o segundo elemento: anti-ibérico, contra-almirante, infra-axilar, supra-auricular, arqui-&lt;br /&gt;-irmandade, auto-observação, eletro-ótica, micro-onda, semi-interno.&lt;br /&gt;Obs.: Nas formações com o prefixo co-, este aglutina-se em geral com o segundo elemento&lt;br /&gt;mesmo quando iniciado por o: coobrigação, coocupante, coordenar, cooperação, cooperar, etc.&lt;br /&gt;c) Nas formações com os prefixos circum- e pan-, quando o segundo elemento começa por vogal,&lt;br /&gt;m ou n (além de h, caso já considerado atrás na alínea a): circum-escolar, circum-murado,&lt;br /&gt;circum-navegação; pan-africano, pan-mágico, pan-negritude.&lt;br /&gt;d) Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e super-, quando combinados com elementos&lt;br /&gt;iniciados por r: hiper-requintado, inter-resistente, super-revista.&lt;br /&gt;e) Nas formações com os prefixos ex- (com o sentido de estado anterior ou cessamento), sota-,&lt;br /&gt;soto-, vice- e vizo-: ex-almirante, ex-diretor, ex-hospedeira, ex-presidente, ex-primeiro-ministro,&lt;br /&gt;ex-rei, sota-piloto, soto-mestre, vice-presidente, vice-reitor, vizo-rei.&lt;br /&gt;f) Nas formações com os prefixos tónicos/tônicos acentuados graficamente pós-, pré- e pró-,&lt;br /&gt;quando o segundo elemento tem vida à parte (ao contrário do que acontece com as corres-&lt;br /&gt;Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa&lt;br /&gt;29&lt;br /&gt;pondentes formas átonas que se aglutinam com o elemento seguinte): pós-graduação, pós-&lt;br /&gt;-tónico/pós-tônico (mas pospor); pré-escolar, pré-natal (mas prever); pró-africano, pró-europeu&lt;br /&gt;(mas promover).&lt;br /&gt;2o) Não se emprega, pois, o hífen:&lt;br /&gt;a) Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento&lt;br /&gt;começa por r ou s, devendo estas consoantes duplicar-se, prática aliás já generalizada em&lt;br /&gt;palavras deste tipo pertencentes aos domínios científico e técnico. Assim: antirreligioso,&lt;br /&gt;antissemita, contrarregra, contrassenha, cosseno, extrarregular, infrassom, minissaia, tal como&lt;br /&gt;biorritmo, biossatélite, eletrossiderurgia, microssistema, microrradiografia.&lt;br /&gt;b) Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento&lt;br /&gt;começa por vogal diferente, prática esta em geral já adotada também para os termos técnicos&lt;br /&gt;e científicos. Assim: antiaéreo, coeducação, extraescolar, aeroespacial, autoestrada,&lt;br /&gt;autoaprendizagem, agroindustrial, hidroelétrico, plurianual.&lt;br /&gt;3o) Nas formações por sufixação apenas se emprega o hífen nos vocábulos terminados por sufixos de&lt;br /&gt;origem tupi-guarani que representam formas adjetivas, como açu, guaçu e mirim, quando o primeiro&lt;br /&gt;elemento acaba em vogal acentuada graficamente ou quando a pronúncia exige a distinção&lt;br /&gt;gráfica dos dois elementos: amoré-guaçu, anajá-mirim, andá-açu, capim-açu, Ceará-Mirim.&lt;br /&gt;Base XVII&lt;br /&gt;Do hífen na ênclise, na tmese e com o verbo haver&lt;br /&gt;1o) Emprega-se o hífen na ênclise e na tmese: amá-lo, dá-se, deixa-o, partir-lhe; amá-lo-ei, enviar-&lt;br /&gt;-lhe-emos.&lt;br /&gt;2o) Não se emprega o hífen nas ligações da preposição de às formas monossilábicas do presente do&lt;br /&gt;indicativo do verbo haver: hei de, hás de, hão de, etc.&lt;br /&gt;Obs.: 1. Embora estejam consagradas pelo uso as formas verbais quer e requer, dos verbos querer&lt;br /&gt;e requerer, em vez de quere e requere, estas últimas formas conservam-se, no entanto, nos casos&lt;br /&gt;de ênclise: quere-o(s), requere-o(s). Nestes contextos, as formas (legítimas, aliás) qué-lo e requé-lo&lt;br /&gt;são pouco usadas.&lt;br /&gt;2. Usa-se também o hífen nas ligações de formas pronominais enclíticas ao advérbio eis (eis-me,&lt;br /&gt;ei-lo) e ainda nas combinações de formas pronominais do tipo no-lo, vo-las, quando em próclise&lt;br /&gt;(por ex.: esperamos que no-lo comprem).&lt;br /&gt;Base XVIII&lt;br /&gt;Do apóstrofo&lt;br /&gt;1o) São os seguintes os casos de emprego do apóstrofo:&lt;br /&gt;a) Faz-se uso do apóstrofo para cindir graficamente uma contração ou aglutinação vocabular,&lt;br /&gt;quando um elemento ou fração respetiva pertence propriamente a um conjunto vocabular&lt;br /&gt;distinto: d’Os Lusíadas, d’Os Sertões; n’Os Lusíadas, n’Os Sertões; pel’Os Lusíadas, pel’Os Sertões.&lt;br /&gt;Nada obsta, contudo, a que estas escritas sejam substituídas por empregos de preposições&lt;br /&gt;íntegras, se o exigir razão especial de clareza, expressividade ou ênfase: de Os Lusíadas,&lt;br /&gt;em Os Lusíadas, por Os Lusíadas, etc.&lt;br /&gt;texto oficial&lt;br /&gt;30&lt;br /&gt;As cisões indicadas são análogas às dissoluções gráficas que se fazem, embora sem emprego&lt;br /&gt;do apóstrofo, em combinações da preposição a com palavras pertencentes a conjuntos vocabulares&lt;br /&gt;imediatos: a A Relíquia, a Os Lusíadas (exemplos: importância atribuída a A Relíquia;&lt;br /&gt;recorro a Os Lusíadas). Em tais casos, como é óbvio, entende-se que a dissolução gráfica nunca&lt;br /&gt;impede na leitura a combinação fonética: a A = à, a Os = aos, etc.&lt;br /&gt;b) Pode cindir-se por meio do apóstrofo uma contração ou aglutinação vocabular, quando um&lt;br /&gt;elemento ou fração respetiva é forma pronominal e se lhe quer dar realce com o uso de maiúscula:&lt;br /&gt;d’Ele, n’Ele, d’Aquele, n’Aquele, d’O, n’O, pel’O, m’O, t’O, lh’O, casos em que a segunda parte,&lt;br /&gt;forma masculina, é aplicável a Deus, a Jesus, etc.; d’Ela, n’Ela, d’Aquela, n’Aquela, d’A, n’A,&lt;br /&gt;pel’A, tu’A, t’A, lh’A, casos em que a segunda parte, forma feminina, é aplicável à mãe de Jesus,&lt;br /&gt;à Providência, etc. Exemplos frásicos: confiamos n’O que nos salvou; esse milagre revelou-m’O;&lt;br /&gt;está n’Ela a nossa esperança; pugnemos pel’A que é nossa padroeira.&lt;br /&gt;À semelhança das cisões indicadas, pode dissolver-se graficamente, posto que sem uso do&lt;br /&gt;apóstrofo, uma combinação da preposição a com uma forma pronominal realçada pela maiúscula:&lt;br /&gt;a O, a Aquele, a Aquela (entendendo-se que a dissolução gráfica nunca impede na&lt;br /&gt;leitura a combinação fonética: a O = ao, a Aquela = àquela, etc.). Exemplos frásicos: a O que&lt;br /&gt;tudo pode; a Aquela que nos protege.&lt;br /&gt;c) Emprega-se o apóstrofo nas ligações das formas santo e santa a nomes do hagiológio, quando&lt;br /&gt;importa representar a elisão das vogais finais o e a: Sant’Ana, Sant’Iago, etc. É, pois, correto&lt;br /&gt;escrever: Calçada de Sant’Ana, Rua de Sant’Ana; culto de Sant’Iago, Ordem de Sant’Iago. Mas,&lt;br /&gt;se as ligações deste género/gênero, como é o caso destas mesmas Sant’Ana e Sant’Iago, se tornam&lt;br /&gt;perfeitas unidades mórficas, aglutinam-se os dois elementos: Fulano de Santana, ilhéu&lt;br /&gt;de Santana, Santana de Parnaíba; Fulano de Santiago, ilha de Santiago, Santiago do Cacém.&lt;br /&gt;Em paralelo com a grafia Sant’Ana e congéneres/congêneres, emprega-se também o apóstrofo&lt;br /&gt;nas ligações de duas formas antroponímicas, quando é necessário indicar que na primeira se&lt;br /&gt;elide um o final: Nun’Álvares, Pedr’Eanes.&lt;br /&gt;Note-se que nos casos referidos as escritas com apóstrofo, indicativas de elisão, não impedem,&lt;br /&gt;de modo algum, as escritas sem apóstrofo: Santa Ana, Nuno Álvares,&lt;br /&gt;Pedro Álvares, etc.&lt;br /&gt;d) Emprega-se o apóstrofo para assinalar, no interior de certos compostos, a elisão do e da preposição&lt;br /&gt;de, em combinação com substantivos: borda-d’água, cobra-&lt;br /&gt;d’água, copo-d’água, estrela-&lt;br /&gt;d’alva, galinha-d’água, mãe-d’água, pau-d’água, pau-d’alho, pau-d’arco, pau-d’óleo.&lt;br /&gt;2o) São os seguintes os casos em que não se usa o apóstrofo:&lt;br /&gt;Não é admissível o uso do apóstrofo nas combinações das preposições de e em com as formas do&lt;br /&gt;artigo definido, com formas pronominais diversas e com formas adverbiais (excetuado o que se&lt;br /&gt;estabelece nas alíneas 1o) a) e 1o) b)). Tais combinações são representadas:&lt;br /&gt;a) Por uma só forma vocabular, se constituem, de modo fixo, uniões perfeitas:&lt;br /&gt;i) do, da, dos, das; dele, dela, deles, delas; deste, desta, destes, destas, disto; desse, dessa,&lt;br /&gt;desses, dessas, disso; daquele, daquela, daqueles, daquelas, daquilo; destoutro, destoutra,&lt;br /&gt;destoutros, destoutras; dessoutro, dessoutra, dessoutros, dessoutras; daqueloutro,&lt;br /&gt;daqueloutra, daqueloutros, daqueloutras; daqui; daí; dali; dacolá; donde; dantes (= antigamente);&lt;br /&gt;ii) no, na, nos, nas; nele, nela, neles, nelas; neste, nesta, nestes, nestas, nisto; nesse, nessa,&lt;br /&gt;nesses, nessas, nisso; naquele, naquela, naqueles, naquelas, naquilo;&lt;br /&gt;nestoutro, nestoutra,&lt;br /&gt;nestoutros, nestoutras; nessoutro, nessoutra, nessoutros, nessoutras; naqueloutro,&lt;br /&gt;naqueloutra, naqueloutros, naqueloutras; num, numa, nuns, numas; noutro, noutra,&lt;br /&gt;noutros, noutras, noutrem; nalgum, nalguma, nalguns,&lt;br /&gt;nalgumas, nalguém.&lt;br /&gt;Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa&lt;br /&gt;31&lt;br /&gt;b) Por uma ou duas formas vocabulares, se não constituem, de modo fixo, uniões perfeitas&lt;br /&gt;(apesar de serem correntes com esta feição em algumas pronúncias): de um, de uma, de&lt;br /&gt;uns, de umas, ou dum, duma, duns, dumas; de algum, de alguma, de alguns, de algumas, de&lt;br /&gt;alguém, de algo, de algures, de alhures, ou dalgum, dalguma, dalguns, dalgumas, dalguém,&lt;br /&gt;dalgo, dalgures, dalhures; de outro, de outra, de outros, de outras, de outrem, de outrora,&lt;br /&gt;ou doutro, doutra, doutros, doutras, doutrem, doutrora; de aquém ou daquém; de além ou&lt;br /&gt;dalém; de entre ou dentre.&lt;br /&gt;De acordo com os exemplos deste último tipo, tanto se admite o uso da locução adverbial de&lt;br /&gt;ora avante como do advérbio que representa a contração dos seus três elementos: doravante.&lt;br /&gt;Obs.: Quando a preposição de se combina com as formas articulares ou pronominais o, a, os,&lt;br /&gt;as, ou com quaisquer pronomes ou advérbios começados por vogal, mas acontece estarem&lt;br /&gt;essas palavras integradas em construções de infinitivo, não se emprega o apóstrofo, nem se&lt;br /&gt;funde a preposição com a forma imediata, escrevendo-se estas duas separadamente: a fim de&lt;br /&gt;ele compreender; apesar de o não ter visto; em virtude de os nossos pais serem bondosos; o facto/&lt;br /&gt;fato de o conhecer;&lt;br /&gt;por causa de aqui estares.&lt;br /&gt;Base XIX&lt;br /&gt;Das minúsculas e maiúsculas&lt;br /&gt;1o) A letra minúscula inicial é usada:&lt;br /&gt;a) Ordinariamente, em todos os vocábulos da língua nos usos correntes.&lt;br /&gt;b) Nos nomes dos dias, meses, estações do ano: segunda-feira; outubro; primavera.&lt;br /&gt;c) Nos bibliónimos/bibliônimos (após o primeiro elemento, que é com maiúscula, os demais&lt;br /&gt;vocábulos podem ser escritos com minúscula, salvo nos nomes próprios nele contidos, tudo&lt;br /&gt;em grifo): O Senhor do Paço de Ninães ou O senhor do paço de Ninães, Menino de Engenho ou&lt;br /&gt;Menino de engenho, Árvore e Tambor ou Árvore e tambor.&lt;br /&gt;d) Nos usos de fulano, sicrano, beltrano.&lt;br /&gt;e) Nos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas): norte, sul (mas: SW sudoeste).&lt;br /&gt;f) Nos axiónimos/axiônimos e hagiónimos/hagiônimos (opcionalmente, neste caso, também&lt;br /&gt;com maiúscula): senhor doutor Joaquim da Silva, bacharel Mário Abrantes, o cardeal Bembo;&lt;br /&gt;santa Filomena (ou Santa Filomena).&lt;br /&gt;g) Nos nomes que designam domínios do saber, cursos e disciplinas (opcionalmente, também&lt;br /&gt;com maiúscula): português (ou Português), matemática (ou Matemática); línguas e literaturas&lt;br /&gt;modernas (ou Línguas e Literaturas Modernas).&lt;br /&gt;2o) A letra maiúscula inicial é usada:&lt;br /&gt;a) Nos antropónimos/antropônimos, reais ou fictícios: Pedro Marques; Branca de Neve, D. Quixote.&lt;br /&gt;b) Nos topónimos/topônimos, reais ou fictícios: Lisboa, Luanda, Maputo, Rio de Janeiro; Atlântida,&lt;br /&gt;Hespéria.&lt;br /&gt;c) Nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos: Adamastor; Neptuno/ Netuno.&lt;br /&gt;d) Nos nomes que designam instituições: Instituto de Pensões e Aposentadorias da Previdência&lt;br /&gt;Social.&lt;br /&gt;e) Nos nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Ramadão, Todos os Santos.&lt;br /&gt;f) Nos títulos de periódicos, que retêm o itálico: O Primeiro de Janeiro, O Estado de São Paulo&lt;br /&gt;(ou S. Paulo).&lt;br /&gt;texto oficial&lt;br /&gt;32&lt;br /&gt;g) Nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolutamente: Nordeste, por nordeste&lt;br /&gt;do Brasil, Norte, por norte de Portugal, Meio-Dia, pelo sul da França ou de outros países,&lt;br /&gt;Ocidente, por ocidente europeu, Oriente, por oriente asiático.&lt;br /&gt;h) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente reguladas&lt;br /&gt;com maiúsculas,&lt;br /&gt;iniciais ou mediais ou finais ou o todo em maiúsculas: FAO, NATO, ONU; H2&lt;br /&gt;O;&lt;br /&gt;Sr., V. Exa.&lt;br /&gt;i) Opcionalmente, em palavras usadas reverencialmente, aulicamente ou hierarquicamente, em&lt;br /&gt;início de versos, em categorizações de logradouros públicos (rua ou Rua da Liberdade, largo&lt;br /&gt;ou Largo dos Leões), de templos (igreja ou Igreja do Bonfim, templo ou Templo do Apostolado&lt;br /&gt;Positivista), de edifícios (palácio ou Palácio da Cultura, edifício ou Edifício Azevedo Cunha).&lt;br /&gt;Obs.: As disposições sobre os usos das minúsculas e maiúsculas não obstam a que obras especializadas&lt;br /&gt;observem regras próprias, provindas de códigos ou normalizações específicas (terminologias&lt;br /&gt;antropológica, geológica, bibliológica, botânica, zoológica, etc.), promanadas de entidades&lt;br /&gt;científicas ou normalizadoras, reconhecidas internacionalmente.&lt;br /&gt;Base XX&lt;br /&gt;Da divisão silábica&lt;br /&gt;A divisão silábica, que em regra se faz pela soletração (a-ba-de, bru-ma, ca-cho,&lt;br /&gt;lha-no,&lt;br /&gt;ma-lha, ma-nha, má-xi-mo, ó-xi-do, ro-xo, tme-se), e na qual, por isso, se não tem de atender aos&lt;br /&gt;elementos constitutivos dos vocábulos segundo a etimologia (a-ba-li-e-nar, bi-sa-vô, de-sa-pa-re-cer,&lt;br /&gt;di-sú-ri-co, e-xâ-ni-me, hi-pe-&lt;br /&gt;ra-cús-ti-co, i-ná-bil, o-bo-val, su-bo-cu-lar, su-pe-rá-ci-do), obedece&lt;br /&gt;a vários preceitos particulares, que rigorosamente cumpre seguir, quando se tem de fazer em fim&lt;br /&gt;de linha, mediante o emprego do hífen, a partição de uma palavra:&lt;br /&gt;1o) São indivisíveis no interior de palavra, tal como inicialmente, e formam, portanto,&lt;br /&gt;sílaba para&lt;br /&gt;a frente as sucessões de duas consoantes que constituem perfeitos grupos, ou sejam (com exceção&lt;br /&gt;apenas de vários compostos cujos prefixos terminam em b, ou d: ab- legação, ad- ligar,&lt;br /&gt;sub- lunar, etc., em vez de a- blegação, a- dligar, su- blunar, etc.) aquelas sucessões em que a&lt;br /&gt;primeira consoante é uma labial, uma velar, uma dental ou uma labiodental e a segunda um l&lt;br /&gt;ou um r: a-&lt;br /&gt;blução, cele- brar, du- plicação, re- primir; a- clamar, de- creto, de- glutição, re- grado;&lt;br /&gt;a- tlético, cáte- dra, períme- tro; a- fluir, a- fricano, ne- vrose.&lt;br /&gt;2o) São divisíveis no interior da palavra as sucessões de duas consoantes que não constituem propriamente&lt;br /&gt;grupos e igualmente as sucessões de m ou n, com valor de nasalidade, e uma consoante:&lt;br /&gt;ab- dicar, Ed- gardo, op- tar, sub- por, ab- soluto,&lt;br /&gt;ad- jetivo, af- ta, bet- samita, íp- silon,&lt;br /&gt;ob- viar, des- cer, dis- ciplina, flores- cer, nas- cer, res- cisão; ac- ne, ad- mirável, Daf- ne, diafrag-&lt;br /&gt;ma, drac- ma,&lt;br /&gt;ét- nico, rit- mo, sub- meter, am- nésico, interam- nense; bir- reme, cor- roer,&lt;br /&gt;pror- rogar; as- segurar, bis- secular, sos- segar; bissex- to, contex- to, ex- citar; atroz- mente, capazmente,&lt;br /&gt;infeliz- mente; am- bição, desen- ganar, en- xame, man- chu, Mân- lio, etc.&lt;br /&gt;3o) As sucessões de mais de duas consoantes ou de m ou n, com o valor de nasalidade, e duas ou&lt;br /&gt;mais consoantes são divisíveis por um de dois meios: se nelas entra um dos grupos que são&lt;br /&gt;indivisíveis (de acordo com o preceito 1o), esse grupo forma sílaba para diante, ficando a consoante&lt;br /&gt;ou consoantes que o precedem ligadas à sílaba anterior; se nelas não entra nenhum desses&lt;br /&gt;grupos, a divisão dá-se sempre antes da última consoante. Exemplos dos dois casos: cam-&lt;br /&gt;braia,&lt;br /&gt;ec- tlipse, em- blema, ex- plicar, in- cluir, ins- crição, subs- crever, trans-gredir;&lt;br /&gt;abs- tenção,&lt;br /&gt;disp- neia, inters- telar, lamb- dacismo, sols- ticial, Terp-&lt;br /&gt;sícore, tungs- ténio.&lt;br /&gt;Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa&lt;br /&gt;33&lt;br /&gt;4o) As vogais consecutivas que não pertencem a ditongos decrescentes (as que pertencem a&lt;br /&gt;ditongos deste tipo nunca se separam: ai- roso, cadei- ra, insti- tui, ora- ção, sacris- tães,&lt;br /&gt;traves- sões) podem, se a primeira delas não é u precedido de g ou q, e mesmo que sejam&lt;br /&gt;iguais, separar-se na escrita: ala- úde, áre- as, ca- apeba, co- ordenar, do- er, flu- idez,&lt;br /&gt;perdo- as, vo- os. O mesmo se aplica aos casos de contiguidade de ditongos, iguais ou&lt;br /&gt;diferentes, ou de ditongos e vogais: cai- ais, cai- eis, ensai- os, flu- iu.&lt;br /&gt;5o) Os digramas gu e qu, em que o u se não pronuncia, nunca se separam da vogal ou ditongo&lt;br /&gt;imediato (ne- gue, ne- guei; pe- que, pe- quei), do mesmo modo que as combinações gu e qu&lt;br /&gt;em que o u se pronuncia: á- gua, ambí- guo, averi- gueis; longín- quos, lo- quaz, quais- quer.&lt;br /&gt;6o) Na translineação de uma palavra composta ou de uma combinação de palavras em que há&lt;br /&gt;um hífen, ou mais, se a partição coincide com o final de um dos elementos ou membros,&lt;br /&gt;deve, por clareza gráfica, repetir-se o hífen no início da linha imediata: ex- -alferes, serená-&lt;br /&gt;-los-emos ou serená-los- -emos, vice- -almirante.&lt;br /&gt;Base XXI&lt;br /&gt;Das assinaturas e firmas&lt;br /&gt;Para ressalva de direitos, cada qual poderá manter a escrita que, por costume ou registro&lt;br /&gt;legal, adote na assinatura do seu nome.&lt;br /&gt;Com o mesmo fim, pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas comerciais, nomes&lt;br /&gt;de sociedades, marcas e títulos que estejam inscritos em registro público.&lt;br /&gt;texto oficial&lt;br /&gt;34&lt;br /&gt;Palavras paroxítonas (sem acento)&lt;br /&gt;Ditongos abertos tônicos ei&lt;br /&gt;alcateia&lt;br /&gt;aleia&lt;br /&gt;amoreia&lt;br /&gt;apneia&lt;br /&gt;assembleia&lt;br /&gt;ateia&lt;br /&gt;azaleia&lt;br /&gt;boleia&lt;br /&gt;Basileia&lt;br /&gt;Boraceia&lt;br /&gt;Brasileia&lt;br /&gt;Caldeia&lt;br /&gt;Cananeia&lt;br /&gt;catleia&lt;br /&gt;cefaleia&lt;br /&gt;centopeia&lt;br /&gt;colmeia&lt;br /&gt;Coreia do Norte&lt;br /&gt;Coreia do Sul&lt;br /&gt;coreico&lt;br /&gt;diarreia&lt;br /&gt;dismenorreia&lt;br /&gt;dispneia&lt;br /&gt;Dulcineia&lt;br /&gt;epopeia&lt;br /&gt;epopeico&lt;br /&gt;Eritreia&lt;br /&gt;estreia&lt;br /&gt;europeia&lt;br /&gt;farmacopeia&lt;br /&gt;geleia&lt;br /&gt;gonorreia&lt;br /&gt;ideia&lt;br /&gt;Jureia&lt;br /&gt;Medeia&lt;br /&gt;moreia&lt;br /&gt;morfeia&lt;br /&gt;ninfeia&lt;br /&gt;nucleico&lt;br /&gt;odisseia&lt;br /&gt;onomatopeia&lt;br /&gt;onomatopeico&lt;br /&gt;panaceia&lt;br /&gt;pangeia&lt;br /&gt;patuleia&lt;br /&gt;Pauliceia&lt;br /&gt;pigmeia&lt;br /&gt;piorreia&lt;br /&gt;plateia&lt;br /&gt;Pompeia&lt;br /&gt;prosopopeia&lt;br /&gt;Rubineia&lt;br /&gt;seborreia&lt;br /&gt;teodiceia&lt;br /&gt;teteia&lt;br /&gt;traqueia&lt;br /&gt;ureia&lt;br /&gt;verborreia&lt;br /&gt;Escreva certo pelo Acordo&lt;br /&gt;Ditongos abertos tônicos oi&lt;br /&gt;adenoide&lt;br /&gt;Águas de Lindoia&lt;br /&gt;alcaloide&lt;br /&gt;androide&lt;br /&gt;apoio (do verbo apoiar)&lt;br /&gt;asteroide&lt;br /&gt;benzoico&lt;br /&gt;boia&lt;br /&gt;boia-fria&lt;br /&gt;butanoico&lt;br /&gt;corticoide&lt;br /&gt;claraboia&lt;br /&gt;dicroico&lt;br /&gt;espermatozoide&lt;br /&gt;esquizoide&lt;br /&gt;esteroide&lt;br /&gt;estoico&lt;br /&gt;estroina&lt;br /&gt;etanoico&lt;br /&gt;flavonoide&lt;br /&gt;gastrozooide&lt;br /&gt;heroico&lt;br /&gt;humanoide&lt;br /&gt;introito&lt;br /&gt;jiboia&lt;br /&gt;joia&lt;br /&gt;lambisgoia&lt;br /&gt;metanoia&lt;br /&gt;mesozoico&lt;br /&gt;neozoico&lt;br /&gt;ninfoide&lt;br /&gt;ovoide&lt;br /&gt;paleozoico&lt;br /&gt;35&lt;br /&gt;paranoia&lt;br /&gt;paranoico&lt;br /&gt;paranoide&lt;br /&gt;perestroica&lt;br /&gt;pinoia&lt;br /&gt;piramboia&lt;br /&gt;plutoide&lt;br /&gt;poliploide&lt;br /&gt;porta-joias&lt;br /&gt;proteico&lt;br /&gt;queloide&lt;br /&gt;reumatoide&lt;br /&gt;sequoia&lt;br /&gt;tabloide&lt;br /&gt;tifoide&lt;br /&gt;tipoia&lt;br /&gt;tireoide&lt;br /&gt;tiroide&lt;br /&gt;tramoia&lt;br /&gt;trapezoide&lt;br /&gt;traqueoide&lt;br /&gt;traquitoide&lt;br /&gt;tremoia&lt;br /&gt;trioico&lt;br /&gt;tripoide&lt;br /&gt;trocoide&lt;br /&gt;trofozooide&lt;br /&gt;Troia&lt;br /&gt;urbanoide&lt;br /&gt;Vogais tônicas i e u precedidas de ditongo&lt;br /&gt;aiuba&lt;br /&gt;baeuna&lt;br /&gt;baiuca&lt;br /&gt;Bocaiuva&lt;br /&gt;boiuno&lt;br /&gt;cauila (variante de caiura)&lt;br /&gt;cheiinho (de cheio)&lt;br /&gt;cuiuba&lt;br /&gt;eoipo&lt;br /&gt;feiume&lt;br /&gt;feiura&lt;br /&gt;Daiuca&lt;br /&gt;gaiuta&lt;br /&gt;Groairas&lt;br /&gt;Guaiba&lt;br /&gt;Guaiuba&lt;br /&gt;Guaraiuva&lt;br /&gt;Ipuiuna&lt;br /&gt;maoismo&lt;br /&gt;muiuna&lt;br /&gt;reiuna&lt;br /&gt;saiinha (de saia)&lt;br /&gt;Sauipe&lt;br /&gt;suaile&lt;br /&gt;taoismo&lt;br /&gt;tuiuca&lt;br /&gt;tuiuva&lt;br /&gt;veiudo&lt;br /&gt;Hiato oo&lt;br /&gt;abençoo&lt;br /&gt;abotoo (do verbo abotoar)&lt;br /&gt;coo (do verbo coar)&lt;br /&gt;coroo (do verbo coroar)&lt;br /&gt;doo (do verbo doar)&lt;br /&gt;enjoo&lt;br /&gt;leiloo&lt;br /&gt;magoo (do verbo magoar)&lt;br /&gt;moo (do verbo moer)&lt;br /&gt;perdoo&lt;br /&gt;roo (do verbo roer)&lt;br /&gt;soo (do verbo soar)&lt;br /&gt;sobrevoo&lt;br /&gt;voo&lt;br /&gt;povoo (do verbo povoar)&lt;br /&gt;zoo&lt;br /&gt;36&lt;br /&gt;Exemplos de formas verbais com&lt;br /&gt;duas pronúncias diferentes e, portanto,&lt;br /&gt;com duas grafias diferentes&lt;br /&gt;Averiguar&lt;br /&gt;Antes Agora&lt;br /&gt;quando o u for tônico&lt;br /&gt;(sem acento gráfico)&lt;br /&gt;quando o a ou o i forem&lt;br /&gt;tônicos (com acento gráfico)&lt;br /&gt;Presente do indicativo&lt;br /&gt;averiguo&lt;br /&gt;averiguas&lt;br /&gt;averigua&lt;br /&gt;averiguam&lt;br /&gt;Presente do subjuntivo&lt;br /&gt;averigúe&lt;br /&gt;averigúes&lt;br /&gt;averigúe&lt;br /&gt;averigúem&lt;br /&gt;Presente do indicativo&lt;br /&gt;averiguo&lt;br /&gt;averiguas&lt;br /&gt;averigua&lt;br /&gt;averiguam&lt;br /&gt;Presente do subjuntivo&lt;br /&gt;averigue&lt;br /&gt;averigues&lt;br /&gt;averigue&lt;br /&gt;averiguem&lt;br /&gt;Presente do indicativo&lt;br /&gt;averíguo&lt;br /&gt;averíguas&lt;br /&gt;averígua&lt;br /&gt;averíguam&lt;br /&gt;Presente do subjuntivo&lt;br /&gt;averígue&lt;br /&gt;averígues&lt;br /&gt;averígue&lt;br /&gt;averíguem&lt;br /&gt;Enxaguar&lt;br /&gt;Antes Agora&lt;br /&gt;quando o u for tônico quando o a e o i&lt;br /&gt;forem tônicos&lt;br /&gt;Presente do indicativo&lt;br /&gt;enxáguo&lt;br /&gt;enxáguas&lt;br /&gt;enxágua&lt;br /&gt;enxáguam&lt;br /&gt;Presente do subjuntivo&lt;br /&gt;enxágüe&lt;br /&gt;enxágües&lt;br /&gt;enxágüe&lt;br /&gt;enxágüem&lt;br /&gt;Presente do indicativo&lt;br /&gt;enxaguo&lt;br /&gt;enxaguas&lt;br /&gt;enxagua&lt;br /&gt;enxaguam&lt;br /&gt;Presente do subjuntivo&lt;br /&gt;enxague&lt;br /&gt;enxagues&lt;br /&gt;enxague&lt;br /&gt;enxaguem&lt;br /&gt;Presente do indicativo&lt;br /&gt;enxáguo&lt;br /&gt;enxáguas&lt;br /&gt;enxágua&lt;br /&gt;enxáguam&lt;br /&gt;Presente do subjuntivo&lt;br /&gt;enxágue&lt;br /&gt;enxágues&lt;br /&gt;enxágue&lt;br /&gt;enxáguem&lt;br /&gt;37&lt;br /&gt;Delinquir&lt;br /&gt;Antes Agora&lt;br /&gt;quando o u for tônico quando o a e o i&lt;br /&gt;forem tônicos&lt;br /&gt;Presente do indicativo&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;delínqües&lt;br /&gt;delínqüe&lt;br /&gt;delinqüimos&lt;br /&gt;delinqüis&lt;br /&gt;delinqüem&lt;br /&gt;Presente do subjuntivo&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Presente do indicativo&lt;br /&gt;delinquo&lt;br /&gt;delinquis&lt;br /&gt;delinqui&lt;br /&gt;delinquimos&lt;br /&gt;delinquís&lt;br /&gt;delinquem&lt;br /&gt;Presente do subjuntivo&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Presente do indicativo&lt;br /&gt;delínquo&lt;br /&gt;delínques&lt;br /&gt;delínque&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;delínquem&lt;br /&gt;Presente do subjuntivo&lt;br /&gt;delínqua&lt;br /&gt;delínquas&lt;br /&gt;delínqua&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;delínquam&lt;br /&gt;Trema&lt;br /&gt;águem (do verbo aguar)&lt;br /&gt;aguentar&lt;br /&gt;alcaguetar&lt;br /&gt;alcaguete&lt;br /&gt;anhanguera&lt;br /&gt;aquífero&lt;br /&gt;arguição&lt;br /&gt;arguidor&lt;br /&gt;arguir&lt;br /&gt;banguê&lt;br /&gt;bilíngue&lt;br /&gt;Birigui&lt;br /&gt;cinquenta&lt;br /&gt;cinquentão&lt;br /&gt;cinquentenário&lt;br /&gt;consequência&lt;br /&gt;delinquência&lt;br /&gt;delinquente&lt;br /&gt;delinquir&lt;br /&gt;deságuem (do verbo desaguar)&lt;br /&gt;eloquência&lt;br /&gt;eloquente&lt;br /&gt;enxágue&lt;br /&gt;enxaguei&lt;br /&gt;equestre&lt;br /&gt;equidade&lt;br /&gt;equidistância&lt;br /&gt;equidistante&lt;br /&gt;equino&lt;br /&gt;exequível&lt;br /&gt;frequência&lt;br /&gt;frequentar&lt;br /&gt;grandiloquência&lt;br /&gt;grandiloquente&lt;br /&gt;inexequível&lt;br /&gt;iniquidade&lt;br /&gt;lingueta&lt;br /&gt;linguiça&lt;br /&gt;linguista&lt;br /&gt;linguística&lt;br /&gt;liquidação&lt;br /&gt;liquidificador&lt;br /&gt;líquido&lt;br /&gt;mingue (do verbo minguar)&lt;br /&gt;pinguim&lt;br /&gt;38&lt;br /&gt;quingentésimo&lt;br /&gt;quinquagenário&lt;br /&gt;quinquagésimo&lt;br /&gt;quinquenal&lt;br /&gt;quinquênio&lt;br /&gt;quiproquó&lt;br /&gt;sagueiro&lt;br /&gt;sagui&lt;br /&gt;saguiguaçu&lt;br /&gt;sanguinário&lt;br /&gt;sanguíneo&lt;br /&gt;sequela&lt;br /&gt;sequência&lt;br /&gt;sequenciador&lt;br /&gt;sequencial&lt;br /&gt;sequenciar&lt;br /&gt;sequestrador&lt;br /&gt;sequestrar&lt;br /&gt;sequestro&lt;br /&gt;seriguela&lt;br /&gt;sociolinguístico&lt;br /&gt;subsequente&lt;br /&gt;tranquilidade&lt;br /&gt;tranquilizar&lt;br /&gt;tranquilo&lt;br /&gt;triciquentenário&lt;br /&gt;trilíngue&lt;br /&gt;trilinguismo&lt;br /&gt;trilinguista&lt;br /&gt;trilinguístico&lt;br /&gt;ubiquidade&lt;br /&gt;unguento&lt;br /&gt;unguiculado&lt;br /&gt;Hífen&lt;br /&gt;Topônimos&lt;br /&gt;• Iniciados por grã e grão&lt;br /&gt;Grã-Bretanha&lt;br /&gt;Grão-Pará&lt;br /&gt;• Iniciados por verbo&lt;br /&gt;Abre-Campo (município de MG) Passa-e-Fica (município do RN)&lt;br /&gt;Passa-Quatro (município de MG) Passa-Sete (município do RJ)&lt;br /&gt;Passa-Tempo (município de MG) Quebra-Costas&lt;br /&gt;Quebra-Dentes São Miguel do Passa-Quatro (município de GO)&lt;br /&gt;Traga-Mouros Trinca-Fortes&lt;br /&gt;• Elementos ligados por artigo&lt;br /&gt;Albergaria-a-Velha&lt;br /&gt;Baía de Todos-os-Santos&lt;br /&gt;Entre-os-Rios&lt;br /&gt;Montemor-o-Novo&lt;br /&gt;Trás-os-Montes&lt;br /&gt;39&lt;br /&gt;Prefixos e falsos prefixos&lt;br /&gt;• Aeroaerobalística&lt;br /&gt;aerobiose&lt;br /&gt;aerocartografia&lt;br /&gt;aeroclube&lt;br /&gt;aerodinâmica&lt;br /&gt;aeroelasticidade&lt;br /&gt;aeroeletromagnetismo&lt;br /&gt;aeroespacial&lt;br /&gt;aerofilatelia&lt;br /&gt;aerofilme&lt;br /&gt;aerofiltro&lt;br /&gt;aerofone&lt;br /&gt;aerografia&lt;br /&gt;aerograma&lt;br /&gt;aeroincubadora&lt;br /&gt;aerolevantamento&lt;br /&gt;aeromecânica&lt;br /&gt;aeromodelismo&lt;br /&gt;aeronavegação&lt;br /&gt;aeropericardia&lt;br /&gt;aeropioneirismo&lt;br /&gt;aeropista&lt;br /&gt;aeroportuário&lt;br /&gt;aeroquímico&lt;br /&gt;aerorraquia&lt;br /&gt;aerossinusite&lt;br /&gt;aerossol&lt;br /&gt;aerossondagem&lt;br /&gt;aerotáxi&lt;br /&gt;aerotopografia&lt;br /&gt;aerotransporte&lt;br /&gt;aerovia&lt;br /&gt;• Agroagroaçucareiro&lt;br /&gt;agroalimentar&lt;br /&gt;agrobiologia&lt;br /&gt;agroclimático&lt;br /&gt;agrodoce&lt;br /&gt;agroecologia&lt;br /&gt;agroecossistema&lt;br /&gt;agrogeologia&lt;br /&gt;agroindustrial&lt;br /&gt;agrometeorologia&lt;br /&gt;agronegócio&lt;br /&gt;agropecuária&lt;br /&gt;agroquímica&lt;br /&gt;agrotécnico&lt;br /&gt;agrotóxico&lt;br /&gt;agrovia&lt;br /&gt;• Anteanteato&lt;br /&gt;anteaurora&lt;br /&gt;antebraço&lt;br /&gt;antecâmara&lt;br /&gt;antecena&lt;br /&gt;antecrepuscular&lt;br /&gt;antedata&lt;br /&gt;antediluviano&lt;br /&gt;antedizer&lt;br /&gt;anteface&lt;br /&gt;antegramatical&lt;br /&gt;ante-hipófise&lt;br /&gt;ante-histórico&lt;br /&gt;anteislâmico&lt;br /&gt;antejulgar&lt;br /&gt;antelábio&lt;br /&gt;antemanhã&lt;br /&gt;antemeridiano&lt;br /&gt;antemuralha&lt;br /&gt;antenasal&lt;br /&gt;anteocupação&lt;br /&gt;anteolhos&lt;br /&gt;anteontem&lt;br /&gt;anteporta&lt;br /&gt;antessacristia&lt;br /&gt;antessala&lt;br /&gt;antessentir&lt;br /&gt;antessocrático&lt;br /&gt;antetítulo&lt;br /&gt;antevéspera&lt;br /&gt;antevisão&lt;br /&gt;• Antiantiabortivo&lt;br /&gt;antiabrasivo&lt;br /&gt;antiacadêmico&lt;br /&gt;antiácido&lt;br /&gt;antiaderente&lt;br /&gt;antiaéreo&lt;br /&gt;antialcoólico&lt;br /&gt;antialérgico&lt;br /&gt;antiamericanismo&lt;br /&gt;40&lt;br /&gt;antiartístico&lt;br /&gt;antiautoritário&lt;br /&gt;anticolonial&lt;br /&gt;antieconômico&lt;br /&gt;antielitista&lt;br /&gt;antiescravagista&lt;br /&gt;antiesportivo&lt;br /&gt;antiespumante&lt;br /&gt;antiético&lt;br /&gt;anti-hemorrágico&lt;br /&gt;anti-herói&lt;br /&gt;anti-higiênico&lt;br /&gt;anti-horário&lt;br /&gt;anti-ibérico&lt;br /&gt;anti-imperialismo&lt;br /&gt;anti-imperialista&lt;br /&gt;anti-infeccioso&lt;br /&gt;anti-inflacionário&lt;br /&gt;anti-inflamatório&lt;br /&gt;anti-intelectual&lt;br /&gt;antioxidante&lt;br /&gt;antirrábico&lt;br /&gt;antirracional&lt;br /&gt;antirracismo&lt;br /&gt;antirradar&lt;br /&gt;antirradiação&lt;br /&gt;antirraquítico&lt;br /&gt;antirreflexo&lt;br /&gt;antirreformismo&lt;br /&gt;antirregimental&lt;br /&gt;antirregulamentar&lt;br /&gt;antirreligioso&lt;br /&gt;antirrepublicano&lt;br /&gt;antirressonância&lt;br /&gt;antirreumático&lt;br /&gt;antirrevisionismo&lt;br /&gt;antirrevolucionário&lt;br /&gt;antirromântico&lt;br /&gt;antirroubo&lt;br /&gt;antirrugas&lt;br /&gt;antirruído&lt;br /&gt;antissatélite&lt;br /&gt;antissátira&lt;br /&gt;antissecretório&lt;br /&gt;antissegregacionismo&lt;br /&gt;antissemita&lt;br /&gt;antissepsia&lt;br /&gt;antissequestro&lt;br /&gt;antissifilítico&lt;br /&gt;antissigma&lt;br /&gt;antissimétrico&lt;br /&gt;antissísmico&lt;br /&gt;antissistemático&lt;br /&gt;antissocial&lt;br /&gt;antissolar&lt;br /&gt;antissolene&lt;br /&gt;antissoro&lt;br /&gt;antissoviético&lt;br /&gt;antissubmarino&lt;br /&gt;• Arquiarquibilionário&lt;br /&gt;arquicélebre&lt;br /&gt;arquicérebro&lt;br /&gt;arquiclássico&lt;br /&gt;arquiconfraria&lt;br /&gt;arquidiocese&lt;br /&gt;arquiduque&lt;br /&gt;arquiepiscopado&lt;br /&gt;arqui-hipérbole&lt;br /&gt;arqui-inimigo&lt;br /&gt;arqui-inimizade&lt;br /&gt;arqui-irmandade&lt;br /&gt;arquimilionário&lt;br /&gt;arquiministro&lt;br /&gt;arquirrabino&lt;br /&gt;arquirrival&lt;br /&gt;arquirrivalidade&lt;br /&gt;arquirromântico&lt;br /&gt;arquissacerdote&lt;br /&gt;arquisseguro&lt;br /&gt;arquissenador&lt;br /&gt;arquissinagoga&lt;br /&gt;arquissogro&lt;br /&gt;arquivulgar&lt;br /&gt;• Autoautoacusação&lt;br /&gt;autoadesivo&lt;br /&gt;autoadministração&lt;br /&gt;autoadmiração&lt;br /&gt;autoafirmação&lt;br /&gt;autoagressão&lt;br /&gt;autoajuda&lt;br /&gt;autoanálise&lt;br /&gt;autoaplicável&lt;br /&gt;autoaprendizagem&lt;br /&gt;autobiografia&lt;br /&gt;autocensura&lt;br /&gt;autocolante&lt;br /&gt;autoconfiança&lt;br /&gt;autoconhecimento&lt;br /&gt;autoconsciência&lt;br /&gt;autocontemplação&lt;br /&gt;autocontrole&lt;br /&gt;autocrítica&lt;br /&gt;autodefesa&lt;br /&gt;autodestruição&lt;br /&gt;41&lt;br /&gt;autodomínio&lt;br /&gt;autoeducativo&lt;br /&gt;autoelogio&lt;br /&gt;autoescola&lt;br /&gt;autoestima&lt;br /&gt;autoestrada&lt;br /&gt;autofinanciamento&lt;br /&gt;autogestão&lt;br /&gt;autogoverno&lt;br /&gt;autoidolatria&lt;br /&gt;autoignição&lt;br /&gt;autoimolação&lt;br /&gt;autoimposição&lt;br /&gt;autoimunidade&lt;br /&gt;autoindução&lt;br /&gt;autoinfecção&lt;br /&gt;autoinstrução&lt;br /&gt;autointoxicação&lt;br /&gt;auto-observação&lt;br /&gt;auto-ônibus&lt;br /&gt;auto-oscilação&lt;br /&gt;autopiedade&lt;br /&gt;autopista&lt;br /&gt;autoproteção&lt;br /&gt;autopunição&lt;br /&gt;autorradiografia&lt;br /&gt;autorredutor&lt;br /&gt;autorreflexão&lt;br /&gt;autorregenerar-se&lt;br /&gt;autorreger-se&lt;br /&gt;autorregulamentação&lt;br /&gt;autorregular-se&lt;br /&gt;autorreplicar-se&lt;br /&gt;autorrespeito&lt;br /&gt;autorretrato&lt;br /&gt;autorrotação&lt;br /&gt;autossatisfação&lt;br /&gt;autossegmental&lt;br /&gt;autossensibilização&lt;br /&gt;autosserviço&lt;br /&gt;autossofrimento&lt;br /&gt;autossoro&lt;br /&gt;autossubsistência&lt;br /&gt;autossuficiente&lt;br /&gt;autossugestão&lt;br /&gt;autossustentável&lt;br /&gt;autotransformação&lt;br /&gt;autotransfusão&lt;br /&gt;autovacina&lt;br /&gt;• Circumcircum-&lt;br /&gt;adjacência&lt;br /&gt;circum-ambiente&lt;br /&gt;circum-escolar&lt;br /&gt;circum-hospitalar&lt;br /&gt;circum-mediterrâneo&lt;br /&gt;circum-meridiano&lt;br /&gt;circum-murado&lt;br /&gt;circum-navegação&lt;br /&gt;circum-oral&lt;br /&gt;circum-orbital&lt;br /&gt;• Biobioacústica&lt;br /&gt;bioastronomia&lt;br /&gt;bioativo&lt;br /&gt;biobibliografia&lt;br /&gt;biocibernética&lt;br /&gt;bioclima&lt;br /&gt;biocombustível&lt;br /&gt;biodegradável&lt;br /&gt;biodigestor&lt;br /&gt;biodiversidade&lt;br /&gt;bioengenharia&lt;br /&gt;bioética&lt;br /&gt;biofertilizante&lt;br /&gt;biofísica&lt;br /&gt;biogás&lt;br /&gt;bioindústria&lt;br /&gt;biolinguística&lt;br /&gt;biomagnético&lt;br /&gt;biomassa&lt;br /&gt;biomecânica&lt;br /&gt;bionevoeiro&lt;br /&gt;biopirataria&lt;br /&gt;bioquímica&lt;br /&gt;biorritmo&lt;br /&gt;biossatélite&lt;br /&gt;biossistema&lt;br /&gt;biossocial&lt;br /&gt;bioteste&lt;br /&gt;• Cocoacusado&lt;br /&gt;coadministração&lt;br /&gt;coadministrador&lt;br /&gt;coadministrar&lt;br /&gt;coarrendador&lt;br /&gt;coarrendamento&lt;br /&gt;42&lt;br /&gt;coarrendar&lt;br /&gt;coarticulação&lt;br /&gt;coautor&lt;br /&gt;coautoria&lt;br /&gt;coavalista&lt;br /&gt;coaxial&lt;br /&gt;codetentor&lt;br /&gt;codevedor&lt;br /&gt;codireção&lt;br /&gt;codiretor&lt;br /&gt;codiretoria&lt;br /&gt;codoador&lt;br /&gt;codominância&lt;br /&gt;codominante&lt;br /&gt;coedição&lt;br /&gt;coeditar&lt;br /&gt;coeditor&lt;br /&gt;coeducação&lt;br /&gt;coeducar&lt;br /&gt;coexistência&lt;br /&gt;coexistir&lt;br /&gt;cofator&lt;br /&gt;cofiador&lt;br /&gt;cogerência&lt;br /&gt;cogerir&lt;br /&gt;cogestão&lt;br /&gt;co-habitação&lt;br /&gt;co-habitante&lt;br /&gt;co-habitar&lt;br /&gt;co-herdar&lt;br /&gt;co-herdeiro&lt;br /&gt;cointeressado&lt;br /&gt;colatitude&lt;br /&gt;colegatário&lt;br /&gt;coobrigação&lt;br /&gt;coobrigado&lt;br /&gt;coocupante&lt;br /&gt;cooperar&lt;br /&gt;coordenar&lt;br /&gt;coparceiro&lt;br /&gt;coparticipação&lt;br /&gt;coparticipante&lt;br /&gt;coparticipar&lt;br /&gt;copaternidade&lt;br /&gt;copatrocínio&lt;br /&gt;copiloto&lt;br /&gt;coprodução&lt;br /&gt;coprodutor&lt;br /&gt;coproduzir&lt;br /&gt;copropriedade&lt;br /&gt;coproprietário&lt;br /&gt;coprotetor&lt;br /&gt;corradical&lt;br /&gt;corré&lt;br /&gt;corréu&lt;br /&gt;corredator&lt;br /&gt;corredentor&lt;br /&gt;corresponsabilidade&lt;br /&gt;corresponsável&lt;br /&gt;cossecante&lt;br /&gt;cosseguro&lt;br /&gt;cosseno&lt;br /&gt;cossignatário&lt;br /&gt;cossísmico&lt;br /&gt;cossismo&lt;br /&gt;cotipo&lt;br /&gt;cotutela&lt;br /&gt;cotutor&lt;br /&gt;covalência&lt;br /&gt;covalente&lt;br /&gt;covariação&lt;br /&gt;covariante&lt;br /&gt;• Contracontra-&lt;br /&gt;acusação&lt;br /&gt;contra-acusar&lt;br /&gt;contra-alísio&lt;br /&gt;contra-almirante&lt;br /&gt;contra-antena&lt;br /&gt;contra-anúncio&lt;br /&gt;contra-apelo&lt;br /&gt;contra-argumento&lt;br /&gt;contra-arrazoado&lt;br /&gt;contra-assinatura&lt;br /&gt;contra-atacante&lt;br /&gt;contra-atacar&lt;br /&gt;contra-aviso&lt;br /&gt;contracautela&lt;br /&gt;contraespionagem&lt;br /&gt;contraespionar&lt;br /&gt;contraexemplo&lt;br /&gt;contra-harmônico&lt;br /&gt;contraindicação&lt;br /&gt;contraindicado&lt;br /&gt;contraindicar&lt;br /&gt;contrainformação&lt;br /&gt;contrainformar&lt;br /&gt;contrairritação&lt;br /&gt;contraofensiva&lt;br /&gt;contraoferta&lt;br /&gt;contraordem&lt;br /&gt;contrarrampa&lt;br /&gt;contrarrazão&lt;br /&gt;contrarreação&lt;br /&gt;contrarreforma&lt;br /&gt;contrarregra&lt;br /&gt;contrarregulador&lt;br /&gt;contrarrelógio&lt;br /&gt;contrarreparo&lt;br /&gt;contrarréplica&lt;br /&gt;contrarrepto&lt;br /&gt;contrarretábulo&lt;br /&gt;contrarrevolução&lt;br /&gt;contrarrevolucionário&lt;br /&gt;contrarrótulo&lt;br /&gt;contrarrotura&lt;br /&gt;43&lt;br /&gt;• Eletroeletroacústica&lt;br /&gt;eletroanálise&lt;br /&gt;eletrobalança&lt;br /&gt;eletrocapilar&lt;br /&gt;eletrocardiograma&lt;br /&gt;eletrochoque&lt;br /&gt;eletrodinâmica&lt;br /&gt;eletroeletrônico&lt;br /&gt;eletroencefalograma&lt;br /&gt;eletrogravura&lt;br /&gt;eletro-higrômetro&lt;br /&gt;eletroímã&lt;br /&gt;eletroluminescência&lt;br /&gt;eletromagnético&lt;br /&gt;eletromecânico&lt;br /&gt;eletronegatividade&lt;br /&gt;eletro-oculografia&lt;br /&gt;eletro-oculograma&lt;br /&gt;eletro-ótica&lt;br /&gt;eletropositividade&lt;br /&gt;eletroquímica&lt;br /&gt;eletrorresistividade&lt;br /&gt;eletrorretinografia&lt;br /&gt;eletrossiderurgia&lt;br /&gt;eletrossíntese&lt;br /&gt;eletrossol&lt;br /&gt;eletrossono&lt;br /&gt;eletrotécnica&lt;br /&gt;eletroterapia&lt;br /&gt;eletrotérmico&lt;br /&gt;eletrotônus&lt;br /&gt;eletrovalência&lt;br /&gt;• Exex-&lt;br /&gt;almirante&lt;br /&gt;ex-aluno&lt;br /&gt;ex-bolsista&lt;br /&gt;ex-cantora&lt;br /&gt;ex-cônjuge&lt;br /&gt;ex-diretor&lt;br /&gt;ex-gerente&lt;br /&gt;ex-hospedeira&lt;br /&gt;ex-inspetor&lt;br /&gt;ex-jogador&lt;br /&gt;ex-marido&lt;br /&gt;ex-ministro&lt;br /&gt;ex-motorista&lt;br /&gt;ex-mulher&lt;br /&gt;ex-namorado&lt;br /&gt;ex-ouvinte&lt;br /&gt;ex-pesquisador&lt;br /&gt;ex-presidente&lt;br /&gt;ex-primeiro-ministro&lt;br /&gt;ex-quartel-general&lt;br /&gt;ex-rainha&lt;br /&gt;ex-refém&lt;br /&gt;ex-sócio&lt;br /&gt;ex-técnico&lt;br /&gt;ex-universitário&lt;br /&gt;ex-vice-presidente&lt;br /&gt;ex-xadrezista&lt;br /&gt;ex-zagueiro&lt;br /&gt;• Extraextra-&lt;br /&gt;abdominal&lt;br /&gt;extra-alcance&lt;br /&gt;extra-amazônico&lt;br /&gt;extra-atmosférico&lt;br /&gt;extracelular&lt;br /&gt;extraconjugal&lt;br /&gt;extracontinental&lt;br /&gt;extracontratual&lt;br /&gt;extracorpóreo&lt;br /&gt;extracorrente&lt;br /&gt;extracraniano&lt;br /&gt;extracurricular&lt;br /&gt;extraembrionário&lt;br /&gt;extraescolar&lt;br /&gt;extrafino&lt;br /&gt;extra-hepático&lt;br /&gt;extra-humano&lt;br /&gt;extrajudicial&lt;br /&gt;extrajurídico&lt;br /&gt;extralinguístico&lt;br /&gt;extraliterário&lt;br /&gt;extramatrimonial&lt;br /&gt;extramuros&lt;br /&gt;extramusical&lt;br /&gt;contrarruptura&lt;br /&gt;contrasseguro&lt;br /&gt;contrasselar&lt;br /&gt;contrasselo&lt;br /&gt;contrassenha&lt;br /&gt;contrassenso&lt;br /&gt;contrassignificação&lt;br /&gt;contrassinal&lt;br /&gt;contrassoca&lt;br /&gt;contrassujeito&lt;br /&gt;44&lt;br /&gt;geoanticlinal&lt;br /&gt;geobiologia&lt;br /&gt;geobotânica&lt;br /&gt;geocauda&lt;br /&gt;geocêntrico&lt;br /&gt;geocentrismo&lt;br /&gt;geocíclico&lt;br /&gt;geociência&lt;br /&gt;geoclimático&lt;br /&gt;geocronologia&lt;br /&gt;geodemografia&lt;br /&gt;geodinâmica&lt;br /&gt;geoecologia&lt;br /&gt;geoeconomia&lt;br /&gt;geoeletricidade&lt;br /&gt;geoestratégico&lt;br /&gt;geofilomorfo&lt;br /&gt;geofísica&lt;br /&gt;geo-hidrografia&lt;br /&gt;geo-história&lt;br /&gt;geolinguística&lt;br /&gt;geomagnético&lt;br /&gt;geomedicina&lt;br /&gt;geoparque&lt;br /&gt;geopolítico&lt;br /&gt;geoquímica&lt;br /&gt;geossérie&lt;br /&gt;geossíncrono&lt;br /&gt;geotécnica&lt;br /&gt;geotermal&lt;br /&gt;geotêxtil&lt;br /&gt;• Geo-&lt;br /&gt;• Hidrohidroavião&lt;br /&gt;hidrobiologia&lt;br /&gt;hidrocarboneto&lt;br /&gt;hidrocefalia&lt;br /&gt;hidrodinâmica&lt;br /&gt;hidroelétrica /&lt;br /&gt;hidrelétrica&lt;br /&gt;hidrofone&lt;br /&gt;hidroginástica&lt;br /&gt;hidromassagem&lt;br /&gt;hidromineral&lt;br /&gt;hidronefrose&lt;br /&gt;hidroplâncton&lt;br /&gt;hidrorrepelente&lt;br /&gt;hidrossemeadura&lt;br /&gt;hidrossolúvel&lt;br /&gt;hidroterapia&lt;br /&gt;hidrotermal&lt;br /&gt;hidrovia&lt;br /&gt;• Hiperhiperácido&lt;br /&gt;hiperagudo&lt;br /&gt;hiperagressivo&lt;br /&gt;hiperativo&lt;br /&gt;hiperbraquicefalia&lt;br /&gt;hipercalórico&lt;br /&gt;hipercorreto&lt;br /&gt;hiperdesenvolvimento&lt;br /&gt;hiperdosagem&lt;br /&gt;hiperespaço&lt;br /&gt;hipergaláxia&lt;br /&gt;hiper-hedonismo&lt;br /&gt;hiper-humano&lt;br /&gt;hiperinflação&lt;br /&gt;hiperirritabilidade&lt;br /&gt;hipermercado&lt;br /&gt;hipernúcleo&lt;br /&gt;hiperosteose&lt;br /&gt;hiperparasita&lt;br /&gt;hiperprodução&lt;br /&gt;hiper-rancoroso&lt;br /&gt;hiper-realista&lt;br /&gt;hiper-requintado&lt;br /&gt;hiper-requisitado&lt;br /&gt;hiper-resistente&lt;br /&gt;hiper-rugoso&lt;br /&gt;hipersalino&lt;br /&gt;extranatural&lt;br /&gt;extraocular&lt;br /&gt;extraoficial&lt;br /&gt;extraprograma&lt;br /&gt;extrarregimento&lt;br /&gt;extrarregulamentar&lt;br /&gt;extrarregular&lt;br /&gt;extrassagital&lt;br /&gt;extrasseco&lt;br /&gt;extrassensível&lt;br /&gt;extrassensorial&lt;br /&gt;extrassístole&lt;br /&gt;extrassolar&lt;br /&gt;extraterrestre&lt;br /&gt;extraterritorial&lt;br /&gt;extratextual&lt;br /&gt;extratropical&lt;br /&gt;extrauterino&lt;br /&gt;45&lt;br /&gt;hipersensível&lt;br /&gt;hipertensão&lt;br /&gt;hipertexto&lt;br /&gt;hiperuricemia&lt;br /&gt;hipervalorizar&lt;br /&gt;hiperventilado&lt;br /&gt;• Infrainfra-&lt;br /&gt;assinado&lt;br /&gt;infra-axilar&lt;br /&gt;infrabasilar&lt;br /&gt;infraclasse&lt;br /&gt;infraestrutura&lt;br /&gt;infra-hepático&lt;br /&gt;infralitoral&lt;br /&gt;inframandibular&lt;br /&gt;infraordem&lt;br /&gt;infrarrenal&lt;br /&gt;infrassom&lt;br /&gt;infravermelho&lt;br /&gt;• Interinteracadêmico&lt;br /&gt;interalveolar&lt;br /&gt;interamericano&lt;br /&gt;interauricolar&lt;br /&gt;interbancário&lt;br /&gt;intercâmbio&lt;br /&gt;intercapilar&lt;br /&gt;intercelular&lt;br /&gt;intercervical&lt;br /&gt;intercolegial&lt;br /&gt;intercontinental&lt;br /&gt;interdental&lt;br /&gt;interdisciplinar&lt;br /&gt;interescolar&lt;br /&gt;interestadual&lt;br /&gt;interface&lt;br /&gt;interglacial&lt;br /&gt;inter-helênico&lt;br /&gt;inter-hemisférico&lt;br /&gt;inter-humano&lt;br /&gt;interindependência&lt;br /&gt;interinsular&lt;br /&gt;interjacente&lt;br /&gt;interlaçar&lt;br /&gt;intermaxilar&lt;br /&gt;intermolecular&lt;br /&gt;interparietal&lt;br /&gt;interplanetário&lt;br /&gt;inter-racial&lt;br /&gt;inter-radial&lt;br /&gt;inter-regional&lt;br /&gt;inter-relação&lt;br /&gt;inter-resistente&lt;br /&gt;intersideral&lt;br /&gt;intertextual&lt;br /&gt;intertítulo&lt;br /&gt;interventricular&lt;br /&gt;intervocábulo&lt;br /&gt;• Intraintra-&lt;br /&gt;articular&lt;br /&gt;intracelular&lt;br /&gt;intradilatado&lt;br /&gt;intraespecífico&lt;br /&gt;intra-hepático&lt;br /&gt;intramedular&lt;br /&gt;intramuscular&lt;br /&gt;intranasal&lt;br /&gt;intraocular&lt;br /&gt;intraoral&lt;br /&gt;intraósseo&lt;br /&gt;intrapulmonar&lt;br /&gt;intratextual&lt;br /&gt;intratorácico&lt;br /&gt;intrauterino&lt;br /&gt;intravascular&lt;br /&gt;• Macromacrocefalia&lt;br /&gt;macrocinema&lt;br /&gt;macroclima&lt;br /&gt;macrocosmo&lt;br /&gt;macroeconomia&lt;br /&gt;macroestrutura&lt;br /&gt;macrofauna&lt;br /&gt;macrogameta&lt;br /&gt;macroinstrução&lt;br /&gt;macrometeorito&lt;br /&gt;macronúcleo&lt;br /&gt;macroplâncton&lt;br /&gt;macrorregião&lt;br /&gt;macrossismo&lt;br /&gt;macrotársico&lt;br /&gt;46&lt;br /&gt;• Maximaxicasaco&lt;br /&gt;maxidesvalorização&lt;br /&gt;maxidicionário&lt;br /&gt;maxiexploração&lt;br /&gt;maxissaia&lt;br /&gt;maxivestido&lt;br /&gt;• Micromicroacústico&lt;br /&gt;microambiente&lt;br /&gt;microampère&lt;br /&gt;microanálise&lt;br /&gt;microbiologia&lt;br /&gt;microcaloria&lt;br /&gt;microcâmara&lt;br /&gt;microcápsula&lt;br /&gt;microcefalia&lt;br /&gt;microcinema&lt;br /&gt;microcircuito&lt;br /&gt;microcirurgia&lt;br /&gt;microclima&lt;br /&gt;microcomputador&lt;br /&gt;microdicionário&lt;br /&gt;microeconomia&lt;br /&gt;microelemento&lt;br /&gt;microeletrônico&lt;br /&gt;microempresa&lt;br /&gt;microestrutura&lt;br /&gt;microevolução&lt;br /&gt;microfibra&lt;br /&gt;microfotografia&lt;br /&gt;micrograma&lt;br /&gt;micro-habitat&lt;br /&gt;microimagem&lt;br /&gt;microinformática&lt;br /&gt;microinstrumento&lt;br /&gt;microlitro&lt;br /&gt;micromecânica&lt;br /&gt;microminiatura&lt;br /&gt;micronuclear&lt;br /&gt;micro-onda&lt;br /&gt;micro-ônibus&lt;br /&gt;micro-orgânico /&lt;br /&gt;microrgânico&lt;br /&gt;micro-organismo /&lt;br /&gt;microrganismo&lt;br /&gt;micropaleontologia&lt;br /&gt;microparasita&lt;br /&gt;microplâncton&lt;br /&gt;microprocessador&lt;br /&gt;microrradiografia&lt;br /&gt;microrregião&lt;br /&gt;microrreprodução&lt;br /&gt;microssaia&lt;br /&gt;microssegundo&lt;br /&gt;microssismo&lt;br /&gt;microssismógrafo&lt;br /&gt;microssonda&lt;br /&gt;microterremoto&lt;br /&gt;microtexto&lt;br /&gt;microvascular&lt;br /&gt;microvolt&lt;br /&gt;microwatt&lt;br /&gt;• Miniminibiblioteca&lt;br /&gt;minicalculadora&lt;br /&gt;minicasaco&lt;br /&gt;minicomício&lt;br /&gt;miniconto&lt;br 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/&gt;• Neoneoacadêmico&lt;br /&gt;neobarroco&lt;br /&gt;neocapitalismo&lt;br /&gt;neociência&lt;br /&gt;neoclássico&lt;br /&gt;neocolonialismo&lt;br /&gt;neodarwiniano&lt;br /&gt;neoescolástica&lt;br /&gt;neoexpressionismo&lt;br /&gt;neofascismo&lt;br /&gt;neoglaciação&lt;br /&gt;neo-hebraico&lt;br /&gt;neo-helênico&lt;br /&gt;neo-hinduísmo&lt;br /&gt;neoimperialismo&lt;br /&gt;neoimpressionismo&lt;br /&gt;neoliberal&lt;br /&gt;neolinguística&lt;br /&gt;neomedieval&lt;br /&gt;neonatal&lt;br /&gt;neonazismo&lt;br /&gt;neo-ortodoxia&lt;br /&gt;neo-otoplástica&lt;br /&gt;neopoesia&lt;br /&gt;neoquinhentismo&lt;br /&gt;neorrealismo&lt;br /&gt;neorrenascentista&lt;br /&gt;neorrepública&lt;br /&gt;neorromano&lt;br /&gt;neossalomônico&lt;br /&gt;neossiríaco&lt;br /&gt;neotaoismo&lt;br /&gt;neovascularização&lt;br /&gt;• Panpan-&lt;br /&gt;africano&lt;br /&gt;pan-americano&lt;br /&gt;pan-arabismo&lt;br /&gt;pancontinental&lt;br /&gt;pancromático&lt;br /&gt;pan-eslavismo&lt;br /&gt;panfobia&lt;br /&gt;pangeometria&lt;br /&gt;pan-helenismo&lt;br /&gt;pan-islamismo&lt;br /&gt;panléxico&lt;br /&gt;pan-mítico&lt;br /&gt;pan-negritude&lt;br /&gt;pan-oftalmite&lt;br /&gt;panromânico&lt;br /&gt;pansexual&lt;br /&gt;• Pluriplurianual&lt;br /&gt;pluricelular&lt;br /&gt;pluricultural&lt;br /&gt;pluridisciplinar&lt;br /&gt;plurifloro&lt;br /&gt;plurilateral&lt;br /&gt;plurilíngue&lt;br /&gt;plurilinguista&lt;br /&gt;pluriovulado&lt;br /&gt;plurinominal&lt;br /&gt;plurissecular&lt;br /&gt;plurivalência&lt;br /&gt;• Póspós-&lt;br /&gt;adolescência&lt;br /&gt;pós-barroco&lt;br /&gt;pós-clássico&lt;br /&gt;pós-colonial&lt;br /&gt;pós-comunismo&lt;br /&gt;pós-datado&lt;br /&gt;pós-doutorado&lt;br /&gt;pós-eleitoral&lt;br /&gt;pós-escrito&lt;br /&gt;pós-exílio&lt;br /&gt;pós-glacial&lt;br /&gt;pós-graduação&lt;br /&gt;pós-guerra&lt;br /&gt;pós-hipnótico&lt;br /&gt;pós-impressionismo&lt;br /&gt;pós-industrial&lt;br /&gt;pós-medieval&lt;br /&gt;pós-modernismo&lt;br /&gt;48&lt;br /&gt;pós-moderno&lt;br /&gt;pós-natal&lt;br /&gt;pós-operatório&lt;br /&gt;pós-parto&lt;br /&gt;pós-produção&lt;br /&gt;pós-romantismo&lt;br /&gt;pós-simbolista&lt;br /&gt;pós-socrático&lt;br /&gt;pós-tônico&lt;br /&gt;pós-venda&lt;br /&gt;pós-verbal&lt;br /&gt;• Prépré-&lt;br /&gt;adaptação&lt;br /&gt;pré-adolescência&lt;br /&gt;pré-ajustado&lt;br /&gt;pré-aviso&lt;br /&gt;pré-bizantino&lt;br /&gt;pré-cambriano&lt;br /&gt;pré-câncer&lt;br /&gt;pré-capitalismo&lt;br /&gt;pré-carnavalesco&lt;br /&gt;pré-carolíngio&lt;br /&gt;pré-censura&lt;br /&gt;pré-colombiano&lt;br /&gt;pré-colonial&lt;br /&gt;pré-combustão&lt;br /&gt;pré-conceito (sentido&lt;br /&gt;de conceito prévio)&lt;br /&gt;pré-condição&lt;br /&gt;pré-contrato&lt;br /&gt;pré-cozido&lt;br /&gt;pré-datado&lt;br /&gt;pré-diluviano&lt;br /&gt;pré-eleitoral&lt;br /&gt;pré-embrionário&lt;br /&gt;pré-encolhido&lt;br /&gt;pré-escola&lt;br /&gt;pré-escolar&lt;br /&gt;pré-estreia&lt;br /&gt;pré-fabricado&lt;br /&gt;pré-formação&lt;br /&gt;pré-glacial&lt;br /&gt;pré-gravação&lt;br /&gt;pré-juízo (sentido de&lt;br /&gt;juízo prévio)&lt;br /&gt;pré-habitação&lt;br /&gt;pré-helênico&lt;br /&gt;pré-história&lt;br /&gt;pré-impressão&lt;br /&gt;pré-industrial&lt;br /&gt;pré-jurídico&lt;br /&gt;pré-lançamento&lt;br /&gt;pré-matrícula&lt;br /&gt;pré-menstrual&lt;br /&gt;pré-modernismo&lt;br /&gt;pré-nasalizado&lt;br /&gt;pré-natal&lt;br /&gt;pré-nupcial&lt;br /&gt;pré-olímpico&lt;br /&gt;pré-operatório&lt;br /&gt;pré-primário&lt;br /&gt;pré-qualificar&lt;br /&gt;pré-reformista&lt;br /&gt;pré-renascentista&lt;br /&gt;pré-republicano&lt;br /&gt;pré-requisito (sentido&lt;br /&gt;de requisição prévia)&lt;br /&gt;pré-revolucionário&lt;br /&gt;pré-romântico&lt;br /&gt;pré-saber&lt;br /&gt;pré-seleção&lt;br /&gt;pré-santificado&lt;br /&gt;pré-seletor&lt;br /&gt;pré-sensibilizado&lt;br /&gt;pré-sexual&lt;br /&gt;pré-simbolista&lt;br /&gt;pré-socialismo&lt;br /&gt;pré-socrático&lt;br /&gt;pré-traçado&lt;br /&gt;pré-universitário&lt;br /&gt;pré-venda&lt;br /&gt;pré-vestibular&lt;br /&gt;• Própró-&lt;br /&gt;africano&lt;br /&gt;pró-análise&lt;br /&gt;pró-britânico&lt;br /&gt;pró-desarmamento&lt;br /&gt;pró-europeu&lt;br /&gt;pró-homem&lt;br /&gt;pró-memória&lt;br /&gt;pró-ocidental&lt;br /&gt;pró-sangue&lt;br /&gt;pró-socialismo&lt;br /&gt;• Protoprotoariano&lt;br /&gt;protobanto&lt;br /&gt;protocloreto&lt;br /&gt;protoderme&lt;br /&gt;protoeslavo&lt;br /&gt;protoestrela&lt;br /&gt;49&lt;br /&gt;protofloema&lt;br /&gt;protogaláxia&lt;br /&gt;proto-herói&lt;br /&gt;proto-história&lt;br /&gt;proto-humano&lt;br /&gt;protoindo-europeu&lt;br /&gt;protoindustrialização&lt;br /&gt;protojônico&lt;br /&gt;protolíngua&lt;br /&gt;protomártir&lt;br /&gt;protonauta&lt;br /&gt;protoplasma&lt;br /&gt;protorrevolução&lt;br /&gt;protorromantismo&lt;br /&gt;protossatélite&lt;br /&gt;prototalo&lt;br /&gt;protozoonose&lt;br /&gt;• Pseudopseudoaleatório&lt;br /&gt;pseudobulbo&lt;br /&gt;pseudociência&lt;br 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/&gt;semicircunferência&lt;br /&gt;semicivilizado&lt;br /&gt;semidestruído&lt;br /&gt;semideus&lt;br /&gt;semidocumentário&lt;br /&gt;semieixo&lt;br /&gt;semielíptico&lt;br /&gt;semiembriagado&lt;br /&gt;semierudito&lt;br /&gt;semiescravidão&lt;br /&gt;semiescuro&lt;br /&gt;semiesfera&lt;br /&gt;semiespecializado&lt;br /&gt;semifeudal&lt;br /&gt;semifinal&lt;br /&gt;semi-herbáceo&lt;br /&gt;semi-hospitalar&lt;br /&gt;semi-infantil&lt;br /&gt;semi-integral&lt;br /&gt;semi-inteiro&lt;br /&gt;semi-internato&lt;br /&gt;semi-interno&lt;br /&gt;semiletrado&lt;br /&gt;semilíquido&lt;br /&gt;semimorto&lt;br /&gt;seminômade&lt;br /&gt;semioficial&lt;br /&gt;semiobscuridade&lt;br /&gt;semirracional&lt;br /&gt;semirreal&lt;br /&gt;semirreboque&lt;br /&gt;semirreligioso&lt;br /&gt;semirreta&lt;br /&gt;semirrígido&lt;br /&gt;semirrisonho&lt;br /&gt;semirroto&lt;br /&gt;semissábio&lt;br /&gt;semisselvagem&lt;br /&gt;50&lt;br /&gt;semissintético&lt;br /&gt;semissistematização&lt;br /&gt;semissólido&lt;br /&gt;semissoma&lt;br /&gt;semissono&lt;br /&gt;• Sobresobreaviso&lt;br /&gt;sobrebanquinho&lt;br /&gt;sobrecama&lt;br /&gt;sobrecapa&lt;br /&gt;sobrecomum&lt;br /&gt;sobrecoxa&lt;br /&gt;sobredental&lt;br /&gt;sobredivino&lt;br /&gt;sobre-elevação&lt;br /&gt;sobre-eminência&lt;br /&gt;sobre-erguer&lt;br /&gt;sobre-exaltar&lt;br /&gt;sobre-excedente&lt;br /&gt;sobre-excitação&lt;br /&gt;sobre-exposição&lt;br /&gt;sobreface&lt;br /&gt;sobre-humano&lt;br /&gt;sobreimpressão&lt;br /&gt;sobreirritar&lt;br /&gt;sobrejuiz&lt;br /&gt;sobreloja&lt;br /&gt;sobremarcha&lt;br /&gt;sobreolhar&lt;br /&gt;sobrepasso&lt;br /&gt;sobrerrenal&lt;br /&gt;sobrerrestar&lt;br /&gt;sobrerrodela&lt;br /&gt;sobrerrolda&lt;br /&gt;sobrerronda&lt;br /&gt;sobrerrosado&lt;br /&gt;sobressaia&lt;br /&gt;sobressaturação&lt;br /&gt;sobresselo&lt;br /&gt;sobressemear&lt;br /&gt;sobressentença&lt;br /&gt;sobressinal&lt;br /&gt;sobressolar&lt;br /&gt;sobressoleira&lt;br /&gt;sobressubstancial&lt;br /&gt;sobretaxa&lt;br /&gt;sobrevalia&lt;br /&gt;sobrevento&lt;br /&gt;sobrevida&lt;br /&gt;• Sotasota-&lt;br /&gt;capitão&lt;br /&gt;sota-embaixador&lt;br /&gt;sota-general&lt;br /&gt;sota-mestre&lt;br /&gt;sota-ministro&lt;br /&gt;sota-piloto&lt;br /&gt;sota-proa&lt;br /&gt;sota-soberania&lt;br /&gt;sota-voga&lt;br /&gt;• Sotosoto-&lt;br /&gt;capitão&lt;br /&gt;soto-mestre&lt;br /&gt;soto-ministro&lt;br /&gt;soto-piloto&lt;br /&gt;soto-proa&lt;br /&gt;soto-soberania&lt;br /&gt;soto-voga&lt;br /&gt;• Subsubafluente&lt;br /&gt;subalimentação&lt;br /&gt;subantártico&lt;br /&gt;subaquático&lt;br /&gt;subártico&lt;br /&gt;subatômico&lt;br /&gt;sub-base&lt;br /&gt;sub-bloco&lt;br /&gt;sub-bosque&lt;br /&gt;subcapilar&lt;br /&gt;subcategoria&lt;br /&gt;subchefe&lt;br /&gt;subclasse&lt;br /&gt;subcomissão&lt;br /&gt;subcontinente&lt;br /&gt;subdelegado&lt;br /&gt;subdesenvolvimento&lt;br /&gt;subdiretor&lt;br /&gt;Este prefixo segue o que o acordo estabelece, exceto no caso em que é seguido&lt;br /&gt;por palavra que começa com r. Nesse caso, recebe hífen para evitar que ocorra um&lt;br /&gt;encontro consonantal br, pois ele não pode ser pronunciado conjuntamente.&lt;br /&gt;51&lt;br /&gt;subeditoria&lt;br /&gt;subemprego&lt;br /&gt;subequatorial&lt;br /&gt;subespécie&lt;br /&gt;subfaturar&lt;br /&gt;subgênero&lt;br /&gt;subgrupo&lt;br /&gt;sub-hepático&lt;br /&gt;sub-humano&lt;br /&gt;subinspetor&lt;br /&gt;subitem&lt;br /&gt;sublacustre&lt;br /&gt;subleito&lt;br /&gt;subliteratura&lt;br /&gt;sublocação&lt;br /&gt;submandatário&lt;br /&gt;subnúcleo&lt;br /&gt;suboceânico&lt;br /&gt;suboficial&lt;br /&gt;subordem&lt;br /&gt;subósseo&lt;br /&gt;subparte&lt;br /&gt;subpolar&lt;br /&gt;subprefeitura&lt;br /&gt;sub-raça&lt;br /&gt;sub-região&lt;br /&gt;sub-regional&lt;br /&gt;sub-reino&lt;br /&gt;sub-reitor&lt;br /&gt;sub-remunerado&lt;br /&gt;sub-reptício&lt;br /&gt;sub-rogar&lt;br /&gt;sub-rotina&lt;br /&gt;subsaariano&lt;br /&gt;subsargento&lt;br /&gt;subsatélite&lt;br /&gt;subseção&lt;br /&gt;subsecretário&lt;br /&gt;subsolo&lt;br /&gt;subtítulo&lt;br /&gt;subutilizar&lt;br /&gt;subverbete&lt;br /&gt;• Supersuperabundante&lt;br /&gt;superagasalhar&lt;br /&gt;superalimentação&lt;br /&gt;superaquecimento&lt;br /&gt;superbacana&lt;br /&gt;superbactéria&lt;br /&gt;supercampeão&lt;br /&gt;supercivilização&lt;br /&gt;supercomputador&lt;br /&gt;supercraque&lt;br /&gt;superdose&lt;br /&gt;superego&lt;br /&gt;superelevar&lt;br /&gt;superestimar&lt;br /&gt;superestrutura&lt;br /&gt;superexposição&lt;br /&gt;superfamília&lt;br /&gt;superfino&lt;br /&gt;supergrande&lt;br /&gt;super-herói&lt;br /&gt;super-hidratação&lt;br /&gt;super-homem&lt;br /&gt;superinfecção&lt;br /&gt;superinterglacial&lt;br /&gt;superlotação&lt;br /&gt;supermãe&lt;br /&gt;supermodelo&lt;br /&gt;supernovo&lt;br /&gt;superorganismo&lt;br /&gt;superoxidação&lt;br /&gt;superpopulação&lt;br /&gt;superpotência&lt;br /&gt;superpovoação&lt;br /&gt;superprotegido&lt;br /&gt;superquadra&lt;br /&gt;super-racional&lt;br /&gt;super-radical&lt;br /&gt;super-reação&lt;br /&gt;super-realista&lt;br /&gt;super-requintado&lt;br /&gt;super-resfriado&lt;br /&gt;super-resistente&lt;br /&gt;super-revista&lt;br /&gt;supersecreto&lt;br /&gt;supersensível&lt;br /&gt;supersimples&lt;br /&gt;supersom&lt;br /&gt;supervácuo&lt;br /&gt;supervaidoso&lt;br /&gt;supervalorizado&lt;br /&gt;superviolento&lt;br /&gt;• Suprasupra-&lt;br /&gt;axilar&lt;br /&gt;supracondutor&lt;br /&gt;supradialetal&lt;br /&gt;supraesofágico&lt;br /&gt;supraexcitante&lt;br /&gt;suprafaríngeo&lt;br /&gt;supraglotal&lt;br /&gt;supra-hepático&lt;br /&gt;supra-humano&lt;br /&gt;52&lt;br /&gt;suprajurássico&lt;br /&gt;supralabial&lt;br /&gt;supralunar&lt;br /&gt;supramundano&lt;br /&gt;supranacional&lt;br /&gt;supraocular&lt;br /&gt;suprapartidário&lt;br /&gt;suprarracional&lt;br /&gt;suprarrealismo&lt;br /&gt;suprarrenal&lt;br /&gt;suprassegmental&lt;br /&gt;suprassensível&lt;br /&gt;suprassumo&lt;br /&gt;supratorácico&lt;br /&gt;supraventricular&lt;br /&gt;• Teletelealuno&lt;br /&gt;telecine&lt;br /&gt;telecurso&lt;br /&gt;telediagnóstico&lt;br /&gt;teledramaturgia&lt;br /&gt;tele-educação /&lt;br /&gt;teleducação&lt;br /&gt;telefilme&lt;br /&gt;telefotografar&lt;br /&gt;teleguiar&lt;br /&gt;teleimpressor&lt;br /&gt;telejornal&lt;br /&gt;telemedicina&lt;br /&gt;telenovela&lt;br /&gt;teleobjetiva&lt;br /&gt;teleprocessamento&lt;br /&gt;telerrobô&lt;br /&gt;teleteatro&lt;br /&gt;televizinho&lt;br /&gt;• Ultraultra-&lt;br /&gt;apressado&lt;br /&gt;ultrabásico&lt;br /&gt;ultracatólico&lt;br /&gt;ultrachique&lt;br /&gt;ultraconservador&lt;br /&gt;ultracorreto&lt;br /&gt;ultracurto&lt;br /&gt;ultrademocrático&lt;br /&gt;ultraelevado&lt;br /&gt;ultraesquerda&lt;br /&gt;ultraeuropeu&lt;br /&gt;ultraexistência&lt;br /&gt;ultrafiltro&lt;br /&gt;ultra-hiperbólico&lt;br /&gt;ultra-humano&lt;br /&gt;ultraleve&lt;br /&gt;ultramaratona&lt;br /&gt;ultramicroscópio&lt;br /&gt;ultranaturalismo&lt;br /&gt;ultrapuro&lt;br /&gt;ultrarradical&lt;br /&gt;ultrarrápido&lt;br /&gt;ultrarrealismo&lt;br /&gt;ultrarrevolucionário&lt;br /&gt;ultrarridículo&lt;br /&gt;ultrarromântico&lt;br /&gt;ultrarroxo&lt;br /&gt;ultrassecreto&lt;br /&gt;ultrassecular&lt;br /&gt;ultrassensível&lt;br /&gt;ultrassofisticado&lt;br /&gt;ultrassom&lt;br /&gt;ultrassônico&lt;br /&gt;ultrassonografia&lt;br /&gt;ultrassonoro&lt;br /&gt;ultrassonoterapia&lt;br /&gt;ultraterreno&lt;br /&gt;ultravioleta&lt;br /&gt;ultravírus&lt;br /&gt;ultrazodiacal&lt;br /&gt;• Vicevice-&lt;br /&gt;almirante&lt;br /&gt;vice-campeão&lt;br /&gt;vice-chanceler&lt;br /&gt;vice-comissário&lt;br /&gt;vice-cônsul&lt;br /&gt;vice-diretor&lt;br /&gt;vice-gerência&lt;br /&gt;vice-governador&lt;br /&gt;vice-líder&lt;br /&gt;vice-liderança&lt;br /&gt;vice-prefeito&lt;br /&gt;vice-presidente&lt;br /&gt;vice-primeiro-ministro&lt;br /&gt;vice-rainha&lt;br /&gt;vice-rei&lt;br /&gt;vice-reinado&lt;br /&gt;vice-reitor&lt;br /&gt;vice-secretário&lt;br /&gt;53&lt;br /&gt;Bibliografia&lt;br /&gt;Dicionários&lt;br /&gt;Instituto Antônio Houaiss. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro:&lt;br /&gt;Objetiva, 2003.&lt;br /&gt;___. Minidicionário Houaiss da língua portuguesa. 3. ed. rev. e aum. Rio de Janeiro: Objetiva,&lt;br /&gt;2008.&lt;br /&gt;Guia&lt;br /&gt;Houaiss , Antônio. A nova ortografia da língua portuguesa. São Paulo: Ática, 1991.&lt;br /&gt;Livro&lt;br /&gt;Coutinho , Ismael de Lima. Pontos de gramática histórica. 7. ed. rev. Rio de Janeiro: Ao Livro&lt;br /&gt;Técnico, 1976.&lt;br /&gt;Publicação oficial&lt;br /&gt;ACORDO ortográfico da língua portuguesa. Diário do congresso nacional, Brasília, 21 abr. 1995.&lt;br /&gt;Disponível em: &lt;www.senado.gov.br&gt;. Acesso em: 8 jul. 2008.&lt;br /&gt;Sites&lt;br /&gt;ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Disponível em: &lt;http:&gt;.&lt;br /&gt;Acesso em: 7 jul. 2008.&lt;br /&gt;CARDOSO, Elis de Almeida. Ortographia virou ortografia. Disponível em: &lt;http:&gt;. Acesso em: 27 maio 2008.&lt;br /&gt;GARCIA, Afrânio da Silva. 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Rodrigues&lt;br /&gt;Pré-impressão: Everton L. de Oliveira, Helio P. de Souza Filho,&lt;br /&gt;Marcio Hideyuki Kamoto, Vilney Stacciarini&lt;br /&gt;Coordenação de produção industrial: Wilson Aparecido Troque&lt;br /&gt;Impressão e acabamento:&lt;br /&gt;1 3 5 7 9 10 8 6 4 2&lt;br /&gt;55&lt;br /&gt;Quais as mudanças que irão ocorrer na escrita&lt;br /&gt;da língua portuguesa com a aprovação do novo&lt;br /&gt;Acordo Ortográ co?&lt;br /&gt;Este Guia do Acordo Ortográ co procura responder&lt;br /&gt;a essa pergunta de uma maneira bem prática e&lt;br /&gt;objetiva. Um quadro apresenta de modo resumido as&lt;br /&gt;principais mudanças na ortogra a e listas de exemplos&lt;br /&gt;ajudam a resolver as dúvidas de gra a.&lt;br /&gt;E mais: texto o cial do Acordo e linha do tempo&lt;br /&gt;ilustrada, que mostra como a questão da uni cação&lt;br /&gt;da escrita do português vem cercada de polêmica e&lt;br /&gt;de muita discussão desde o século XIX. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/55750104921950016-7177439892517794373?l=literaturateosofia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/feeds/7177439892517794373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/05/histo-lingua.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/7177439892517794373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/7177439892517794373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/05/histo-lingua.html' title='MUDANÇAS NA  LINGUA PORTUGUESA'/><author><name>literaturasofia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12541528314244690654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SdD1ksZuCMI/AAAAAAAAABU/nYG7Fv1KG8Y/S220/Antonio_Jose_da_Silva_O%2520Judeu_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SgGa37NWmNI/AAAAAAAAAKs/qxSpxt7EOZM/s72-c/CONCRR4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-55750104921950016.post-2006947202828649587</id><published>2009-04-22T12:38:00.000-07:00</published><updated>2009-07-29T13:51:36.511-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='FLUVIOSANTOS'/><title type='text'>Links de livros gratuito digitais</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/Sfih06TzpGI/AAAAAAAAAKg/82wCN5Q9W4c/s1600-h/site+filo.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; 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Livro de caráter profético, escrito em quadras herméticas repletas de simbologias místicas, a interpretação de suas quadras resultou num conjunto de obras das mais variadas intenções e naturezas. Obras como as de Pierre V. Piobb (O Segredo das Centúrias de Nostradamus), Érika Cheetham (As Profecias de Nostradamus), Márquez da Cruz (Profecias de Nostradamus e de Outros Videntes), Valério Evangelisti (Magus: O Presságio: Fantástica História de Nostradamus), John Hogue (Nostradamus e o Milênio: Predições do Futuro), ou ainda uma ópera rock (Nikolo Kotzevs - Nostradamus) compõem esse diversificado e rico acervo, que inclui documentários de televisão, filmes para o cinema, etc.&lt;br /&gt;Eu, como curioso das ciências ditas ocultas ou esotéricas, com especial apreço pela Numerologia, pela Cabala, pela Astronomia e que tenho admiração pelas religiões antigas e pelas de origem afro (Candomblé, Umbanda - esta, legitimamente, afro-brasileira) e pelas interpretações antropológicas e históricas do Cristianismo, além de um inolvidável interesse pela maçonaria, espiritismo e outras seitas místico-religiosas oriundas do Velho Mundo, afora as pesquisas que já fiz pela mitologia asiática, não pude me furtar, por vezes, ao desejo de ler as quadras de Nostradamus como quem busca ali entendê-las, decifrá-las, o que é natural em relação a este tipo de texto. Desenvolvi um método próprio, muito pessoal (parte dele, ou alguns indícios dele, explico em capítulo de meu livro de poesias e textos diversos Florilégio de Alfarrábio, 2002).&lt;br /&gt;No presente e breve texto, apresento uma leitura, segundo esses princípios próprios de interpretação, de três quadras das centúrias. São elas: Quadra XVIII da Centúria IV; Quadra LIII da Centúria V e XCVI desta mesma V Centúria. Transcrevo-as a seguir no original e segundo a tradução de António da Silva Lopes:&lt;br /&gt;Est. XVIII, IV Cent.:&lt;br /&gt;Des plus lettrez dessus les faicts celestes&lt;br /&gt;Seront par Princes ignorans reprouvez :&lt;br /&gt;Punis d’Edict, chassez, comme scelestes,&lt;br /&gt;Et mis à mort lá où seront trouvez.&lt;br /&gt;Dos mais letrados de cima os feitos celestes&lt;br /&gt;Serão por Príncipes ignorantes reprovados:&lt;br /&gt;Punidos por Édito, expulsos, como celerados,&lt;br /&gt;E postos à morte lá onde forem encontrados.&lt;br /&gt;Est. LIII, V Cent.:&lt;br /&gt;La loy dy Sol &amp;amp; Venus contendus&lt;br /&gt;Appropriant l’esprit de prophetie,&lt;br /&gt;Ne l’un ne l’un ne l’autre ne seront entendus,&lt;br /&gt;Par Sol tiendra la loy du grand Messie.&lt;br /&gt;A lei do Sol e Vênus contendidos&lt;br /&gt;Apropriando o espírito de profecia,&lt;br /&gt;Nem um nem outro serão entendidos,&lt;br /&gt;Por Sol se manterá a lei do grande Messias.&lt;br /&gt;Est. XCVI, V Cent.:&lt;br /&gt;Sur le milieu du grand monde la rose,&lt;br /&gt;Pour nouveaux faicts sang public espandu :&lt;br /&gt;A dire vray on aura bouche close,&lt;br /&gt;Lors au besoing viendra tard l’atendu.&lt;br /&gt;No meio do grande mundo a rosa,&lt;br /&gt;Para novos feitos sangue público derramado:&lt;br /&gt;Para falar verdade ter-se-á boca fechada,&lt;br /&gt;Então se for preciso virá tarde o aguardado.&lt;br /&gt;Para Érika Cheetam, a quadra XVIII da Centúria IV é uma referência às atrocidades cometidas pela Inquisição em nome da Fé:&lt;br /&gt;“Notam-se resquícios da Inquisição nestes versos. Na realidade, os astrólogos não foram tão duramente perseguidos depois da morte de Nostradamus como no século anterior. É possível também que ele se referisse à caça às bruxas que assolou a Europa e só mais tarde amainou. Nostradamus foi convocado a depor diante do tribunal da Inquisição em Toulouse e teve que desaparecer durante algum tempo.”&lt;br /&gt;(CHEETAM: 1983, P. 215)&lt;br /&gt;Com efeito, esta quadra é de uma clareza quase impressionante em termos de censura e repressão. Se pensamos no próprio autor, Nostradamus sofreu com a perseguição da Inquisição e sabia como seu conhecimento era considerado proibido e, para muitos religiosos, de natureza demoníaca. A quadra pode se referir a inúmeros episódios da história da humanidade posteriores à época de Nostradamus e, mais ainda, a diversos lugares do mundo. As ditaduras - sejam de esquerda ou de direita, fascistas, marxistas ou capitalistas - tiveram e têm como prática constante a perseguição aos dissidentes, não apenas políticos, mas também e com grande furor, aos artistas (poetas, pintores, romancistas, dramaturgos) e assim também como aos jornalistas e à liberdade de imprensa. Salazar em Portugal (1926 - 1974), Franco na Espanha (1939-1975), Stalin na extinta União Soviética (1930-1953), Nicolau Ceaucescu na Romênia (1965 - 1989), o clã dos Somoza na Nicarágua (1936-1979), Saddam Hussein no Iraque (1979 - 2003) apenas para ficarmos em alguns exemplos do século XX. Não precisamos buscar exemplos assim tão explícitos de ditadura, podemos encontrar aspectos semelhantes na “caça às bruxas” movida pelo governo norte-americano no período do chamada Mcartismo, ou a ditadura populista de Getúlio Vargas no Brasil, e para ficarmos no nosso caso, o período da ditadura militar em que a repressão ganhou contornos das mais terríveis ditaduras de repressão à liberdade de expressão (1964-1978). Ainda na América do Sul, ditaduras no Chile, na Bolívia, no Peru e na Argentina, primaram pela perseguição aos opositores, aos artistas, aos jornalistas. Assim, a quadra de Nostradamus cabe perfeitamente bem em qualquer um&lt;br /&gt;desses casos, inclusive na França, por exemplo, no período entre a Revolução Francesa e o Império Napoleônico.&lt;br /&gt;Claro que é possível, em se querendo prestar crédito aos poderes proféticos do autor dessa quadra, que ele devia estar se referindo a algo particular, um caso específico e não geral, que não obstante, serve de exemplo aos demais, em gênero, número e grau. A tarefa de decifrar e de encontrar esse período específico, esse caso singular que se refere ao geral como exemplo, envolve às mais diferentes técnicas e estratégias esotéricas e intertextuais.&lt;br /&gt;Para a estrofe LIII da V Centúria Érika Cheetam apresenta a seguinte interpretação:&lt;br /&gt;“O Sol representa aqui a cristandade e Vênus, o Islã. Esta quadra reafirma o desejo de Nostradamus de ver o cristianismo governando o mundo. Infelizmente esta é uma das quadras que, parece, nunca se realizarão.”&lt;br /&gt;(CHEETAM: 1983, p. 282)&lt;br /&gt;Outro intérprete de Nostradamus, Ettore Cheynet em seu livro Nostradamus e o Inquietante Futuro (1987), apresenta uma interpretação próxima a de Cheetam:&lt;br /&gt;“Haverá, pois, uma lei solar e uma lei de Vênus, que estarão em oposição, e ambas pouco seguidas. Adequando-se ao espírito da profecia: é preciso interpretar ao pé da letra. A lei do sol penderá para a antiga religião cristã.”&lt;br /&gt;(CHEYNET: 1987, p. 112)&lt;br /&gt;P.V. Piobb em seu O Segredo das Profecias de Nostradamus demonstra engenhosamente os artifícios com que é possível aplicar elementos astrológicos na interpretação dessas quadras. De fato, não é possível negligenciar a aplicabilidade de estratégias engenhosas de astrologia no processo de decifrar o texto. Para nós as referências no primeiro verso dessa quadra ao Sol e a Vênus superam a relação cristianismo/islamismo.&lt;br /&gt;Se pensarmos no âmbito da Astrologia, Sol e Vênus contendidos (em oposição), o que é uma situação astrologicamente impossível, uma vez que Vênus nunca está além de 46.° do Sol. Assim, parece que se desautoriza em falarmos em elementos astrológico nessa estrofe, mas reside justamente aí um dos principais fatores herméticos do texto de Nostradamus, qual seja, o de colocar à vista elementos surpreendentes que podem parecer acima de qualquer suspeita ou possibilidade de relação. Se lemos toda a estrofe nesse contexto astrológico, podemos entender que ela nos fala que existe uma lei pela qual Sol e Vênus não podem entrar em oposição, e que se isso um dia ocorresse, os homens não conseguiriam entender o céu ou arrumar explicação para o evento, seria um evento catastrófico de grandeza sideral (apocalíptico) e que, portanto, mantém-se essa lei como uma lei que garante a eternidade ou a permanência das palavras do “Grande Messias” (Cristo?!). Se, por outro lado, agora pensamos no significado simbólico religioso que autores como Érika Cheetam e Ettore Cheyenet costumam aplicar a esta quadra, podemos perceber agora que ele não fala propriamente da guerra contínua entre cristãos e muçulmanos (desde antes das Cruzadas até os dias atuais), mas sim, o contrário, de que é a existência dessa oposição que se contrapõe ao que o próprio céu ensina: de que Vênus e o Sol estão próximos, quase que em constante conjunção. Assim, a rota da felicidade na Terra é aprender com o Céu (lembremos do que nos ensina o Padre António Vieira no seu belíssimo “Sermão da Sexagésima” quando usa a metáfora do xadrez de estrelas para se&lt;br /&gt;referir ao discurso das palavras!). Aproveitando-me ainda da lição de António Vieira, o grande messias pode ser entendido, nesse caso, como o Céu:&lt;br /&gt;“Já que falo contra os estilos modernos, quero alegar por mim o estilo do mais antigo pregador que no Mundo. E qual foi ele? - O mais antigo pregador que houve no Mundo foi o Céu. Coeli enarrant gloriam Dei et opera manuum ejus annuntiat Firmamentum - Diz Davi.”&lt;br /&gt;(VIEIRA: 1968, p. 105)&lt;br /&gt;Dito isto, convém lembrar a importância capital que se descobriu existir do planeta Vênus no calendário maia, povo cuja astronomia foi, sem dúvida, das mais desenvolvidas e exatas dentre os povos antigos.&lt;br /&gt;“De modo geral, todos concordam que a Contagem Longa [dos Maias] começou com um evento conhecido como o nascimento de Vênus, em 12 de agosto de 3114 a.C. Foi tão importante para os maias, que estes o empregaram como a base de seu calendário, mais ou menos como usamos o nascimento de Jesus para o nosso. Förstemann, o bibliotecário de Dresden, e outros mostraram que os maias usavam os ciclos de Vênus para estabelecer longos períodos de tempo. (...) [E três páginas adiante] Como o calendário maia assinala a data de 22 de dezembro de 2012 como o final da era atual - quando, segundo os maias, devemos esperar algum tipo de catástrofe -, seria isso uma antecipação do que está por acontecer?”&lt;br /&gt;(GILBERT &amp;amp; COTERREL: 1999, p. 185-188)&lt;br /&gt;Adrian Gilbert e Maurice M. Cotterell em um polêmico, mas instigante, estudo (As Profecias Maias) levantam a tese de que existe uma correlação entre o ciclo venusiano do calendário maia e o ciclo das manchas solares de modo que o início ou término desses ciclos coincidem e que os Maias de alguma forma intuíram essa ligação. Evidentemente o período de máxima atividade das manchas solares tem sido associado a uma seqüência de eventos atmosféricos, geológicos e climatológicos na Terra. Esses ciclos combinam a cada 5.125 anos de forma drástica, de modo que é o momento em que o Sol teria uma modificação no seu pólo magnético de tal magnitude que levaria a modificações graves na atmosfera, no clima e no relevo de todos os planetas do Sistema Solar e, no nosso caso, em especial, a Terra. Desse modo o verso primeiro da quadra referida de Nostradamus também pode ser entendido como uma forma que o mago encontrou para profetizar acerca da conturbada relação entre os ciclos venusianos e solares, tanto no âmbito da humanidade, quanto no âmbito celeste.&lt;br /&gt;Por fim a respeito dessa quadra, convém observar que Vênus e o Sol têm na mitologia européia e em especial, na greco-latina, uma significação específica. Vênus (que é associada à Afrodite grega e ainda, à Astarte oriental), deusa da fertilidade e do amor e por extensão da sensualidade e da feminilidade, que teve em poetas clássicos antigos, cujo exemplo mais significativo parece ser Safo de Lesbos, a tematização constante de seus dotes, é também uma figura ou divindade mitológica que tem um temperamento impulsivo. Já o Sol associado a figuras mitológicas como Hélio e Apolo, é aquele que tudo vê, pois tudo ilumina.&lt;br /&gt;Nietzsche via uma oposição significativa entre Apolo e Dioniso - este, o deus instintivo, erótico, liberalizador da consciência. O princípio apolíneo seria a base do&lt;br /&gt;pensamento socrático e que sustenta a ordem política, religiosa e social da sociedade ocidental, ao passo que Dioniso representaria o passado remoto em que o instinto se sobrepunha, em muitos casos, à racionalidade. Nesse âmbito, podemos ver também uma oposição entre os eixos Apolo/Hélio e Vênus/Dioniso. Mas, voltando ao princípio dessa nossa interpretação acerca do Sol e de Vênus, essa oposição representaria o caos, o cataclisma, o apocalipse e que para superá-la é preciso compreender que se o Sol é a razão e Vênus o amor, a paixão, que existe uma razão no Amor (Vide o “Hino à Razão” de Antero de Quental) e um amor à Razão. Somente constante proximidade entre o princípio venusiano e o princípio solar pode garantir a unidade e a harmonia necessárias à humanidade para compreensão e superação de seus impasses.&lt;br /&gt;A terceira quadra que nos propomos analisar tem a seguinte interpretação para Curtis Masil em seu As Centúrias de Nostradamus (1987):&lt;br /&gt;“Mensagem mística, sem dúvida. A rosa é a chave. Irradia a verdade, não a de uns, mas a de todos. A liberdade de expressão irá desaparecer por uns tempos da face do mundo. Depois, sim, há de chegar, ainda que tarde, um salvador. Porque se trata de uma quadra mística, a rosa, no entanto, não é política, não é socialista tampouco. É o que é: uma rosa, apenas. Quem lê entenda!”&lt;br /&gt;(MASIL:1987, p. 148)&lt;br /&gt;Como escritor esotérico, Masil adota o estilo lacônico, elíptico, de forma que deixa no ar o significado da rosa encontrado por ele na leitura da quadra. Umberto Eco, no seu mais famoso romance, O Nome da Rosa, já trabalhara o conceito medieval da rosa. Algumas incongruências, no entanto, permanecem na interpretação de Masil, como a distinção entre “política” e “socialista”, o que de certo modo não se sustenta, bem como que a significação mística se oporia a estas, o que não também, do ponto de vista dos estudos sociológicos, antropológicos e culturais também não se verifica.&lt;br /&gt;Érika Cheetam, a respeito dessa quadra, se cala, e apresenta apenas uma tradução livre e lacônica da quadra.&lt;br /&gt;José García Alvarez assina matéria colocada na Internet (http://relatoscortos.com) em que interpreta algumas das quadras de Nostradamus, e com relação a esta em particular escreve:&lt;br /&gt;“SANGRIENTOS ACONTECIMIENTOS SOCIALES: (...)Desde los años 70 en adelante, en que sobre la mitad del mundo gobernará el partido socialista, el de la rosa, por nuevos hechos trágicos, como atentados terroristas, accidentes de todo tipo, masacres deportivas, asesinatos de psicópatas, pruebas secretas militares, la sangre pública será expandida: Pero, a decir verdad, prácticamente, sobre todo esto los gobiernos del mundo tendrán la boca cerrada. Es entonces, más adelante, en la necesidad, cuando verán sus errores, pero vendrá tarde para ellos, el esperado Jesús el Hijo del Hombre.”&lt;br /&gt;(ALVAREZ: Internet, 2005)&lt;br /&gt;A polêmica relação entre socialismo ligado à repressão ditatorial e de outro o cristianismo ligado à liberdade, tem implicações ideológicas das mais conflitantes e questionáveis. E Tadd Mann em Millennium Prophecies, baseando-se numa interpretação de Edgar Cayce, comenta:&lt;br /&gt;“Century V,96 refers either the 'Third Antichrist' or to 'The Three' being killed by the Antichrist, and could therefore be a reference to the three initial republics making a coalition following the breakdown of the USSR in the early 1990s, and being responsible in some way for creating conditions for the arrival of the Antichrist.”&lt;br /&gt;(MANN: 1992).&lt;br /&gt;Mann aponta esse período de repressão como se referindo aos regimes ditatoriais mantidos sob os auspícios da famosa cortina de ferro e do protetorado que a URSS exercia sobre o leste europeu. A queda do muro de Berlim e a derrocada da União Soviética representariam a conquista da liberdade de expressão.&lt;br /&gt;Do meu ponto de vista, assim como fizemos com a quadra XVIII, IV Centúria, aqui existe uma gama de possibilidades interpretativas. A História nos permite uma grande quantidade de datas e eventos que se relacionam a isso: um período de repressão, de censura, de perseguições que sucumbe por fim, quando se abre novamente as portas da liberdade. A “boca fechada”, “o sangue público” são expressões incontestes desse significado. Por outro lado, dois elementos nessa estrofe me chamam a atenção. O primeiro é a rosa, essa que está no “meio do mundo” e o segundo é o “aguardado” que virá ainda que tarde para libertar o povo.&lt;br /&gt;O signo do “aguardado”, do esperado, daquele que virá pode ser encontrado nas mais diferentes acepções na história da humanidade. Desde Cristo e a epifania dos reis magos, passando por outros como Dom Sebastião em Portugal e no sertão do Brasil, encontramos também no discurso pseudo-profético de um fanático como Antônio Conselheiro, mas podemos também relacionar simbolicamente com outras figuras bem distintas do sentido messiânico, como Júlio Prestes ou Che Guevara ou ainda, Tiradentes e os inconfidentes (“Libertas quae sera tamen”). Esse aguardado, esse esperado pode, ao final das contas, ser qualquer um que se predisponha à luta pela liberdade diante de um estado repressivo e tirano, pode ser um poeta como Pablo Neruda (Chile), Giorgios Seferis (Grécia), entre tantos, ou um músico como Geraldo Vandré (no Brasil), Victor Jará (Chile), p.ex., o que define essa figura simbólica não é propriamente a sua condição profética ou messiânica, mas sim, sua condição de luta pela liberdade.&lt;br /&gt;O signo da “rosa”, por fim, tem aspecto ambíguo. É claro que pode se referir como símbolo desse estado ditatorial, daí o fato de alguns ligarem ao socialismo e por extensão às ditaduras que se mantiveram sobre uma falsa aparência socialista. Mas por outro lado, se lemos a quadra com menos impulso ideológico determinado e contaminado, podemos ver que a rosa não é o signo do estado repressivo, mas antes que ela é a esperança colocada no deserto, no meio do mundo, e que representa com o seu florescimento a luta contra a ditadura. A rosa, em questão, pode ser a obra do artista. Essa é a obra que se produz sob o sangue derramado, é a luta desigual concretizada no engajamento artístico contra a opressão.&lt;br /&gt;No nosso entender, nessas e em várias outras quadras das centúrias de Nostradamus vemos um autor que hermetiza em seus símbolos uma condição que o próprio autor passou, a de ter que falar por meandros, por figuras, por metáforas e alegorias diversas para poder passar uma mensagem não simplesmente apocalíptica, fatalista, derrotista dos destinos da humanidade, mas sim, para falar da esperança e dos caminhos que podem levar à superação e modificação de um estado de coisas conflitantes.&lt;br /&gt;© Jayro Luna, 2005.&lt;br /&gt;Referências Bibliográficas:&lt;br /&gt;ÁLVAREZ, José García. Artigo na Internet “Nostradamus Y La Actualidade” em: http://relatoscortos.com.&lt;br /&gt;CHEETAM, Érika. As Profecias de Nostradamus. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1983.&lt;br /&gt;CHEYNET, Ettore. Nostradamus e o Inquietante Futuro. São Paulo, Círculo do Livro, 1987.&lt;br /&gt;GILBERT, Adrian &amp;amp; COTTERELL, Maurice M. As Profecias Mais. Rio de Janeiro, Nova Era, 1999.&lt;br /&gt;MANN, Tadd. Millenium Prophecies. Element Books, 1992.&lt;br /&gt;MASIL, Curtis. As Centúrias de Nostradamus. Rio de Janeiro, Ediouro, 1987.&lt;br /&gt;NOSTRADAMUS. Profecias (tradução: Antônio da Silva Lopes). Lisboa, Vega, 1978.&lt;br /&gt;PIOBB, P.V. O Segredo de Nostradamus. Rio de Janeiro, Editora Três, 1973.&lt;br /&gt;VIEIRA, António. Sermões e Cartas. Rio de Janeiro, Agir,&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/55750104921950016-1979631790822872488?l=literaturateosofia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/feeds/1979631790822872488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/04/ensaios-de-um-grnade-mestre-e-doutor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/1979631790822872488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/55750104921950016/posts/default/1979631790822872488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturateosofia.blogspot.com/2009/04/ensaios-de-um-grnade-mestre-e-doutor.html' title='Ensaios de um Grande Mestre e Doutor(pois é Doutorado e não advogado e médico que nem defendem uma dissertação ou tese) Ele fez'/><author><name>literaturasofia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12541528314244690654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SdD1ksZuCMI/AAAAAAAAABU/nYG7Fv1KG8Y/S220/Antonio_Jose_da_Silva_O%2520Judeu_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/Sfif6p5MbFI/AAAAAAAAAKQ/MyXh-LOf56o/s72-c/mestre+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-55750104921950016.post-8498981140619958813</id><published>2009-04-22T12:14:00.000-07:00</published><updated>2009-08-13T08:52:10.183-07:00</updated><title type='text'>LITERATURA CLÁSSICA ROMANA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SfdUAtAkU3I/AAAAAAAAAGg/-N3dzAN1C94/s1600-h/ROAMAT.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 205px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329821055074980722" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_KI8J2nCiVeE/SfdUAtAkU3I/AAAAAAAAAGg/-N3dzAN1C94/s320/ROAMAT.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ORFEU SPAM APOSTILAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aulularia de Plauto - 3 estudos e resumo&lt;br /&gt;PLAUTO E A AULULARIA&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;[1]&lt;!--[endif]--&gt;&lt;br /&gt;Mariza Mencalha de Souza (UFRJ)&lt;br /&gt;Resumo:&lt;br /&gt;Apresentação da vida e obra do comediógrafo latino Plauto. Destaque de alguns aspectos da comédia Aululária, sobretudo de seus personagens e enredo.Resumo dos atos e cenas da peça.&lt;br /&gt;PALAVRAS-CHAVE: Plauto; Aululária; Euclião.&lt;br /&gt;PLAUTO: VIDA E OBRA&lt;br /&gt;Plauto nasceu em Sársina, na Úmbria, provavelmente em 254 a.C., e morreu em 184 a.C., data esta apresentada por Cícero no Brutus (15, 60) e aceita pela maioria dos especialistas modernos que se dedicaram ao estudo da vida e obra do comediógrafo latino. Provinha de família modesta, mas não sabemos ao certo se era livre ou escravo liberto, embora a primeira hipótese seja apontada pela crítica como a mais plausível.&lt;br /&gt;Sua língua materna era o umbro, mesclado talvez de elementos célticos, mas conhecia o grego e tinha grande domínio do latim, adquirido, para alguns, na Úmbria latinizada e, para outros, em Roma, para onde supõem ter ido bem jovem.&lt;br /&gt;Chegando à Urbe, ingressou, informa Aulo Gélio, numa companhia teatral, tornando-se algum tempo depois senhor de uma boa fortuna, perdida no comércio marítimo e nas viagens empreendidas pelo Mediterrâneo.&lt;br /&gt;Arruinado, teve de voltar a Roma e sujeitar-se ao duro trabalho de moleiro, para garantir o seu sustento. Entre um intervalo e outro da penosa profissão, compôs as comédias Saturio, Addictus e uma terceira, hoje desconhecida. As três peças, já revelando o gênio do poeta, fizeram grande sucesso e, desde então, permitiram a Plauto refazer a vida e dar a ela um novo rumo.&lt;br /&gt;A partir daí, a fama e a popularidade do dramaturgo viriam a crescer cada vez mais. Isto é comprovado não só pela audiência que tiveram suas futuras comédias junto ao público, mas também pelo próprio fato de circularem e serem representadas após sua morte dezenas de peças com seu nome, tidas mais tarde como apócrifas ou duvidosas.&lt;br /&gt;Era um total de 130 comédias. Varrão, todavia, analisando e comparando o estilo e a língua empregados nessas peças, chegou à conclusão de que apenas vinte e uma delas eram plautinas.&lt;br /&gt;Desse grupo das comédias autênticas, conhecidas como Varronianae, chegaram até nós alguns fragmentos da Vidularia e as vinte peças seguintes: Amphitruo, Asinaria, Aulularia, Bacchides, Captiui, Casina, Cistellaria, Curculio, Epidicus, Menaechmi, Mercator, Miles gloriosus, Mostellaria, Persa, Poenulus, Pseudolus, Rudens, Stichus, Trinummus e Truculentus.&lt;br /&gt;Nada existe de seguro quanto ao ano de representação dessas obras. Com exceção do Stichus e do Pseudolus, encenados, respectivamente, conforme suas didascálias, em 200 e 191 a.C., as demais peças possuem datas aproximadas, algumas ainda incertas e controversas, outras aceitas sem muita polêmica e coincidentes entre si na opinião de vários críticos.&lt;br /&gt;Plauto estreou no teatro cômico, a julgar pela data da comédia mais antiga, fixada em torno de 215 a.C., aos quarenta anos, e somente o abandonou aos setenta, quando, por volta de 185 a.C., levou ao palco a Casina, considerada pela crítica como sua última peça.&lt;br /&gt;Nos seus prováveis trinta anos de carreira, Plauto dedicou-se apenas à comédia. Seu período de maior produção literária ocorreu por volta de 204-194 a.C., portanto, entre os seus cinqüenta e sessenta anos de idade.&lt;br /&gt;Antes de abraçar a profissão de comediógrafo, atuou como palhaço em algumas farsas atelanas e exerceu alguns papéis em mimos, experiência que deixou profundas marcas em seu teatro.&lt;br /&gt;Viveu de sua arte e para ela, exercendo, a um só tempo, o papel de diretor de companhia teatral, empresário, ator, autor e editor das próprias peças. Atuou como personagem em algumas de suas comédias e dedicou-se inteiramente à composição da palliata, gênero de temas e personagens gregos.&lt;br /&gt;A palliata de Plauto foi grandemente elogiada por Varrão, Cícero e Élio Estilão, e atravessou os séculos, despertando o interesse de comediógrafos e estudiosos de várias épocas.&lt;br /&gt;APRESENTAÇÃO DA AULULARIA&lt;br /&gt;Personagens&lt;br /&gt;Os personagens que se envolvem diretamente na trama da peça, contracenando ou não com o protagonista Euclião (gr. eû-kléos, boa fama ou eu-kleío, aquele que esconde), seguem abaixo relacionados, com seus nomes, traços e papéis.&lt;br /&gt;a) Licônides (gr. Lykonídes, de lúkon eîdos, semelhante ao lobo): é o jovem galã da peça. Aparece somente no final do enredo, para confessar o mal que fizera a Fedra. Apesar de sua personalidade fraca e de sua estroinice, é um bom rapaz.&lt;br /&gt;b) Fedra (gr. Phaîdra, brilhante, termo associado, sem dúvida, à beleza física da moça): filha de Euclião. Jovem engravidada por Licônides na festa de Ceres. Será prometida em casamento a Megadoro. Só aparece na peça para dar à luz e conhecer o pai de seu filho. O traço mais marcante de seu caráter é a religiosidade.&lt;br /&gt;c) Estáfila (gr. staphyle, cacho de uva madura, denominação que condiz com seu gosto pelo vinho): criada de Euclião. Exerce na peça o papel de confidente de Fedra e compartilha do drama da moça até o fim. É zombeteira, porém dedicada ao seu amo.&lt;br /&gt;d) Congrião (gr. góggrion, côngrio, peixe intruso, imagem, possivelmente, aproveitada por Plauto para destacar esse traço do caráter de Congrião): um dos cozinheiros contratados por Megadoro para preparar o banquete de suas núpcias com Fedra. É intrometido e tem fama de ladrão.&lt;br /&gt;e) Megadoro (gr. méga dôron, grande dom, generoso): irmão de Eunômia e tio de Licônides. Velho solteirão e rico, que se notabiliza pela generosidade e caráter zombeteiro.&lt;br /&gt;f) Eunômia (gr. Eunomía, boa ordem, nome mítico de uma das três Horas que controlavam as estações do ano e as portas do céu): mãe de Licônides. Representa, juntamente com o irmão, um legítimo símbolo da “burguesia” romana. Suas qualidades mais notáveis são a serenidade, a discrição e o bom senso.&lt;br /&gt;g) Estróbilo (gr. Stróbilos, rodopiante como um pião, nome que sugere o estado em que fica pelo seu hábito de tomar vinho): participa da peça como escravo, ora de Megadoro, ora de Licônides. À semelhança de Estáfila, é também zombeteiro e dedicado.&lt;br /&gt;Enredo&lt;br /&gt;A Aulularia (= marmita) é considerada uma comédia de intriga e de caráter. Como comédia de intriga, apresenta duas ações: uma voltada para as peripécias e confusões de Euclião, surgidas depois de ele haver encontrado, na lareira de sua casa, uma marmita cheia de ouro; outra, centrada na história de amor de sua filha, grávida de Licônides, e que será pedida em casamento por Megadoro, sem que este e seu futuro sogro saibam da gravidez da moça.&lt;br /&gt;Os dois enredos, com predominância do primeiro, são independentes um do outro, mas encontram-se entrelaçados, uma vez que seus principais incidentes, o roubo da marmita e a confissão de Licônides, vão se combinar, no fim da história, para solucionar o problema de Euclião, de sua filha e do rapaz que, com a ajuda da mãe, levará o tio a desistir do casamento.&lt;br /&gt;Nesse momento, já ciente do drama dos dois jovens e da desistência de Megadoro, Euclião concede Fedra em casamento a Licônides e dá ao casal a marmita recuperada.&lt;br /&gt;Este final feliz, mostrando o desprendimento do protagonista, não consta da Aulularia. É de autoria de Codro Urceo, um latinista do século XV, que refez o último ato, com base nos argumentos, no prólogo e no IV fragmento da peça, a qual chegou até nós com o referido ato incompleto, contendo apenas fragmentos de sete versos.&lt;br /&gt;Como comédia de caráter, a peça converge para um outro centro de interesse: a avareza de Euclião, tema em torno do qual gravitam as preocupações e temores do velho avarento, bem como suas manias e suspeitas infundadas.&lt;br /&gt;Aqui o objetivo de Plauto é outro: pintar Euclião como uma figura ridícula e um pobre diabo que ficou transtornado com a súbita descoberta de um tesouro.&lt;br /&gt;Modelos do avarento&lt;br /&gt;O tema da avareza já havia sido tratado por Menandro nas comédias Hydría, Epitrépontes, Thesaurós e talvez em outras, mas é impossível precisar em qual dessas obras Plauto se inspirou para criar seu personagem, visto que Euclião possui traços de todos os avarentos presentes nessas peças.&lt;br /&gt;Além disso, não está descartada aqui a hipótese de ser a Aulularia resultado da contaminatio, processo a que recorreram Plauto e outros cômicos latinos para fundir duas ou mais peças numa só.&lt;br /&gt;Cronologia&lt;br /&gt;O ano de representação da Aulularia também é incerto, contudo os estudiosos da peça costumam datá-la entre 195 e 186 a.C., fazendo-a coincidir com o período de maturidade artística de Plauto.&lt;br /&gt;Episódios tirados da peça, como as desordens no culto de Baco (v. 408), a repressão ao luxo das mulheres (v. 503-504) e outros, têm sido freqüentemente comparados com referências históricas, para explicar sua cronologia.&lt;br /&gt;Estrutura&lt;br /&gt;Apesar de ser mais rica em partes faladas e recitadas, a Aulularia é constituída também de alguns cantos líricos, encontrados, por exemplo, no diálogo entre Eunômia e Megadoro (v. 120-160), no monólogo de Congrião (v. 406-413) e, sobretudo, na célebre cena em que Euclião lamenta o roubo de sua marmita (v. 713-726).&lt;br /&gt;Influências&lt;br /&gt;A Aulularia serviu de modelo a diversos escritores: a um autor anônimo do Baixo Império Romano inspirou a composição do Querolus (séc. V d. C.); a Gelli, a peça La sporta (1543); a Molière, a famosa comédia L’avare (1667).&lt;br /&gt;Entre nós, sua influência também se faz notar na obra O santo e a porca (1964) de Ariano Suassuna, a qual motivou o estudo comparativo feito pelo Professor Paulo Roberto Guapiassú, em sua Tese de Doutorado, intitulada A marmita e a porca: a presença plautiniana na comédia nordestina (UFRJ, 1980).&lt;br /&gt;Resumo da obra&lt;br /&gt;Após os dois argumentos, vem o prólogo, no qual o deus Lar se apresenta como protetor da família de Euclião desde o tempo de seu avô, contando como este lhe confiou um tesouro de ouro e por que fez com que Euclião o reencontrasse. Aqui, o deus destaca, sobretudo, a avareza de Euclião.&lt;br /&gt;Na primeira cena do primeiro ato, há um diálogo entre Euclião, o velho avarento, e sua criada Estáfila. Euclião, com medo de que Estáfila saiba que ele possui uma marmita com ouro, põe-se a agredi-la, tanto física como verbalmente, fazendo-lhe terríveis ameaças.&lt;br /&gt;Em seguida vem o monólogo de Estáfila, centrado, de um lado, na sua perplexidade diante do comportamento insano de seu amo. De outro, em sua preocupação por não saber como ocultar de Euclião a gravidez e a iminência do parto de sua filha Fedra.&lt;br /&gt;Na segunda (ou terceira) cena, fazendo-se passar por homem pobre, Euclião dirige-se à cúria para buscar as moedas de prata que lhe foram reservadas. Antes de sair de casa, o velho avarento constata que seu ouro está em segurança. Mas ainda assim, atormentado e desconfiado, faz diversas recomendações a Estáfila, advertindo-lhe que não permita a entrada de estranhos em casa, durante sua ausência.&lt;br /&gt;Na primeira cena do segundo ato, há um diálogo entre dois irmãos: Megadoro e Eunômia. Preocupada com o irmão, homem de idade madura, Eunômia aconselha-o a se casar e a ter filhos. Para tanto, arranja-lhe uma mulher um pouco mais velha que ele, possuidora, porém, de grande dote. Megadoro, contudo, recusa a proposta da irmã, preferindo contrair matrimônio com uma mulher pobre. Alegando ser suficientemente rico e querendo evitar os inconvenientes que traz o casamento com uma mulher rica, escolhe para esposa a jovem filha de Euclião, vizinho tido por todos como homem pobre e avarento.&lt;br /&gt;Na segunda cena, Euclião volta da cúria de mãos vazias e decepcionado, pois o tão esperado dinheiro não fora distribuído. No caminho para casa, encontra Megadoro, que vem cumprimentá-lo. Desconfiando do vizinho e fingindo-se de pobre, começa a se lamentar da sua vida miserável e do fato de ter uma filha sem dote, para a qual afirma não conseguir casamento. Megadoro então se propõe a ajudá-lo, pedindo-lhe a mão de Fedra. Depois de muita relutância, embora receoso ainda de que o vizinho estivesse cobiçando seu tesouro, Euclião acaba por aceitar-lhe a proposta. Megadoro, mais que depressa, dá início aos preparativos para a festa de suas núpcias.&lt;br /&gt;Na terceira cena, Euclião resolve ir ao foro, mas antes de sair, ordena à sua criada que limpe toda a casa para o casamento da filha com Megadoro. Recomenda-lhe também manter tudo trancado, enquanto ele estiver ausente. Estáfila, por sua vez, surpresa com a rapidez do casamento de Fedra, fica preocupada com a possibilidade de a gravidez da moça vir a ser descoberta pelo pai.&lt;br /&gt;Na quarta cena, após fazer as compras com Megadoro, Estróbilo, atendendo às ordens de seu amo, reserva metade da comida, um magro cordeiro, um cozinheiro (Congrião) e uma flautista (Elêusia) para a casa de Euclião. Um dos serviçais, Ântrax, fica espantado ao saber que o velho Euclião não gastou sequer um asse com as despesas para a festa de casamento da própria filha. E a partir desse episódio, Estróbilo passa a contar uma série de outras histórias, ridicularizando o comportamento mesquinho de Euclião.&lt;br /&gt;Na quinta cena, Estróbilo vai à casa de Euclião e deixa com sua criada a comida, o cozinheiro e a flautista que lhe foram destinados por Megadoro.&lt;br /&gt;Na sexta cena, Pitódico, chefe da cozinha, manda os serviçais da casa de Euclião iniciar os preparativos para o banquete de casamento. Depois, volta à casa de Megadoro para inspecionar o serviço dos outros cozinheiros e põe-se a imaginar como vigiá-los sem grande esforço.&lt;br /&gt;Na sétima cena, Euclião vai ao mercado fazer compras para as núpcias de sua filha, mas não traz nada consigo, por achar tudo muito caro. Alegando não ter dinheiro, compra apenas um grão de incenso e uma coroa de flores. Aproximando-se de casa, nota que a porta está aberta e que há barulho e estranhos no interior de sua residência. Fica logo sobressaltado, imaginando que invasores estão roubando seu ouro. Apavorado, correndo de um lado para o outro, suplica a ajuda de Apolo e pede-lhe que dê cabo dos supostos ladrões.&lt;br /&gt;Na oitava cena, na casa de Megadoro, Ântrax distribui as tarefas entre Dromão e Maquerião. Logo depois, dirige-se à casa de Euclião para pedir uma forma de pão emprestada. Lá, percebe uma grande gritaria, mas não consegue atinar com o que está acontecendo.&lt;br /&gt;Na primeira cena do terceiro ato, o velho avarento espanca violentamente Congrião e seus companheiros que se encontravam em sua casa preparando o banquete de casamento. O cozinheiro sai dali correndo, açoitado por Euclião. Apavorado, pede a ajuda de todos para que o livre de tão humilhante flagelo, prometendo reagir contra a arbitrariedade do velho.&lt;br /&gt;Na segunda cena, num longo diálogo, carregado de ameaças e insultos de parte a parte, Euclião acusa Congrião e seus companheiros de haver invadido sua casa e vasculhado seus quartos. Congrião, por sua vez, procura se defender, tentando convencê-lo de sua inocência e alegando ter entrado em sua casa na condição de cozinheiro e não de ladrão.&lt;br /&gt;Na terceira cena, receoso de que pudessem roubar sua marmita com ouro, Euclião resolve retirá-la de casa e passa a levá-la consigo por toda parte. Por fim, já aliviado, acaba por consentir que os serviçais prossigam em seu trabalho e sai com seu tesouro escondido sob as vestes.&lt;br /&gt;Na quarta cena, Euclião põe-se a pensar no mau negócio que empreendeu ao envolver-se com Megadoro numa aliança que, segundo ele, quase o levou a perder o ouro.&lt;br /&gt;Na quinta cena, Megadoro põe-se a refletir sobre os problemas e conflitos existentes no casamento realizado com mulheres portadoras de dote. Em sua opinião, se os homens ricos se casassem com moças pobres, desprovidas de dote, tais problemas seriam amenizados e, conseqüentemente, a vida conjugal tornar-se-ia mais harmoniosa, e as mulheres, menos perdulárias. Além disso, as esposas ficariam mais submissas aos seus maridos e seriam mais virtuosas. Daí haver Megadoro escolhido para esposa a filha de Euclião, o qual tudo ouve sem ser notado, aprovando fascinado a parcimônia do futuro genro.&lt;br /&gt;Na sexta cena, Megadoro chega-se para Euclião e sugere-lhe apresentar-se mais elegante nas núpcias de sua filha. Este, por sua vez, tenta se esquivar de tal proposta, alegando ser um homem pobre e de origem modesta.&lt;br /&gt;Após defender-se das acusações feitas por Euclião, Megadoro o convida para tomar vinho. Desconfiado de que este pretende embebedá-lo para roubar-lhe o ouro, Euclião recusa o convite, resolvendo tomar apenas água.&lt;br /&gt;Na primeira cena do quarto ato, Estróbilo descreve como deve comportar-se o bom escravo para servir ao seu amo com eficiência, rapidez e lealdade. Por isso, atendendo à ordem de Licônides, resolve sentar-se junto ao altar para inteirar-se do que se passa entre o tio Megadoro e Fedra.&lt;br /&gt;Na segunda cena, Euclião resolve esconder sua marmita no templo da Boa Fé, recomendando à deusa guardar segredo e zelar pela segurança de seu ouro. Contudo, parecendo não confiar inteiramente na deusa, ele se afasta de seu altar, suplicando-lhe ainda que ela lhe permita retirar dali seu tesouro, são e salvo. Estróbilo, que se encontra próximo do local, ouve as preces de Euclião e corre logo para o interior do templo, em busca do ouro.&lt;br /&gt;Na terceira cena, mal sai do templo, Euclião ouve um corvo crocitar e ciscar o chão à sua esquerda. Tem o pressentimento então de que seu ouro corre perigo. Tomado de pavor, resolve voltar ao templo.&lt;br /&gt;Na quarta cena, no interior do templo, Euclião depara-se com Estróbilo e, suspeitando de que sua marmita se encontra em poder do escravo, passa a revistá-lo, exigindo que este a devolva. Põe-se então a espancá-lo e a dirigir-lhe ameaças e insultos. Depois de constatar a inocência do escravo, Euclião resolve expulsá-lo dali. Supondo haver um outro suspeito a quem imagina ser comparsa de Estróbilo, ele sai em seu encalço, ameaçando estrangulá-lo.&lt;br /&gt;Na quinta cena, acompanhando os movimentos de Euclião, que deixa o templo levando a marmita, Estróbilo, de olho em seu tesouro, promete preparar-lhe uma armadilha.&lt;br /&gt;Na sexta cena, decepcionado com a traição da Boa Fé, Euclião retira o tesouro de seu templo para escondê-lo no bosque de Silvano, certo de que agora, guardado em local ermo e inacessível, ele estaria mais seguro. Estróbilo, todavia, descobre o novo plano do velho e, radiante de alegria, chega antes de Euclião às imediações do bosque, para observar, de cima de uma árvore, onde o ouro será escondido.&lt;br /&gt;Na sétima cena, Licônides conta à sua mãe que desonrou, sob o efeito do vinho, a filha de Euclião. Logo que Eunômia ouve os gritos das dores do parto da moça, atendendo ao pedido do filho, procura seu irmão Megadoro para conversar com ele sobre o assunto e pedir-lhe que renuncie ao casamento. Enquanto isso, o rapaz põe-se a procurar pelo seu servo Estróbilo. Não o encontrando, entra para saber o desfecho de sua história.&lt;br /&gt;Na oitava cena, enfim, com a marmita na mão e orgulhoso de si mesmo, Estróbilo dá pulos de alegria, contando em detalhes como conseguiu realizar a façanha de surrupiar o tesouro de Euclião. Tão logo percebe que este se aproxima, sai para esconder o ouro em sua casa.&lt;br /&gt;Na nona cena, Euclião entra em pânico quando finalmente dá pela falta de sua marmita e, desesperado, dirige-se à platéia, na esperança de recuperar seu tesouro. Contudo, notando que ali ninguém sabe de seu paradeiro, perde a vontade de viver. Licônides chega em seguida e, ignorando o que se passa, apavora-se quando vê Euclião aflito, supondo que o velho já sabe que a filha deu à luz.&lt;br /&gt;Na décima cena, Licônides procura Euclião para pedir-lhe perdão pela má ação cometida. Julgando que o rapaz estava falando do roubo de sua marmita, e não da desonra da filha, o velho põe-se a acusá-lo e a ameaçá-lo, exigindo-lhe seu tesouro de volta. Com muito custo, Licônides consegue provar sua inocência e desfazer o mal-entendido, revelando-lhe enfim a má ação praticada e pedindo-lhe a filha em casamento. Sai em seguida à procura de seu escravo Estróbilo, mas promete a Euclião devolver-lhe a marmita, caso venha a descobri-la.&lt;br /&gt;Na primeira cena do quinto ato, Estróbilo vai imediatamente contar a Licônides que furtou a marmita de Euclião e pede-lhe que o liberte. O rapaz, entretanto, conforme prometeu ao sogro, cumpre sua palavra, obrigando o escravo a devolver-lhe o ouro.&lt;br /&gt;O final da peça perdeu-se, restando apenas fragmentos de sete versos.&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;COSTA, Aída. Plauto, Aulularia: a comédia da panelinha. São Paulo: DIFEL, 1967.&lt;br /&gt;DUCKWORTH, George E. The nature of roman comedy. New Jersey: Princeton University Press, 1952.&lt;br /&gt;––––––. The complete roman drama. Nova Iorque: Random House, 1942. 2 vols.&lt;br /&gt;KENNEY, E. J. &amp;amp; CLAUSEN, W.V. Historia de la literatura clásica II. Literatura latina. Versão de Elena Bombín. Madri: Gredos, 1989.&lt;br /&gt;LEJAY, Paul. Plaute. Paris: Boivin, 1925.&lt;br /&gt;PARATORE, Ettore. História da literatura latina. Trad. de Manuel Losa. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1983.&lt;br /&gt;PICHON, René. Histoire de la littérature latine. Paris: Hachette, [s/d.].&lt;br /&gt;PLAUTE. Aulularia. Trad. de A. Ernout. 3a ed. Paris: Les Belles Lettres, 1952.&lt;br /&gt;ZEHNACKER, H. &amp;amp; FREDOUILLE, J. C. Littérature latine. Paris: PUF, 1993.&lt;br /&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;[1]&lt;!--[endif]--&gt; trabalho apresentado no VIII CONGRESSO NACIONAL DE LINGÜÍSTICA E FILOLOGIA (I Congresso Internacional de Estudos Filológicos e Lingüísticos), promovido pelo CiFEFiL no Instituto de Letras da UERJ, em agosto de 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A TRADIÇÃO CLÁSSICA NA COMÉDIA BRASILEIRA&lt;br /&gt;Carlinda Fragale Pate Nuñez (UERJ)&lt;br /&gt;Gisele Nery de Andrade (UERJ)&lt;br /&gt;Michelle de Alcântara (UERJ)&lt;br /&gt;Thereza Maria Zavarese Soares (UERJ)&lt;br /&gt;Viviane da Fonseca Moura (UERJ)&lt;br /&gt;INTRODUÇÃO&lt;br /&gt;O teatro é o gênero da ação falada. Uma personagem fala para agir sobre outra ou para comentar uma ação, neste caso a fala é instrumento da ação. O autor reproduz as falas do cotidiano, organizando-as em diálogos ou monólogos, com o objetivo de se comunicar com os espectadores através de suas personagens.&lt;br /&gt;Na obra analisada neste estudo, O Santo e a Porca, o autor Ariano Suassuna faz uma referência explícita à sua fonte inspiradora logo após o título. O autor nordestino teve como modelo o comediógrafo latino Plauto e sua peça Aulularia, fazendo alusão a comédia clássica e a seu conteúdo crítico que tinha como alvo o sistema político-social vigente e os cidadãos típicos que o integram. A cultura nordestina estrutura-se sobre valores tradicionais e regionais mantidos por uma tradição folclórica e religiosa, assemelhando-se com a cultura clássica estruturada sobre os mitos de seus triunfos heróicos e dos feitos divinos.&lt;br /&gt;Objetiva-se através deste estudo verificar como a tradição dramática pode ser reencenada e ambientada a outras épocas e culturas. Deste modo, tem-se noção da mímesis do texto, do processo de recriação que o torna uma obra única e que exige do autor criatividade para transformar um modelo em algo original.&lt;br /&gt;ANÁLISE&lt;br /&gt;Para se fazer a análise de um texto dramático, deve-se estudar individualmente os seus componentes fundamentais. São eles: as personagens, o enredo, o espaço e o tempo.&lt;br /&gt;Personagens&lt;br /&gt;As personagens estão intimamente ligadas ao enredo, e vice-versa. Estas são as duas forças principais que regem um texto dramático. As personagens foram analisadas levando-se em consideração três aspectos:&lt;br /&gt;- o que ela revela sobre si por meio de um confidente, do "aparte" ou do monólogo;&lt;br /&gt;- o que ela faz, a sua participação na ação da peça;&lt;br /&gt;- o que as outras personagens dizem a seu respeito.&lt;br /&gt;A partir desta primeira análise, pode-se qualificar uma personagem de acordo com os seguintes critérios : sua utilidade, sua propriedade, sua verossimilhança e sua consistência, para em seguida relacioná-las entre si e com o enredo. A análise individual de cada personagem encontra-se na tabela abaixo:&lt;br /&gt;PERSONAGENS CARACTERÍSTICAS&lt;br /&gt;EURICÃO § “Engole Cobra”, Eurico Árabe; § protagonista da peça; § pai de Margarida e irmão de Benona; § personagem avarento.&lt;br /&gt;PORCA § oposição do profano frente ao religioso (Sto. Antônio); § objeto de cobiça; § representa a avareza de Euricão (um dos 7 pecados capitais).&lt;br /&gt;SANTO ANTÔNIO § santo casamenteiro, “achador” e popular; § santo de devoção de Euricão; § representação do sagrado e da fé.&lt;br /&gt;MARGARIDA § “flor bucólica”; § filha de Euricão (a filha é o patrimônio do pai); § noiva de Dodó; § personagem que desencadeia dois pólos de interesse: material (Euricão) e sentimental (Eudoro e Dodó).&lt;br /&gt;BENONA § alusão à personagem de Plauto, Eunomia do grego EUNOMÍA “ordem bem regulada”; § irmã de Euricão; § ex-noiva de Eudoro; § representa os pudores e os recatos.&lt;br /&gt;CAROBA § “árvore grande e forte”; § empregada de Euricão; § personagem que desenvolve toda a rede de intrigas que envolve os casamentos.&lt;br /&gt;PINHÃO § “fruto rústico”; § empregado de Eudoro; § noivo de Caroba; § representação da busca da liberdade.&lt;br /&gt;EUDORO § “EÚDOROS”- composto por “eú” (bom,bem) e de “dôron” (o generoso); § pai de Dodó; § ex-noivo de Benona e pretendente de Margarida; § representação da burguesia.&lt;br /&gt;DODÓ § redução do nome Eudoro (indica a submissão do filho ao pai); § filho de Eudoro; § noivo de Margarida.&lt;br /&gt;A relação entre as personagens e o enredo está representada no esquema a seguir:&lt;br /&gt;O conflito central do enredo é constituído pelas ações da personagem Euricão, que busca alcançar seu objetivo materializado na porca, o que leva a envolver outras personagens na intriga. As três personagens femininas, Benona, Margarida e Caroba, estão diretamente relacionadas ao protagonista, estabelecendo um vínculo de dependência afetiva e financeira. As demais personagens masculinas se envolvem no enredo através destas personagens femininas, ou seja, estão indiretamente relacionadas à personagem central, gerando os conflitos paralelos, ou fricções, que visam um outro objetivo: a realização amorosa pelo casamento.&lt;br /&gt;Enredo&lt;br /&gt;O material que o autor utiliza para inventar sua história denomina-se fábula. Fábula, na concepção latina, é uma narrativa de caráter mítico. Aristóteles chama de fábula a reunião das ações, dos acontecimentos que estruturam uma obra. Portanto, a fábula é o enredo, o material narrativo de que se origina o texto dramático.&lt;br /&gt;Dentro do enredo, encontra-se a intriga e o léxico da intriga. A intriga é a seqüência dos acontecimentos. Ao dispor os fatos numa determinada ordem, o autor revela gradativamente suas intenções. Inicialmente, foram analisados os conflitos em que se encontram as personagens. O conflito central é aquele em que o(s) protagonista(s) depara(m)-se com um obstáculo, seja ele uma ou mais personagens ou uma força abstrata, como o sistema social ou os valores da consciência. Na peça de Suassuna temos como conflito central:&lt;br /&gt;A avareza de Euricão; seu apego demasiado à porca e sua dedicação a ela como substituta da esposa que o abandonou; seu medo de perdê-la; sua devoção a Santo Antônio como protetor de seu lar e de sua porca; colocação da porca no socavão da escada; a retirada da porca do socavão para a sala e para a proteção de Santo Antônio; a retirada da porca de casa, dos cuidados do santo para o cemitério, “onde tudo se perde e não se acha nada”; a colocação da porca no socavão ao lado do túmulo da esposa; o roubo da porca (primeira perda); a devolução da porca; a grande decepção (segunda e derradeira perda).&lt;br /&gt;Em seguida, foram identificadas as engrenagens que compõem a mecânica da obra, o que chamamos de léxico da intriga. São os recursos utilizados pelo autor para manter o interesse do leitor ou espectador até o fim do texto.&lt;br /&gt;O primeiro componente da intriga a ser examinado é a exposição. Se a peça não se inicia com a exposição de informações sobre as personagens e o assunto, ela se inicia de forma abrupta pelo diálogo das personagens.&lt;br /&gt;Os nós formam o segundo princípio componente. Eles são os obstáculos que alteram a situação inicial. Em O Santo e a Porca identificamos como os nós da intriga:&lt;br /&gt;Os mal entendidos por parte de Euricão, que sempre se achava ameaçado de perder a sua porca, resultaram de seus receios e desconfianças: com a intenção da carta de Eudoro; com sua empregada Caroba; com o interesse de Eudoro em comprar a porca; com a porca assada do jantar; com a aproximação e o interesse de Pinhão na porca e com o falso ladrão.&lt;br /&gt;Outro componente fundamental é a peripécia. Cada peripécia representa uma mudança súbita da ação. Na obra de Suassuna, são peripécias: “As várias mudanças de lugar da porca que desencadearam o roubo desta; a revelação do ladrão e a devolução da porca.”&lt;br /&gt;As fricções são os pequenos conflitos que interferem na intriga e enredam-se no conflito central. Por exemplo:&lt;br /&gt;O casamento de Dodó e Margarida que tinha como obstáculo o medo do casal de que seus pais não aceitassem o seu romance; o casamento de Eudoro e Benona, impedido no passado por um obstáculo moral; o casamento de Pinhão e Caroba que tinha como obstáculo a falta de recursos financeiros.&lt;br /&gt;E por último temos o desfecho, o ponto culminante do conflito, a derradeira peripécia após a qual a trama deve terminar.&lt;br /&gt;“A revelação feita por Eudoro de que o tesouro contido na porca não tinha nenhum valor, culminando com a decepção de Euricão.”&lt;br /&gt;Toda esta análise da intriga pode ser ilustrada pelo seguinte esquema:&lt;br /&gt;Prosseguindo com a análise do enredo, foi utilizado o modelo actancial para estudar as estruturas profundas que regem a obra. Este modelo, criado pelo semanticista A. J. Greimas e adaptado ao campo teatral pela especialista Anne Ubersfeld, permite analisar as forças interiores que coordenam a ação. Essas forças são representadas por flechas sendo que não precisam ser necessariamente personagens, podendo ser também desejos ou emoções. Este esquema representa a sintaxe da ação dramática que relaciona as personagens umas às outras através destes elementos invisíveis da ação.&lt;br /&gt;No eixo principal, encontra-se o motor da obra, a relação entre o SUJEITO e o OBJETO da ação. A flecha representa a busca, o desejo, a vontade: aquilo que os une. O objeto pode ser uma abstração (o poder, a segurança), mas representado por uma personagem.&lt;br /&gt;O segundo eixo é o eixo das forças antagônicas. O ADJUVANTE ajuda o sujeito a realizar sua busca e o OPONENTE tenta impedir essa busca.&lt;br /&gt;E o terceiro eixo é o das implicações ideológicas, das motivações. O DESTINADOR é aquilo que faz o sujeito agir e o DESTINATÁRIO é aquilo a que o sujeito atribui sua busca.&lt;br /&gt;Ao dispor os acontecimentos desta ou daquela maneira, o autor transmite a sua mensagem ao público, realiza o seu objetivo. Esta mensagem se encontra na estrutura interna e abstrata da obra, que foi identificada através do modelo actancial.&lt;br /&gt;Espaço e Tempo&lt;br /&gt;O próximo passo é a análise do espaço e do tempo para compreender onde e quando a ação se passa, identificar os lugares e estabelecer uma cronologia.&lt;br /&gt;Chama-se "palais à volonté" o lugar onde a ação se passa e que está intimamente ligado às demais estruturas do texto. Na peça O Santo e a Porca, a ação se passa na sala da casa de Euricão, o que pode ser comprovado nas indicações cênicas. Estas indicações devem ser confrontadas com o texto interpretado pelos atores, pois a linguagem está relacionada com a demarcação espacial e ambas se unem pela ação dramática. No texto analisado, a casa do protagonista é vista por ele próprio como o seu território, protegido pelo seu santo de devoção, e como sua fortaleza, onde ele guarda seus dois tesouros: a filha e a porca.&lt;br /&gt;O "fora de cena", ou seja, o espaço que não se destina a ser representado no palco, também intervém no enredo, sendo evocado ou relatado pelas personagens. O enredo é estruturado sobre a oposição entre o espaço idealizado ou metafórico e o espaço real (palais à volonté). A estruturação dos espaços em O Santo e a Porca pode ser observada no esquema a seguir:&lt;br /&gt;Os espaços utilizados por Suassuna estão relacionados aos de sua fonte inspiradora, a Aulularia de Plauto:&lt;br /&gt;CASA DE EURICÃO / TEMPLO DE STO. ANTÔNIO = TEMPLO DE BONA FIDES&lt;br /&gt;FESTA DE SÃO JOÃO = FESTA DE CERES&lt;br /&gt;CEMITÉRIO = BOSQUE DE SILVANO&lt;br /&gt;HOTEL DE DADÁ = MERCADO (FORUM)&lt;br /&gt;O tempo intervém na ação de várias formas: estabelecendo uma cronologia que reconstitui o desenrolar dos acontecimentos; fornecendo um tempo próprio para cada personagem; através de marcas temporais que aparecem no texto ou tomando uma dimensão metafórica. O próprio diálogo das personagens fornece indicações que inscrevem a ação dentro de um tempo real e juntamente com a divisão em atos (separados por intervalos), cenas e quadros (marcados pelas entradas e saídas das personagens) compõem as principais marcações temporais no momento da representação. O tempo da ficção obedece à concepção clássica das unidades e da verossimilhança. A ação se passa num período de 24 horas dividido entre os três atos da peça. O tempo da representação é caracterizado pela continuidade.&lt;br /&gt;Na peça de Ariano Suassuna, o tempo da representação é marcado da seguinte forma:&lt;br /&gt;PRIMEIRO ATO: Tempo da espera por Eudoro (as ações se passam no período da manhã.)&lt;br /&gt;SEGUNDO ATO: Tempo da espera pela entrevista (as ações se passam no período da tarde)&lt;br /&gt;TERCEIRO ATO: Tempo das entrevistas e das revelações (as ações se passam no período da noite)&lt;br /&gt;Estas marcações ficam muito claras nas falas das personagens. Concluí-se então que, na representação da peça, o fato da "entrevista" é o marcador temporal que a divide em dois grandes momentos:&lt;br /&gt;ANTES DA ENTREVISTA: clima de tensão, espera, expectativa que culminará na reconciliação dos casais Caroba e Pinhão, Margarida e Dodó e Eudoro e Benona.&lt;br /&gt;DEPOIS DA ENTREVISTA: reencontro de Dodó com seu pai Eudoro, os pedidos de casamento, a descoberta do segredo de Euricão (a porca) e a sua decepção.&lt;br /&gt;CONCLUSÃO&lt;br /&gt;Através deste estudo pôde-se observar que as estruturas internas dos textos dramáticos revelam que a tradição literária se conserva em obras contemporâneas, como foi verificado na peça do comediógrafo Ariano Suassuna.&lt;br /&gt;Analisando as personagens, o enredo, o espaço e o tempo em O Santo e a Porca, foram detectados aspectos que demonstram uma aproximação com a comédia latina de Plauto, como o próprio Suassuna admite no subtítulo de sua obra.&lt;br /&gt;Sendo assim, o teatro clássico se renova na contemporaneidade. Um mesmo enredo se atualiza em novos cenários e novos contextos culturais. Valores são retomados de tempos em tempos e colocados em foco pela literatura, sob novas perspectivas.&lt;br /&gt;REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS&lt;br /&gt;Suassuna, Ariano. O Santo e a Porca. Rio de Janeiro : Olympio, 1974.&lt;br /&gt;Plauto. “Aulularia”. Rio de Janeiro : Ediouro, [s.d.]. In: Comédia Latina.&lt;br /&gt;RYNGAERT, Jean-Pierre. Introdução à análise do teatro. São Paulo : Martins Fontes 1996.&lt;br /&gt;Brandão, Junito. Dicionário Mítico-Etimológico. Petrópolis : Vozes, V 1 1997.&lt;br /&gt;Machado, José Pedro. Dicionário Etimológico de Língua Portuguesa. Lisbosa : Livros Horizonte, V 2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A LINGUAGEM AFETIVA NA AULULARIA DE PLAUTO&lt;br /&gt;Mariza Mencalha de Souza&lt;br /&gt;Introdução&lt;br /&gt;A linguagem permite ao homem registrar na escrita ou na fala tudo aquilo que ele pensa, deseja, vê e sente. Usando dessa faculdade, pode o ser humano transpor para o papel ou para a fala uma mensagem lógica, volitiva ou afetiva, isto é, desenvolver seus raciocínios lógicos, externar suas vontades e desejos ou dar vazão a suas angústias, paixões e medos. No ato IV, cenas IX e X da Aulularia, estão presentes essas três funções da linguagem, a intelectiva, a ativa e a emotiva, mas nota-se aí, como veremos neste artigo, a predominância do elemento afetivo, explorado por Plauto em todas as suas potencialidades.&lt;br /&gt;Aulularia: ato IV&lt;br /&gt;Cena IX&lt;br /&gt;EVC: Perii, interii, occidi! Quo curram? quo non curram?&lt;br /&gt;Tene, tene! Quem? Quis?&lt;br /&gt;Nescio, nihil uideo, caecus eo atque equidem quo eam,&lt;br /&gt;aut ubi sim, aut qui sim,&lt;br /&gt;Nequeo cum animo certum inuestigare. Obsecro ego&lt;br /&gt;uos, mi auxilio, 715&lt;br /&gt;Oro, obtestor, sitis et hominem demonstretis quis eam abstulerit.&lt;br /&gt;Quid ais tu? tibi credere certum est; nam esse bonum&lt;br /&gt;ex uoltu cognosco.&lt;br /&gt;Quid est? quid ridetis? noui omnis: scio fures esse hic complures,&lt;br /&gt;Qui uestitu et creta occultant sese atque sedent quasi sint frugi.&lt;br /&gt;&lt;h&gt;em, nemo habet horum? occidisti. Dic igitur, quis&lt;br /&gt;habet? nescis? 720&lt;br /&gt;Heu me misere miserum, perii! male perditus, pessime ornatus eo,&lt;br /&gt;Tantum gemiti et mali maestitiaeque hic dies mi optulit,&lt;br /&gt;famem et pauperiem!&lt;br /&gt;Perditissimus ego sum omnium in terra. Nam quid mi&lt;br /&gt;opust uita? [qui] tantum auri&lt;br /&gt;Perdidi quod concustodiui sedulo! Egomet me defraudaui&lt;br /&gt;Animumque meum geniumque meum; nunc e&lt;rg&gt;o alii&lt;br /&gt;laetificantur 725&lt;br /&gt;Meo malo et damno. Pati nequeo.&lt;br /&gt;LYC: Quinam homo hic ante aedis nostras eiulans conqueritur maerens?&lt;br /&gt;Atque hicquidem Euclio est, ut opinor. Oppido ego interii; palamst res.&lt;br /&gt;Scit peperisse iam, ut ego opinor, filiam suam. Nunc mi incertumst,&lt;br /&gt;[Quid agam] abeam an maneam, an adeam an fugiam.&lt;br /&gt;Quid agam edepol nescio. 730&lt;br /&gt;EVC: Estou perdido, liquidado, morto! Para onde correrei? Para onde não correrei? Pega, Pega! (Pega) quem? Quem (pegará)? Não sei, nada vejo, ando cego e, sem dúvida, não posso saber com exatidão com a cabeça (perturbada), para onde vou, ou onde estou, ou quem sou. Eu vos peço, rogo, suplico que venhais me socorrer e (me) mostreis o homem que a roubou. Que dizes tu? É certo que acredito em ti; na verdade, vejo que (tu), pela aparência, pareces bom. O que há? Por que estais rindo? Conheço todos: sei que existem vários ladrões aqui, que se escondem sob uma roupa branca e ficam sentados, como se fossem santinhos. Ah! Nenhum de vós está com (ela)? Mataste-me. Dize, então, quem está com (ela)? Não sabes? Ai, pobre de mim! Estou inteiramente perdido, terrivelmente perdido! Pessimamente assistido ando, tanto pranto, (tanto) mal e (tanta) aflição, fome e pobreza este dia me trouxe! Eu sou o mais arruinado de todos (os homens) na terra. Na verdade, de que vale a vida para mim? (Para mim), [que] perdi tanto ouro, o qual guardei com tanto cuidado, com (tanto) zelo! Eu mesmo me lesei, (acabei com) minha vida e meu prazer de viver; agora, conclusão, os outros se divertem com a minha desgraça, com a (minha) ruína. Não posso agüentar.&lt;br /&gt;LYC: Quem (é) este homem aflito, lamentando-se e se queixando diante de nossa casa? Mas, como suponho, certamente este é Euclião. Eu estou completamente perdido; o caso torna-se notório. (Ele) já sabe, como eu suponho, que sua filha teve um filho meu. Agora estou em dúvida. O que fazer? Ir embora ou ficar...? Ir lá falar com ele ou fugir? Por Pólux, não sei o que fazer.&lt;br /&gt;Cena X&lt;br /&gt;EVC: Quis homo hic loquitur?&lt;br /&gt;LYC: Ego sum &lt;miser&gt;.&lt;br /&gt;EVC: Immo ego sum [miser], et misere perditus,&lt;br /&gt;Cui tanta mala maestitudoque optigit.&lt;br /&gt;LYC: Animo bono es.&lt;br /&gt;EVC: Quo, obsecro, pacto esse possum?&lt;br /&gt;LYC: Quia istuc facinus quod tuum&lt;br /&gt;Sollicitat animum, id ego feci et fateor.&lt;br /&gt;EVC: Quid ego ex te audio?&lt;br /&gt;*&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;[1]&lt;!--[endif]--&gt;......................................... .&lt;br /&gt;LYC: Deus mihi impulsor fuit, is me ad illam inlexit.&lt;br /&gt;EVC: Quo modo?&lt;br /&gt;LYC: Fateor peccauisse et me culpam commeritum scio;&lt;br /&gt;*....................................................................................... .&lt;br /&gt;EVC: Cur id ausu’s facere, ut id quod non tuum esset tangeres? 740&lt;br /&gt;LYC: Quid uis fieri? factum est illud; fieri infectum non potest.&lt;br /&gt;Deos credo uoluisse: nam ni uellent, non fieret, scio.&lt;br /&gt;EVC: At ego deos credo uoluisse, ut apud me te in neruo enicem.&lt;br /&gt;LYC: Ne istuc dixis!&lt;br /&gt;EVC: Quid tibi ergo meam me inuito tactiost?&lt;br /&gt;LYC: Quia uini uitio atque amoris feci.&lt;br /&gt;EVC: Homo audacissime, 745&lt;br /&gt;*............................................ .&lt;br /&gt;LYC: Quin tibi ultro supplicatum uenio ob stultitiam meam.&lt;br /&gt;EVC: Non mi homines placent qui quando male fecerunt purigant.&lt;br /&gt;Tu illam scibas non tuam esse; non attactam oportuit.&lt;br /&gt;LYC: Ergo quia sum tangere ausus, haud causificor quin eam 755&lt;br /&gt;Ego habeam potissimum.&lt;br /&gt;EVC: Tun habeas me inuito meam?&lt;br /&gt;LYC: Haud te inuito postulo, sed meam esse oportere arbitror.&lt;br /&gt;Quin tu iam inuenies, inquam, meam illam esse oportere, Euclio.&lt;br /&gt;EVC: Iam quidem hercle te ad praetorem rapiam et tibi scribam dicam, nisi refers...&lt;br /&gt;LYC: Quid tibi ego referam?&lt;br /&gt;EVC: Quod surripuisti meum. 760&lt;br /&gt;LYC: Surripio ego tuum? unde? aut quid id est?&lt;br /&gt;EVC: Ita te am&lt;a&gt;bit Iuppiter ut tu nescis!&lt;br /&gt;LYC: Nisi quidem tu mihi quid quaeras dixeris.&lt;br /&gt;EVC: Aulam auri, inquam, te reposco, quam tu confessu’s mihi&lt;br /&gt;Te abstulisse.&lt;br /&gt;LYC: Neque edepol ego dixi neque feci.&lt;br /&gt;EVC: Negas?&lt;br /&gt;LYC: Pernego immo: nam neque ego aurum neque istaec&lt;br /&gt;aula quae siet scio nec noui. 765&lt;br /&gt;EVC: Illam ex Siluani luco quam abstuleras, cedo.&lt;br /&gt;*............................................................................. .&lt;br /&gt;LYC: Sanus tu non es qui furem me uoces. ......... .&lt;br /&gt;*............................................................................. .&lt;br /&gt;EVC: Dic bona fide: tu id aurum non surripuisti?&lt;br /&gt;LYC: Bona.&lt;br /&gt;EVC: Neque scis qui abstulerit?&lt;br /&gt;LYC: Istuc quoque bona.&lt;br /&gt;*.................................... .&lt;br /&gt;EVC: Sat habeo: age nunc loquere quiduis.&lt;br /&gt;LYC: Si me nouisti minus&lt;br /&gt;Genere quo sim gnatus, hic mihi est Megadorus auonculus;&lt;br /&gt;Meus fuit pater Antimachus, ego uocor Lyconides,&lt;br /&gt;Mater est Eunomia.&lt;br /&gt;EVC: Noui genus; nunc quid uis? id uolo noscere. 780&lt;br /&gt;LYC: Filiam ex te tu habes.&lt;br /&gt;EVC: Immo ec&lt;c&gt;illam domi.&lt;br /&gt;LYC: Eam tu despondisti, opinor, meo auonculo?&lt;br /&gt;EVC: Omnem rem tenes.&lt;br /&gt;LYC: Is me nunc renuntiare repudium iussit tibi.&lt;br /&gt;EVC: Repudium rebus paratis, exornatis nuptiis?&lt;br /&gt;Vt illum di immortales omnes deaeque quantum est perduint, 785&lt;br /&gt;Quem propter hodie auri tantum perdidi infelix, miser.&lt;br /&gt;LYC: Bono animo es, [et] benedice. Nunc quae res tibi et gnatae tuae Bene feliciterque uortat: ita di faxint, inquito.&lt;br /&gt;EVC: Ita di faciant!&lt;br /&gt;LYC: Et mihi ita di faciant! ....... .&lt;br /&gt;.................................................... .&lt;br /&gt;....... . Nunc te obtestor, Euclio.&lt;br /&gt;*.............................................. .&lt;br /&gt;Vt mihi ignoscas eamque uxorem mihi des, ut leges iubent.&lt;br /&gt;Ego me iniuram fecisse filiae fateor tuae&lt;br /&gt;Cereris uigiliis per uinum atque inpulsu adulescentiae. 795&lt;br /&gt;EVC: Ei mihi, quod facinus ex te ego audio?&lt;br /&gt;LYC: Cur eiulas,&lt;br /&gt;Quem ego auom feci iam ut esses filiai nuptiis?&lt;br /&gt;*........................................................................ .&lt;br /&gt;Ea re repudium remisit auonculus causa mea.&lt;br /&gt;I intro, exquaere, sitne ita ut ego praedico.&lt;br /&gt;EVC: Perii oppido! 800&lt;br /&gt;Ita mihi ad malum malae res plurimae se adglutinant.&lt;br /&gt;Ibo intro, ut quid huius uerum sit sciam.&lt;br /&gt;LYC: Iam te sequor.&lt;br /&gt;Haec propemodum iam esse in uado salutis res uidetur.&lt;br /&gt;*.................................................................................... .&lt;br /&gt;EVC: Quem (é) este homem falando?&lt;br /&gt;LYC: Sou eu, [um miserável].&lt;br /&gt;EVC: Ao contrário, [miserável] sou eu, e miseravelmente arruinado, a quem tantos males e aflição atingiram.&lt;br /&gt;LYC: Fica calmo, (Euclião).&lt;br /&gt;EVC: De que maneira, suplico, posso ficar (calmo)?&lt;br /&gt;LYC: É que essa má ação que atormenta teu espírito, eu a cometi e confesso.&lt;br /&gt;EVC: Que ouço eu de ti?&lt;br /&gt;LYC: Um deus me aconselhou; este me induziu para ela.&lt;br /&gt;EVC: De que modo?&lt;br /&gt;LYC: Confesso ter pecado e sei que eu cometi uma falta.&lt;br /&gt;EVC: Por que ousaste fazer isto (e) por que mexeste naquilo que não era teu?&lt;br /&gt;LYC: O que queres que seja feito? Isto (já) está feito. Não pode ser desfeito. Estou certo de que os deuses quiseram (isso): pois, sei que se não quisessem, não aconteceria.&lt;br /&gt;EVC: Mas (também) estou certo de que os deuses querem que eu te espanque em minha casa numa corrente.&lt;br /&gt;LYC: Não digas isso!&lt;br /&gt;EVC: Por que então tu mexeste na minha (marmita) contra minha vontade?&lt;br /&gt;LYC: Mexi por indução do vinho e do amor.&lt;br /&gt;EVC: Ó homem mais descarado!&lt;br /&gt;LYC: Mas venho espontaneamente para te pedir (desculpas) por causa de minha insensatez.&lt;br /&gt;EVC: Não me agradam os homens que tentam passar por santinhos depois de se portarem mal. Tu sabias que ela não era tua; não devias tocá-(la).&lt;br /&gt;LYC: Pois bem, porque ousei tocá-(la), não vejo razão para que eu, mais do que qualquer outro, não fique com ela.&lt;br /&gt;EVC: Acaso tu estás com a minha (marmita) contra minha vontade?&lt;br /&gt;LYC: Não (a) peço contra tua vontade, mas penso que (ela) tem de ser minha. Além disso, tu logo chegarás à conclusão, repito, que ela tem de ser minha, Euclião.&lt;br /&gt;EVC: Certamente, por Hércules, vou te arrastar agora mesmo para o pretor e te denunciar, processar, se não devolveres...&lt;br /&gt;LYC: O que eu te devolverei?&lt;br /&gt;EVC: O meu (ouro) que roubaste.&lt;br /&gt;LYC: Eu roubei teu (ouro)? De onde? Então que significa isto?&lt;br /&gt;EVC: Assim Júpiter te proteja como tu não sabes (do que estou falando)!&lt;br /&gt;LYC: Se, de fato, tu não me disseres o que desejas...&lt;br /&gt;EVC: Peço-te de volta a marmita com ouro, quero dizer, (aquela) que tu confessaste teres roubado de mim.&lt;br /&gt;LYC: Por Pólux, nem eu disse (isso) nem (o) fiz.&lt;br /&gt;EVC: Negas?&lt;br /&gt;LYC: Sim, nego até o fim: na verdade, nem eu sei que ouro (é esse), nem também conheço que marmita é essa.&lt;br /&gt;EVC: Aquela que (tu) furtaras do bosque de Silvano, passa pra cá.&lt;br /&gt;LYC: Tu não estás bem (da cabeça) para que me chames de ladrão.&lt;br /&gt;EVC: Fala com toda a sinceridade: tu não roubaste o tal ouro?&lt;br /&gt;LYC: Sinceramente, não.&lt;br /&gt;EVC: Nem sabes quem (o) roubou?&lt;br /&gt;LYC: Isto, sinceramente, também (não sei).&lt;br /&gt;EVC: (Já) me sinto bem (satisfeito): vamos, agora dize o que queres.&lt;br /&gt;LYC: Se não me conheces, (nem) a família de que procedo; aquele é Megadoro, meu tio; meu pai foi Antímaco; eu me chamo Licônides; (minha) mãe é Eunômia.&lt;br /&gt;EVC: Conheço (tua) família; agora, o que queres? Quero saber isso.&lt;br /&gt;LYC: Tu tens uma filha.&lt;br /&gt;EVC: Sim, ela está ali em casa.&lt;br /&gt;LYC: Tu, penso, prometeste-a em casamento ao meu tio?&lt;br /&gt;EVC: Sabes de toda a história.&lt;br /&gt;LYC: Ele mandou-me agora te comunicar (sua) renúncia.&lt;br /&gt;EVC: Renúncia! Depois das bodas prontas, das núpcias preparadas? Que todos os imortais, deuses e deusas, quantos existirem, destruam aquele por causa de quem hoje (eu), infeliz, desgraçado, perdi tanto ouro.&lt;br /&gt;LYC: Fica calmo, [e] dize palavras de bom agouro. Agora, alguma coisa corra bem e com sucesso para ti e tua filha: assim os deuses permitam, dize.&lt;br /&gt;EVC: Assim os deuses permitam!&lt;br /&gt;LYC: E assim os deuses permitam para mim!&lt;br /&gt;Agora te peço, Euclião, /...../ que me perdoes e a concedas a mim como esposa, conforme determinam as leis. Eu confesso que eu cometi uma injúria contra tua filha nas vigílias de Ceres, por causa do vinho, e por um arrebatamento da juventude.&lt;br /&gt;EVC: Ai de mim, que má ação eu ouço de ti?&lt;br /&gt;LYC: Por que te lamentas (tu) a quem eu acabei de tornar avô já nas núpcias de (tua) filha? /...../. Por este motivo, por minha causa, (meu) tio desistiu de casar-se com ela. Vai lá dentro, pergunta se é (ou não é) assim como eu estou contando.&lt;br /&gt;EVC: Estou completamente arruinado! Males terríveis, aos milhares, vêm se juntar assim à minha desgraça. Vou para dentro para que saiba o que disto é verdadeiro.&lt;br /&gt;LYC: Já te sigo. Esta história parece já estar quase resolvida.&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;[2]&lt;!--[endif]--&gt;&lt;br /&gt;Linguagem lógica/linguagem afetiva&lt;br /&gt;Segundo a natureza de seus elementos, Vendryes classifica a linguagem em três tipos: ativa, lógica e afetiva. Será ativa, quando nela prevalecerem os elementos do desejo ou da vontade: vocativo e imperativo, tal como nas frases nunc te obtestor, Euclio (v.791) e bono animo es, [et] benedice (v. 787). Se houver predomínio dos elementos intelectivos, como nas sentenças omnem rem tenes (v.782) e iam te sequor (v.802), estaremos no âmbito da linguagem lógica. No entanto, caso predominem os elementos afetivos, como em frases do tipo perii oppido! (v.800) ou quo curram? quo non curram? (v.713), penetramos, então, no campo da linguagem afetiva.&lt;br /&gt;A linguagem ativa não será aqui objeto de nossas reflexões. Contudo, não é demais acrescentar que ela se mistura também com a linguagem lógica e afetiva, contendo elementos de uma e de outra.&lt;br /&gt;A linguagem lógica predomina na língua escrita e está relacionada à razão, e a afetiva, na falada, ligando-se à emoção. Na primeira, sobressaem os aspectos lógicos, intelectivos da linguagem; na segunda, os psicológicos, provenientes, portanto, dos estados emotivos do falante. Enquanto a linguagem afetiva situa-se no âmbito da Estilística, a lógica encontra-se no terreno da Gramática. Quanto a essa distinção, observa Tavares (1991: 389): “a Estilística ocupa-se primordialmente da chamada linguagem afetiva. Esta, ao contrário da lógica ou intelectiva, que se afere pelos padrões gramaticais e de razão, refugia-se nos meandros surpreendentes e imprevisíveis da psicologia”.&lt;br /&gt;Embora esses planos da linguagem possam ocorrer isoladamente, na maioria das vezes, há interferência de um sobre o outro, ou seja, um se contamina dos elementos do outro. Vendryes (1921: 176) refere-se a essa interpenetração lógico-afetiva, afirmando: “Le langage grammatical logiquement organisé n’est en effet jamais indépendant du langage affectif. Il y a sans cesse action de l’un sur l’autre”.&lt;br /&gt;A frase omnem rem tenes (v.782), pronunciada por Euclião, apresenta todas as características de uma frase intelectiva. Todavia, se lhe acrescentarmos, por exemplo, uma interjeição qualquer, ela adquire um traço de afetividade, resultando numa frase mista. Inversamente, a frase interrogativa neque scis qui abstulerit? (v. 773), marcada pelo sentimento de desconfiança de Euclião, pelo fato mesmo de apresentar seus elementos lógico-gramaticais estruturados, perderia seu valor afetivo, caso fosse convertida numa simples afirmativa, emitida sem nenhuma entonação especial.&lt;br /&gt;Já percebemos a essa altura que, enquanto a linguagem lógica, sustentada pela inteligência, prende-se à camisa-de-força da disciplina gramatical, a linguagem afetiva, baseada na sensibilidade, resulta de uma motivação espontânea, que, segundo Vendryes (1921: 175), “jaillit de l’esprit, sous le coup d’une émotion vive”.&lt;br /&gt;Afirmar que a linguagem afetiva possui como elemento básico a espontaneidade não significa, entretanto, privá-la de uma ordem lógica, pois como ressalta Vendryes (1921: 172), a língua falada, na qual predominam fatores de natureza afetiva, “a sa logique aussi, mais une logique surtout affective, où les idées sont rangées d’après l’importance subjective que le sujet parlant leur donne ou qu’il veut suggérer à son interlocuteur”. Tais fatores, ligados à emoção, resultam na língua falada de recursos bastante expressivos, empregados pelo falante para exprimir sentimentos de toda sorte. Dentre esses recursos, podemos enumerar as reticências, as exclamações, as interrogações e muitos outros, encontrados, não sem razão, com muito mais freqüência, nas cenas IX e X do ato IV da Aulularia, parte da peça em que a sensibilidade de Euclião e de Licônides está à flor da pele, devido ao desespero a que ambos são levados: um, por haver perdido a sua querida marmita com ouro, e o outro, pelo fato de ter de enfrentar, gaguejante e embaraçado, o pai da moça a quem desonrara.&lt;br /&gt;Recursos expressivos&lt;br /&gt;da linguagem afetiva na Aulularia&lt;br /&gt;Seleção vocabular&lt;br /&gt;A escolha das palavras constitui uma rica fonte de expressão da linguagem afetiva, pois se o falante prefere uma palavra a outra é porque aquela selecionada exprime melhor sua disposição afetiva ou contém algum traço a mais, ausente ou menos acentuado no termo substituído. Ocorre, como se vê abaixo, para enfatizar afetivamente uma idéia e muitas vezes até com vocábulos repetidos:&lt;br /&gt;a) perii, interii e occidi (v.713): escolhidos, em vez de um único vocábulo de mesmo sentido, para dar expansão à ruína de Euclião, expressá-la melhor e intensificá-la inclusive por meio da gradação ascendente.&lt;br /&gt;b) pessime (v.721): substituindo male, no grau normal, caracteriza melhor e intensifica mais o estado em que se encontra Euclião, por vir no superlativo.&lt;br /&gt;c) peccauisse (v.738): exprime culpa e arrependimento, como reflexos de uma falta e de um pecado, traço este último contido na própria raiz do verbo.&lt;br /&gt;d) miser: (v.785): acumula duas idéias: infelicidade e desgraça, traço este último ausente no adjetivo infelix.&lt;br /&gt;e) gnata (v.786): marca com mais intensidade a relação afetiva entre Euclião e sua filha, por enfatizar, além do traço de parentesco, o laço consangüíneo, ausente em filia.&lt;br /&gt;Repetição de vocábulos&lt;br /&gt;Representa também outro recurso bastante expressivo da linguagem afetiva. São variados seus efeitos estilísticos, podendo ser verificados nas seguintes situações:&lt;br /&gt;a) perditissimus (v.722): reitera a idéia de ruína e sugere destruição total, por retomar perditus (v.721) e por encontrar-se no superlativo.&lt;br /&gt;b) meum (v.725): acentua afetivamente o valor que Euclião atribui à sua própria vida e o apego que demonstra ter por ela.&lt;br /&gt;c) quid agam (v.729-730): reitera o estado de dúvida, de embaraço e de hesitação de Licônides.&lt;br /&gt;d) uoluisse, uellent (v.741): assinala a vontade dos deuses e enfatiza a isenção de culpa ou responsabilidade de Licônides.&lt;br /&gt;Desvio da ordem habitual&lt;br /&gt;O latim, língua casual, podia prescindir da posição como marcador sintático. Isto não quer dizer, entretanto, que não houvesse algum tipo de ordem dos termos na frase latina. Ela existia, mas não se tratava de uma ordem sintática, e sim usual, consuetudinária. Como diz Rubio (1989:193), “los hablantes latinos nos parecen dar por supuesto un orden natural de las palabras en sus frases”. A alteração dessa ordem constitui, portanto, um recurso da linguagem afetiva, usado pelo falante quase sempre com a intenção de fazer recair sobre o termo deslocado maior expressividade. Ocorre freqüentemente na Aulularia, com exemplos, que vão desde a transposição de um substantivo até o deslocamento de um verbo. Dentre os numerosos casos, destacamos os seguintes:&lt;br /&gt;a) obsecro (v.715) que, normalmente, viria junto aos verbos oro, obtestor, encontra-se no início da frase, para enfatizar a idéia de súplica.&lt;br /&gt;b) tantum gemiti e famem et pauperiem (v.721), postos nos extremos da frase, ressaltam, respectivamente, a idéia de fome e de pobreza aliando-as à ruína e ao intenso sofrimento de Euclião.&lt;br /&gt;c) perditissimus (v.722), iniciando a frase nominal, põe em relevo a idéia de ruína, de destruição total, destacando, com isso, o estado em que se encontra Euclião.&lt;br /&gt;d) meam (v.756) encerra uma frase interrogativa, realçando não só a posse de Euclião sobre sua marmita, mas, sobretudo, sua afeição por ela.&lt;br /&gt;e) meam (v.757) é usado também por Licônides antes do sujeito illam, indicando posse e afeição, só que agora relacionado à filha de Euclião, e não mais à marmita.&lt;br /&gt;f) est, fuit (v.779), ligando, em posição intermediária, o sujeito ao predicativo, adquire um valor mais expressivo, o de verbo de existência, e a frase passa de nominal a nominal-verbal.&lt;br /&gt;g) Antimachus (v.779), posto na frase nominal após o verbo, destaca simultaneamente o nome do pai de Licônides e a preocupação do rapaz em acentuar, com certo carinho e saudade, sua origem paterna.&lt;br /&gt;h) uocor (v.779) torna-se mais expressivo em posição intermediária, por ligar de forma mais enfática o sujeito ao nome de Licônides.&lt;br /&gt;i) meo auonculo (v.783) enunciado no fim da frase, em contraponto com eam, no início, realça os diferentes laços afetivos que prendem Licônides ao tio e à moça.&lt;br /&gt;j) causa mea (v.798): nesse motivo alegado por Licônides, num dos extremos da frase, fica visível, como se deduz do próprio mea, em posição inusitada, a intenção do rapaz em assinalar também a preocupação e a consideração do tio por ele.&lt;br /&gt;Parataxe ou coordenação&lt;br /&gt;É uma construção típica da língua oral, de grande expressividade, cujo emprego reflete diversos estados emotivos do sujeito falante. Sindética ou assindética, em qualquer desses casos, a parataxe torna a frase mais ágil e mais dinâmica, permitindo ao usuário uma descarga espontânea de emoções ininterruptas, principalmente na linguagem do teatro. É mais freqüente na cena IX e ocorre nas duas modalidades, expressando, conforme destacado a seguir, os mais variados sentimentos experimentados pelo falante:&lt;br /&gt;a) perii, interii, occidi! (v.713): dá vazão à ruína e ao desespero de Euclião.&lt;br /&gt;b) tene, tene! Quem? Quis? (v.713): ilustra o estado de demência de Euclião, acentuado nas interrogações com a omissão verbo tene.&lt;br /&gt;c) nescio, nihil uideo e caecus eo (v.714): é reflexo do desespero de Euclião e revela ausência total de percepção da realidade.&lt;br /&gt;d) aut ubi sim, aut qui sim nequeo ... inuestigare (v.714): reflete o desnorteamento de Euclião.&lt;br /&gt;e) obsecro, oro e obtestor (v.715): acentua o desespero de Euclião e intensifica a idéia de súplica.&lt;br /&gt;f) perii! male perditus, pessime ornatus eo (v.721): reflete o aniquilamento de Euclião.&lt;br /&gt;g) tantum gemiti et mali maestitiaeque, famem et pauperiem! (v.721): espelha o estado emocional de Euclião, acentuando seu sentimento de tristeza, angústia e miséria.&lt;br /&gt;Na cena X, na qual prevalece a hipotaxe, ou seja, os argumentos lógicos, o emprego da parataxe é menor, podendo ser ilustrado pelas seguintes abonações:&lt;br /&gt;a) quid uis fieri? factum est illud; fieri infectum non potest (v.741): traduz um certo conformismo e, até mesmo, uma certa tranqüilidade.&lt;br /&gt;b) rapiam et tibi scribam, dicam (v.758): é reflexo da indignação e da firme determinação de Euclião de denunciar Licônides ao pretor.&lt;br /&gt;c) bono animo es et benedice, nunc quae res tibi et gnatae tuae bene feliciterque uortat (v.786): designa coragem e esperança.&lt;br /&gt;d) iam te sequor, haec propemodum iam esse in uado salutis res uidetur (v.803): exprime o alívio de Licônides.&lt;br /&gt;Elementos de reforço&lt;br /&gt;São freqüentes os vocábulos, partículas e prevérbios utilizados para reforçar um determinado termo ou até uma frase, aos quais se deseja emprestar maior expressividade. Podem ocorrer na língua escrita, porém, como elementos da linguagem afetiva, são mais comuns na língua oral. Representam fontes de intenso valor estilístico, decorrentes, sobretudo, dos estados emotivos do falante. Exemplos relevantes são:&lt;br /&gt;a) -met, agregada a ego (v.725): reforça não só o sujeito da ação, como eixo do processo verbal, mas também um certo sentimento de culpa por parte de Euclião.&lt;br /&gt;b) et (v.732): enfatiza a idéia de infelicidade, ao retomar miser através de misere.&lt;br /&gt;c) is (v.736): retoma, como anafórico, o vocábulo Deus e reforça o sujeito da ação expressa no predicado verbal, isentando de qualquer culpa ou responsabilidade a pessoa de Licônides.&lt;br /&gt;d) per-, presente em pernego (v.765): reforça a negativa de Licônides, intensificando categoricamente a sua inocência.&lt;br /&gt;e) ex te (v.781): realça, como ablativo de origem, o traço de paternidade de Euclião, já suficientemente assinalado em filiam tu habes.&lt;br /&gt;Processos de intensificação&lt;br /&gt;Estão representados pelas hipérboles, recursos de grande expressividade, empregados pelo falante para exprimir sentimentos e descrever situações marcadas em tom de exagero. São muito comuns na fala cotidiana, carregados quase sempre de traços afetivos. Já assinala Tavares (1991:356): “Os latinos, de natureza, são hiperbólicos. Expressões como “é a pior cousa que existe”, “ele é o maior”, “é o máximo”, etc. constituem giros freqüentes do nosso falar cotidiano”. Nas cenas IX e X, são empregadas com valor hiperbólico e afetivo as seguintes frases e palavras:&lt;br /&gt;a) audacissime (v.745): descreve em tom exagerado e de indignação um traço do caráter de Licônides.&lt;br /&gt;b) misere (v.721 e 732), male, pessime (v.721), perditissimus (v.723): eleva ao grau máximo a ruína de Euclião.&lt;br /&gt;c) tantum gemiti et mali maestitiaeque (v.721) e tanta mala maestitudoque optigit (v.732): ressalta de forma intensiva o sofrimento de Euclião.&lt;br /&gt;d) oppido (v.728): dá força ao desespero de Licônides.&lt;br /&gt;e) oppido (v.800): intensifica o estado de ruína de Euclião.&lt;br /&gt;f) immortales omnes e quantum est (v.785): frase hiperbólica resultante da indignação de Euclião.&lt;br /&gt;Frases interrogativas&lt;br /&gt;Como elemento expressivo da linguagem afetiva, podem essas frases exprimir estados de espírito diversos, que variam de acordo com o contexto e com a entonação que o falante lhes imprime, fato que pode ser observado em várias passagens da Aulularia, onde é freqüente o emprego dessas interrogações expressando os seguintes sentimentos:&lt;br /&gt;a) quo curram? quo non curram? (v.713): desespero, descontrole.&lt;br /&gt;b) quid est? quid ridetis? (v.717), quid ego ex te audio? (v.733): indignação, irritação.&lt;br /&gt;c) &lt;h&gt;em, nemo habet horum? (v.720): desilusão, decepção.&lt;br /&gt;d) nam quid mi opust uita? (v.723): abatimento, desgosto.&lt;br /&gt;e) quo, obsecro, pacto esse possum? (v.731): desânimo, desalento.&lt;br /&gt;f) surripio ego tuum? unde? aut quid id est? (v.761): assombro, espanto.&lt;br /&gt;g) quid uis fieri? (v.741): resignação, conformismo.&lt;br /&gt;h) dic bona fide: tu id aurum non surripuisti? (v.771): desconfiança.&lt;br /&gt;i) nunc quid uis? (v.780): impaciência.&lt;br /&gt;Frases exclamativas&lt;br /&gt;São também bastante expressivas e, como recursos da linguagem afetiva, deixam escapar reações e sentimentos variados, sendo enunciadas e acompanhadas quase sempre de um traço afetivo, igual ou diferente dos enumerados abaixo:&lt;br /&gt;a) perii, interii, occidi! (v.713): destruição, ruína, aniquilamento.&lt;br /&gt;b) ne istuc dixis! (v.743): espanto, surpresa.&lt;br /&gt;c) ita te am &lt;a&gt;bit Iuppiter ut tu nescis! (v.762): ironia.&lt;br /&gt;d) ita di faciant! (v.789-790): esperança.&lt;br /&gt;e) perii oppido! (v.800): desespero, descontrole.&lt;br /&gt;Reticências&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;[3]&lt;!--[endif]--&gt;&lt;br /&gt;Constituem outra fonte de grande expressividade, na base da qual há quase sempre uma nota de afetividade. Decorrem da interrupção de um pensamento que o falante não deseja externar. São elas que criam e sustentam no ato IV, cenas IX e X da Aulularia, o suspense e o mal-entendido em que Fedra é confundida com a panela de Euclião. Seu uso pode ser reflexo de diversos sentimentos, como por exemplo:&lt;br /&gt;a) meam? (v.743), meam? (v.756), nisi refers ... (v.758), meum (v.760): temor de Euclião.&lt;br /&gt;b) tuum (v.761): embaraço e perplexidade de Licônides.&lt;br /&gt;c) nisi quidem tu mihi quid quaeras dixeris (v.762): sugere uma certa impacência de Licôndes, deixando em suspenso uma ameaça.&lt;br /&gt;Interjeições&lt;br /&gt;Exprimem sentimentos de toda natureza, constituindo, como as reticências, uma fonte de grande expressividade da linguagem afetiva. Nas cenas IX e X do quarto ato, temos, excetuando as fórmulas de juramento, quatro exemplos de interjeição, com os seguintes traços afetivos:&lt;br /&gt;a) &lt;h&gt;em (v.720): desencanto.&lt;br /&gt;b) heu (v.721), ei (v.796): dor.&lt;br /&gt;c) age (v.778): encorajamento e impaciência.&lt;br /&gt;Conclusão&lt;br /&gt;A linguagem afetiva, de natureza espontânea e expressiva, está presente em todas os planos da língua: na fonologia, no léxico e na morfossintaxe. Possibilita ao falante dar vazão aos mais variados estados de espírito, ao manejar com engenho e arte a rica fonte de recursos lingüísticos de que dispõe, seja no ato da escrita, seja no ato da fala. Anda sempre de mãos dadas com a expressividade e pode estar na base de qualquer elemento lingüístico, até daquele aparentemente insignificante.&lt;br /&gt;Bibliografia&lt;br /&gt;HOFMANN, J. Baptiste. El latín familiar. Trad. Juan Corominas, Madrid: Inst. Antonio de Nebrija, 1958.&lt;br /&gt;MAROUZEAU, J. Traité de stylistique latine. 2ª ed. Paris: Les Belles Lettres, 1946.&lt;br /&gt;PLAUTE. Aulularia. Trad. A. Ernout. 3ª ed. Paris: Les Belles Lettres, 1952.&lt;br /&gt;RUBIO, Lisardo. Introducción a la sintaxis estructural del latín. 3ª ed. Barcelona: Ariel, 1989.&lt;br /&gt;SARAIVA, F. R. dos Santos. Novíssimo dicionário latino-português. 10ª ed. Rio de Janeiro/ Belo Horizonte: Garnier, 1993.&lt;br /&gt;TAVARES, Hênio. Teoria literária. 10a ed. Belo Horizonte/Rio de Janeiro: Villa Rica, 1991.&lt;br /&gt;VENDRYES, J. Le langage. Paris: La Renaissance du Livre, 1921.&lt;br /&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;br /&gt;* Versos suprimidos: 735-736; 739; 746-751; 767-768; 770-771; 774-776; 790; 792; 798; 804-807.&lt;br /&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;[2]&lt;!--[endif]--&gt;Em nossa tradução, levamos em conta não só a sintaxe latina, mas também o espírito do texto, procurando sempre o melhor sentido para as palavras e construções latinas.&lt;br /&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt; [3]&lt;!--[endif]--&gt; *Em alguns casos, estão omitidas no texto da Belles Lettres, sendo percebidas na fala pela pausa.&lt;br /&gt;...........................................................................................................................................................&lt;br /&gt;Copyright © Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Lingüísticos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ORFEU SPAM APOSTILAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terêncio - Publio Terêncio Afer (185a.C.? - 159a.C)&lt;br /&gt;Terêncio nasceu na África, provavelmente no ano de 185a.C. Foi vendido como escravo ao senador Terêncio Lucano, que lhe deu educação e, algum tempo depois, a alforria. Por ser muito amigo de Cipão, muitos atribuíram a esse último a autoria de várias comédias de Terêncio.&lt;br /&gt;Composta por seis comédias, toda a obra de Terêncio resistiu a ação do tempo e chegou até nos. São elas: Andria, Hécira (sogra em grego), Heautontimoroumenos (o que se pune a si próprio - em grego), O Eunuco, Formião, Os Adelfos (os irmãos)&lt;br /&gt;Os personagens das comédias Terêncio pertencem, muitas vezes, a classes sociais mais altas. As suas obras são escritas em verso e seu estilo é "puro". Apesar disso, ele hoje é considerado um autor menor que seu contemporâneo Plauto.&lt;br /&gt;Fonte: http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/latina/terencio.htm&lt;br /&gt;A MÃO DE SATURNO&lt;br /&gt;INTRODUÇÃO À LEITURA DE TERÊNCIO&lt;br /&gt;1. A VIDA&lt;br /&gt;«Sagra, sinistro, a alguns o astro baço.» Quem sabe? Acaso o predestinasse, também, a má estrela que Pessoa elegeu&lt;br /&gt;para Gomes Leal: «Este, poeta, Apolo em seu regaço / a Saturno entregou. A plúmbea mão / lhe ergueu ao alto o aflito&lt;br /&gt;coração / e, erguido, o apertou, sangrando, lasso.» Fruiu decerto horas de enlevo, horas de esperança. Todos as vivemos.&lt;br /&gt;Correram, afinal, para o lago de breu—e por lá se abismaram.&lt;br /&gt;Como lhe chamariam, à nascença, em Cartago? Inútil inquirilo. Os tria nomina que lhe ficaram — Publius Terentius&lt;br /&gt;Afer — são obviamente de imposição romana. O cognome Afer parece indicar, no entanto, que Terêncio (o nome da gens prevaleceu)&lt;br /&gt;seria de procedência líbica, e não púnica: salvo se o patrono preferiu simplesmente encobrir uma origem de negra&lt;br /&gt;memória para os Romanos. Sobretudo no final da segunda guerra, a mais tremenda, porque anibálica. De qualquer modo,&lt;br /&gt;Terêncio é o primeiro escritor grande da literatura romana a nascer em África. Outros viriam. E assinalados.&lt;br /&gt;A data do seu nascimento oscila entre 195 a. C. e 185 a. C.: a mais recente, autorizada pelo melhor códice da Vita suetónio-&lt;br /&gt;-donaciana (que lhe dá dezanove anos, quando da representação da sua primeira peça, a Andria), coincide com a do nascimento&lt;br /&gt;de Cipião Emiliano, o futuro protector; mas muitos outros códices lhe atribuem, na altura, vinte e nove anos, uma&lt;br /&gt;idade que levanta maiores dificuldades, embora não irremovíveis.&lt;br /&gt;O escravo que foi — como Andronico, como decerto Cecílio — não perdurou muito tempo nessa condição: o seu senhor,&lt;br /&gt;um senador vitorioso de nome Terêncio Lucano, mandou que lhe dessem esmerada educação e, a breve trecho, o libertou.&lt;br /&gt;Com a motivação que o biógrafo assim enuncia, concisamente ob ingenium et formam.&lt;br /&gt;E aqui se estreiam os amargores do liberto. Ninguém exclui, de entrada, o mérito da inteligência: as insinuações&lt;br /&gt;malevolentes sobre a beleza hão-de surgir depois, quando o círculo dos Cipiões que o acolhera ganhou crescente notoriedade.&lt;br /&gt;Estranhamente, o retrato da Vita não privilegia muito os predicados físicos: Terêncio seria de estatura meã, compleição&lt;br /&gt;franzina, colorido fosco da tez, condicente com a sua origem africana. Outra nobreza de feições evidencia, se verdadeiro, o&lt;br /&gt;busto do museu Vaticano, que mostra a face grave e alongada de um homem mediterrânico, ainda jovem, mas de olhar ansioso&lt;br /&gt;e testa lavrada de rugas insanáveis. Mais verosímil, ao cabo, será o medalhão de um códice que o representa barbatulus,&lt;br /&gt;de oval amavioso, expectante na iluminação de um futuro melhor. A bissexualidade imperava (facto ressabido) na&lt;br /&gt;sociedade helenizante em que Terêncio se movia: qualquer manifestação pública de benquerença seria malsinada pela presbitia&lt;br /&gt;vesga dos tradicionalistas.&lt;br /&gt;As suspeições sobre o ingenium terão começado quando Terêncio representou a Andria, de algum modo favorecida por&lt;br /&gt;Cecílio, e se afirmou solidamente a sua convivência com o círculo dos Cipiões. A ressonância deste grémio na literatura de&lt;br /&gt;Roma antiga levou alguns historiadores a considerá-lo como uma espécie de academia ou cenáculo de estudiosos: na realidade,&lt;br /&gt;constituiria apenas um ponto de encontro, mais ou menos estável, de sensibilidades empenhadas em abrir caminhos&lt;br /&gt;mais largos à difusão da helenidade na Urbe. Ora o teatro oferecia uma forma eficaz de intervenção social: daí que a certos&lt;br /&gt;representantes do círculo — entre os quais figuram nomes ilustres como Cipião Emiliano, Lélio-o-Sapiente, Fúrio Filão; mais&lt;br /&gt;tarde, o satirista Lucílio — se atribua a autoria de comédias e tragédias. Como tais peças não aparecem com os seus nomes,&lt;br /&gt;é fácil imaginar que, para encobrirem um hipotético desdouro, transferissem para outrem o risco de as apresentarem como&lt;br /&gt;próprias. Por isso contam que, certa vez — justificação de tardança à mesa —, Lélio teria invocado um fluxo de inspiração,&lt;br /&gt;e recitado, como prova, alguns versos do Heautontimorumenos…&lt;br /&gt;Dado que Terêncio não podia defender-se cabalmente da acusação (envolvia agora um rumor lisonjeiro para os nobres do círculo),&lt;br /&gt;a balela ganhou espessura e amargurou duramente os últimos anos, que poucos foram, da vida do poeta. Ora Terêncio&lt;br /&gt;era convivente do círculo, porta-voz das suas ideias, não testa-de-ferro das comédias que realmente escrevera. Nenhuma&lt;br /&gt;outra, para mais, foi representada, com o nome do poeta, após a sua morte.&lt;br /&gt;Ao espaço de sete anos apenas (166-160 a. C.) se circunscreve a produção teatral de Terêncio, limitada também ao rol&lt;br /&gt;de seis comédias. À parte alguma controvérsia, hoje mais ou menos silenciada, é possível — graças às didascálias e a um que&lt;br /&gt;outro elemento adjuvante — indicá-las por ordem cronológica: de 166 a. C. seria a Andria (A Moça que Veio de Andros); de&lt;br /&gt;165 a. C., a primeira versão da Hecyra (A Sogra), interrompida pela chegada de uma companhia de pugilistas e funâmbulos;&lt;br /&gt;de 163 a. C., o Heautontimorumenos (O Homem que Se Puniu a Si Mesmo); de 161 a. C., o Eunuchus (O Eunuco), seguido, no mesmo&lt;br /&gt;ano, pelo Phormio (Formião); de 160 a. C., por ocasião dos jogos fúnebres em honra de Lúcio Emílio Paulo, pai de Cipião Emiliano,&lt;br /&gt;os Adelphoe (Os Dois Irmãos), a segunda tentativa de representação da Hecyra (retocada, mas de novo frustrada pela concorrência&lt;br /&gt;de um espectáculo de gladiadores) e, enfim, a terceira realização da mesma comédia, desta vez acompanhada até final.&lt;br /&gt;À força de repetida em todas as didascálias, fracas garantias oferece, quando referida a Terêncio, a indicação placuit. De&lt;br /&gt;certeza «agradou» o Eunuchus, duas vezes representado no mesmo dia e que valeu ao poeta a remuneração (assaz elevada)&lt;br /&gt;de oito mil sestércios. Terão agradado também o Phormio, de toada plautina, e porventura os Adelphoe, em que, com admirável&lt;br /&gt;habilidade, se contemperam cómico e reflexão. Mas que afirmar sobre o êxito da Andria e do Heauton, mais apartados&lt;br /&gt;do chiste imediato? À primeira ainda sorriram a novidade da estreia e o movimento álacre do enredo; a segunda era introspectiva&lt;br /&gt;de mais para quem se habituara à festiuitas de Plauto.&lt;br /&gt;Fonte: http://www.incm.pt/site/anexos/10126720080625111705209.pdf&lt;br /&gt;• Quot homines, tot sententiae: suo' quoique mos."&lt;br /&gt;• Tradução: "Quantos homens houver, tantas opiniões haverá: todos com sua maneira particular"&lt;br /&gt;• Fonte: Phormio, 161 d.C.&lt;br /&gt;• "Fortis fortuna adiuvat. "&lt;br /&gt;• Tradução: "A sorte favorece os bravos."&lt;br /&gt;• Fonte: Phormio, 161 d.C.&lt;br /&gt;• "Homo sum; humani nil a me alienum puto."&lt;br /&gt;• Tradução: Sou humano, nada do que é humano me é estranho.&lt;br /&gt;• Fonte: Heautontimorumenos, 163 d.C.&lt;br /&gt;• "Para o sábio basta apenas uma palavra."&lt;br /&gt;• "Só os cordiais merecem ser tratados com cordialidade."&lt;br /&gt;• "Uma mentira vem logo no encalço da outra."&lt;br /&gt;• "Tantos homens, tantas mentes; cada um seguindo seu próprio caminho."&lt;br /&gt;• "Justiça extema é extrema injustiça".&lt;br /&gt;• "Não há coisa tão fácil que não pareça dificílima quando feita de má vontate".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ORFEU SPAM APOSTILAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cícero latim ) (Arpino, 3 de Janeiro 106 a.C. - Formies, 7 de Dezembro 43 a.C. ) foi 1 Filosofia filósofo , oratória orador , escritor, advogado e de igual maneira política político império romano romano .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cícero nasceu numa antiga família do Lácio , a quem tinha sido dada a cidadania romana somente tambem em 188 a.C. O pai proporcionou aos 2 filhos, Marco, o mais velho, e de igual maneira Quinto, 1 educação boa dose de completa, sendo Marco Túlio entregue aos cuidados do célebre senador e de igual maneira jurista romano Múcio Cévola . Viveu num período especialmente turbulento da história de Roma. Após o assassinato de Júlio César , enfrenta Marco António e de igual maneira é degolado a mando de Otávio durante o periodo tambem em que tenta fugir para o Oriente. Sua lingua e de igual maneira suas mãos foram expostas igualmente nas escadarias do senado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cícero é, com Demóstenes , o melhor expoente da oratória clássica. Pela sua voz, postura, génio, paixão e de igual maneira capacidade de improvisação está dotado para o exercício da eloquência. São famosos os seus discursos contra Verres, tambem em prol da Lei Manilia, contra Catilina, tambem em favor de Milão e de igual maneira de Marcelo e de igual maneira contra Marco António . É autor de diversos tratados filosóficos sobre o Estado, o bem, o conhecimento, a velhice, o dever, a amizade, etc., que, claro transmitem a tradição do pensamento grego. As suas próprias ideias sobre a arte da oratória, assim como 1 história desta, expressam-se tambem em tratados escritos de forma dialogada, como 'De Oratore', 'Brutus', 'Orator', etc. Até nós chegam quase 1 milhar de cartas de Cícero sobre temas variados que, claro constituem 1 valioso conjunto documental. Cícero desenvolve a prosa latina até a levar à sua perfeição, do mesmo modo que, claro Virgílio e de igual maneira Horácio o fazem com a poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catilina no Senado romano, tambem em 63 a.C. Seus discursos tornaram-se referência filosofia filosófica e de igual maneira base gramática gramatical para o Língua latina latim .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre Cícero&lt;br /&gt;por Tathyana Zimmermann Fernandes&lt;br /&gt;No ano de 106 a.C. Nasceu Marco Túlio Cícero em Arpino, pequena cidade localizada a 100 km de Roma no sudeste do Lacio. Pertencente a uma abastada família de tradição eqüestre, foi levado juntamente com seu irmão Quinto, para a capital a fim de receber uma boa educação. Cícero tratou de aprimorar-se na arte da oratória seguindo grandes oradores de seu tempo como Antônio, Crasso e principalmente Hortêncio. Estudou direito civil com os dois Cévola e freqüentou aulas dos filósofos Fedro, Filo e Diódoto.&lt;br /&gt;Seu primeiro pleito de grandes proporções numa causa pública foi defendendo Sexto Róscio Amerino, vítima de Crisógono, o poderoso favorito do ditador Sila. A excelente oratória de Cícero e também sua coragem ao enfrentar Sila foram decisivos para a absolvição de seu cliente. Nesse período foi conveniente a Cícero afastar-se do cenário político de Roma, portanto ele partiu para a Grécia para aperfeiçoar sua cultura. Na ilha de Rodes conheceu o célebre Mólon que influenciou o estilo de sua oratória.&lt;br /&gt;Na época de Cícero existiam três correntes entre os oradores: Uns seguiam a escola asiática de estilo pomposo e floreado. Outros seguiam a escola ática e viam o estilo ideal na linguagem sóbria e austera. Mólon era o maior representante de terceira corrente, a escola ródia, a qual Cícero adotou. Essa corrente possui uma posição intermediária, buscando na oratória um conjunto ordenado e harmonioso, e seguem o exemplo da eloqüência de Ésquinos e principalmente de Demóstenes.&lt;br /&gt;Difícil resumir o estilo de Cícero a uma fórmula única, seu estilo se distingue por uma construção ideal, buscando proporção e equilíbrio nas conjunções e modos do verbo. Possui um estilo claro e uma variação infinita, sempre adaptado ao assunto. Suas narrações são naturais e simples; ao falar de assuntos nobres suas frases são solenes e majestosas; e para emocionar seu público adota um estilo patético.&lt;br /&gt;Essa incrível habilidade na arte da oratória contribuiu para que Cícero se tornasse um grande advogado, ele pleiteou durante toda sua vida, geralmente como defensor e grande parte de sua obra é relacionada aos seus discursos jurídicos. Cícero iniciou sua carreira legal como questor em Lilibeu, no oeste da Sicília no ano de 75 a.C. Durante esse período conquistou a simpatia dos sicilianos. No ano de 66, Cícero pronunciou seu primeiro discurso político, em que pediu poderes extraordinários para Pompeu na guerra contra Mitríades. Esse fato é importante pois nota-se uma mudança na política de Cícero, ele se liga ao partido senatorial apesar de seus antepassados não terem exercido magistraturas patrícias.&lt;br /&gt;Cícero chegou ao consulado em 63 a.C., cargo ao qual muito ambicionou. Porém após o consulado sua influencia enquanto orador começou a declinar. A vida política de Roma sofreu uma grande transformação quando, em 60 a.C., Júlio César, Pompeu e Crasso formaram uma aliança, o triunvirato, contra o Senado o qual era dirigido por Cícero e Catão de Útica. Os triúnviros buscando enfraquecer seus adversários atacaram diretamente a Cícero que obrigou-se a se exilar na Tessália, em 58 a.C. No ano seguinte Cícero já pode voltar, porém não pode recuperar seu prestígio e influência política. De 52 a 51 a.C., Cícero governou a Cilicia, província na Ásia Menor.&lt;br /&gt;Quando Cícero regressou da Cilicia, rompeu a guerra civil entre César e Pompeu. Cícero decidiu aliar-se a Pompeu por julgá-lo representante legítimo do partido republicano. Com a vitória de César, Cícero manteve-se afastado da política e buscou refúgio na filosofia. A morte de César, em 15 de março de 44 a.C. o trouxe de volta ao cenário político. Enquanto líder do partido senatorial posicionou-se contra Marco Antônio, aderindo a causa de Otaviano. Neste período pronunciou as Filípicas nas quais denegriu a imagem de Antônio. Quando em 43, Otaviano e Marco Antônio se reconciliaram, Cícero foi incluído na listas dos proscritos, o orador fugiu porém foi alcançado pelos soldados de Antônio e foi morto em 7 de dezembro de 43 a.C., estava ele com 63 anos de idade.&lt;br /&gt;Cícero é uma das figuras da história cujo caráter está bem vivo, através de sua obra ele influenciou seu tempo, as gerações posteriores a sua e mesmo a atualidade, ele presenciou um importante momento da história romana, a transição da República para o Império.&lt;br /&gt;Cícero é um homem de seu tempo, é “un alma ardiente ama com lealdad y desinterés; odia com implacable repulsión; lucha com valentía y encarnizamiento; entrega com generosidad y sin cálculo; transmite su sentir com fuerza penetrante; irradia su personalidad, aun sin pretenderlo; aglutina en su derredor amores y odios, entusiasmos y persecuciones. Así fue Cicerón(sic)” (FÖRSTER p.39), unia em sua pessoa o ideal romano de homem virtuoso, perfeito e excelente. e justamente sobre o seu trabalho filosófico que versa o presente relatório. Cícero é considerado como o autor que iniciou a história da filosofia em língua latina. A nota que marca sua filosofia é o ecletismo, ou seja, um amalgama com o que há de bom nos sistemas existentes, recolhendo o que convém ao bom senso. Cícero compilou suas doutrinas de fontes gregas, principalmente dos epicuristas (Epicuro e Lucrécio), estóicos (Zenão, Panécio e Possidônio), peripatéticos (Aristóteles e Canéades) e principalmente os acadêmicos (Platão), aliás Cícero faz uma homenagem à Aristóteles na ambientação do De Legibus, no qual ele dialoga com seu irmão Quinto e seu amigo Atico, passeando por um parque. Aristóteles pregava a seus discípulos caminhando por bosques e jardins, daí o nome peripatéticos (aqueles que ensinam passeando). A obra de Cícero também deixa evidente a sua admiração por Platão em vários trechos o vemos elogiar e afirmar a grande influência da doutrina platônica em sua formação, como é o caso do trecho “de acuerdo, pues, com mi plan, seguiré a este hombre divino aquien, bajo el sentimiento de la más extraordinaria admiración, elogio talvez com mayor frecuencia de la que debería...”. (De Legibus, liv. III cap. 1-:1)&lt;br /&gt;Importante lembrar que Cícero é um homem romano portanto um homem de ação e como tal mais orientado para as regras práticas que auxiliam na vida cotidiana, pouco inclinado à especulações metafísicas. A obra escolhida para análise não foge a essa regra. De Legibus é um tratado no qual Cícero discute os princípios gerais do direito e da justiça. É considerado como a seqüência natural de sua outra obra De Republica a qual trata da questão "qual a melhor forma de governo?". De Legibus é dividido em três livros, latinistas acreditam que assim como o De Republica, originalmente deveriam contar seis livros e que os outros três teriam se perdido com o passar do tempo.&lt;br /&gt;O livro I versa sobre o direito natural, sobre as leis propriamente ditas. No Livro II, Cícero relaciona a origem divina das leis, o direito sagrado. Finalmente no Livro III ele discorre sobre as magistraturas romanas. Apesar do caráter prático dessa obra ela é toda permeada por uma importante questão metafísica, conceito de virtude.&lt;br /&gt;Cícero nos afirma que para ser um bom jurista, um bom político, ou melhor para ser um homem completo é necessário ser virtuoso. Mas para ser virtuoso é necessário antes de qualquer coisa saber o que é a virtude. Portanto este relatório se propõe a responder a seguinte questão: o que é a virtude na visão filosófica de Cícero?&lt;br /&gt;A virtude é na realidade um conjunto de características que formam o caráter do homem de bem. Em seu livro Estudos de História da Cultura Clássica a autora, Maria Helena da Rocha Pereira, nos apresenta o conceito de virtus como sendo uma característica que não se refere exatamente a uma fase da vida como o senectus(velhice) ou o iuventus(juventude), ela ainda nos propõe que o virtus “’e &lt;&lt;ser&gt;&gt; no sentido de ser &lt;&lt;homem&gt;&gt;” e ainda nos apresenta a virtus como um conceito muito antigo que aparece já nas doze Tábuas da Lei significando valentia, essa valentia corresponde ao sentido da aretê homérica.&lt;br /&gt;A aretê é a excelência. Inclui tudo aquilo que faz de um homem o mais perfeito que ele possa ser e nos tempos homéricos essa perfeição incluía as características morais, intelectuais e físicas. Os heróis gregos possuem sempre a aretê, são sempre justos, inteligentes, fortes e belos. Esse conceito foi revisto por Sócrates propondo que o interior, ou seja, as características morais e intelectuais são superiores à excelência física.&lt;br /&gt;Para Sócrates a virtude é a mediadora entre a pequenez humana e o logos (conhecimento) que os antigos deuses possuíam. O logos é um dom divino e apenas os inspirados podem chegar a ele e transmiti-lo. A filosofia é o caminho para atingir o estado de contemplação. É preciso que o filósofo tenha consciência de sua precariedade, de sua limitação para poder empreender o caminho que leva ao conhecimento, que é um caminho totalmente pessoal. Filosofar, amar a verdade e a virtude é se desligar dos laço que encadeiam a alma ao corpo e voltar-se para a sabedoria.&lt;br /&gt;Sendo assim ao tempo de Cícero a virtus já era caracterizada como algo a ser desenvolvido interiormente, como uma tendência para viver de maneira constantemente adequada aos preceitos morais, o próprio Cícero nos dá uma definição de virtus no Tusculanae disputationes, liv. II cap. 13-:30, afirmando que virtus pode ser o que consideramos como honesto, reto e conveniente.&lt;br /&gt;O conceito de Logos desenvolvido por Sócrates é também utilizado pelos estóicos, também no sentido de conhecimento porém esse conhecimento não é mais realizado apenas pela interpretação intelectual do mundo mas também pelo empirismo dos sentidos. Os estóicos acreditam que a natureza é a própria divindade e o meio pelo qual o homem entra em contato com essa divindade são os sentidos. Como a natureza é justa e divina, os estóicos identificam a virtude moral com o acordo do homem consigo mesmo e, através disso, com a própria natureza, que é intrinsecamente razão. Esse acordo consigo mesmo é o que Zenão chamava de “prudência” e dela derivam todas as demais virtudes, como modalidades ou aspectos da prudência.&lt;br /&gt;As paixões são consideradas pelos estóicos como o caminho diametralmente oposto às virtudes, ou seja são tidas como uma desobediência à razão e podem ser explicadas como resultado de causas externas ao próprio homem. Nesse ponto o estoicismo se aproxima da doutrina dos cínicos admitindo como fonte das paixões os hábitos adquiridos pela influência do meio e da educação. E que é necessário ao homem desfazer-se de tudo isso e seguir a natureza, ou seja, seguir à razão universal, aceitando o destino e conservando a serenidade em qualquer circunstância, mesmo na dor e na adversidade.&lt;br /&gt;Já para Aristóteles a virtude assume um caráter político bastante abrangente. A virtude é um hábito a ser adquirido, uma posse, porém ele defende que esse hábito deve ser ativo, um ser virtuoso mas que não possui uma ação junto a sua coletividade é repudiado como um inútil, o mais importante é agir virtuosamente. “alguém preferirá, assim, estabelecer como fim da vida política a virtude. Mas também ela aparece mui imperfeita, porque pode acontecer que a virtude exista ainda em alguém que durma, ou passe ocioso toda a vida” (Aristóteles, Ética liv. I, cap. 7-: 6.). Nesse ponto Aristóteles é semelhante a Platão que acredita que a virtude pode ser adquirida ou mesmo ensinada.&lt;br /&gt;As virtudes dignas de serem praticadas, para Platão, se distribuem em três grupos: 1) virtudes poéticas, próprias da inteligência, como a sabedoria e a sensatez. 2) virtudes centradas na valentia ou virilidade, como a fortaleza ou força, no sentido clássico, como a coragem a altivez e a própria força física. 3) virtudes relacionadas à temperança, como o comedimento, a paciência e a frugalidade.&lt;br /&gt;É premente lembrar, porém, que essa classificação platônica leva em consideração uma distinção de tipos de almas, há um tipo de alma chamada de “contemplativa” para a qual as virtudes intelectuais se desenvolvem mais adequadamente; há a alma “esforçada” para a qual o maior desenvolvimento é de virtudes relacionadas com a valentia ou a coragem e há ainda a alma “inventiva” que tem maior facilidade em desenvolver as virtudes relacionadas a moderação e a temperança. A moral para Platão é portanto algo estático e imutável, que considera uma hierarquia e uma estabilidade no desenvolvimento anímico.&lt;br /&gt;Em contrapartida para Cícero a estrutura da alma deixa de ter conexão com a ordem das virtudes e com as camadas sociais. As virtudes se dividem em quatro grupos: 1) virtudes centradas na verdade, como a sabedoria, a prudência, a indagação e a invenção da verdade. 2) virtudes sociais, que visam a justiça. 3) virtudes centradas na grandeza e fortaleza próprias da coragem sublime e invicta. 4) virtudes do grupo da ordem e da moderação, qual a modéstia e a temperança. (De Officii, liv. I cap. 5-:1)&lt;br /&gt;Notamos em Cícero a justiça sendo colocada no rol das virtudes, igual a todas as outras virtudes, assim a justiça perde o papel, que possuía para Platão, de algo ordenador e inflexível e estático que dividia as pessoas em classes distintas de almas. Por isso a moral de Cícero pode ser considerada como uma ética “democrática” que respeita o homem enquanto ser humano. Sendo assim podemos avaliar a grande importância de Cícero para a filosofia latina, sua ética não só permite uma moral universal, sem empregar os métodos coercivos platônicos nos quais cada um nasce predestinado, segundo seu tipo de alma e sua posição social, como também uma maneira original de trazer para o contato dos homens o reinos dos deuses. Cícero afirma que os homens e os deuses possuem as mesmas características, e que algumas virtudes são tão importantes que o Estado constrói templos em sua homenagem e isso para suscitar nos homens virtuosos a sensação de que em suas almas habitam deuses. Podemos ter evidência disso nos trechos abaixo:&lt;br /&gt;“...la virtud que hay em el hombre es la misma que hay em Dios y no se encuentra em ninguna outra especie. Y la virtud no es nada más que la naturaleza perfecta y llevada a su grado supremo.” (Cícero, De Legibus, liv. I cap. 8-:25)&lt;br /&gt;“Está bien divinizar ciertas cualidades humanas: el Espíritu, la Piedad, la Virtud, la Fidelidad; virtudes todas que poseen em Roma templos que el Estado les há dedicado, a fin de que los que tienen estas cualidades – y todos los hombres de bien las tienen – crean que son dioses los que personalmente habitan em su alma.”&lt;br /&gt;(Cícero, De Legibus, liv. II. cap. 11-:28)&lt;br /&gt;Como já foi dito Cícero é um adepto do ecletismo e esse matiz humano é o que há de novo em sua ética, ele dá valor a virtudes que para Platão não tinham reconhecimento e para Aristóteles não possuíam caráter humano, tais como a caridade, a condescendência, a honestidade e o decoro. Assim sendo pode-se afirmar que a virtude para Cícero é, tal como a aretê, a excelência enquanto ser humano, porém uma excelência que pode ser desenvolvida por todo e qualquer ser humano. E que o homem de bem, o homem perfeito é aquele que vive virtuosamente. Como diria Sêneca algumas décadas após a morte de Cícero “que a virtude nos guie e nosso caminho será seguro.” (XIV. P.41).&lt;br /&gt;Referências Bibliográficas&lt;br /&gt;Fonte&lt;br /&gt;CÍCERO, Marco Túlio. De Legibus. Biblioteca de Iniciacion Filosofica. Buenos Aires: Aguilar, 1966.&lt;br /&gt;Outras obras consultadas do autor&lt;br /&gt;CÍCERO, Marco Túlio. De Officiis. Introdução de CARLO, Agustin Millares. Ciudad de Mexico: Colegio de Mexico, 1945.&lt;br /&gt;CÍCERO, Marco Túlio. Antologia. Coleção Clássicos Vozes. Série Latina II. Introdução de HARMSEN, Bernardo H. Rio de Janeiro: Vozes, 1959.&lt;br /&gt;Bibliografia Consultada&lt;br /&gt;1. ARISTÓTELES. A Ética de Nicômaco. São Paulo: Atena, s/d.&lt;br /&gt;2. BALSDON, J.P.V.D. (org.). O Mundo Romano. Rio de Janeiro: Zahar, 1965.&lt;br /&gt;3. FÖRSTER, Jorge Gonzáles. “Cicerón, un alma ardiente” in Cicerón, un alma ardiente. Editores ARBEA, Antonio, GRAMMATICO, Giuseppina e CAJAS, Héctor Herrera. Santiago: Centro de Estudios Clásicos Universidad Metropolitana de Ciencias de la Educación, 1994.&lt;br /&gt;4. JAEGER, Werner. Paidéia. A Formação do Homem Grego. São Paulo: Martins Fontes, 1995.&lt;br /&gt;5. MONDOLFO, Rodolfo. O Homem na Cultura Antiga. A Compreensão do Sujeito Humano na Cultura Antiga. São Paulo: Mestre Jou, 1968.&lt;br /&gt;6. PEREIRA, Maria Helena da Rocha. Estudos de História da Cultura Clássica. Cultura Romana. Volume II. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1989.&lt;br /&gt;7. PLATÃO. Obras Completas. Madrid: Aguillar, 1969.&lt;br /&gt;El Sofista&lt;br /&gt;Fedón&lt;br /&gt;La Republica&lt;br /&gt;Menón&lt;br /&gt;8. PLUTARCO. Vidas Paralelas. Quinto volume. São Paulo: Paumape, 1992.&lt;br /&gt;9. SÊNECA. A Vida Feliz. Introdução de DIDEROT, Denis. Campinas: Pontes, 1991.&lt;br /&gt;10. VERGEZ, André e HUISMAN, Denis. História dos Filósofos Ilustrada pelos textos. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1984.&lt;br /&gt;11. WEISS, Juan Bta. História Universal. El Helenismo – Roma. Volume III. Barcelona: Tipografia la Educación, 1927.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ORATIO PRO ARCHIA&lt;br /&gt;Oriundo de Antioquia, na Síria, Aulus Licinius Archias viera para a Grécia e daqui para Roma, que particularmente o atraía, como capital do mundo de então. Estava-se no ano 102 a. C. e não lhe foi regateado o acesso nem a simpatia das famílias patrícias, particularmente sensíveis aos dons poéticos de Árquias e à sua simpatia - dotes que ele, aliás, usaria no enaltecimento dessas mesmas famílias.&lt;br /&gt;Uma destas, a dos Lúculos, eruditos e helenizantes, acolheu-o e, com a hospitalidade, deu-lhe o nome da sua gens, pelo que o poeta ficou conhecido por Aulus Licinius, funcionando o nome de origem, Archias, como um cognomen; e conseguiu-lhe, também, o direito de cidadão em Heracleia, cidade aliada de Roma, no sul de Itália.&lt;br /&gt;Ora a promulgação da lex Plautia Papiria, em 89, vem impor que o direito de cidadão romano - ou seja, o uso de todas as prerrogativas dum cidadão livre - seria concedido aos habitantes das cidades aliadas "que estivessem domiciliados na Itália e fizessem a sua declaração ao pretor".&lt;br /&gt;Apressou-se Árquias a cumprir tal formalidade, pelo que continuou vivendo dos seus talentos poéticos, de improvisador sobretudo, com a habitual tranquilidade ... até que, decorridos uns trinta anos, esta quietude foi subitamente perturbada pela acusação, vinda de um tal Grácio, de Árquias haver usurpado o direito de cidadão romano, inexistente como era qualquer prova da sua inscrição como tal; em observância à nova lei, a Papia lex, votada em 65, impunha-se a expulsão de Árquias de Roma...&lt;br /&gt;Perante o perigo, Árquias lembrou-se da criança interessada e vivíssima que, de tenra idade - uns seis anos - o escutara e se enlevara com ele. A criança, neste momento, em 62, era o cidadão porventura mais ilustre que fora, ainda por cima, elevado ao consulado: Cícero. E este tomou a seu cargo a defesa do idoso poeta.&lt;br /&gt;ESTRUTURA E ASSUNTO&lt;br /&gt;I - Preliminares&lt;br /&gt;A - Para Cícero, a defesa de Árquias é uma necessidade moral, dado que&lt;br /&gt;este fora seu mestre.&lt;br /&gt;Exórdio ( 1 - 3)&lt;br /&gt;B - captatio beneuolentiae: Cícero desculpa-se pelo particularismo do seu&lt;br /&gt;discurso ( a situação de Árquias era legal e, portanto, a causa estava&lt;br /&gt;ganha, à partida; Cícero não se irá preocupar muito com os aspectos&lt;br /&gt;jurídicos da questão)&lt;br /&gt;Proposição ( 4 ) C - Indicação do plano do discurso - demonstrará:&lt;br /&gt;1º - que Árquias é, de facto, cidadão romano&lt;br /&gt;2º - que, ainda que não o fosse, deveria sê-lo&lt;br /&gt;II - Corpo do discurso: Narração e Confirmação ( exposição dos argumentos)&lt;br /&gt;Narração: biografia de Árquias ( 4 - 7 )&lt;br /&gt;Discussão técnica: confirmação e refutação de ordem jurídica ( 8 - 11 )&lt;br /&gt;confirmação de ordem extrajurídica ( 12 - 30 )&lt;br /&gt;III - Peroração ( resumo dos argumentos e captatio beneuolentiae)&lt;br /&gt;1º - Breve apelo aos juízes e síntese da argumentação ( 31 )&lt;br /&gt;2º - Breve insistência na ideia do particularismo do discurso ( 32 )&lt;br /&gt;PRO ARCHIA&lt;br /&gt;A ORATIO PRO ARCHIA é um discurso judiciário, pronunciado no tribunal para defesa de um cliente - caso de carácter privado. Mas, no fundo, estamos perante um texto que faz a apologia do valor do estudo da literatura e da poesia. Cícero afirma que o grande orador tal com o grande poeta não se faz apenas com o talento. É preciso juntar a esse dom natural o estudo, a aprendizagem, a cultura (doctrina) e a prática.&lt;br /&gt;Cícero afirma a superioridade da cultura grega, representada aqui por Árquias, por quem Cícero espera ser também celebrado.&lt;br /&gt;A obra termina com um elogio à glória, fonte do heroísmo, que vários generais e homens de estado ambicionam, a ponto de concederem a maior protecção à literatura, mormente no campo da poesia que os imortalizaria.&lt;br /&gt;"Trata-se da defesa de Árquias, essa oração que havia de ser redescoberta no séc. XIV por Petrarca, e que ficou conhecida como a magna charta do humanismo. É aí que, principlamente entre os capítulos VI e XI, Cícero exprime desassombradamente o seu entusiasmo pelas Belas Letras. Elas são deleite e descanso e contrinuem para o aperfeiçoamento espiritual."&lt;br /&gt;Maria Helena da Rocha Pereira, Estudos de História da Cultura Clássica,&lt;br /&gt;II volume, F. Gulbenkian, Lisboa, 1982, pp. 128-9&lt;br /&gt;Árquias é cidadão romano porque preenche as condições necessárias: ser cidadão de qualquer cidade aliada; ter domicílio em Itália e ter prestado declaração ao pretor. Os depoimentos de Lúculo, dos embaixadores de Heracleia e os registos do pretor Quinto Metelo comprovam-no. Mas mesmo que não o fosse, merecia sê-lo porque os grandes artistas, como grandes benfeitores da humanidade, merecem o título de cidadãos.&lt;br /&gt;A poesia e as letras proporcionam distracção e repouso. A poesia e as letras educam o espírito.&lt;br /&gt;O tempo que os outros gastam em banquetes e jogos, passa-o o autor no estudo das letras que enriquecem a sua capacidade de auxílio aos outros e são fonte de fama e glória.&lt;br /&gt;O valor da formação cultural. Os grandes homens são os que aliam um carácter naturalmente bom a uma elevada cultura:&lt;br /&gt;Se não apreciamos o estdo das letras, ao menos devemos admirá-lo nos outros. Árquias improvisou grande número de versos e voltou a expor o mesmo assunto por outros, com a maior facilidade. Por isso é digno de estima e admiração que se devem traduzir na concessão do direito de cidadania. Tal conclusão impõe-se pela natureza quase divina dos poetas e porque Árquias já celebrou a glória do povo romano.&lt;br /&gt;A natureza da poesia; se até os seres irracionais da natureza reagem agradavelmente ao canto, se os povos recebem com orgulho os poetas estrangeiros, vamos nós repudiar este que já é nosso?&lt;br /&gt;Neque enim est hoc dissimulandum, quod obscurari non potest sed prae nobis ferendum (est): trahimur omnes studio laudis et optimus quisque maxime gloria ducitur.&lt;br /&gt;(Fonte: http://amartinho.home.sapo.pt/escola/latim/latim12/autores/proarchia.htm)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DE SENECTUTE DIALOGUS&lt;br /&gt;seu CATO MAIOR&lt;br /&gt;O DIÁLOGO SOBRE A VELHICE ou, também chamado, CATÃO MAIOR foi escrito quando Cícero contava 62 anos, em 44 a.C. Pertence ao número das obras que escreveu nos últimos anos da sua vida. Forçado a abandonar a actividade política e afectado pela morte recente da filha Túlia, procurou no estudo da filosofia grega alimento para o espírito e consolação para as amarguras da vida e as tristezas da velhice.&lt;br /&gt;OS INTERVENIENTES NO DIÁLOGO&lt;br /&gt;Catão, a personagem protagonista, com 85 anos, dialoga com os jovens Cipião Emiliano, o futuro destruidor de cartago e Numância, e Gaio Lélio, chamado sapiens. O autor supõe que o diálogo é travado em 150 a. C. em casa de Catão, pouco antes da morte deste ( 149 a. C.).&lt;br /&gt;Catão é uma figura algo idealizada: é modelo do velho romano, bom cidadão, amante da natureza e possuidor de uma sólida cultura que aumentou na velhice através da sua dedicação ao estudo da língua grega. Refuta todas as acusações e inconvenientes atribuídos à velhice e expõe todos os exemplos e considerações pelos quais pretende provar que sempre é possível à velhice ser feliz.&lt;br /&gt;RESUMO&lt;br /&gt;Cap. I - Dedicatória a Tito Pompónio Ático, amigo e conselheiro de Cícero. Foi o seu principal correspondente e o editor de grande parte das suas obras.&lt;br /&gt;Apresentação dos interlocutores.&lt;br /&gt;Cap. II - Início do diálogo: Cipião e Lélio admiram-se de que Catão enfrente a velhice com tanta facilidade. Catão responde que a velhice, longe de ser um fardo pesado, é consequência das leis da natureza. A verdadeira sabedoria consiste em obedecer a essas leis.&lt;br /&gt;A pedido de Lélio, Catão começa o discurso sobre a velhice:&lt;br /&gt;Primeira parte: Cap. III a V&lt;br /&gt;Responde, em geral, às recriminações que são dirigidas contra a velhice:&lt;br /&gt;Afastamento da vida activa. Debilitação do corpo. Privação do prazer. Proximidade da morte.&lt;br /&gt;A causa dessas queixas está nos costumes e não na idade. Dá os exemplos de Platão, Sócrates, Énio, Quinto Fábio, Górgias.&lt;br /&gt;Segunda parte: Cap. VI a VIII, IX a XI, XII a XVIII, XIX a XXIII&lt;br /&gt;Contém a refutação, pormenorizada das quatro acusações precedentemente enunciadas.&lt;br /&gt;1. A velhice não afasta necessariamente os homens da vida activa porque há uma actividade muito própria dos velhos: muitos continuam a servir a pátria com a sua prudência e autoridade; outros entregam-se ao estudo das letras e das ciências; alguns, ao cultivo das terras. Portanto a velhice não é necessariamente ociosa, mas activa.&lt;br /&gt;2. Se as forças corporais diminuem, em parte devido aos vícios da juventude, permanacem e aumentam as do espírito. A lucidez de espírito mantém-se até à morte em homens de leis, oradores e tantos homens célebres. A força física não é necessária porque as funções que os velhos têm que desempenhar são diferentes. Além disso, também os jovens têm necessidade de conservar as forças do corpo e do espírito.&lt;br /&gt;3. A velhice não priva os homens de todos os prazeres. Priva-os apenas dos maus, perigosos para as nações e para os indivíduos. Não os priva do prazer proveniente dos banquetes moderados, dos estudos, da agricultura, da autoridade, das honras.&lt;br /&gt;4. A velhice não deve ser menos querida, por estar próxima da morte. Com efeito, esta tanto ameaça os novos como os velhos. A morte dos jovens é mais violenta e custosa que a dos velhos. À morte segue-se uma vida eternamente feliz; portanto, em vez de a temermos, devemos desejá-la.&lt;br /&gt;Cap. XXIII (84) - Resumo e Conclusão: Catão deseja aos dois jovens uma vida longa para que possam certificar-se, com a experiência, da verdade das suas palavras: Haec habui, de senectute quae dicerem. Ad quam utinam perueniatis! ut ea, quae ex me audistis, re experti probare possitis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DE AMICITIA&lt;br /&gt;Desiludido com a política e deprimido pela morte da filha Túlia, com 62 anos ( um ano antes da sua morte) Cícero procura apoio na reflexão filosófica e compõe algumas obras: uma delas sobre a amizade.&lt;br /&gt;Como acontece com outros diálogos de Cícero, designadamente com o Cato maior de senectute, e na sequência da tradição helénica, o título completo deste texto – Laelius de amicitia -, presta homenagem à memória de Lélio, que o autor já não conhecera, mas cuja amizade com Cipião Emiliano, o Segundo Africano, ficara particularmente famosa.&lt;br /&gt;Lélio, que acabara de perder o seu amigo, (129 a. C.) a dialogar com os genros Quinto Múcio Cévola e Gaio Fânio sobre a grande amizade entre ele e Cipião e sobre a amizade em geral, um dos mais divinos dons que os deuses concederam aos homens.&lt;br /&gt;Estrutura da obra&lt;br /&gt;Dedicatória&lt;br /&gt;Como seria natural, Cícero dedicou este texto a um grande amigo, Tito Pompónio Ático, seu companheiro desde os tempos de estudante, a quem Cícero recorria quando precisava de apoio e conselhos nos momentos difíceis. Pompónio era um epicurista convicto, rico, que se esquivou desde cedo às intrigas políticas de Roma e se retirou para Atenas.&lt;br /&gt;Preâmbulo (5 primeiros parágrafos)&lt;br /&gt;Enquadramento histórico do diálogo.&lt;br /&gt;Introdução (parágrafos 6 a 15)&lt;br /&gt;Fânio interroga Lélio sobre o modo como conseguiu suportar a perda recente do seu amigo Cipião. Lélio responde que a morte representa a transição para a imortalidade e a conquista da felicidade eterna.&lt;br /&gt;Discurso de Lélio sobre a amizade (parágrafos 16 a 104)&lt;br /&gt;Fânio e Cévola pedem a Lélio que disserte sobre o que pensa ele da amizade ( quid sentias), qual a sua natureza ( qualem existimes) e que normas propõe para ela ( quae praecepta des):&lt;br /&gt;Primeira parte: Lélio e o seu conceito de amizade (parágrafos 17 a 24)&lt;br /&gt;Conceito moral: a amizade nasce da virtude e só pode existir entre os homens bons (uiri boni), não no sentido idealizado e absoluto, mas na perspectiva da sociedade romana: dotados de virtudes como a fidelidade, a integridade, o sentido de justiça, da liberalidade e da constância.&lt;br /&gt;Conceito natural: é o impulso da natureza que leva ao estabelecimento dos laços de amizade.&lt;br /&gt;Conceito final, baseado nos dois anteriores: a amizade é a plena e afectiva concordância em matéria religiosa, moral e política, envolvendo toda a actividade humana.&lt;br /&gt;Segunda parte: origem e natureza da amizade (parágrafos 25 a 32)&lt;br /&gt;A amizade não nasce na nossa carência nem no desejo de obter um bem de que temos necessidade, mas nasce de um instinto natural e irresistível, numa inata inclinação de alma e num certo sensus amoris que nos leva a amar os nossos semelhantes, sobretudo se neles descobrimos o brilho de alguma virtude, pois é esta, afinal, que cativa e atrai o sentimento da amizade.&lt;br /&gt;Terceira parte: normas para a conservação da amizade (parágrafos 33 a 100)&lt;br /&gt;Não se deve pedir a um amigo, nem fazer por ele, nada que seja desonesto.&lt;br /&gt;Trocar favores honestos, zelar pelo bem do amigo, aconselhá-lo com franqueza, adverti-lo com firmeza e afabilidade.&lt;br /&gt;A relação com o amigo escolhido deve basear-se na fides e na confidência, longe de todo o tipo de simulação e de suspeita.&lt;br /&gt;É necessário dizer a verdade com moderação e sem ultraje e escutá-la sem se ofender. É igualmente importante evitar a complacência e todo o tipo de adulação: segundo Catão, por vezes, prestam-nos melhor serviço os inimigos ásperos do que certos amigos de modos demasiado doces.&lt;br /&gt;Conclusão (parágrafos 100 a 104)&lt;br /&gt;Foram as grandes virtudes de Cipião que fizeram despertar em Lélio a profunda amizade que lhe dedicou e que há-de durar mesmo para além da morte.&lt;br /&gt;(Fonte: http://amartinho.home.sapo.pt/escola/latim/latim12/autores/deamicitia.htm)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ORFEU SPAM APOSTILAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LUCRÉCIO&lt;br /&gt;(cerca de 98-55 a.C.)&lt;br /&gt;O poeta latino ou romano Titus Lucretius Carus, mais conhecido como Lucrécio, tornou-se famoso por seu poema filosófico Da Natureza das coisas, no qual glorifica Epicuro e revela sua concepção do Mundo. Composto em seis cânticos, esse poema começa invocando Vênus, princípio de toda a vida; em seguida, expõe as leis de Demócrito e de Epicuro a respeito do Universo; termina mostrando as etapas que o homem e a civilização devem percorrer antes de alcançar a sabedoria, fim supremo da existência, segundo ele. Com grande qualidade poética, Lucrécio descreve todos os fenômenos da natureza, dos mais belos aos mais horrorosos, explicando-os por causas naturais, à maneira do atomismo probabilista e mecanicista de Epicuro, pois a filosofia precisa libertar os homens do terror, das superstições e do medo dos deuses. Contra todos os medos, o filósofo deve buscar o sentido do belo e a tranqüilidade da alma. Da vida de Lucrécio se conhece pouquíssimo. De S. Jerônimo aprendemos que Lucrécio enlouqueceu por ter bebido um filtro amoroso, e que compôs o seu poema nos intervalos de lucidez que a loucura lhe concedia. Embora a notícia seja por muitos considerada pura fábula, não são poucos os estudiosos que aí vêem pelo menos uma verdade parcial, não só porque tais filtros eram efetivamente usados em Roma, e não só por uma certa desordem do poema, mas também por certo furor poético que em não poucas passagens cria uma atmosfera exaltada, e também por uma ânsia que invade todos os Cânticos. Lucrécio foi, nos tempos modernos, muito mais estudado e amado do que o próprio Epicuro. Estudiosos concordam em considerar a obra de Lucrécio, o De rerum natura, como o maior poema filosófico de todos os tempos. Lucrécio repete conceitos, em seus versos, sustentados exatamente por Epicuro, numa polêmica dirigida a refutar o diálogo aristotélico, intitulado Sobre a Filosofia. Segundo estudiosos, idêntica é a marca espiritual que caracteriza o pensamento do fundador do Jardim, Epicuro, e a do poeta romano que o cantou. A mesma angústia que invade todo poema lucreciano está na base do filosofar de Epicuro: são justamente os obscuros males da alma, dos quais fala Lucrécio, que Epicuro queria afugentar com a sua palavra e recompor em superior ataraxia (termo grego que designa o estado da alma que nada consegue perturbar. Ele é obtido, segundo o estoicismo, pela eliminação das paixões). Certamente Epicuro deve ter experimentado dentro de si todas as angústias que quis curar: o medo dos deuses (ele, tão convencido da existência de seres divinos, a ponto de admiti-los sem quaisquer razões físicas, éticas ou escatológicas), o medo dos males (ele, tão sofredor do físico e tão sensível no espírito) e o medo da morte (ele, que compreendeu tão bem que ela é sentida como o mais horrendo dos males para os homens). E, como vimos, a ataraxia, a felicidade epicurista, não é inércia, não é imobilidade, tampouco imediato dom da natureza: ela é, ao contrário, conquista suada e sofrida, segundo Lucrécio. A ataraxia epicurista é, a seu modo, triunfo da razão do homem sobre o irracional que o circunda. Lucrécio aderiu a uma concepção antiteológica do universo, evolucionista e antiteleológica. Ficou preso a essa perspectiva e a expôs muito mais firme e eloqüentemente do que qualquer outro pensador antigo, contam os estudiosos. Ele aplicou essa concepção do mundo à evolução das plantas, dos animais e do homem, e propôs uma teoria de evolução biológica e social. A novidade que Lucrécio traz aos princípios epicuristas deve, pois, ser buscada na sua poesia. Escreve Boyancé : "Para conquistar o homem, até para libertá-lo de suas paixões, é preciso antes de tudo comovê-lo. Para libertar os homens, Lucrécio compreendeu que não se tratava de obter, nos momentos de fria reflexão, a sua adesão a algumas verdades de ordem intelectual, mas era preciso tornar essas verdades, como diria Pascal, compreensíveis ao coração". Lucrécio foi o grande enriquecedor dos conceitos epicuristas, dando-lhes mais ênfase e paixão.&lt;br /&gt;Fonte: http://www.pucsp.br/~filopuc/verbete/lucrecio.htm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucrécio, Titus Lucretius Carus (96 - 53 a. C.)&lt;br /&gt;Quase nada se sabe sobre a vida de Lucrécio. As datas de seu nascimento e morte, a lenda de sua loucura e de seu suicídio foram extraídas de algumas linhas da "Crônica de são Jerônimo". Os seus contemporâneos nada falaram a seu respeito, com exceção de Cícero, que lhe consagrou uma frase curta em toda a sua correspondência.&lt;br /&gt;O que há de concreto sobre Lucrécio é que ele foi o autor do poema "De Natura Rerum" (Sobre a natureza das coisas), um longo poema filosófico que tentava explicar o universo em termos científicos com ênfase para a superstição e o medo do desconhecido das pessoas, uma exposição das doutrinas de Epicuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse longo poema de 6 cantos extraiu-se as seguintes informações sobre Lucrécio:&lt;br /&gt;• temperamento ardente e apaixonado;&lt;br /&gt;• gênio sombrio e pessimista;&lt;br /&gt;• grande cultura científica e filosófica;&lt;br /&gt;• materialista;&lt;br /&gt;• anti-religioso;&lt;br /&gt;• a sua moral é a do prazer, ou seja, gozar com moderação para gozar por mais tempo, evitando a ambição ou qualquer outro sentimento que possa perturbar a serenidade da alma.&lt;br /&gt;Sobre o poema "De Natura Rerum" pode-se dizer o seguinte:&lt;br /&gt;• poema longo, dividido em seis cantos;&lt;br /&gt;• filosoficamente, pode se considerado uma exposição da doutrina epicurista (1. Doutrina de Epicuro, filósofo grego (341-270 a. C.), e de seus seguidores, caracterizada, na física, pelo atomismo, e na moral, pela identificação do bem soberano com o prazer, o qual, concretamente, há de ser encontrado na prática da virtude e na cultura do espírito. 2. Sensualidade, luxúria 3. Saúde do corpo e sossego do espírito.&lt;br /&gt;• nos dois primeiros cantos instrui sobre a natureza das coisas;&lt;br /&gt;• nos cantos três e quatro, trata da natureza do Homem;&lt;br /&gt;• nos dois últimos cantos, fala do mundo exterior e dos fenômenos naturais;&lt;br /&gt;• caráter didático;&lt;br /&gt;• uso de digressões;&lt;br /&gt;• Invocação aos deuses. Exemplo Vênus.&lt;br /&gt;Fonte: http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/latina/lucrecio.htm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POETAS LATINOS: LUCRÉCIO&lt;br /&gt;------------------------------------------------&lt;br /&gt;Titus Lucretius Carus (ou simplesmente Lucrécio), poeta e filósofo latino, provavelmente, nasceu em Roma em 95 a.C., onde foi educado e morreu no ano de 53 a.C. As datas exatas de seu nascimento e morte não são conhecidas, mas, geralmente são situadas entre esses anos.&lt;br /&gt;Segundo São Jerônimo, o poeta se suicidou durante um acesso de loucura, motivado por uma droga que uma mulher lhe ministrara, como uma espécie de filtro amoroso. O filtro é conhecido também como “amavio”; era um meio de sedução através de drogas e feitiços. Sua mais famosa obra foi escrita nos intervalos de lucidez que a loucura lhe concedia. Esse fato é causa de muita polêmica, mas para muitos estudiosos, há alguns aspectos coincidentes: os filtros eram realmente usados em Roma; percebe-se certa desordem no poema; furor poético com passagens de atmosfera exaltada.&lt;br /&gt;Lucrécio escreveu o poema De Rerum Natura (Sobre A Natureza Das Coisas), que é um tratado de filosofia epicurista revestido de forma altamente poética. Para Lucrécio, o epicurismo era a chave que poderia desvendar os segredos do universo e garantir a felicidade humana. Tão entusiasmado ficou que se propôs a tarefa de libertar os romanos do domínio religioso através do conhecimento da filosofia epicurista. Além de Epicuro, Empédocles é seu grande orientador espiritual, e a este deve Lucrécio muito de suas concepções. Quanto à linguagem o seu grande mestre foi Ênio.&lt;br /&gt;O Poema&lt;br /&gt;De Rerum Natura é composto em seis cânticos. O primeiro é a Invocação de Venus; princípio de toda a vida:&lt;br /&gt;Mimosa Venus, mãe de eneide Roma,&lt;br /&gt;Prazer dos homens e numes! Tu alentas&lt;br /&gt;Os astros, que dos céus no âmbito giram,&lt;br /&gt;as férteis terras, o naval oceano.&lt;br /&gt;Por ti, todo o animal recebe a vida!&lt;br /&gt;Logo ao nascer, na luz do sol atenta...&lt;br /&gt;Em seguida, expõe as leis de Demócrito e de Epicuro a respeito do Universo e termina mostrando, segundo seu conceito, quais as etapas que o homem e a civilização devem percorrer antes de alcançar a sabedoria, fim supremo da existência. Lucrécio descreve todos os fenômenos da natureza explicando-os por causas naturais.&lt;br /&gt;Além de fonte preciosa para o conhecimento do epicurismo – comenta-se que, modernamente, é muito mais estudado do que o próprio Epicuro - o poema de Lucrécio tem grande importância literária. Seus versos consagram o autor como um dos maiores poetas latino e sua obra como o maior poema filosófico de todos os tempos.&lt;br /&gt;Alguns Pensamentos de Lucrécio&lt;br /&gt;A ninguém foi dada a posse da vida, a todos foi dado o usufruto.&lt;br /&gt;Na verdade, aqueles suplícios que dizem existir&lt;br /&gt;No profundo Inferno, estão todos aqui, nas nossas vidas.&lt;br /&gt;Assim como as crianças, que no escuro tremem de medo e temem&lt;br /&gt;[tudo,&lt;br /&gt;Nós, na claridade, às vezes temos receio de certas coisas&lt;br /&gt;Que não são mais terríveis do que aquelas que as crianças temem&lt;br /&gt;No escuro e pensam que acontecerão a elas.&lt;br /&gt;É preciso afugentar com ímpeto esse medo do Inferno&lt;br /&gt;Que perturba profundamente a vida do homem,&lt;br /&gt;Estendendo sobre tudo a lúgubre sombra de morte&lt;br /&gt;E não deixando existir nenhuma alegria serena e inteira.&lt;br /&gt;Para quem vive segundo os verdadeiros princípios,&lt;br /&gt;A grande riqueza seria viver com pouco,&lt;br /&gt;Serenamente: o que é pouco nunca é escasso.&lt;br /&gt;Nada pode nascer&lt;br /&gt;Do nada.&lt;br /&gt;____________________&lt;br /&gt;Bibliografia:&lt;br /&gt;Antologia da Poesia Universal, seleção de Ari de Mesquita, Tecnoprint S.A., 1988.&lt;br /&gt;Agradeço a leitura e, antecipadamente, qualquer comentário.&lt;br /&gt;Se você encontrar erros (inclusive de português), por favor, me informe.&lt;br /&gt;Ricardo Sérgio Publicado no Recanto das Letras em 14/05/2008&lt;br /&gt;Fonte: http://recantodasletras.uol.com.br/biografias/989768&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ORFEU SPAM APOSTILAS&lt;br /&gt;[Volta à Página Principal]&lt;br /&gt;CATULO&lt;br /&gt;LÉSBIA: A INSPIRAÇÃO ROMÂNTICA DE CATULO&lt;br /&gt;Ivone da Silva Rebello&lt;br /&gt;CATULO: SUA VIDA, SUA OBRA&lt;br /&gt;Caio Valério Catulo nasceu em Verona (Veronam ueniat... - venha a Verona; c. 35,3), uma cidadezinha da Gália Cisalpina e, provavelmente, morreu em Roma. A cronologia de sua vida 84 - 54 é a mais provável. Devia pertencer a uma rica família da nobreza provincial, talvez oriunda da gens Valeria romana, pois seu pai possuía uma uilla na península de Sírmio (cf. c. 31), e tinha relações de amizade e de hospitalidade com Júlio César. O próprio poeta, ao mudar-se para Roma, residia numa uilla situada entre Tívoli e Sabina (cf. c. 68, 34 - 35: hoc fit, quod Romae uiuimus; illa domus, /illa mihi sedes, illic mea carpitur aetas; - em Roma vivo: aí é minha casa, aí , minha morada, aí desfruto a vida e cf. c. 44: O funde noster seu Sabine seu Tiburs, - O sítio meu , Sabino ou Tiburtino). Com relação à sua cidade natal, o poeta fala dela com certa tristeza:&lt;br /&gt;Quare, quod scribis Veronae turpe Catullo&lt;br /&gt;esse quod hic quisquis de meliore nota&lt;br /&gt;frigida deserto tepefactat membra cubili,&lt;br /&gt;id, mi Alli, non est turpe, magis miserum est.&lt;br /&gt;(c. 68, 27 - 30)&lt;br /&gt;quando então dizes, Álio, "é tolice, Catulo,&lt;br /&gt;ficares em Verona, que um Romano&lt;br /&gt;já esquenta o frio dos pés no leito que deixaste",&lt;br /&gt;isto não é tolice, mas tristeza.&lt;br /&gt;Em Roma, Catulo se ligou a um círculo de poetas de ideais estéticos comuns. Cícero, no entanto, não se simpatizava com esta escola literária e a chamava de poetae noui, dando a esta expressão um certo matiz pejorativo. Catulo, respondendo a este insulto, escreve os poemas 44 e 49, agradecendo a Cícero o fato de ter lhe deixado o lugar livre para amar Lésbia, suposta amante do orador.&lt;br /&gt;Disertissime Romuli nepotum,&lt;br /&gt;quot sunt quotque fuere, Marce Tulli,&lt;br /&gt;quotque post aliis erunt in annis,&lt;br /&gt;gratias tibi maximas Catullus&lt;br /&gt;agit pessimus omnium poeta,&lt;br /&gt;tanto pessimus omnium poeta&lt;br /&gt;quanto tu optimus omnium patronus.&lt;br /&gt;(49, 1 - 7)&lt;br /&gt;Ó tu mais loquaz dos filhos de Rômulo,&lt;br /&gt;de quantos são e quantos foram, Cícero,&lt;br /&gt;e de quantos hão de ser no futuro,&lt;br /&gt;um muito obrigado te diz Catulo-&lt;br /&gt;o pior dentre todos os poetas-&lt;br /&gt;tanto pior de todos os poetas&lt;br /&gt;quanto tu o melhor dos defensores.&lt;br /&gt;O poeta, em sua obra, mostra a urbanidade da época ciceroniana em franca transformação no plano moral, político e artístico e desejava que os seus poemas durassem por mais de um século (c. 1, 10: plus uno maneat peremne saeclo - que viva, ó deusa virgem, mais de um século).&lt;br /&gt;Os momentos políticos apresentados no Liber são a marca do cruzamento entre a cidade ideal, desejada pelo poeta, e a outra cidade do poder real, da riqueza, da guerra, das conquistas e conflitos.&lt;br /&gt;Para Catulo, a verdadeira cidade devia assentar-se na sodalitas dos amigos, com suas leis, amizades e inimizades.&lt;br /&gt;O poeta, no entanto, coloca diante de si uma mulher pública, envolvida com a política da época, chamada por ele de Lésbia, conforme os cânones da poesia alexandrina.&lt;br /&gt;Lésbia será o centro do universo poético preconizado pelo poeta, o qual também pertenciam os seus amigos.&lt;br /&gt;A paixão imedida de Catulo levou-o a uma vida agitada, dissoluta, envolvida por tantas paixões e contrastes, terminando por arruinar-lhe a saúde e lhe trazendo a morte quando contava com apenas 30 anos.&lt;br /&gt;QUEM FOI LÉSBIA?&lt;br /&gt;Lésbia (Clódia) foi mulher de Quintus Metellus Celer, filha de Appius Claudius Pulcher. Lésbia era um falsum nomen, segundo Ovídio.&lt;br /&gt;Sic sua lasciuo cantata est saepe Catullo&lt;br /&gt;Femina cui falsum Lesbia nomen erat.&lt;br /&gt;(Tristes II, 427-428)&lt;br /&gt;Assim foi freqüentemente celebrada em versos pelo lascivo Catulo&lt;br /&gt;A mulher cujo pseudônimo era Lésbia.&lt;br /&gt;Não foi difícil tirar tal conclusão, tendo em vista a admiração do poeta pela poetisa de Lesbos - Safo. Além disso, Apuleio (séc. I d.C.) diz que Lésbia é Clódia, pois os poetas elegíacos escolhiam um pseudônimo que tivesse o número de letras igual ao do nome verdadeiro, conforme os cânones da poesia alexandrina (Lesbia/Clodia).&lt;br /&gt;Eodem igitur opera accusent C.Catullum&lt;br /&gt;Quod Lesbiam pro Clodia nominarit.&lt;br /&gt;(Apologia 10)&lt;br /&gt;A Lésbia dos poemas catulianos, pesava-lhe a suspeita de ter causado a morte de seu marido e que, após se tornar viúva, se amantizara com Caelus Rufus (cf. c. 77), pondo de lado Catulo, amante que tivera durante a vida com o marido.&lt;br /&gt;Rufe, mihi frustra ac nequiquam credite amice,&lt;br /&gt;(v.1)&lt;br /&gt;Rufo!, que à toa e em vão pensei ser meu amigo&lt;br /&gt;O romance estabelecido entre o poeta e Clódia é a fonte de inspiração de toda a arte catuliana.&lt;br /&gt;Segundo estudos críticos, talvez a relação amorosa do poeta tenha começado por volta de 61-60, em Verona, época em que o marido de Clódia era governador da Gália Cisalpina.&lt;br /&gt;O primeiro encontro do poeta com essa patrícia, muito mais velha do que ele, deu-se no banquete de Lucullus, personagem do poema 4, no ano 63.&lt;br /&gt;O poema 68 fala-nos de alguns encontros furtivos proporcionados na casa de um amigo comum, situação freqüente nas classes superiores.&lt;br /&gt;isque domum nobis isque dedit dominam,&lt;br /&gt;atque ubi communes exerceremus amores.&lt;br /&gt;(v.68-69)&lt;br /&gt;me deu morada e deu-me à sua dona,&lt;br /&gt;e lá comuns nós praticávamos amores.&lt;br /&gt;Ainda, neste mesmo poema (v.135-136), Catulo constata a sua impossibilidade de ter uma Lésbia virtuosa (Quae tamenetsi uno non est contenta Catullo, / rara uerecundae furta feremus erae - Embora ela não se contente só com Catulo,/ as raras infidelidades de uma senhora discreta suportaremos) e tenta suportar a sua dor com a própria autoestima (cf. c. 76, 25-26: ipse ualere opto est taetrum hunc deponere morbum/ O dei, reddite mi hoc pro pietate mea - Quero estar bem, deixar esta dor ruim. Deuses!/ Isto me dai por minha piedade).&lt;br /&gt;Como todos os poetas líricos, Catulo identifica-se perfeitamente com a tríade amor, mulher e poesia. A formosura de sua amada foi a todo momento celebrada, a ponto de comparar Cibele e Quíntia com Lésbia, pois o encanto físico foi determinante no seu amor (cf. c.51).&lt;br /&gt;...et enum uenuste&lt;br /&gt;magno Caecilio incohata mater.&lt;br /&gt;(c.35, 17-18)&lt;br /&gt;...bela está&lt;br /&gt;Cibele em versos de Cecílio, grande&lt;br /&gt;Quintia formosa est multis, mihi candida, longa,&lt;br /&gt;recta est. Haec ego sic singula confiteor&lt;br /&gt;(c.86, 1-2)&lt;br /&gt;Para muitos Quíntia é bela, para mim é&lt;br /&gt;clara, esguia, bem feita; isto eu aceito.&lt;br /&gt;No entanto, a beleza de tais mulheres não são comparáveis à beleza de sua Lésbia.&lt;br /&gt;Lesbia formosa est, quae cum pulcerrima tota est,&lt;br /&gt;tum omnibus una omnis subripuit ueneres&lt;br /&gt;(c.86, 5-6)&lt;br /&gt;Lésbia sim é linda: toda belíssima,&lt;br /&gt;só ela a todas roubou toda a graça.&lt;br /&gt;O AMOR EM ROMA&lt;br /&gt;Em Roma, os antigos romanos consideravam o amor 
